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DYNAMIQUE DES APPRENTISSAGES ET INSERTION DES TRAVAILLEURS NON-VOYANTS

DYNAMIQUE DES APPRENTISSAGES ET CHANGEMENTS TECHNICO-ORGANISATIONNELS

DYNAMIQUE DES APPRENTISSAGES ET INSERTION DES TRAVAILLEURS NON-VOYANTS

Neste estudo importa salientar a variável cultura, que é absolutamente nodal, sendo a nossa amostra constituída por casais em que os cônjuges são de diferentes culturas. Vimos no capitulo anterior que autores como Hughs, Seidman e Williams (1993) salientam os pontos nos quais a cultura interfere nas várias fases do processo da investigação, ou seja, na formulação do problema, na definição da população-alvo, no desenvolvimento conceptual e avaliativo, no design da pesquisa, na metodologia e na análise dos dados. Alguns autores como Rizzo, Corsaro e Bates (1992) apontam para a necessidade de uma metodologia qualitativa para investigar fenómenos culturais; outros, como Hines (1993), propõem uma interligação de estratégias qualitativas com metodologias quantitativas. Hughs e Dumont (1993) sugerem a realização de focus groups para a investigação numa população onde a variável cultura está, de uma forma ou outra, presente, como acontece na nossa investigação.

Quando queremos desenvolver uma pesquisa de certa envergadura, podemos correr vários riscos, sobretudo se o estudo se debruça sobre aspectos inovadores ou se tiver como objectivo uma população ainda não muito estudada, tal como acontece em relação aos casais biculturais. Por exemplo, poderia acontecer que, devido ao desconhecimento da população alvo, fossem utilizadas estratégias desadequadas ou inapropriadas; ou determi-

nados construtos ou conceitos poderiam não fazer sentido para a população em estudo; ou as hipóteses a serem testadas poderiam revelar-se não muito pertinentes; ou, ainda, os ins- trumentos aplicados ou elaborados poderiam ser desadequados. Estes aspectos estão clara- mente associados ao nosso projecto de investigação, que pretende averiguar algo inovador como os factores protectores em casais biculturais. Para evitar estas ou outras dificuldades, decidimos elaborar um estudo exploratório. De facto, Krueger (1994) sugere uma metodo- logia de focus group como estudo exploratório, quando pretendemos chegar a uma melhor compreensão de determinados fenómenos no início de uma pesquisa em larga escala que, de uma forma ou outra, constitui um terreno novo. Neste caso, o investigador pretende obter ideias que emergem da própria população alvo. A informação obtida através da meto- dologia dos focus groups possui a capacidade de se tornar mais que a soma dos seus parti- cipantes, porque resulta de uma sinergia que não se pode alcançar através de entrevistas a indivíduos isolados. Como consideramos, então, que as condições supra mencionadas estão preenchidas em relação à nossa investigação, iremos, neste estudo, seguir uma metodologia de focus group, proposta por vários autores como Krueger (1994, 1998) e Morgan (1998).

4.1.1 . Objectivos

Sabemos que com a utilização de focus group não se pretende testar hipóteses. Tra- ta-se antes de compreender fenómenos da população alvo que, posteriormente, poderão ser testados num estudo mais quantitativo. No entanto, como primeiro passo essencial desta metodologia, é necessário estabelecer os objectivos em causa. Destes objectivos dependem, como iremos ver, o design a ser elaborado (grau de estruturação nos grupos, constituição dos grupos, número de participantes em cada grupo e número de grupos), os instrumentos a serem elaborados, o tipo de moderação e, naturalmente, a forma como irão ser analisados os dados.

Assim, delimitamos como objectivos gerais:

a) Verificar os recursos ou factores protectores que possam existir nestes casais biculturais ou seja, investigar quaisquer características ou condições, que sejam consideradas ou vivenciadas como positivas pelo casal, tais como atitudes pes-

soais, estratégias específicas, funcionamento familiar ou outras características ligadas ao contexto micro (família) ou macro (sociedade).

b) Verificar os obstáculos ou factores de risco que eventualmente se encontram nos casais biculturais, ou seja, investigar quaisquer características ou condições consideradas desagradáveis ou que dificultem o relacionamento entre o casal. Estes factores de risco podem ser de natureza muito diferente, tal como aconte- ce nos factores protectores (atitudes, estratégias, funcionamento familiar e fac- tores contextuais mais latos).

Objectivos específicos:

c) Verificar as necessidades específicas que ambos os cônjuges de casais bicultu- rais sentem.

d) Averiguar ideias para futuras pesquisas na área da biculturalidade conjugal e que possam fazer sentido na óptica desta população.

4.1.2 . Condições e critérios da amostragem

Segundo Krueger (1994, 1998) uma metodologia de focus groups requer um design flexível, não pré-programado, porque o próprio design deverá estar intimamente ligado aos objectivos propostos para o estudo. Tendo, então, em mente os objectivos, temos agora de tomar decisões acerca do grau de estruturação dos grupos, da sua composição ou amostra- gem, do tamanho dos grupos e do número mínimo de grupos necessários.

Grau de estruturação dos grupos

Quando o objectivo da investigação é obter respostas para tópicos em forma de lista de muitas perguntas predeterminadas, fechadas e concretas, segundo Morgan (1998), seria necessário elaborar grupos com um elevado grau de estruturação. Esta abordagem, embora mais objectiva, limita, à partida, o número de respostas, porque se centra mais nos objecti- vos e interesses do estudo e menos nas considerações e interesses dos participantes.

Se, pelo contrário, o objectivo do estudo é averiguar de forma exploratória um tópi- co mais genérico, como, por exemplo, verificar as necessidades de uma população alvo, será mais adequada a elaboração de grupos com baixo nível de estruturação, onde serão apresentadas uma, duas ou no máximo três questões genéricas e abertas. Uma abordagem com baixo grau de estruturação, onde os participantes são estimulados para darem um con- siderável número de respostas diferentes, tem a vantagem de ser mais centrada nas necessi- dades, interesses e opiniões dos participantes. Pretende-se, aqui, explorar vários aspectos ou vertentes de um ou mais tópicos, permitindo por parte dos participantes sugestões de novas ideias.

Existe um formato intermédio, chamado semi-estruturado, onde se pretende conhe- cer ou aprender algo em relação a questões genéricas e específicas. Nesta abordagem, nor- malmente, passa-se de tópicos mais genéricos e abertos na fase exploratória, para questões mais específicas ou concretas. Um formato semi-estruturado é também mais apropriado quando se pretende ouvir as opiniões e interesses dos participantes, sem pôr de parte ques- tões mais concretas a serem averiguadas. No fundo, este formato deverá ser seguido se os objectivos da pesquisa não se enquadrarem bem num formato com elevada estruturação, ou seja, onde se pretenda obter respostas a uma lista de perguntas concretas relativamente lon- ga, nem se enquadrarem bem num formato com baixo nível de estruturação, onde, como se viu, se pretende saber o máximo por parte dos participantes em relação a um tópico mais genérico. Assim, este formato semi-estruturado não deverá ser escolhido meramente por questões de compromisso, mas deverá estar intimamente ligado aos objectivos propostos.

Analisando os nossos objectivos, pensamos que estes se enquadram mais num for- mato semi-estruturado, porque temos, como vimos, questões genéricas iniciais e algumas questões mais específicas a serem averiguadas. Além disso, pretendemos conhecer as res- postas a dadas questões subjacentes aos objectivos, deixando ao mesmo tempo espaço para novas ideias e sugestões por parte dos participantes.

O formato semi-estruturado, irá, subsequentemente, influenciar outros aspectos do design, que a seguir mencionaremos, tais como a elaboração do guião, a forma de modera- ção dos grupos e a análise dos dados.

Composição dos grupos

A estratégia para seleccionar amostras nos focus groups é bastante diferente das estratégias utilizadas nos inquéritos ou designs experimentais. Segundo Morgan (1998), a metodologia em focus groups confia, como acontece na maior parte das pesquisas qualitati- vas, em amostras deliberadas. Uma estratégia deliberada para a amostragem escolhe os par- ticipantes de acordo com os objectivos do estudo, o que é muito diferente das amostras aleatórias, utilizadas nos estudos experimentais ou nos inquéritos. O objectivo de um estu- do experimental ou de um inquérito é a generalização de dados numéricos para toda a população, o que requer uma amostragem aleatória. O objectivo dos focus groups não é a generalização dos dados ou a representatividade da amostra (que não é possível, sobretudo devido ao reduzido número dos participantes) mas antes atingir uma profunda compreensão de fenómenos da população alvo. Este objectivo requer, por sua vez, uma amostragem deli- berada, que pode proporcionar uma discussão mais produtiva no que diz respeito à infor- mação recolhida. No entanto, os inquéritos e os focus groups têm algo em comum: ambos utilizam um procedimento sistemático de amostragem e critérios previamente estabeleci- dos.

Existem, segundo Morgan (1998), alguns aspectos que devemos tomar em conside- ração no processo da amostragem e respectiva repartição em diferentes grupos: a) os parti- cipantes deverão sentir-se à vontade para falar sobre os tópicos em causa, b) dever-se-á criar uma discussão, o mais produtiva possível, em relação aos tópicos propostos. Desta forma, delimitámos os participantes para a amostragem no nosso estudo a cônjuges oriun- dos apenas de duas culturas específicas, nomeadamente da cultura portuguesa e da cultura alemã, para facilitar a comunicação entre os casais no âmbito da experiência dos focus groups. A comunicação entre casais biculturais, muito heterogéneos em relação à língua materna, seria muito difícil se não impossível, porque alguns participantes estrangeiros podem preferir exprimir-se, em assuntos de ordem pessoal, na sua língua materna ou podem até não dominar suficientemente o português. Estando apenas duas línguas presen- tes nos focus groups (a língua portuguesa e alemã) poderão ser traduzidas facilmente algu- mas intervenções (o moderador domina o português e o alemão), o que não seria possível perante a presença das mais variadas línguas.

Tendo em conta os objectivos por nós propostos e as considerações sobre a amos- tragem referidas, elaboramos então o seguinte critério geral de selecção da amostra:

cônjuges de um casamento bicultural entre portugueses e cidadãos oriundos de países de língua alemã (Alemanha, Áustria, Suiça alemã, Liechtenstein).

Em relação a uma eventual segmentação dos grupos, Morgan (1998) considera que um formato muito estruturado permite uma grande segmentação (por exemplo, em relação ao sexo, origem, idade, habilitações, local de residência, ocupação e rendimento) porque os dados obtidos neste formato permitem uma maior análise inter-grupo. O mesmo não será possível num formato com baixa estruturação, onde uma segmentação inter-grupo não faz muito sentido devido à dificuldade posterior de comparação dos dados. Como estamos em presença de um formato semi-estruturado, podemos proceder, apenas, a uma segmentação (Morgan, 1998). A segmentação que nos faz mais sentido é comparar casais biculturais com filhos, com casais biculturais sem filhos, que poderão diferir nos factores protectores, nos factores de risco e nas necessidades sentidas pelos casais. Iremos, então, constituir gru- pos com casais biculturais que tenham filhos, e outros grupos com casais biculturais sem filhos.

Morgan (1998) discute, também, a constituição de grupos ou amostras homogéneas versus heterogéneas. Krueger (1994) afirma que “o focus group é caracterizado por uma homogeneidade mas com suficiente variação entre os seus participantes, que permita con- trapor diferentes opiniões” (Krueger, 1994, p. 77). Desta forma, se na nossa análise de dados pretendermos comparar grupos, o que é possível através de um formato altamente estruturado, faz mais sentido elaborar grupos bastante homogéneos. Se pelo contrário, esti- vermos mais interessados em obter diferentes perspectivas em relação a alguns tópicos, seria mais favorável constituir grupos mais heterogéneos. Em relação aos nossos objecti- vos, encontramo-nos, de certa forma, numa posição algo intermédia. Por um lado, a dife- renciação entre casais com filhos e casais sem filhos permitir-nos-á uma comparação destes dois grupos. Mas como os nossos objectivos pretendem, de igual forma, obter diferentes opiniões ou perspectivas em relação aos factores protectores (recursos) ou factores de risco (obstáculos) neste tipo de casais, convinha, pelo menos em relação a alguns aspectos, cons- tituir grupos mais heterogéneos. Desta forma, e também para tomar em consideração o cri- tério b) de amostragem acima mencionado (“criar uma discussão o mais produtiva possível em relação aos tópicos propostos”), iremos procurar estabelecer, em cada grupo (com ou sem filhos), alguma heterogeneidade, considerando as seguintes variáveis:

• tempo de relação do casal

• anos de permanência do cônjuge alemão em Portugal • religião (católica, protestante, sem religião)

• casais em que o marido é português e a mulher alemã e outros em que o marido é alemão e a mulher portuguesa.

• casamento/união de facto.44

No que diz respeito às origens culturais (portuguesa e alemã), mantemos o critério de homogeneidade, para facilitar a comunicação entre os participantes, como já referimos.

Um outro aspecto em relação à composição dos grupos ou amostragem é o conhe- cimento/desconhecimento prévio entre os participantes do mesmo grupo. Tanto um como outro formato apresentam vantagens e desvantagens. Para salvaguardar o critério de amos- tragem a) (“os participantes deverão sentir-se à vontade para falar sobre os tópicos em cau- sa”), optámos por constituir grupos de pessoas que não se conhecem de todo ou não se conhecem bem entre elas. Assim, salvaguarda-se melhor, a confidencialidade e a possibili- dade de criar um clima de à vontade, onde os participantes poderão falar de forma mais aberta de assuntos pessoais que poderão ser delicados ou mesmo íntimos. Com efeito, um dos problemas decorrentes da inserção de colegas ou conhecidos num mesmo grupo é a limitação da confidencialidade, porque o que é dito no grupo poderá ter consequências pos- teriores, fora do controlo dos organizadores. Isto pode levar a uma inibição por parte dos participantes, e porventura, a uma consequente perda de informação valiosa. Além disso, pessoas que se conhecem bem dentro de um focus group têm tendência a fazer conversas paralelas fora do assunto pretendido.

Tamanho dos grupos.

Segundo Morgan (1998), o tamanho ideal para os focus groups situa-se entre seis a dez participantes. Também Krueger (1994) aponta para um número entre seis a nove parti- cipantes. Este número permite, por um lado, que cada um tenha suficiente tempo para se

44 Inserimos, num grupo, uma alemã divorciada (ex-cônjuge português) com uma filha a seu cargo. Achamos

que sua a perspectiva poderá ser importante em relação aos nossos objectivos (factores protectores e factores de risco), embora não preencha inteiramente o critério de selecção.

exprimir e emitir as suas opiniões em relação às questões propostas e, por outro lado, que cada membro não sinta que a atenção por parte do moderador está demasiado centrada nele, o que acontece em grupos mais pequenos. Um número de seis ou menos participantes pode- rá interessar, se o objectivo for contar narrativas pessoais ou histórias mais longas, se exis- tir um grande nível de envolvimento, quando se tratar de um tópico complexo ou contro- verso ou quando existir dificuldade em recrutar um maior número de participantes. Por sua vez, um grupo com dez ou mais participantes seria adequado se existir um baixo nível de envolvimento, se o objectivo for obter sugestões ou opiniões breves em relação a determi- nados tópicos ou se pretendermos obter, com um formato mais estruturado, respostas bre- ves a perguntas predeterminadas e mais fechadas. Para o nosso estudo, escolhemos um tamanho de seis até nove elementos, de modo a permitir que todos os elementos tivessem tempo suficiente para falar mas sem sentirem a obrigação de responder devido a uma even- tual focalização da atenção em poucos elementos.

Numero mínimo de grupos

Segundo Morgan (1998), não existe um número específico para cada estudo de focus group. O número normalmente utilizado para este tipo de pesquisa situa-se entre três a cinco grupos. O número de grupos a constituir depende também do grau de saturação da informação. Se um segundo ou terceiro grupo não fornece muita informação nova em rela- ção aos objectivos podemos admitir que atingimos o nível de saturação. Claro que quanto mais segmentos houver nos grupos, maior deverá ser o número de grupos a realizar. O mínimo proposto por Morgan (1998) é dois grupos para cada segmento. Desta forma, optámos por dois grupos de casais com filhos e dois grupos de casais sem filhos. Finalmen- te, seria difícil reunir um maior número de grupos devido, também, a problemas de recru- tamento desta população alvo tão específica.

Em resumo, constituímos para o nosso design um total de quatro grupos de casais biculturais (portugueses/alemães) casados ou em união de facto, dois grupos com filhos e dois grupos sem filhos. Cada grupo era constituído por seis a nove participantes.

4.1.3 . Guião de condução da(s) entrevista(s) do focus group

A elaboração das perguntas ou tópicos de discussão é essencial. Krueger (1994, p.53) afirma que “as perguntas são o coração de uma entrevista em focus group”. Destas dependem, em grande parte, os resultados obtidos. A qualidade das perguntas está directa- mente ligada à qualidade das respostas. Embora as perguntas possam parecer espontâneas, deverão ser cuidadosamente elaboradas ou seleccionadas para se poder obter um máximo de informação pertinente. Krueger (1998) considera que as perguntas claras e premeditadas constituem a base para uma alta qualidade na pesquisa de focus groups.

Em geral, as perguntas deverão ser, para além de adequadas aos objectivos propos- tos, claras (breves, compreensíveis e simples), directas, fáceis de responder, naturais e con- fortáveis para os participantes. Cada pergunta deverá conter apenas uma dimensão ou assunto a ser averiguado. Portanto, é de evitar perguntas como: “que acham de ... e ....de …?”, sobretudo nos grupos não estruturados ou semi-estruturados, (formato do nosso estu- do) onde são utilizadas perguntas abertas e/ou que fazem uma alusão a narrativas como experiências prévias ou pessoais. As perguntas contentoras de um “porquê” deverão ser evitadas, já que provocam, muitas vezes, uma atitude defensiva dos participantes, levando- -os a “racionalizar” ou “intelectualizar” as suas respostas ou, ainda, a responder conforme a desejabilidade social, o que reduz drasticamente a validade das respostas obtidos.

Uma questão a decidir é se o guião contém as próprias perguntas ou apenas tópicos de questionamento, dando liberdade ao moderador sobre a como formular as perguntas em relação a cada tópico. As perguntas pré-formuladas têm a vantagem de reduzir a variabili- dade entre os grupos e moderadores. Desta forma, permitem uma maior qualidade de análi- se, porque aumentam a consistência das respostas. No entanto, as perguntas são mais difí- ceis de preparadar e parecem menos espontâneas. As respostas obtidas com base em tópicos são mais difíceis de serem analisadas e comparadas, pois perante o mesmo tópico poderão surgir perguntas diferentes nos vários grupos ou moderadores, pelo que a consistência das respostas tende a ser mais reduzida. Pelas razões apontadas, optámos por elaborar um guião com perguntas pré-formuladas, o que à partida nos permitiria uma análise mais consistente e uma comparação mais fiável entre os grupos de casais com e sem filhos.

É, ainda, conveniente que o guião seja elaborado em diversos blocos da seguinte forma:

a) Abertura - Estas perguntas servem apenas para criar um bom ambiente. Normal- mente, trata-se de perguntas de apresentação.

b) Introdução ao tema - São perguntas muitos gerais, cujas respostas, normalmente, não serão sujeitas a análise posterior.

c) Transição - São perguntas que farão a ponte para o tema proposto.

d) Perguntas chave - Estas perguntas estão intimamente ligadas aos objectivos do estudo. Um formato semi-estruturado contém, em princípio, oito a doze perguntas deste género.

e) Conclusão - Trata-se de considerações finais, pedidos de sumários ou últimos acréscimos.

Também, é conveniente ter cuidado em relação à sequência das perguntas no guião. Krueger (1998) propõe as seguintes estratégias:

• partir de perguntas mais gerais para as mais específicas (afunilamento);45 • partir de perguntas mais positivas para as mais negativas;46

• partir de perguntas menos directivas para as mais directivas.47

Em síntese: na elaboração deste guião, tivemos em consideração os nossos objecti- vos, as características da elaboração de perguntas para os focus groups semi-estruturados, os blocos e as estratégias mencionadas.

Em primeiro lugar, escrevemos um número considerável de perguntas por meio de um brainstorming pessoal e, em seguida, extraímos as que melhor se adequavam aos parâ- metros mencionados. Esta primeira versão do guião foi sujeita a um pré-teste. Com base nele, realizou-se uma entrevista a um casal bicultural (alemã casada com português) para verificar a interlegibilidade, pertinência e clareza das perguntas assim como a qualidade de respostas obtidas. Este casal não irá participar em qualquer grupo do estudo. Após a entre-