3.4 Montage final du laser rouge
4.1.2 Estimation des param` etres du potentiel de pi´ egeage
Ao iniciar o capítulo cabe relembrar os objetivos e a questão de pesquisa.
Os objetivos do presente estudo são:
identificar processos educativos na vida universitária que contribuem ou prejudicam na construção e fortalecimento da identidade negra e do pertencimento étnico- racial, junto a estudantes negros ingressantes por meio de reserva de vagas no Ensino Superior;
apontar, diante da perspectiva dos estudantes negros, ingressantes por meio de reserva de vagas, sugestões que possam contribuir com o Programa de Ações Afirmativas da UFSCar na busca de estratégias para o combate do racismo.
Diante dos objetivos temos a seguinte questão de pesquisa:
Quais processos educativos, na vida universitária, contribuem ou prejudicam para a construção e fortalecimento da identidade negra e do pertencimento étnico-racial, de estudantes negros ingressantes por meio de reserva de vagas?
Metodologia
A presente pesquisa utiliza-se de uma metodologia inspirada na Fenomenologia para buscar compreender processos educativos que contribuem ou prejudicam a construção e fortalecimento da identidade negra e do pertencimento étnico-racial entre estudantes negros ingressantes por meio de reserva de vagas no Ensino Superior.
A Fenomenologia, de acordo com Merleau Ponty (2006), se ocupa das experiências vividas. Ou seja, entende que os significados que damos a nós mesmos, aos outros, à vida, enfim, ao mundo em que vivemos, se constroem e se mostram nas experiências vividas, no dia a dia.
A Fenomenologia é: “(...) uma filosofia que repõe as essências na existência, e não pensa que se possa compreender o homem e o mundo de outra maneira, senão a partir da sua facticidade.” (MERLEAU-PONTY, 2006, p.1).
Diante disso, são os participantes da pesquisa que fornecem direções para captar o fenômeno estudado, ou seja, aquilo que se mostra, que se manifesta. No presente caso o fenômeno são processos educativos de construção e fortalecimento da identidade negra e do pertencimento étnico-racial em um ambiente universitário. Assim, busca-se aproximar da essência do fenômeno estudado.
Segundo Garnica (1999, p.116):
A essência do que se procura nas manifestações do fenômeno nunca é totalmente apreendida mas a trajetória da procura possibilita compreensões. Fenômenos nunca são compreendidos sem que sejam inicialmente interrogados: disponíveis na percepção são questionados e, na perspectiva fenomenológica, qualquer forma de manifestação ou objetividade implica um relacionamento intersubjetivo.
É na relação intersubjetiva entre pesquisadora e participantes da pesquisa que se constrói a objetividade dos resultados que encontramos.
Cabe ressaltar que nesse processo a pesquisadora deve suspender seus julgamentos prévios, suas conclusões apressadas, bem como na busca de conhecer melhor o fenômeno.
Os dados foram coletados por meio de entrevistas semi-estruturadas, que combinam perguntas abertas e fechadas, ou seja, é um tipo de entrevista que dá margem para que o entrevistado discorra mais livremente sobre o assunto proposto. Nesse tipo de entrevista há uma flexibilidade, ou seja, surgir perguntas adicionais por parte do entrevistador para melhor compreensão do que está sendo dito pelo entrevistado. Porém, para um melhor andamento da entrevista há o mínimo possível de intervenções por parte do entrevistador a fim de não interromper a sequencia de pensamento do entrevistado (BONI e QUARESMA, 2005).
A escolha pela utilização da entrevista deu-se pela limitação de tempo, já que a identificação dos estudantes interessados em participar da pesquisa deu-se tardiamente. Com isso, a utilização da entrevista permitiu o enquadramento nos curtos prazos estabelecidos.
Os Participantes
Com o intuito de realizar pesquisa junto a esses estudantes autodeclarados negros ingressantes na Universidade Federal de São Carlos por meio de reserva de vagas do Programa de Ações Afirmativas da mesma Instituição, foi encaminhado, no ano de 2011, ao
Grupo Gestor do mesmo Programa, uma carta de solicitação e comprometimento17 em seguir as indicações da equipe técnica do referido programa para realização da pesquisa, caso fosse concedida a permissão. Juntamente com a carta foi também enviado o projeto de pesquisa, a fim de que fosse analisado o modo de realização do trabalho junto dos estudantes negros.
Com o aceite do projeto de pesquisa foi encaminhado um convite por e-mail18, à Equipe Técnica do PAA, que tem acesso aos contatos dos ingressantes, para que tal convite fosse repassado aos alunos negros ingressantes por meio de reserva de vagas nos anos de 2011 e 2012.
O convite foi enviado no inicio de 2012 e até meados do mesmo ano não se obtiveram respostas.
Diante de nenhum retorno procurei entre amigos da Universidade e do grupo de estudos do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (NEAB- UFSCar) indicações de estudantes negros que haviam ingressado na Universidade por meio de reserva de vagas. Uma das estudantes do NEAB, que se enquadrava no recorte da pesquisa, aceitou participar. Os outros participantes foram contatados a partir da indicação de um membro do grupo gestor do PAA.
O convite foi encaminhado via e-mail para quatro estudantes indicados e recebi em poucos dias o retorno de dois deles, declarando o interesse em participar da pesquisa.
Com o aceite de três estudantes em participar da pesquisa, foi enviada previamente a eles a questão de pesquisa, os objetivos, o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e as perguntas a serem respondidas durante a entrevista.
Dentre os três participantes estão duas mulheres, Carla e Vanda, e um homem, Davi. Carla é aluna do curso de Pedagogia, tem 27 anos e ingressou na Universidade no ano de 2011, portanto se encontra iniciando o terceiro ano da graduação. É natural de Minas Gerais e reside em São Carlos com seu cônjuge.
Vanda é aluna do curso de Engenharia Química e tem 23 anos. É natural da cidade de Taubaté - SP e reside em São Carlos. Ingressou na Universidade no ano de 2008 e está prestes a concluir o curso.
Davi é aluno do curso de Ciências Sociais, tem 23 anos e ingressou na Universidade no ano de 2012, portanto, está concluindo seu primeiro ano de graduação. Reside em São Carlos, sua cidade natal é São Paulo.
17
Apêndice I 18 Apêndice II
Cabe ressaltar que o nome dos participantes foi modificado com o consentimento dos mesmos para preservação de privacidade, conforme explicitado no Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 19 a eles enviado.
Coleta dos dados
Após o aceite dos participantes para a participação na pesquisa foram agendados encontros para a realização das entrevistas20.
As entrevistas foram feitas de maneira individual mediante agendamento prévio, respeitando a melhor data e horário para os participantes, bem como a localidade em que se realizou a entrevista, de modo a não atrapalhar a rotina de estudos e/ou trabalho dos mesmos.
Antes dos encontros foi enviado aos participantes, por e-mail, uma solicitação de dados de identificação dos mesmos, com nome, idade, cidade natal, curso e ano de ingresso na universidade.
Dois participantes preferiram dar entrevistas em suas residências, me recebendo com muita disponibilidade e hospitalidade. Com a terceira participante, o encontro ocorreu na Biblioteca Comunitária da UFSCar (BCo - UFSCar).
Todas as entrevistas foram gravadas em áudio com a utilização de um gravador, tendo em vista que nenhum dos participantes se opôs à sua utilização para registro das entrevistas.
A entrevista foi realizada a partir das seguintes perguntas:
1) O que leva você a declarar-se preto ou pardo?
2) Ao declarar-se preto ou pardo você se inclui no grupo designado negro. Você está reconhecendo que cultural e historicamente você está ligado a raízes africanas do
Brasil? Como você vem construindo esse reconhecimento das raízes africanas na sua vida, no seu modo de ser?
3) No seu percurso escolar você sentiu dificuldades em manifestar seu pertencimento étnico-racial?
19 Apêndice III
20 Ressalta-se que o Projeto de pesquisa foi submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos (CEP) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), protocolo de número 01825112.6.0000.5504.
4) Como a universidade o auxilia a fortalecer o seu pertencimento étnico racial e no que dificulta, impede?
De acordo com cada entrevistado(a), houve necessidade de outras perguntas para melhor compreensão do que estava sendo dito. Por exemplo, quando Carla, após a pergunta de nº 2, fala de seu cabelo, ela diz estar “preparando” para deixá-lo natural novamente. Ela não explica o que seria esse “se preparando” surgindo a necessidade da pergunta sobre o que ela queria dizer com o termo.
Análise dos dados
Após a realização das entrevistas, gravadas em áudio, a análise dos dados segue os passos propostos por Giorgi (1985) apud SILVA (1987), sendo eles:
1) Transcrição das entrevistas e leitura atenta do que foi dito pelos participantes, sendo que a leitura da transcrição das falas dá indicativos de como os participantes percebem o fenômeno, no presente caso, o fenômeno de construção e/ou fortalecimento da identidade negra na universidade.
2) Identificação das unidades de significados emergidas das falas dos participantes, realizada após varias leituras de cada uma das entrevistas.
3) Retomada da leitura das unidades de significado com a finalidade de identificar temas sugeridos por cada uma das unidades de significado.
4) Leitura de todos os temas a fim de identificar as dimensões em que estudantes negros constroem e fortalecem sua identidade negra e pertencimento étnico-racial.
5) Identificação das dimensões em que ocorrem processos educativos de construção e fortalecimento da identidade negra e pertencimento étnico-racial de estudantes negros na universidade, buscando um conjunto de significados.
6) A partir das dimensões parte-se para uma descrição compreensiva, explicitando a compreensão do fenômeno.
7) Concluída a descrição compreensiva passa-se ao capítulo final em que se discutem os resultados com as referencias teóricas e constroem-se teorizações. Apontam-se, também, sugestões, limitações e indicações para futuras pesquisas com objetivos semelhantes.
A análise dos dados encaminha a outras referencias teóricas que não foram adotados durante a pesquisa, mas que poderão estar presentes em futuros estudos.
Cabe ressaltar que embora os referenciais teóricos sejam um importante apoio, a análise dos dados é feita a partir do contexto criado e explicitado pelas falas dos participantes.
Os dados coletados durante as entrevistas foram organizados e analisados por meio de um quadro21 considerando cada componente.
Os dados emergidos na pesquisa, devidamente descritos em análise compreensiva, foram apresentados e avaliados pelos participantes. Na ocasião eles puderam esclarecer algumas dúvidas e fazer pequenas alterações na descrição a eles apresentada.
21
CAPÍTULO 3: DIMENSÕES POR ONDE OCORREM A CONSTRUÇÃO E O