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Pr´ ecision de la m´ ethode de Gauss

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M´ ethodes directes pour la r´ esolution des syst` emes lin´ eaires

3.9 Pr´ ecision de la m´ ethode de Gauss

A associação virtuosa entre liberdade de expressão, progresso na gestão editorial e apetência dos leitores pela literatura nacional, despertou o interesse por escritores portugueses clássicos e pelos contemporâneos de créditos já firmados, mas também por

uma plêiade de novos escritores113, mais ou menos jovens e até então (quase) desconhecidos que despontaram e que iriam constituir uma geração que se tornaria conhecida pela qualidade literária e pela grande receptividade junto do público leitor.

Contrariamente ao que era pressuposto antes do 25 de Abril, foram poucas as obras “guardadas na gaveta”, para publicação quando a censura fosse apenas memória do tempo da ditadura, que se notabilizaram quando a liberdade aconteceu. Também os autores portugueses já consagrados114 se dedicaram a escrever novas obras.

A esta realidade não é alheia a motivação para a escrita que resultou do acréscimo da visibilidade e procura que o livro ganhou em democracia, como também da maior quantidade de editores e do trabalho inovador que levaram a cabo na preparação e alargamento dos programas editoriais, na procura e dinamização de talentos, na concepção estética e gráfica, e na divulgação eficaz dos autores e das suas obras.

4.3.3.1 Testemunhos sobre emergência de nova geração de autores portugueses

Como foi sentido e trabalhado o aparecimento de uma nova geração de autores portugueses de qualidade e com assinalável receptividade pública? Os testemunhos dos entrevistados permitem aprofundar o conhecimento sobre as raízes de uma realidade cujo impacto vai bem para além do efeito de um mero epifenómeno.

Francisco Espadinha refere a emergência desta nova geração surgida no último quartel do século XX e acentua a sua influência no círculo virtuoso que a partir daí se criou, suportado no maior interesse evidenciado pelos leitores e no melhor trabalho desenvolvido pelos editores em relação aos autores portugueses:

[...] já de finais do século passado há uma emergência de um conjunto de autores portugueses e com algum significado.

[...] e depois os identificámos para este fenómeno que é a maior atenção ao livro do autor português. [...]

113 Entre eles: Alice Vieira, Ana Maria Magalhães, António Lobo Antunes, António Manuel Pina, António Manuel Pires Cabral, Fernando Dacosta, Guilherme de Melo, Hélia Correia, Horácio Tavares de Carvalho, Isabel Alçada, João Aguiar, João de Melo, José Jorge Letria, José Manuel Mendes, José Saramago, Lídia Jorge, Luísa Costa Gomes, Maria Gabriela Llansol, Mário de Carvalho, Mário Cláudio, Teolinda Gersão, Vasco Graça Moura.

114 Entre eles: Augustina Bessa-Luís, Alexandre O’Neill, Alexandre Pinheiro Torres, Almeida Faria, Ary dos Santos, Augusto Abelaira, Baptista Bastos, Eugénio de Andrade, Fernando Assis Pacheco, Fernando Namora, José Cardoso Pires, Maria Isabel Barreno, Maria Teresa Horta, Maria Velho da Costa, Mário Cesariny, Natália Correia, Pedro Tamen, Sophia de Mello Breyner Andresen, Urbano Tavares Rodrigues, Vergílio Correia, Vitorino Nemésio

Neste momento há uma maior atenção [...], exactamente, exactamente. Uma continuidade desta primeira geração. E isso é cada vez mais significativo na disputa de autores portugueses. E, portanto, é um bom sinal, isso é a imagem de um país a semear a sua própria imagem e a sua própria autonomia. E isso está a acontecer. [...] Este “casamento” é do maior interesse também pelo que se faz. No próprio país, o interesse nacional é construir uma espécie de junção de forças entre o leitor que, digamos, começa também a querer Portugal, e os editores a puxar por isso.

[Entrevista a Francisco Espadinha, editor, 22-10-2015]

Joaquim Soares da Costa aponta para o sucessivo e continuado aparecimento de novas gerações, embora, a partir da saída da Portugália Editora, em 1970, se tenha dedicado a outras temáticas editoriais:

É [apareceu uma nova geração de autores portugueses]. Mas eu não participei nisso. [Estava] muito focado no quotidiano. No meu catálogo. Chamo-lhe a construção do catálogo. É a mesma ideia e nunca abana, pronto, estamos a fazer isto. [...] eu na Portugália editei todos. Quem é que faltava? O Fernando Namora, os poetas, os romancistas, não é? Houve uma actuação... agora depois disso.... Claro, agora há outra geração. São fenómenos que me apercebo, mas de que não participo.

[Entrevista a Joaquim Soares da Costa, livreiro e editor, 9-12-2015]

Guilherme Valente reconhece que surgiram alguns novos autores portugueses de qualidade, embora considere que não terão sido em quantidade assinalável quando comparado com a geração anterior:

Eu acho que apareceram algumas pessoas notáveis, e disse algumas delas, mas apareceram poucas. Quando eu era jovem... há dias fiz este desafio: digam-me até agora, a geração de 50 anos, digam-me aí dez grandes escritores portugueses. E eu, se me perguntar na sua geração, quando o senhor tinha quinze anos, diga-me lá dez autores portugueses. Eu digo-lhe já: Rodrigues Miguéis, Fernando Namora, o Carlos de Oliveira, o Alves Redol, o Manuel da Fonseca, etc... Portanto, eu acho que apareceram poucos. E acho que, mais uma vez, é uma crise da escola e da universidade.

[Entrevista a Guilherme Valente, editor, 12-3-2016]

Nelson de Matos que, na D.Quixote, teve um papel preponderante na construção de um programa editorial com uma componente assinalável de autores portugueses da geração que então despontava, relata:

Publicar um livro antes do 25 de Abril era [para os autores] uma coisa difícil porque os editores... muitos não aceitavam, outros aceitavam com perspectivas muito estreitas e os autores, diziam eles, iam guardando os livros na gaveta. Coisa que mais tarde,

quando isto se desbloqueou, se veio a verificar que não era verdade. Não existiam livros, ou muitos livros, na gaveta. Não quer dizer que não existissem alguns.

[...] aumentaram os índices de leitura, aumentaram também a disposição, a disponibilidade dos editores em publicar mais livros, em ir à procura de novos autores, de olhar com mais atenção para os originais que lhes eram apresentados. E em muitos casos, relativamente a escritores que já tinham publicado livros antes, puxar por eles, mostrar-lhes que existiam horizontes que permitiam encarar doutra maneira a divulgação dos seus livros. [...]

É evidente que os leitores deram atenção àquilo que era nosso. Deram atenção aos autores que escreviam na sua língua e que eles podiam ver na televisão, podiam ver nos jornais, podiam ver na rua. E muitos autores foram bastante acarinhados durante esse período, coisa que os entusiasmou a produzir e coisa que muitas vezes, quando as pessoas gostaram desse livro, e isso aconteceu muitas vezes, tornaram alguns autores portugueses sucessos literários. [...]

Apareceram muitos autores também, durante esse período. Nós estávamos habituados a ver o Ferreira de Castro, enfim, grandes autores portugueses [...]. Alguns tiveram que romper algumas dificuldades, não caíram no êxito, mas notava-se perfeitamente que publicar um autor português deixa de ser aquele esforço de vender os 3.000 exemplares e começarmos a ir mais longe em certos casos.

[Entrevista a Nelson de Matos, editor, 9-11-2015]

Maria da Piedade Ferreira confirma uma nova geração de autores portugueses, que situa no princípio dos anos 80, depois de na década de 70 terem sido publicados alguns neorrealistas, e reforça a importância da D. Quixote na promoção dessa nova geração:

Teve importância, apareceram novos autores, já no princípio dos anos 80. A década de 70, ainda se publicou muita coisa que por uma razão ou por outra não tinha sido publicada. Lembro-me de livros, aqui daqueles, já foram mais os neorrealistas, o Mário Ventura Henriques, aquele autor alentejano [Antunes da Silva] do Suão [publicado em 1960 pela Portugália – livro de bolso – e em 1985 por Livros Horizonte) e desses livros ainda muito neorrealistas que não tinham sido publicados por problemas de censura, ou autocensura, e que foram sempre... era largo o tempo, não é, e foram muito publicados nessa altura. Acho que a literatura, outra vez, só apareceu na década de 80. [...]

Criavam os leitores para esses autores através de uma promoção cerrada e muito bem feita [pelos editores]. No caso da D. Quixote foi quem fez melhor isso e com mais resultados. Conseguiu pôr ali uma série de autores, mais ou menos novos, mas que eram muito importantes e que foram para a D. Quixote.

[Entrevista a Maria da Piedade Ferreira, editora, 11-11-2015]

Zeferino Coelho pronuncia-se também no sentido de haver uma nova geração de autores portugueses que começaram a despontar em finais da década de 70 do século XX e salienta a valorização e procura que na altura lhes foi atribuída por parte dos editores:

Começou [uma nova geração de autores portugueses] o Mário de Carvalho, o António Lobo Antunes, foi muita gente que nessa altura aparece, não imediatamente a seguir ao 25 de Abril, a partir de 78,79, então aí a coisa como que estabiliza. [...]

Os editores procuram muito. Os editores vivem dos autores [...], ao contrário de muita gente, eu acho que os editores em geral fazem um bom trabalho, fazem o que podem fazer num pequeno país como é o nosso [...]. E eu penso que nessa altura, 77,79, por aí, começa a virar-se outra vez a atenção para a literatura portuguesa. O autor português foi muito valorizado e muito procurado pelos editores na altura. [...]

Nunca [na Editorial Caminho] publicámos muito... produzimos alguma coisa de literatura traduzida. Isso aí, literatura traduzida, mas não muita. A ideia era sempre literatura de língua portuguesa. Não tínhamos nada contra, não era xenofobia. Calhou assim.

[Entrevista a Zeferino Coelho, editor, 4-11-2015]

Os testemunhos prestados expressam a importância atribuída ao aparecimento de uma nova geração de autores portugueses e evidenciam que a sensibilidade dos editores relativamente ao fomento da escrita e divulgação dos autores era considerada importante nos objectivos programáticos traçados, nas linhas editoriais construídas e nas acções promocionais desenvolvidas.

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