ANNEXE 4 : REPARTITION DES FORMATIONS (suite)
7.4. R ENOVATION URBAINE Missions du service
Um experimento simples, mas bastante elucidativo, mostra a interferência de haver alguém observando se nos comportamos de acordo com as normas. Neste experimento, as pessoas deveriam pagar pela bebida colocando o valor correspondente em uma caixa. No experimento, Bateson, Nettle e Roberts (2006) colocaram junto à esta caixa imagens de olhos de pessoas ou de flores, em semanas alternadas. Os participantes da pesquisa não estavam cientes de que se tratava de um experimento e agiam como de costume. Foi observado um aumento significativo na quantidade de dinheiro depositada na caixa justamente nas semanas referentes às imagens em olhos que lhes parecia estar observando como se faria o pagamento.
Fehr e Schneider (2009) tentaram reproduzir, sem sucesso, este resultado com um experimento em que figuras simulando olhos humanos “observavam” os participantes. Entretanto, os estudos diferiram em vários aspectos. Em primeiro lugar, as imagens usadas não eram fotos de olhos de pessoas, mas apenas um símbolo que se assemelhava a olhos humanos. Em segundo lugar, a forma de cooperação avaliada no estudo de Bateson, Nettle e Roberts (2006) se referia ao pagamento de um produto através de uma caixa de honestidade, enquanto no experimento de Fehr e Schneider (2009) foi realizado um jogo da confiança.
Estes últimos autores argumentam que o experimento conduzido por eles era mais controlado e por isso puderam concluir que pistas situacionais como olhos observadores não
produziam nenhum efeito em relação a um comportamento cooperativo. Porém, é necessário ressaltar as diferenças do que representaram as observações em cada estudo. As possíveis influências da preocupação com a reputação em relação à cooperação, apesar de bastante sensata, ainda precisam ser investigadas mais profundamente para que se possa compreender o seu papel.
Outro aspecto que pode interferir no comportamento cooperativo se refere à punição de agentes que agem em detrimento de outras pessoas. Fehr e Gächter (2002) investigaram o nível de cooperação de pessoas utilizando o Jogo do Bem Público (Public Goods Game), já descrito anteriormente. Neste estudo, cada participante recebia inicialmente 10 unidades monetárias, sendo o valor final resultante das interações com os outros participantes convertidos em dinheiro ao término do experimento. Foram montados grupos de quatro pessoas, havendo seis rodadas no total, de modo que nenhum indivíduo interagiu com o mesmo participante mais de uma vez. As pessoas poderiam estar no grupo em que havia punição ou não. A punição custava uma unidade monetária a quem optasse por punir outra pessoa. O alvo da punição pedia três unidades monetárias. Os resultados mostraram que as pessoas que estavam em grupos com possibilidade de punição doavam mais unidades monetárias ao “bem público” do que as que não poderiam ser punidas. Constataram ainda que as emoções serviam como mecanismos psicológicos para a punição, pois o nível de sentimento de raiva estava correlacionado com a quantidade de punições feitas pelo indivíduo. Apesar destes resultados, outros estudos indicam que nem todos decidem punir aqueles que fogem às normas de cooperação. Utilizando uma configuração experimental um pouco diferente, Dreber, Rand, Fudenberg e Nowak (2008) compararam o desempenho daqueles que puniram os transgressores dos que decidiram não punir. As mudanças realizadas pelos autores tentaram se aproximar dos tipos de relações sociais vivenciadas no cotidiano. Dessa forma, optaram por interações repetidas considerando que a preocupação com a
reputação é algo fundamental. Como uma versão modificada do Dilema do Prisioneiro, foram dadas aos participantes três opções em cada rodada: cooperar, trapacear ou punir pagando-se um custo. Para o grupo controle, havia apenas as opções de cooperar ou trapacear, como no Dilema do Prisioneiro tradicional. Os resultados mostraram que a punição aumentou, de fato, o nível de cooperação entre as pessoas, embora, o total dos ganhos destes grupos não tenha sido acrescido. Além disso, os indivíduos que decidiram ter um custo para aplicar uma punição obtiveram menores ganhos finais do que aqueles que decidiram não punir. Os autores sugerem, portanto, que, do ponto de vista evolutivo, arcar com os custos da punição não seria um comportamento adaptativo.
É importante observar que no experimento realizado por Fehr e Gächter (2002) as relações entre as pessoas eram feitas em grupos de quatro. Por isso, a punição poderia ser custeada por um dos integrantes, de modo que o resultado final do grupo poderia não ser comprometido. Outro aspecto, é que no experimento de Dreber e colaboradores (2008), ao decidir pela punição, não havia mais a possibilidade de se cooperar, diferentemente, do ocorrido no outro experimento, em que a punição era feita após a decisão de cooperar ou não. Vale lembrar que na vida real, existem forças específicas que assumem o papel da penalização dos transgressores, como a polícia e os tribunais, não cabendo aos cidadãos, individualmente, tal função. Assim, a partir dos estudos verifica-se a importância da possibilidade de punição, embora, ainda resta a dúvida em que formato ela é eficiente na promoção da cooperação.
As relações sociais com pessoas conhecidas, feitas repetidas vezes, parece fazer parte do cotidiano da maioria. Esta constatação motivou estudos que avaliam como a possibilidade de futuras interações interferem nos comportamentos cooperativos das pessoas. Dal Bó (2005) abordou este assunto a partir do Dilema do Prisioneiro com rodadas repetidas, mas distinguindo repetição finitas, em que o número de rodadas era definido previamente, de repetições indefinidas, em que havia a probabilidade de haver uma próxima rodada,
simulando, assim, situações de interações infinitas.
Para os casos em que se sabia qual era a última rodada, foi encontrado um efeito de fim de jogo, ou seja, nas primeiras rodadas eram encontrados decisões em favor da cooperação, mas ao se aproximar do fim do jogo este tipo de decisão diminuía, culminado em um comportamento não cooperativo típico do Dilema do Prisioneiro na última rodada. Por outro lado, este efeito de fim de jogo não foi encontrado quando não estava determinado qual seria a última rodada. Não só isso, os níveis de cooperação também foram mais altos à medida em que a probabilidade de haver uma próxima rodada aumentava.
Como citado na capítulo anterior, Rand, Greene e Nowak (2012) realizaram um experimento no qual observaram que, quanto mais rápida e intuitivamente as pessoas decidem, mais cooperativas elas são, conforme sua interpretação, heurísticas cooperativas se desenvolvem nas experiências individuais, já que, de uma maneira geral, a cooperação é vantajosa ao lidarmos com problemas do cotidiano. Isto ressalta a importância das situações na vida real para a explicação da cooperação entre as pessoas.