• Aucun résultat trouvé

EPIDEMIC MODELS IN AD HOC NETWORKS

Epidemic Models, Algorithms, and Protocols in Wireless Sensor

MODEL AND PROTOCOLS

3.5 EPIDEMIC MODELS IN AD HOC NETWORKS

“Quem não se sentir atraído pela vontade de mudar e de inovar, esse não será autónomo; continuará dependente, tendo-se concedido a si mesmo tornar-se uma coisa” (Alarcão, 1996b, p. 186). Deste modo ao longo do meu ensino superior denotei claramente uma amplificação do valor atribuído às práticas reflexivas. Sendo que a licenciatura foi maioritariamente assente sobre uma rigidez normativa, característica de um currículo profissional onde o objetivo era aprender os conhecimentos científicos e aplicá-los na prática quotidiana (Shön, 1992). No iniciar de um novo ciclo de estudos (mestrado de ensino), principalmente neste último ano, notei de forma mais corrente um

99

incentivo ao practicum reflexivo do qual Shön (1987) nos elucida e leva a refletir na sua obra Educating the Reflective Practitioner por meio de um estúdio de arquitetura.

A pertinência do diário de bordo surge na necessidade do estudante-estagiário registar os acontecimentos em plano físico, confrontando-os posteriormente com a literatura, reformulando constructos, construindo outros ou simplesmente tomar consciência do sucedido num ambiente controlado propício à reflexão, ao escrutínio e apreciação de possíveis aprendizagens sobre a sua ação enquanto professor. Ao certo que, quando iniciei este percurso já estava certo da carência e papel de reflexão ao longo do EP, entendimento construído em anos anteriores de formação. Certo, mas porém consciente, que nem todos nós estudantes- estagiários o perceberam tão precocemente, circunstância que atribuo à evolução de cada um ao nível do pensamento e capacidade de análise. Assim, desde os primórdios deste ano, acredito que “para a materialização de uma prática pedagógica eficaz é necessário que o professor procure reflectir sobre o seu fazer pedagógico, baseado em fundamentos teóricos que subsidiará a organização do seu trabalho na sala de aula” (Sérgio, 2014, p. 19). Onde “para transformar a realidade, para desenvolver a minha acção sobre a realidade, transformá-la, é necessário conhecer essa mesma realidade. Em função disto a minha praxis é, necessária e constantemente, a unidade entre a minha acção e a minha reflexão” (Freire, 1973, p. 26) , sendo o produto, as aprendizagens que levo na bagagem.

– Diário de Bordo 33, 15 de maio a 19 de maio

Ao aprofundar da discussão, levantam-se destas premissas duas dimensões, uma mais oculta que tem que ver com a ética associada à deontologia na profissão, com a responsabilidade profissional associada ao profissional docente e uma outra que se tem vindo a revelar desde o início, a reflexão. As duas estão associadas porquanto do que esta última providencia, à qualidade da primeira. Debruçar-me-ei sobre a ética associada à deontologia explorando a reflexão posteriormente por considerar que enquadra a necessidade da segunda.

Antes da deontologia surge a ética onde esta se enquadra e se robustece. Sobre o campo ético Savater (2010, p. 147) afirma que este “ocupa-

100

se da administração que cada qual faz da sua vida, para seu próprio bem. O cenário deste debate é fundamentalmente íntimo: a consciência de cada um”. Por sua vez como referido, a deontologia tem por base a ética e quanto à deontologia de uma profissão recorrerei a Reis Monteiro citado por Queirós (2012, p. 60) que a define “como um conjunto articulado e coerente de normas proclamando os valores e princípios, que por sua vez se traduzem em deveres e direitos, que um grupo ocupacional reconhece como seu ideal profissional”. Desta feita idealizada por homens e consequentemente temporal e efémera. Contudo, “a contemporaneidade conhece também a tentação para diabolizar o distante e o diferente, quando o mal está, na verdade, no próximo e no semelhante” (Baptista, 2002, p. 133). Enaltecendo assim, a importância acrescida que concedo aos valores e princípios associados ao exercício da profissão docente pois “cada profissional tem responsabilidades individuais e sociais, uma vez que suas ações envolvem pessoas que delas beneficiam” (Queirós, 2012, p. 60). Sinto que aprender a ser professor passa por adjudicar ao meu trabalho como docente uma componente de elevada responsabilidade diária e temporal, uma consciencialização acrescida, porquanto do que a minha ação pode influenciar em terceiros que têm por direito o melhor ensino que eu possa fornecer. E é meu dever (este balizado pelo código deontológico) aprimorar as minhas capacidades e habilidades nas suas mais variadas expressões para garantir um ensino de qualidade, uma vez que “a formação privilegia a análise e a reflexão sobre problemas inerentes aos alunos, à sala de aula e à comunidade escolar como vias de acesso à deliberação moral e à reflexão crítica” (Seiça, 2003, p. 81)

No que diz respeito ao meu entendimento sobre esta última, este veio a evoluir, tanto na prática onde já intervenho como treinador/professor de ginástica artística e na escola enquanto estudante-estagiário, como na minha conceção do que se constitui um bom professor. No que concerne à prática, fazendo uma análise usando as ideias de Shön (1992) e mais tarde de Alarcão (1996a) quando reflete sobre as ideias do autor fui denotando, uma prática de

reflexão na ação e sobre a ação. E com o uso fundamentalmente do diário de

101

na ação. Este último patamar implica uma consciencialização que exige uma

materialização concreta por palavras devido ao carácter instrumental das suas conclusões que servirá para posterior usufruição. Orientada para uma futura atuação e não apenas de índole situacional. Tendo eu, ao início deste ano, percebido a debilidade da reflexão mental de carácter mais analítico e imediato, e compreendido a necessidade da reflexão escrita como propósito eminente de reter informação sistematizando-a para mais tarde a poder consultar (Azevedo et al., 2014). Só por esta via, viria a conseguir aprimorar o meu artistry de Schön, de que nos fala Alarcão (1996a) na sua já referida reflexão crítica sobre as ideias do autor, evoluindo assim um pouco mais na minha formação de professor. Formação esta com uma condição de inacabável e em constante mutação ao longo dos anos de atividade vindouros. Assim, na minha conceção do que constitui um bom professor, a reflexão tem revelado um papel determinante, pois considero que ser bom professor significa ser-se competente. E se a noção de competência é mutável, a reflexão é um meio de resolução da sua constante condição.

Em síntese ao longo deste processo outorgo à ética deontológica da profissão um valor superior ao que lhe havia dado até então. Porque acredito que ser bom professor é um dever, não basta ser professor, uma vez que ser apenas professor não vai de encontro à responsabilidade profissional inerente à profissão. A minha ação circunscreve-se ao aluno, sendo este o principal afetado da posição que eu decida adotar, da conceção que eu tenha do que significa ser bom professor. Fui crescendo ao nível reflexivo ou pelo menos na consciencialização da sua necessidade para vir a ser um bom professor. Associado à ética deontológica, as práticas reflexivas como meio de uma tentativa clara de mudança para melhor, ajudaram-me a manter erguidos os princípios pelos quais devo pautar a minha postura no seio escolar enquanto bom professor ou tentativa de sê-lo. Mais que tudo a constante requisição de justificações, explicações, foi-me ajudando nos processos reflexivos e nesta consciencialização. A ética deontológica da profissão e a reflexão foram temas que me ajudaram a reformular a minha ideia de um bom professor e a determinar a postura que deverei adotar, os caminhos que deverei percorrer

102

para aprender a sê-lo. É certo que ao início por meio de obrigação, mas acabando por dar a conhecer a sua importância, a sua necessidade, a reflexão nas suas variadas formas constitui-se como o ponto principal de alteração no meu entendimento. Na prática e na teoria, tanto pelo meu empenho em conseguir a melhor formação, como na reformulação das minhas pré- conceções relativamente ao que é ser bom professor, das exigências da profissão e de como sinto que vou aprendendo a sê-lo2.