ASSURER LE PACTE DE PROTECTION ET DE SÉCURITÉ
163En outre, toutes les rencontres et les concertations ont permis de dresser
A escola é tida como um espaço de socialização de crianças e jovens e com a incumbência de valorar a formação de cidadãos livres, responsáveis, autónomos e solidários, explicitando a uma formação ética e cívica tem encontrado ao longo dos anos muitas dificuldades. A questão é mesmo complexa, sobretudo, por se entender que ela pode invadir, eventualmente, um espaço que é da responsabilidade primeira das famílias.
Contudo, para nós docentes e em nossa prática quotidiana, acabamos por tentar transmitir aos alunos estes valores que acreditamos como: a moral, o ético, as regras de conduta, preparando-os para enfrentar a vida em sociedade, no exercício da autonomia e da cidadania. O que não nos impede de ter uma atitude “ética”, embora podemos ter ou não uma postura dita “correta”, nas situações mais diversas, nas quais nos deparamos, uma vez que temos a capacidade como seres humanos e pensantes de poder distinguir o bem do mal, o justo do injusto, o certo do errado, o correto do incorreto, de cumprir
63 deveres e de hierarquizar valores dentro da nossa sociedade. Pois como dizia Paulo Freire, é indissociável na consciência de que não estamos sozinhos no mundo, daí a necessidade de viver em comunidade com outros.
Segue um trecho retirado do texto escrito por Maria Teresa Estrela (1999), intitulado: Uma responsabilidade feita de múltiplas responsabilidades, que também responsabiliza o ato do docente frente a estas situações éticas que podem ser marcantes na vida do aluno. Alguns fatores tornam a responsabilidade profissional dos professores particularmente exigente e também delicada…
- A irreparabilidade de alguns atos docentes – Embora o professor tenha responsabilidade legal e deva, portanto, sofrer as consequências de qualquer ato que incorra nessa esfera e a obrigação de reparar prejuízos causados, a sua principal responsabilidade é ético-moral. Por isso, as consequências dos seus atos nem sempre são suscetíveis de reparação imediata e, por vezes, não o são de todo. Quantos comentários espontâneos dos professores não deixam feridas profundas e por vezes irremediáveis na autoestima dos alunos? Quem estiver inocente que lance a primeira pedra. (Estrela,1999)
Assim podemos nós, partilhar com nossos alunos, no dia-a-dia de sala de aula, os dilemas que enfrentamos fazendo com que o grupo também participe de algumas decisões a nível de equipa, dando suas opiniões e argumentando sobre suas atitudes diante delas. Podendo o docente implantar no grupo um momento de discussão de dilemas éticos, usando situações reais e ou imaginárias que constituam muitas dificuldades de decisão, acentuando as dimensões éticas nos mais diferentes contextos, aproveitando a oportunidade para dialogarem entre si, aprofundando as consequências e alternativas para o problema ético não só com os diretamente envolvidos. Mas que para com todos os componentes de equipa se coloque no lugar do outro, dentro da situação problema apresentada, de forma a atuar consciente e reflexivamente. Outros aspetos que também devemos considerar é que a sua conceção de educação apoia-se numa definição de sujeito da ação educativa que não é redutível somente ao professor em interação com os seus alunos, mas que se alarga “`a ação exercida pelas gerações adultas sobre aqueles que ainda não estão suficientemente maduros para a vida social”. (Durkheim, 1922,pub.1977: 79).
Penso que usando os dilemas éticos dos próprios professores, podemos entender, como uma nova oportunidade de serem repensados, aproveitadas e socializadas dentro do quadro docente da própria escola. Explorando-as de diferentes maneiras; ajudando a todos a promover mudanças, a nível de saberes e do pensamento, bem como nas práticas
64 e na relação com novos conceitos dentro dos contextos encontrados. Sustentando assim, as críticas que devem de serem vistas como construtivas, dando ênfase a uma reflexão também ética; para os discentes que fazem parte desta comunidade dentro e fora da escola.
Em Democracy and Education (1916), adotando já um ponto de vista novo, John Dewey faz uma crítica de fundo às diferentes escolas éticas, apontando “o papel instrumental da inteligência na resolução de conflitos morais”. O que pode ameaçar a nossa democracia, são os atos das pessoas que estão dentro de nossas próprias instituições. Então cabe a escola manter uma relação ética com a sociedade a fim de que aja uma semelhança entre de objetivos a serem alcançados e também de percursos, pois a escola só prepara os indivíduos para a cidadania, se reproduzir dentro de si própria as condições sociais reais de seu exercício efetivo. Algumas perguntas nos fazemos diariamente nas situações mais diversas, tentando encontrar respostas contextualizadas para os problemas que surgem em nosso quotidiano…seja ele apresentado na escola, na família ou na própria sociedade em que vivemos.
1. Será difícil agir de modo ético?
2. "Não faças aos outros o que não queres que te façam a ti",
3. “A liberdade de cada um termina quando começa a liberdade do outro”. 4. Será que a ética é imutável ao longo dos tempos?
5. Na realidade escolar de cada um, como se sente e como se constrói a igualdade de oportunidades?
6. Qual deve ser a responsabilidade social da escola numa sociedade educativa? 7. Que novas tarefas, ou papéis devem ser atribuídos aos professores?
8. Que valores devem guiar a promoção de cidadania no século XXI?
Estas questões que aparentemente ainda sem respostas aparecem como exigências na vida social, onde as regras servem para ajudar a nos entendermos, para nos comunicarmos, para participarmos e também aprendermos. Aprender a viver uns com os outros, não é uma tarefa fácil, mas que implica em muitas situações como: fazer partilha, dialogar, ajudarmos mutuamente, conviver (que implica em troca de sentimentos, afetos, ideias, memórias, desejos e de valores). Mas que numa outra perspetiva, pode também ser gerador de muitos conflitos, frustrações e riscos, que necessitamos passar para aprender a tornarmos adultos.
65 As vezes esta ética da qual falamos e que na contemporaneidade profissional dos professores se relacionam entre si, num plano enorme onde cada um desempenha seu papel em diferentes contextos institucionais. Que no desenrolar de suas atividades, se configuram por estruturas ditas ”formais”, as vezes, impessoais o que não constitui uma inter-relação, que poderiam mediar esta ética na profissão docente, já que em nossas relações numa atitude docente, tentamos valorizar o ritmo da cada um, dar atenção para os problemas que surgem, tendo as vezes, de se ter muita paciência, ajudando-os mutuamente na tentativa de resolvê-los. É preciso sensibilidade e muito “amor a camiseta” como se diz, para enfrentar situações nesta dimensão, neste encontro interpessoal e precioso, do ponto de vista pedagógico em que o professor e o aluno testemunham um da vida do outro.
Que melhor oportunidade de aprendizagem, de crescimento, do que abrirmos a nossa vida à entrada de vidas outras?
“ A importância de valores humanos como a partilha, a relação e a capacidade de escuta, fazem do diálogo um fim em si mesmo e não apenas em meio para atingir um fim.” (Baptista, 2005: 55)
66 CAPÍTULO III – A Relação Escola-Família