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Finalidad de los modelos científicos eruditos

Dans le document Facultat de Ciències de la Educació (Page 24-27)

A geografia é uma ciência institucionalizada que tem seus princípios e objetos de estudo definidos. A gênese deste conhecimento está no estudo do solo, relevo, clima, vegetação, astronomia, localização, orientação e cartografia. Eles foram fundamentais para o desenvolvimento das civilizações que se apropriaram deste saber e iniciaram o processo de ocupação e transformação dos espaços.

Foi pelo conhecimento geográfico que o homem passou a habitar de forma fixa os espaços, ocorrido por meio das práticas agrícolas. O trato com a terra permitiu o surgimento da agricultura e, consequentemente a apropriação e ocupação do homem nos espaços.

Para Santos (2006) a história das chamadas relações entre sociedade e natureza é, em todos os lugares habitados, a da substituição de um meio natural, dado a uma determinada sociedade, por um meio cada vez mais artificializado. Nas palavras do autor, sucessivamente instrumentalizado por essa mesma sociedade. Em cada fração da superfície da terra, o caminho que vai de uma situação a outra se dá de maneira particular; e a parte do "natural" e do "artificial" também varia, assim como mudam as modalidades do seu arranjo.

Com suas raízes fundadas no capitalismo, a geografia enquanto ciência se transformou em um elemento de poder para as elites. Ela surge na Alemanha na transição do século XVIII para o século XIX. Foi Frederich Ratzel, o criador da corrente ou escola determinística (Carvalho, 1997). Ele trouxe o entendimento da influência do ambiente sobre o homem, quando a natureza determina a ação do homem no espaço, ou seja, o homem é submisso, passivo, resultado e produto da natureza (CARVALHO, 1997). A escola Francesa promoveu outro entendimento dessa relação. Para ela, a relação homem natureza é entendida como aquela na qual o homem é influenciado pela natureza, mas não determinado por ela. Ou seja, o homem poderia transformar o espaço da natureza conforme as suas necessidades. Essa escola ficou conhecida como “possibilista”, que acreditava que com o uso de técnicas, poderia se alcançar determinadas possibilidades de transformação do espaço (LIRA, 2014).

Como passar dos tempos, a geografia foi conceituada como uma das responsáveis pela criação de uma imagem do mundo e por sua descrição. Neste processo, princípios geográficos foram formulados. Eles atuam como regras de procedimentos e análises na geografia tradicional e fornecem elementos de unidade para estudos geográficos, sendo eles: Princípio da unidade terrestre –a terra é um todo e deve ser compreendida em visão de conjunto; Princípio da

Individualidade - cada lugar tem feição que lhe é própria e que não se reproduz de modo igual em outro lugar; Princípio da Atividade – tudo na natureza está em constante dinamismo; Princípio da Conexão – todos os elementos da superfície terrestre e todos os lugares se inter- relacionam; Princípio da Comparação – a diversidade dos lugares só pode ser apreciada pela contraposição das individualidades; Princípio da Extensão – todo fenômeno manifesta-se numa porção variável do planeta; Princípio da Localização – a manifestação de todo fenômeno é passível de ser delimitada (MENDONÇA, 2012). Estes princípios indicam que natureza e sociedade precisam ser compreendidas na sua globalidade, na sua dinâmica contígua e nas suas inter-relações que estão intrinsicamente relacionados com temática da Tese.

Passado um dos momentos mais impactantes da história da humanidade, a segunda Guerra Mundial, as escolas deterministas (Alemã) e possibilistas (Francesa), que eram predominantes no pensamento da Geografia, não deram conta de explicar todas as transformações que ocorreram posteriores a este período.

Na década de 1970 nasceu a escola critica. Nela o pensamento geográfico perpassa um olhar crítico na produção do espaço. Influenciado pelo Marxismo, o socialismo científico de Karl Marx, o espaço é pensado como resultado das relações desiguais entre as classes sociais (OLIVEIRA, 1994). Esse olhar crítico sobre a produção dos espaços possibilitou vivificar espaços que são construídos para atender uma elite e outros, criados com o objetivo abrigar pessoas que são excluídas do sistema ou menos beneficiadas do sistema capitalista, como é caso dos lixões do Brasil que abrigavam até 2010, milhares de família de catadores e catadoras.

Na escola crítica, o conhecimento é fundamental porque os indivíduos passam a partir dele, exercer ativa e proativamente a cidadania. A partir do conhecimento político, a ação política dos indivíduos busca a melhoria da produção do próprio espaço (OLIVEIRA, 1994).

De acordo com Santos (1996, p. 51): “o espaço pode ser entendido como um conjunto de sistemas e objetos e sistemas de ações”. Estes formam o espaço de modo indissociável, solidário e contraditório. Nas palavras do autor o espaço possui forma e função corresponde ao social, ou seja, o espaço de vida e trabalho do homem produzido através do resultado de relações sociais acumuladas através do tempo.

Para Santos (1996) o espaço geográfico é um elemento híbrido formado por sistema de objeto e sistema de ações. Em Cavalcanti, (2002, p.13) “um estudo do espaço requer uma análise da sociedade e da natureza, e da dinâmica resultante da relação entre ambas”. É compreender que o “espaço é resultado da ação dos homens sobre o próprio espaço intermediados pelos objetos naturais e artificiais” (Santos, 1996, p.71).

Assim sendo, o espaço geográfico em sua totalidade pode ser entendido como o resultado da dinâmica produzida historicamente na relação entre sociedade e natureza mediada pelas relações de trabalho. É fundamental compreender o conceito de espaço, considerando que este último antecede o território.

O espaço é de certa forma, "dado" como se fosse uma matéria-prima. Preexiste a qualquer ação. "Local" de possibilidades é a realidade material preexistente a qualquer conhecimento e a qualquer prática dos quais será o objeto a partir do momento em que um ator manifeste a intenção de dele se apoderar. Evidentemente, o território se apoia no espaço, mas não é o espaço (RAFFESTIN, 1993, p. 143-144).

O território é uma categoria de estudo da geografia. O conceito de espaço não deve ser compreendido ou analisado de forma desarticulada com o território. Deve ser compreendido como produto das relações sociais que se estabelecem em um dado espaço. Ao longo dos tempos, a ciência geográfica vem contribuindo e discutindo a relação entre a sociedade e a natureza nos espaços geográficos. A interpretação histórica espacial dos territórios requer a compreensão dialética das relações sociais e análise crítica da transformação das paisagens a partir do trabalho do ser humano.

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