A partir da relação estabelecida entre a expansão dos compromissos ambientais e a sustentabilidade, oriunda das discussões sobre desenvolvimento sustentável (WCED, 1987), John Elkington (1994) cunha o termo Triple Bottom Line, entendendo que ações direcionadas à sustentabilidade deveriam ser feitas com uma abordagem mais integrada em prol de um progresso ambiental e social (ELKINGTON, 1998; 2004). Ele propôs o TBL como um sistema de relatórios para a sustentabilidade organizacional, considerando que o valor pode ser tanto
econômico e criado por empresas com fins lucrativos, quanto social e criado por organizações sem fins lucrativos ou não-governamentais (TURAN; NEEDY, 2013).
Esta abordagem vai ao encontro da necessidade das empresas em alcançar seu desempenho econômico, social e ambiental em direção à sustentabilidade, para ter assegurarado seu direito de funcionamento, obter benefícios econômicos de longo prazo e melhorar suas vantagens competitivas (ELKINGTON, 1997). A TBL passou a ser discutida por criar um modelo que balizaria as questões sobre sustentabilidade, tornando o assunto mais atrativo para as organizações que ainda não haviam se sensibilizado (OLIVEIRA et al., 2012).
Antes do TBL, em 1984 o termo sugerido pelo autor foi ‘excelência ambiental’ e em 1986, ‘consumo verde’ (ELKINGTON, 2004). Em termos simples, os compromissos e ações propostos na abordagem se concentram não apenas no valor econômico gerado pelas empresas, mas também no valor social e ambiental que acrescentam ou destroem (ELKINGTON, 2004; SHERMAN, 2012). Assim, o conceito aproxima-se ao da sustentabilidade por visar, com suas práticas, assegurar que as gerações futuras desfrutem do equilíbrio entre as dimensões social, ambiental e econômica, garantindo a perpetuidade da organização (ELKINGTON, 2012; NADAE, 2016), ou seja, preocupa-se com o desenvolvimento econômico, a proteção ambiental e o progresso social (ELKINGTON, 1998).
Transpondo esta dinâmica para as empresas a relação entre as dimensões é conhecida como 3Ps da Sustentabilidade (People, Planet e Profit), na tradução para o português: Pessoas, Planeta e Lucro, representadas na Figura 4 (ELKINGTON, 1994; BARBIERI et al., 2010; OLIVEIRA et al., 2012).
Fonte: Barbieri et al. (2010).
Neste sentido, as empresas podem adotar estratégias ganha-ganha-ganha, as quais beneficiem tanto a empresa quanto os clientes e o meio ambiente, desempenhando papel central em direção ao desenvolvimento sustentável (ELKINGTON, 1994). A Figura 5 representa a dinâmica relação entre as dimensões que compõem o TBL, exemplificando como ocorre, na prática, a troca entre elas.
Fonte: Nadae (2016).
Para que os investimentos direcionados à sustentabilidade sejam viáveis às organizações, a partir das propostas do TBL, é necessário que o seu desempenho seja mensurado. A TBL pode ser útil enquanto indicador de desempenho e pelo valor gerado em termos econômicos, ambientais e sociais. Dessa forma, as decisões atuais podem ser pautadas nas três as dimensões concomitantemente (BLOWFIELD; MURRAY, 2008). Entretanto, o objetivo da abordagem TBL não é chegar a três objetivos mais importantes2 separados e distintos, ou seja, um objetivo econômico, um objetivo ambiental e um objetivo social, tendo em vista a inviabilidade de redução dos resultados empresariais em um único número. Em vez disso, muitos outros indicadores são considerados na avaliação do desempenho em desenvolvimento sustentável de uma organização. As divulgações usando a abordagem TBL expressam o desempenho por um conjunto de medidas – algumas quantitativas e outras qualitativas – a fim de fornecer uma imagem mais robusta de como a organização impacta o mundo em que opera – economicamente, ambientalmente e socialmente (SHERMAN, 2012).
2 A expressão em inglês Bottom line pode ser traduzida para o português como “objetivo mais importante”,
tradução feita pela autora, com base em Sherman (2012).
Com base na TBL, a dimensão ambiental menciona a preocupação com os aspectos relacionados aos recursos naturais renováveis, impactos e práticas ambientais utilizadas pelas organizações (ROY et al., 2001; KOLK, 2003; NIEMEIJER, 2004; SHARMA; HENRIQUES, 2005; GRI, 2013). Na dimensão econômica importa gerar prosperidade em diferentes níveis da sociedade e tornar eficiente a atividade econômica. Refere-se à viabilidade das organizações e das suas atividades na geração de riqueza e promoção de emprego de qualidade (LIMÃO, 2007). Por fim, a dimensão social, indica o respeito aos direitos humanos e a igualdade de oportunidades de todos os indivíduos na sociedade, através da promoção de uma sociedade mais justa, da inclusão social, da distribuição equitativa dos bens, com foco na eliminação da pobreza, e ainda, a preocupação junto às comunidades locais para o reconhecimento e respeito à diversidade cultural, além de evitar toda e qualquer forma de exploração (LIMÃO, 2007).
Relatórios de desenvolvimento sustentável tornaram-se uma prática empresarial, através da qual expressam as expectativas, pressões e críticas das partes interessadas, para que fiquem melhor informadas sobre os impactos sociais e ambientais da atividade organizacional respectiva. A degradação ambiental como resultado da atividade das organizações pode ter efeitos financeiros e pode conduzir a redução do valor de mercado das organizações (ISTRATE et al., 2017). Assim, para Istrate et al. (2017), a integração das informações referentes aos impactos da atividade organizacional no meio ambiente e na sociedade, disponibilizadas em relatórios acessíveis a todos os stakeholders, indicam a transparência da organização.
Os relatórios cujos resultados e desempenho da empresa são baseados no TBL utilizam-se de medidas quantitativas e qualitativas, através das quais é possível fornecer uma imagem mais robusta de como a organização impacta no mundo em que opera - economicamente, ambientalmente e socialmente (SHERMAN, 2012).
Dada a complexidade da avaliação do desempenho organizacional na perspectiva TBL, muitas empresas adotam os indicadores consolidados e internacionalmente conhecidos como o Global Reporting Initiative (GRI), o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) e o Índice Dow Jones de Sustentabilidade (Dow Jones
Sustainability Index – DJSI) como forma de analisar seu desempenho relacionado à
sustentabilidade e apresentar o relatório reconhecido internacionalmente, sobre o desempenho da empresa para os stakeholders (NADAE, 2016, p. 51).
As avaliações das ações realizadas pelas empresas para proteger o ambiente podem garantir o desenvolvimento sustentável, a continuidade das suas atividades e isto pode ser feito baseado em um conjunto de indicadores consensualmente estabelecidos, os quais devem permitir o monitoramento do desenvolvimento sustentável, a avaliação das atividades das empresas, bem como o impacto de seus produtos/serviços no ambiente (ISRTATE et al., 2017).