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Explicit Type and Value Conversions

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9.2 Explicit Type and Value Conversions

O infinitivo impessoal aparece em diferentes tipos de construção, nomeadamente em construções de controlo, quer construções de controlo de sujeito, quer construções de controlo de complemento direto. No primeiro caso, é o sujeito da frase subordinante que controla a referência do sujeito (sem realização lexical) da frase subordinada. No segundo caso, é o complemento direto que controla a referência do sujeito sem realização lexical da frase subordinada.

Barbosa e Raposo (2013, p. 1941) distinguem nas construções de controlo de sujeito duas construções: as de controlo obrigatório e as de controlo não obrigatório. Nas primeiras, o sujeito nulo da oração subordinada é obrigatoriamente correferente do sujeito da oração subordinante; nas segundas, o sujeito nulo da oração subordinada não é correferente com o da oração subordinante, o sujeito da oração infinitiva tem uma interpretação indefinida. Neste segundo caso, a oração completiva tem a função de sujeito.

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115 (31) a) “Os médicos desejam [or [-] examinar a Ana.” (Barbosa & Raposo44, 2013,

p. 1941)

b) “É importante (para as pessoas) [or [-] não fumar nos recintos desportivos.” (Barbosa & Raposo, 2013, p. 1941)

Os exemplos (32) a (35) ilustram construções de controlo de sujeito selecionadas por verbos declarativos (32), verbos de atividade mental (33), verbos avaliativos de uso factivo (34), verbos casualmente defetivos (35).

(32)Eles afirmaram [[-] ter sido muito teimosos na alteração da lei]. (33)Nós admitimos [[-]ter sido intransigentes contigo].

(34)Os ministros criticam [[-] ter aprovado a nova lei sem a discutirem em assembleia].

(35)O Miguel insistiu em [[-] soltar o cão].

Como estamos a ver, com os verbos declarativos e epistémicos o uso de infinitivo impessoal é mais frequente, o que significa que estamos perante construções de controlo. Os verbos avaliativos de uso factivo, embora ocorram preferencialmente com infinitivo flexionado, podem igualmente aparecer em construções de controlo.

Certas expressões (lexias complexas) com o verbo leve “ter”45 ocorrem também em construções de controlo com infinitivo impessoal, como é ilustrado nos seguintes exemplos:

(36) a) A Paula teve a alegria de [[-] receber um elogio].

b) O Miguel tem a intenção de [[-] fazer uma grande viagem pelo mundo].

Os verbos volitivos e optativos46 também aparecem em construções de controlo de sujeito e permitem apenas infinitivo não flexionado (37a):

(37) a) A Paula deseja [[-] ter um carro novo]. b) Ele decidiu-se a [[-] estudar teatro em Londres].

Este tipo de verbos, como referido anteriormente, só admite construções de controlo. Também os verbos volitivos inerentemente reflexivos47 (37b) admitem construções de controlo de sujeito, aparecendo a completiva precedida de preposição.

44 Barbosa e Raposo (2013) usam “oração”, mas no quadro desta dissertação seria “ST”.

45 Na complementação nominal podem aparecer ainda algumas locuções verbo-nominais tais como: ter a alegria (de), ter conhecimento (de), ter (a) coragem (de/para), ter em conta, ter em consideração, ter dificuldade (em), ter a felicidade (de), ter gosto (em), ter (a) ideia (de), ter (o) cuidado (de/em), ter (a) infelicidade (de), ter a intenção (de), ter oportunidade (de/para), ter paciência (de/para), ter tempo (de/para), ter sentido (de) (Brito, 1983/1989, p. 285).

46 Verbos volitivos e optativos: desejar, esperar, ousar, preferir, pretender, querer, recear, recusar, tencionar, tentar (Brito, 1983/1989, p. 273).

116 A estrutura sintática de uma construção de controlo de sujeito com um verbo volitivo é a que se descreve a seguir:

(38)

Duarte, Gonçalves e Santos (2012) analisam de novo as estruturas de controlo de sujeito de forma a verificarem a distribuição do infinitivo flexionado e do infinitivo não flexionado. Os exemplos (39) ilustram casos de controlo obrigatório e os exemplos (40) de controlo não obrigatório.

(39)a) “[Eles]i preferiram/prometeram [PROi/*j/*arb ir ao cinema logo].” (Duarte,

Gonçalves & Santos, 2012, p. 218)

b) “* [Eles] preferem/prometem [PRO expl nevar].” (Duarte et al., 2012, p.

218)

(40) a) “[Eles]i proibiram [os filhos]j de ecj acampar para PROi/*j osj castigar.”

(Duarte et al., 2012, p. 218)

b) “[O chocolate]i foi deixado ao sol para PROarb [o]i derreter.” (Duarte et al.,

2012, p. 218)

47 Verbos volitivos inerentemente reflexivos: abalançar-se (a), afoitar-se (a), atrever-se (a), decidir-se (a), resolver-se (a) (Duarte, 2003d, p. 638).

Figura 9: Estrutura sintática de uma estrutura de controlo de sujeito

ter um carro novo [PRO] deseja A Paula iPPpPa [ø] SV SN T ST T’ V SComp Comp’ Comp T’ T SV ST SN

117 c) “[Eles]i vestiram o casaco por PROexpl estar frio.” (Duarte et al., 2012, p.

218)

As autoras defendem que a distribuição do infinitivo flexionado em certos contextos está relacionada com as relações de natureza temporal. Em estruturas de controlo de sujeito há tempo dependente e impossibilidade de ocorrência de infinitivo flexionado. Há tempo dependente quando duas situações partilham o mesmo domínio temporal. Em contextos de controlo obrigatório (controlo de SU em completivas) há tempo dependente. Em construções de controlo não obrigatório (orações em posição de SU e orações adjuntas) verifica-se tempo independente. Assim, o tempo dependente não ocorre em contextos de infinitivo flexionado porque só há tempo dependente em estruturas de controlo de sujeito (de infinitivo impessoal).

Mesmo havendo tempo independente não significa que exista infinitivo flexionado, como se verifica na agramaticalidade de (41b).

(41) a) “Eles prometeram acabar o trabalho amanhã.” (Duarte et al., 2012, p. 224) b) “* Eles prometeram acabarmos trabalho (amanhã).” (Duarte et al., 2012, p. 224)

De forma a explicarem situações como as ilustradas acima, propõem o conceito de “orientação temporal”, que, segundo as autoras, é “uma propriedade lexical dos verbos que selecionam complementos oracionais, que determina a localização temporal da situação descrita na frase encaixada como anterior/posterior/sobreposta à situação descrita na oração matriz” (Duarte et al., 2012, p. 224).

Assim, em contextos de controlo obrigatório de sujeito, apenas ocorre infinitivo flexionado se a orientação temporal do verbo da oração principal seleciona uma orientação temporal não especificada (veja-se 42); quando a interpretação temporal é não especificada determina sempre uma leitura de tempo independente dos complementos infinitivos; se a orientação temporal do verbo da oração principal é especificada, quer tenha ou não a completiva tempo dependente ou independente, é obrigatório o uso de infinitivo não flexionado (veja-se 43). No contexto de tempo dependente é impossível a ocorrência de infinitivo flexionado (Cf. 41b).

(42) “Ela acredita acabarem os primos o trabalho amanhã.” (Duarte et al., 2012, p. 224)

Os verbos “acreditar” e “afirmar”, como têm uma orientação temporal não especificada, neutra, como Cunha e Silvano (2006, 2008) já tinham mostrado, veiculam leituras de sobreposição, de anterioridade e de posterioridade, podendo ocorrer em

118 infinitivo não flexionado e infinitivo flexionado (veja-se 43 e 44) (Duarte et al., 2012, p. 224):

(43)a) “Elai afirmou [PROi estar doente].” (sobreposição)

b) “Elai afirmou[PROi ter estado doente].” (anterioridade)

c)” Elai afirmou[PROi ir à festa amanhã].” (posterioridade)

(44)a) “Ela afirmou estarem as crianças doentes.” (sobreposição) b) “Ela afirmou terem as crianças estado doentes.” (anterioridade) c) “Ela afirmou irem as crianças à festa amanhã.” (posterioridade)

Por sua vez, os verbos “querer”, “decidir”, “conseguir” e “prometer” têm uma orientação temporal especificada, logo só ocorre infinitivo não flexionado.

(45) a) “Os ministrosi decidiram PRO i suspender a lei.” (posterioridade) (Duarte et

al., 2012, p. 225)

b) “Os ministrosi conseguiram PRO i suspender a lei.” (sobreposição) (Duarte

et al., 2012, p. 225)

As autoras defendem que contextos de verbos que selecionam uma orientação temporal não especificada possibilitam a ocorrência de infinitivo flexionado; quando há tempo independente, SCOMP é completo em termos temporais. Por sua vez, em contextos de verbos que selecionam uma orientação temporal especificada, o SCOMP infinitivo é incompleto em termos temporais e obtém-se uma estrutura de controlo, com infinitivo não flexionado (Duarte, Gonçalves & Santos, 2012, p. 232).

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