2. Description du pronom ON
2.6 Excursus : correspondants dans les langues germaniques
A ideia generalizada de que o comportamento pode modificar as atitudes decorre da tridimensionalidade onde se inscreve a estrutura das atitudes. As pessoas expressam as suas atitudes através de respostas cognitivas, afetivas e comportamentais, existindo uma relação de sinergia entre as três classes de resposta (Eagly & Chaiken, 1993). Podemos então esperar que uma alteração substancial numa destas classes influencie a atitude, bem como as outras classes de respostas atitudinais. Deste modo, induzir uma pessoa a desempenhar um determinado comportamento pode modificar a atitude, bem como provocar reações cognitivas e emocionais face ao objeto referente.
Daryl Bem (1972) propôs a teoria de auto-perceção para explicar de que modo usamos o comportamento para inferir as nossas atitudes. O elemento mais distintivo da sua
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proposta reside no facto de não atribuir relevo aos impulsos motivacionais ou aos fenómenos de inconsistência cognitiva (Bodenhausen & Gawronski, 2013). Assim, Bem explicou que mesmo que não tenhamos qualquer crença ou sentimento sobre determinado objeto de atitudes, podemos usar a experiência passada do comportamento para inferirmos a nossa atitude. De facto, o autor contende que há uma multiplicidade de situações relativamente às quais atitudes são “fracas”, não sendo possível precisá-las consistentemente. Em tais circunstâncias, “o indivíduo está funcionalmente na mesma
posição que a de um observador externo” (Bem, 1972, p. 2). Significa isto que o sujeito
infere as próprias atitudes a partir da observação das suas ações ou comportamentos relevantes. Uma pessoa acredita ter uma atitude a respeito de um determinado objeto por ter observado, em si mesma, a forma como se comportava ou se referia a esse objeto baseando-se na lógica de que “se eu me envolvo num determinado comportamento,
então devo ter uma razão interna – atitudinal – para o fazer”.
O modelo de Daryl Bem é contraintuitivo já que desafia o princípio, genericamente aceite, segundo o qual os comportamentos são determinados pelas atitudes e não o inverso. Conforme Robak, Ward e Ostolaza (2005) destacam, a estranheza é ainda maior porquanto Bem postula que os indivíduos se apercebem das próprias atitudes sem acederem às cognições internas ou recorrerem à experiência dos seus “estados de ânimo”. Porém, a teoria da auto-perceção recebeu suporte empírico em estudos que sugerem a possibilidade de modificar atitudes a partir do comportamento – sobretudo, como Petty, Wheeler e Tormala (2003) sublinham, quando as atitudes relativas a um objeto são, ainda, imprecisas.
Ito, Chiao, Devine, Lorig, e Cacioppo (2006) examinaram até que ponto a indução de expressões faciais desencadeavam modificações a nível do preconceito racial. Usando uma amostra de 33 jovens que não se identificavam como Afro-Americanos, apresentaram um conjunto de fotografias de africanos e caucasianos do género masculino. Antes dessa apresentação, os participantes preencheram metade dos itens do
Implicit Association Test (IAT) que avalia o grau de preconceito racial implícito.
Completada a prova, foram constituídos 3 grupos. Um visionava as fotografias sem indução de qualquer expressão facial. Outro observava as imagens fotográficas dos caucasianos e, o terceiro grupo, as dos africanos. Os membros destes dois últimos grupos foram obrigados a “sorrir” não intencionalmente enquanto viam as fotos. A
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indução do “sorriso” recorreu a um procedimento estritamente mecânico, sendo pedido aos participantes que segurassem um lápis horizontalmente na boca. Ao fazê-lo, os seus lábios distendiam-se tal como sucede quando se sorri. Depois de realizada a tarefa de observação das imagens, era completada a segunda metade do teste. Curiosamente, os resultados mostraram que os indivíduos obrigados “inconscientemente a sorrir” enquanto viam fotografias de africanos diminuíram, em comparação com os elementos dos restantes dois grupos, o grau de preconceito racial. Por outras palavras, as suas atitudes mudaram em função do comportamento induzido.
Chaiken e Baldwin (1981) chegam a conclusão idêntica numa abordagem experimental em que usaram a evocação de comportamentos. Constituíram, inicialmente, dois grupos em função das atitudes pró ou contra os valores ambientais. Todos os participantes preencheram questionários onde se indagava se tinham memória de terem executado certos atos. Alguns membros desses grupos depararam-se com questões relativas a comportamentos pró-ecológicos que teriam sido executados com grande probabilidade (e.g., Já alguma vez colocou lixo em recipientes para reciclagem?). Os restantes elementos não se depararam com esse género de perguntas. Feita a análise dos resultados, verificou-se que os participantes com posições favoráveis e bem definidas em relação aos valores ambientais não manifestaram mudança de atitudes em qualquer uma das duas condições. Já aqueles membros do outro grupo a quem foi dada a oportunidade de evocar condutas pró-ecológicas efetivamente realizadas revelaram, depois, atitudes mais favoráveis às questões ambientais.
A teoria da auto-perceção tem servido de referencial a estudos que procuram investigar os fenómenos de mudança de atitudes no contexto do uso da internet. Guadagno, Lankford, Muscanell, Okdie e McCallum (2010) analisaram, por exemplo, os processos de recrutamento online de agentes ou simpatizantes de organizações terroristas. Na sua investigação, os autores examinaram como as organizações recrutadoras utilizavam as redes sociais para envolverem os potenciais aderentes em comportamentos graduais de crescente envolvimento (e.g., após captada a simpatia com a causa, iniciar o processo com pedidos de colaboração em meras tarefas como o reencaminhamento de e-mails, postar em blogs opiniões contra “inimigos”, contribuir em atividades de recolha de fundos online) chegando, assim, à progressiva radicalização de comportamentos e atitudes.
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Considerações finais
As atitudes foram definidas de diversas formas ao longo do tempo com maior ou menor ênfase nas relações de consistência entre atitudes e comportamentos. No entanto, o atributo fulcral que percorre as diferentes conceptualizações é a noção da sua dimensão avaliativa. As pessoas podem manifestar-se a favor ou a desfavor do objeto das atitudes, representado por qualquer entidade presente nas suas mentes, que vai desde o domínio do mundano até à esfera do abstrato, podendo incluir objetos, pessoas, grupos ou ideias. Com base nos pressupostos e conceitos expostos ao longo deste capítulo ficaram evidentes os contributos de diferentes perspetivas para o entendimento das características, estrutura e funções das atitudes. Além disso, parte das abordagens referidas no capítulo fornecem orientações úteis para compreendermos como as atitudes podem ser moldadas – i.e., formadas ou modificadas. Será, assim, possível concluir que a mudança de atitudes ocorre à medida que a pessoa: (1) adquire informação sobre o objeto das atitudes (cognição); (2) associa os objetos das atitudes a sentimentos positivos ou negativos (afeto); (3) interage/age diretamente sobre o objeto das atitudes (comportamento).
Após décadas de investigação sobre os processos que guiam a construção e a modificação das atitudes, existe a consciência de que há ainda muito caminho a desbravar. Ao longo do capítulo optámos por efetuar uma revisão necessariamente seletiva da literatura, tendo em conta o propósito de explorar noções e perspetivas que permitirão um enquadramento concetual mais amplo para as discussões e estudos que, aqui, viremos a apresentar.
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