Caminhando pelo centro da cidade, ora a noite ora de dia, observando sua movimentação, seus prédios, calçamentos, praças, nomes das ruas, sentimos que ainda algo nos escapa à percepção, mesmo que procurando aguçá-la ao máximo. Não basta passarmos por esses espaços de memórias, precisamos também adentrá-los e procurarmos entender outra mecânica, a daqueles anos de 1970, ou mesmo de mais antigamente quando nos deparamos com esses locais. Paramos por horas, congelados na frente dessas fachadas, pois o retorno aos tempos de outrora nos remete a uma maneira de pensar e sentir tudo ao nosso redor sob uma diferente perspectiva. Não basta querer reconstituir a história daquele espaço físico,
ou detalhar as relações que ali se pronunciaram. É preciso mais, talvez adentrar tal qual um voyeur ao passado, buscando capturar elementos, sentimentos e a própria maneira de pensar de uma época.
Assim, inspirando-se no Gil Pender, personagem do filme Meia Noite em Paris30 (Woody Allen), passeamos por essas ruas na expectativa das badaladas nos transpor também para outro momento. Aqui, não são as badaladas de cinderela que nos faz ver uma realidade distinta, mas os relatos dos entrevistados que, ao nos conduzir por entre suas lembranças – mesmo que selecionadas, relidas ou ressignificadas a partir de suas experiências e leituras de mundo – nos permite retornar aos anos de 1970. E, estando lá, o encontro com outros personagens pode nos levar ainda mais longe nessa viagem de retorno no tempo. Infelizmente, não nos é possível fazer a viagem tal qual Gil Pender a fez, mas, de maneira semelhante, podemos fazer nosso retorno mediado por essas memórias, pelos relatos dos entrevistados, por jornais, fotografias, pela análise mesmo de seu espaço físico, suas redefinições, dentre outros elementos.
Esses documentos que amparam nossas reflexões e análises nos servem como portal de passagem para a leitura de tempos distintos, os quais vão nos lançando cada vez mais distantes no passado. Alguns desses elementos tão longínquos são observados aqui, pois ao tomarmos como fio condutor o cinema somos levados como numa viagem de trem ao contato com as mais diversas paisagens sem, no entanto, podermos nos deter mais demoradamente. Mas ao passo que chegamos ao destino almejado desde o início do percurso, descemos do trem e nos detemos a refletir sobre suas práticas e relações, a dinâmica de sociabilidades, os lazeres, etc. Nosso destino final no trajeto deste trem consiste em fins dos anos 1970 e início dos anos 1980. E o percurso que fazemos nesse trem observando através da janela os mais diversos elementos, tempos e eventos, são tal quais os trilhos ligando uma cidade a outra – eventos e narrativas que se ligam ao longo da história do cinema com a cidade de Iguatu.
A imagem da cidade de Iguatu que FS vivencia nos anos 1970 foi se modificando e se solidificando enquanto cidade dita “moderna” e “civilizada” com o passar das décadas do século XX. Foi a partir dos relatos de Hugo Victor, datados
30 Comédia romântica dirigida por Woody Allen, lançado em 2011. Na história, Gil viaja para passar férias em Paris e, com um toque de imaginação, ele passa a se encontrar com filósofos, pintores e escritores das décadas iniciais do século XX, a exemplo do Salvador Dalí e Luis Buñuel.
de 1925, que o discurso modernizador começou a se apresentar e um interesse por mostrar uma cidade em transformação é visto cada vez mais como necessário. Nosso intuito não é analisar mais a fundo essa ideia de “moderno” que começa a ser pensada no início do século. Mas, é nesse viés que o referido autor se empenha em mostrar as inúmeras fábricas ali instaladas, as ruas iluminadas, os passeios públicos, o trem, os hotéis, cafés, veículos, etc.
É também pensando na vivência dessa modernização que ideias de produção de informação a nível municipal começa a ganhar corpo. Gradativamente observamos o discurso modernizador ganhando o espaço físico, mas ele era também visto como algo que precisa ser lido e discutido pela sociedade, interesse que podemos perceber na escrita das matérias de alguns jornais. Mas, o que notamos ao longo do século é uma série de jornais de vida curta, muitos deles só tivemos conhecimento através de Hugo Victor e Alcântara Nogueira31.
Assim, Hugo Victor observa como primeiro jornal surgido em Iguatu, datado de 1919, O Correio de Iguatu. Outros nomes citados por ele são A Semana, O Caixeral, O 69, Flêpa e Pirulito. Todos, contudo, com uma vida curta, não alcançando um número de 10 exemplares. No entanto, tais dados apontam para uma movimentação no campo das letras e interesse local em produzir informações a respeito da cidade.
Outras propostas vieram nas décadas e 1940 e 1950, como a Gazeta Iguatuense e Tribuna de Iguatu. Ambos surgidos de maneira independente e com patrocínio de comerciantes, se constituíam jornais com pouca ou nenhuma expressão fotográfica e exemplares de no máximo 12 páginas. A respeito dos conteúdos abordados, ambos focavam em aspectos políticos locais e estaduais, na economia, eventos sociais e culturais, um espaço para a poesia e/ou crônica, dentre outros.
O jornal Gazeta Iguatuense teve seu primeiro exemplar em circulação no dia 29 de setembro de 1949. Sua primeira página trazia matérias de comemoração pela concretização desse feito, saudações à população, apresentação das intenções do jornal (independente, mas dotado de “consciência política”), matéria de agradecimento ao vereador Edivaldo Távora por sua ajuda, uma poesia de Lúcia Maria – estudante da cidade – com título “Iguatú”, dedicada a exaltação da
“Princeza”. Destacamos ainda nessa primeira página uma matéria intitulada “Olhando para a frente”, escrita por Diosito Moraes Cavalcante. Tal matéria, também falando sobre a consolidação da proposta de um jornal na cidade, começa relembrando periódicos anteriores, dito pelo escritor como efêmeros. Após sua afirmativa ele questiona: “Fôrça de vontade efemera, como disse acima, ou estes homens afastaram-se da grande rota do progresso, para que nôs moços tomassemos esta empresa a nosso encargo?”32
Notamos em sua pergunta, portanto, dois pontos a serem pensados. Num primeiro momento ele menciona homens de força de vontade efêmera e num segundo momento, homens que se afastaram da rota do progresso e abriram espaço para que os “môços” pudessem tomar à dianteira. A partir desse trecho, o escritor ao que parece levantava mais afirmativas do que indagações. Não foi a força de vontade que pareceu efêmera, mas os homens que se afastaram da rota do progresso. E aí o autor talvez esteja incitando para a ideia de que é preciso estar constantemente antenado com as mudanças porque passava o mundo e suas inovações, coisas que, na visão dele, seria mais fácil para a juventude, ou seja, para os “môços” da cidade. Dessa forma, ele exaltava a mocidade iguatuense e letrada que, guiados pelo progresso, observavam a necessidade de um meio escrito para a divulgação de notícias, tanto na cidade quanto propondo que suas palavras sejam lidas nas principais cidades do estado.
O corpo de escritores desse jornal em sua maioria eram jovens que haviam chegado recentemente da capital, Fortaleza. A partir de suas matérias de apresentação e algumas propagandas percebemos, inclusive, que o mesmo provavelmente começou a ser gerido ainda na capital, momento em que eles saiam de suas aulas e se reuniam na Praça do Ferreira, no centro da cidade e discutiam sobre os rumos da economia, política e cultura, de maneira geral e local. Vale ressaltar ainda o espaço dedicado à apresentação de poesias sobre a cidade. A mesma edição inicial inscreveu 2 poesias, ambas de mesma autoria, com valorização aos mais variados aspectos da cidade. Destacamos o “Cidade Branca”, pois ao folhear de suas páginas o título em letras grandes chamava a atenção e atraía a curiosidade do leitor. Dedicado a Júlio Braga:
Ei-la: - Iguatú!... Os coqueirais agitam Os altos leques, quando sopra o vento, Como se fossem azas que palpitam, Em donde anseio, pelo firmamento!.... Cidade branca das areias!... Gritam, por ti, as vozes do pensamento;
e, nos meus olhos que as estrelas fitam, há tela, em luz, do teu deslumbramento! Em taça azul e fria, a “Bastiana”
ao caminheiro mata a sêde insana; um pouco certo o teu “Bugi” lhe dá... O Jaguaribe – teu Jordão, perpassa, teu nome unindo à tua grande raça num batismo de força ao Ceará!...33
Júlio Martins Braga era membro da Associação Cearense de Imprensa e funcionário do IBGE a ser transferido para a cidade de Iguatu. A homenagem feita a sua pessoa pode ter levado em consideração a sua atuação profissional na cidade, o seu interesse pelas letras ou uma forma de apresentar a ele qualidades e referências sobre este local que resolveu se fixar. Logo nos primeiros versos notamos a apresentação cordial que a autora faz de Iguatu, exaltando a terra dos coqueirais agitados pelos ventos, provavelmente o popularmente conhecido por “aracati”. As areias brancas e o céu estrelado; dentre os lagos, e açudes da região a “Bastiana” marcando presença; dentre os rios o Jaguaribe, “local onde o Jaguar bebe água” e suas correntezas seguem caminho abrindo veias pelo estado. A poesia valoriza, portanto, de maneira destacada a forte presença de água potável, contemplando o próprio nome que a cidade outrora fora denominada.
Ainda através deste jornal percebemos que a discussão por novas instalações no campo da educação era algo que ganhava destaque. A matéria intitulada “O nosso ginásio” relata que o deputado Adail Barreto conseguira aprovação na Assembleia Estadual Cearense para a construção na cidade de Iguatu de um Ginásio. Segundo o repórter, a notícia já circulava há meses e até o presente momento nenhuma movimentação acontecera. A mesma matéria ressalta a importância da construção do mesmo tendo em vista que diversos jovens
33 Ibidem.
precisavam viajar para outras cidades caso pretendessem continuar os estudos e se a família detivesse determinado poder aquisitivo.
O Gazeta Iguatuense, dessa forma, em seu pontapé inicial vinha propor um veículo de notícias sobre a cidade, mas também de discussão, debates e cobranças. O mesmo almejava ser um espaço que servisse para fazer a população ser ouvida em seus pedidos e mostrasse às autoridades as necessidades locais, buscando essa “rota do progresso”. Tal proposta também não durou muito tempo, o que não quer dizer que os membros do corpo editorial tenham abandonado por completo a ideia. Pelo contrário, alguns nomes serão vistos em editoriais seguintes, seja como redatores, colaboradores, ou outros.
Na década seguinte, a 1º de maio de 1954, uma nova proposta era posta em prática, o Tribuna de Iguatu, contando com a participação de Júlio M. Braga, Antônio A. Nogueira e Wilson H. Lima Verde, e outros. Sua publicação se dava a cada quinze dias e, ao que aparenta devido a uma nota do redator, havia um tamanho e número de páginas fixas, fatores que restringia as notícias e mesmo o espaço dado a elas. Assim, as matérias dividiam seu espaço com as propagandas (o que se constituía em uma estratégia para o jornal se manter). Seus primeiros exemplares já fizeram uso de outras cores, mas em pequena escala, a exemplo da caixa azul com o título do jornal dentro. Além disso, há a ausência de imagens ou fotografias, pois estas poderiam tornar seu custo maior ou a tecnologia utilizada por eles ainda não permitia tal técnica.
Assim como no jornal anterior, as matérias que compõem a primeira página foram dedicadas a falar sobre a proposta de criação do jornal, anseios e expectativas. A matéria de Júlio Braga, intitulada “Surgindo” apresenta de maneira entusiasta o ideal daqueles que visam construí-lo. “Nascemos com um ideal – o ideal do trabalho – e crescemos com um desejo – o desejo de vencer...”34, mas se tal feito não for possível, alerta Braga, “se, porém, no fragor da batalha nos faltar energia capaz para comandar a nau que conduz as esperanças do nosso povo, nêste quinzenário que é mais de Iguatu do que nosso, resta-nos ceder o leme a quem melhor capacidade demonstrar”. Teria Júlio Braga percebido uma dificuldade tamanha ou auspícios negativos diante do histórico de jornais extintos? Apesar de a dúvida pairar no ar, percebemos o comprometimento do escritor ao apresentar à
população um novo jornal, deixando claro que também pode não conseguir conduzi- lo.
Outros jornais que se concretizaram, mas com vida curta, foi o Telha de Vidro, na década de 1970 e o jornal Informativo Municipal produzido pela prefeitura no intuito de divulgar principalmente os feitos realizados por cada gestão. Ainda nos anos 1970 vemos também o Telha, com alguns números a mais do que a versão anterior, alcançando os primeiros anos da década de 1980. Desses exemplares, vale a análise mais demorada neste momento do jornal De Fato, dado principalmente a diversidade de informações que seu editorial visava abarcar.
O jornal De Fato começou a circular a partir de 1º de julho de 1984 e ao longo de diversas edições observamos matérias a respeito de seus aspectos político, econômico, sociais, cultural e histórico. A proposta de um jornal informativo independente que abrangesse a região Centro-Sul deixava espaço para falar sobre a emancipação de Quixelô, nova cidade vizinha a Iguatu, ou entrevista com governador, com o prefeito de Juazeiro do Norte, dentre outros. Neste, a utilização de imagens já era algo bem presente e na sua capa, além da manchete, diversas notas chamativas dispostas ao redor da página em pequenas caixas de texto nos dava um resumo do que era posto como as mais importantes notícias da edição. Nele observamos diversas matérias sobre cinema, a presença da TV e os festejos da cidade, de maneira que nos permite uma reflexão mais pormenorizada, pois é provável que tenha coincidido com os últimos momentos do Cine Coliseu (sobre esse assunto trataremos mais a frente).
A significativa presença de propostas de produção de material informativo ao longo das décadas colocava esse meio de comunicação como importante divulgador de feitos e necessidades desta localidade. Para nós, além de elencar as diversas propostas, a observação desses periódicos e principalmente os situados nas décadas de 1970 e 1980, permite-nos relacionar e dialogar com as memórias dos entrevistados ou outros documentos.
Portanto, Iguatu que se apresentava para FS no início dos anos 1970 era outra se comparada à que falávamos anteriormente. A Iguatu dos anos 1970 trazia elementos diversos daquela do início do século XX ou mesmo daquela situada na década de 1950. Momentos históricos e temporais diferentes, mas que não se isolam dentro do cenário físico da cidade, pois o mesmo foi vivido, construído e dado significado a partir das relações entre as pessoas, do comércio desenvolvido ali, das
festas, etc. O caminhar exploratório de novos territórios inseridos no campo de visão e sensibilidade de FS lhe denuncia também outros tempos, estruturas guardadas e ainda atuantes, construções desses momentos anteriores.
Tão logo começamos a conversar com FS sobre a história da cidade e fomos apresentados a Iguatu do ano de 1958, numa fotografia guardada em seu álbum pessoal. As fotografias também permitiram a FS conhecer um pouco da configuração do espaço em décadas anteriores a dele, bem como registrar novos momentos. Mesmo na década de 1970, no entanto, a fotografia ainda não se tornara em Iguatu um recurso facilmente acessado. FS e sua família trazem em seus álbuns em maior número os retratos de pessoas, membros da família. Mas, como presente ou foto enviada por alguém da família que estava morando em outro local, encontramos alguns registros paisagísticos. FS toma então uma foto em que sua mãe recebera de presente.
Nosso entrevistado se dedicou, pois, a nos conduzir por um passeio, guiado por seu dedo mindinho indo de um prédio a outro da foto ao mesmo tempo em que ouvíamos relatar as histórias de que tinha conhecimento. A foto, enumerada tal qual fomos apresentados aos espaços, era parte do centro comercial da cidade.
Fig 4.: Fotografia vista de cima da cidade de Iguatu nos anos 1950
A cidade capturada nesta fotografia nos permite observá-la e reconstruí-la. Mas também esquecê-la e se perder. Pois ao mesmo tempo em que a fotografia deixa registrado uma rua ou uma praça específica, outras tantas que compõe o
espaço urbano se encontram fora do perímetro dela. E se a documentação imagética não trás uma fotografia que seja desse espaço o que lhe permitirá ser notado? As narrativas de seus transeuntes, daquele que passava por aquela rua todo santo dia quando se dirigia ao trabalho, daquele que sentava no Bar O Ventania (situado na atual Praça da Bandeira) e observava o fluxo de pessoas chegando de trem ou circulando na Praça Francisco Sá (nome dado à época a Praça da Bandeira). Também os registros legais tornam a existência de uma rua, beco ou viela lembrado. Dessa forma, a cidade tem várias maneiras de ser captada, vivida e sentida. A fotografia é mais um aspecto que talvez tenha surgido para permitir que sentimentos diversos sejam acionados mediante aquele recorte imagético cristalizado de um tempo, possibilitando àquele que outrora a observara, rememorar momentos vividos.
É ancorado nesses recursos que perpassamos ruas e praças da década de 1950, observando tanto mudanças no campo da fotografia quanto na própria estrutura física da cidade. Algumas mudanças em seu cenário físico foram registradas em jornais, como o calçamento de ruas e a urbanização de praças. Assim observamos, ainda no quadro intitulado “Efemérides municipais de Iguatu”, elencados diversos acontecimentos nos mais variados campos de atuação, devidamente datados. A edição de 1º de maio de 1955 apresenta que a Rua Boulevard João Pessoa foi asfaltada em 23 de outubro, seguindo no mês de novembro e dezembro o calçamento da rua Cel. Virgílio Correia e Cel. Correia (o jornal parece ter se confundido ao escrever o nome da segunda rua).
E assim fotografias e jornais a se deter sobre as ruas de maior movimentação comercial visavam apresentar uma cidade economicamente ativa e bem estruturada aos moldes do que a época se colocava como modernização e urbanização. Como ponto referencial observamos a Praça Gonçalves de Carvalho (1), hoje popularmente conhecida como Praça da Caixa Econômica. Situada próximo à estação e à Praça Francisco Sá, ali ao seu redor se encontravam uma fábrica de beneficiamento de algodão (4), o Banco do Brasil (6), o palacete da família Benevides (2)35 (Construído no início da década de 1920, o qual serviu de sede para o I Congresso Algodoeiro do Ceará, em 1925) e um cinema (3), o Cine-
35 Ibidem.
TheatroGuarany (o anterior Cine-Theatro Iguatu que mudara de nome no momento que passou para as mãos de outro proprietário), dentre outros comércios.
O edifício do Cine-Theatro Guarany, o primeiro cinema a funcionar na cidade, foi fundado no ano de 1924, o qual trataremos mais a frente. A rua que passa a sua frente era denominada de Rua do Fogo, posteriormente passando a ser chamada de 13 de maio e atualmente intitulada de Floriano Peixoto. Paralela a esta, no outro lado da praça observamos a Rua Epitácio Pessoa (na qual encontramos as lojas comerciais enumeradas 5 e 7), provavelmente a mesma capturada em fotografia no relatório de Hugo Victor, que à época já era um centro de fomentação comercial. Seguindo a rua lateral do cinema, que ainda não conseguimos identificar a denominação que recebia em virtude de muitas ruas serem conhecidas por travessas ou becos enumerados, em poucos minutos a pessoa alcançaria a Praça Francisco Sá e a estação.
Ainda tomando como ponto de referência o Cine-Theatro, seguindo na direção sul da Rua do Fogo, também chegaríamos à linha férrea. Caminhando em sentido contrário, uma quadra a frente podemos observar o Abrigo Metálico, espaço utilizado como estacionamento de carros e transações comerciais. Neste espaço, conhecido à época de Hugo Victor como Praça Demóstenes de Carvalho, foi o local de primeiro funcionamento do Cine-Theatro Iguatu, anterior a 1924, momento em que ainda não possuía seu prédio fixo.
Na referida data da fotografia, a praça passara por reformas realizadas com apoio privado dos próprios comerciantes instalados nas proximidades. A foto, encontrada em um álbum fotográfico de família traz uma descrição em seu verso. Dentre o pouco que ainda está legível podemos ler “Praça Gonçalves de Carvalho,