INDICATEURS, MATERIEL, TRAITEMENT DES DONNEES : DES CHOIX DIFFICILES
F3 L A DISTRIBUTION PAR AGE DE L ’ ECHANTILLON DE REFERENCE : UN CHOIX IMPORTANT
Esta pesquisa analisou os fatores motivacionais para adoção da governança corporativa e as práticas adotadas nas empresas cearenses, considerando-se suas características institucionais.
Pressupondo que a motivação para implenentar a governança corporativa está vinculada à finalidade de otimizar o valor da organização, facilitar o acesso a recursos e contribuir para sua longevidade, conforme preceitua o IBGC (2009), e que o Código do IBGC (2009) representa de forma relevante as normas sobre o tema no contexto brasileiro, e que a Teoria da Contingência fundamenta o referido estudo, delimitaram-se os seguintes objetivos específicos:
identificar os principais fatores motivacionais que levaram as empresas a implementar a governança corporativa;
examinar as práticas de governança corporativa adotadas pelas empresas e sua aderência às melhores práticas preconizadas no código do IBGC (2009);
verificar semelhanças e diferenças nas motivações e nas práticas de governança corporativa das empresas, considerando-se suas características institucionais.
No sentido de se alcançar o primeiro objetivo específico, identificaram-se os principais fatores motivacionais que levaram as empresas a implementar a governança corporativa. Os resultados apontaram os oito principais motivos, baseados na média da pontuação obtida nos questionários mediante ponto de corte definido a partir da “técnica do cálculo da média das médias + 1 desvio-padrão” e validados por teste de médias. Os fatores de mais relevância foram F2 (profissionalizar a empresa), F1 (perpetuar a empresa), F4 (melhorar a imagem institucional), F6 (garantir mais transparência e relacionamento com o mercado de capitais), F5 (melhorar o relacionamento entre os acionistas componentes do bloco de controle), F7 (melhorar o processo sucessório), F25 (viabilizar a abertura de capital) e F8 (aumentar a captação de recursos junto a credores e acionistas).
Vale destacar que os quatro primeiros fatores motivacionais apontados nesta pesquisa obtiveram destaque semelhante nos estudos de Aragão et al. (2009) e Ponte et al. (2012). Os demais fatores apresentaram posição bastante divergente, na comparação com os estudos citados, ou seja, os motivos F5, F7, F25 e F8 foram considerados menos importantes para o grupo de respondentes desses estudos formado por analistas da Apimec e DRIs. Essa
incongruência de resultados pode ser explicada pelo perfil das empresas respondentes, haja vista que 73,3% delas são de capital fechado, enquanto os estudos de Aragão et al. (2009) e Pontes et al. (2012) basearam-se em companhias abertas listadas na BM&FBovespa.
No sentido de se concretizar o segundo objetivo específico, investigaram-se as práticas de governança corporativa adotadas pelas empresas e sua aderência às melhores práticas instituídas pelo IBGC (2009). Embora 83,3% das empresas pesquisadas tenham declarado que implantaram a governança, os resultados identificaram que, em média, apenas 46,7% das melhores práticas do Código do IBGC (2009) são observadas; portanto, um percentual baixo, revelando que há amplo espaço para se avançar nesse tema, implicando assim um potencial para o desenvolvimento de consultorias que ajudem essas empresas a alcançar melhores índices e, por conseguinte, usufruir de uma governança fortalecida e relevante.
No tópico Propriedade, a aderência registrou média equivalente a 50%. Ressalte-se que apesar de 76,7% das empresas serem familiares, 90% informaram que não há conselho de família em suas instituições. Vale ressaltar que a falta desse instrumento nas empresas familiares possibilita que conflitos ou questões de ordem particular interfiram nas decisões corporativas, desfavorecendo assim a profissionalização almejada pelas companhias.
No que diz respeito ao Conselho de Administração, constatou-se que 83,3% das empresas possuem esse tipo de colegiado, desempenho igual ao resultado do quesito sobre as empresas que implantaram a governança corporativa, podendo-se considerar iniciado o processo de implantação da governança corporativa pelo simples fato de haver conselho de administração.
Quanto à temática Gestão, cuja média de aderência das empresas às melhores práticas de governança corporativa foi de 48%, observou-se a pouca preocupação em avaliar a sucessão do principal executivo e da diretoria. Um resultado importante desta pesquisa refere- se à constatação de que 90% das empresas divulgam as demonstrações financeiras em padrões internacionais da contabilidade.
Os aspectos relativos ao tópico “Auditoria Independente apresentaram média de 53,3% de aderência e uma forte tendência das empresas a contratar auditorias externas de renome, qualificadas e independentes para validar as demonstrações financeiras. Contudo, constatou-se que apenas 30% delas instituíram o comitê de auditoria.
O Conselho Fiscal revelou a pior aderência com as melhores práticas, com média de insignificantes 10%, decorrente principalmente do fato de que 86,7% das empresas
pesquisadas não constituíram o referido conselho e que, daquelas que implantaram, 75% dos conselheiros são indicados pelo próprio sócio controlador.
Por fim, a abordagem referente a Conduta e Conflito de Interesses revela que esse assunto é tratado de forma moderada nas empresas, com média de 46,7% de aderência, e que 53,3% das organizações possuem código de conduta e/ou ética.
Quanto ao atendimento do terceiro objetivo específico, analisaram-se as semelhanças e diferenças nas motivações e nas práticas de governança corporativa das empresas, considerando-se suas características institucionais, como setor econômico, porte econômico- financeiro, faixa etária, tipo de controle e tipo de capital.
Os resultados demonstraram que para os principais fatores motivacionais, há uma convergência de importância para as companhias de grande porte, com mais de 40 anos de existência, de controle familiar e com governança corporativa em estágio inicial ou em desenvolvimento, portanto corroborando que as características institucionais como porte econômico-financeiro, faixa etária, tipo de controle e tipo de capital influenciam as decisões das empresas. Logo, confirma-se, assim, a Teoria da Contingência como pressuposto de fundamentação desta pesquisa.
Quanto às práticas de governança corporativa, os achados revelam que sete empresas, cuja média de aderência às melhores práticas alcançou 85%, possuem como semelhança forte em suas características institucionais o fato de serem de capital aberto, principalmente, de grande porte econômico-financeiro e existirem há mais de 40 anos. Comparando-se com a listagem de empresas de capital fechado, as 17 empresas pertencentes a esse grupo registraram apenas 40% de aderência às melhores práticas emanadas do IBGC (2009).
Tomando-se por base a análise realizada nesta pesquisa, acredita-se que seus resultados contribuem no âmbito acadêmico, por reforçar os estudos regionalizados em empresas de capital fechado, necessidade essa apontada nas pesquisas que nortearam este estudo. No âmbito empresarial, fica um panorama da realidade das empresas cearenses sobre o tema, demonstrando um caminho a percorrer no desenvolvimento da matéria.
Algumas limitações da pesquisa, como a quantidade de empresas participantes, impossibilitaram a utilização de técnicas estatísticas robustas e a análise detalhada dos efeitos das características institucionais das empresas em relação às melhores práticas, razão pela qual sugere-se a realização de novas pesquisas nessa temática, incluindo a abordagem de três novos aspectos, a saber: (i) a relação entre o tipo de capital (aberto ou fechado) a adoção das melhores práticas de governança corporativa; (ii) a influência do controle familiar na
motivação para adoção da governança corporativa; e (iii) a replicação da presente pesquisa, porém com população e amostra mais ampliadas.
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APÊNDICE A – Protocolo do instrumento de pesquisa
UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ– UFC
FACULDADE DE ECONOMIA, ADMINISTRAÇÃO, ATUÁRIA E CONTABILIDADE– FEAAC
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ADMINISTRAÇÃO E CONTROLADORIA – PPAC
Ref.: Pesquisa sobre governança corporativa nas empresas cearenses: motivações e práticas adotadas.
Prezado Senhor,
A Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade (FEAAC), da Universidade Federal do Ceará (UFC), oferece o curso de Mestrado Profissional em Administração e Controladoria (MPAC), recomendado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), órgão do Ministério da Educação que regulamenta a pós-graduação stricto sensu no Brasil.
Para conclusão do curso, os mestrandos precisam elaborar suas dissertações, que, em geral, necessitam da obtenção de informações junto a empresas públicas e/ou privadas.
Esta pesquisa objetiva analisar as práticas de governança corporativa nas empresas cearenses– motivações para adoção e adequação às boas práticas preconizadas pelo IBGC –, e pretende responder o seguinte problema: Quais as motivações e a adequação da governança corporativa nas empresas cearenses?
Ademais, como objetivos específicos, este estudo permitirá caracterizar as empresas da amostra, considerando setor econômico, porte, idade e tipo de controle; identificar os principais motivos que levaram as empresas a adotar a governança corporativa; analisar a adequação às melhores práticas de governança corporativa, segundo o código do IBGC (2009); e verificar semelhanças e diferenças nas motivações e na adequação da governança corporativa nas empresas cearenses, considerando algumas de suas características institucionais.
O questionário é baseado no Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), visando identificar a aderência das empresas a essas práticas, e nos estudos sobre motivações para adoção da governança corporativa de Aragão et al. (2009) e Ponte et al. (2012). O referido questionário será aplicado em três etapas: a primeira será a classificação e qualificação da empresa; a segunda compreenderá 28 perguntas binárias e objetivas referentes à adequação às boas práticas de governança corporativa; e a terceira parte é composta por questionário sobre os motivos para adoção da governança corporativa, onde são apresentados 25 motivos, para serem avaliados em escala de 1 a 5, segundo o grau de importância.
É importante ressaltar que a pesquisa é de cunho acadêmico, e seus resultados serão tratados e apresentados de forma agregada, preservando-se o absoluto sigilo das informações individuais, ou seja, as respostas individuais serão tratadas confidencialmente, e em nenhuma hipótese serão divulgadas.
Agradeço antecipadamente por sua colaboração e fico à disposição para dirimir qualquer dúvida.
Atenciosamente,
Sávio Roberto Rodrigues Maia
Aluno do Curso de Mestrado Profissional em Administração e Controladoria, da Faculdade de Economia, Administração, Atuária e Contabilidade, da Universidade Federal do Ceará
Orientadora da pesquisa: