Informal Trade in Africa
5.2 Defining informal trade
De acordo com a reportagem publicada no Jornal A Posição, na edição que circulou de 12 a 19 de maio, o assessor jurídico da UPES, Joaquim Silva, fez a defesa de um piso mínimo de CR$ 6.000,00 para o magistério fazendo críticas severas à ingerência política na educação. Contudo, a coragem que sempre marcou o assessor da UPES não foi assumida pelos efetivos, pois, mesmo sem conseguirem o reajuste que queriam, voltaram para a sala de aula com medo do que poderia acontecer. Por conseguinte quem pressionou de forma mais incisiva a União dos Professores e demandou jurídica e politicamente contra o Governo foram os monitores, o que acabou levando os órgãos de repressão a redobrar a atenção sobre esses profissionais.
No documento intitulado Nota de Repúdio17, os contratados faziam pesadas críticas
17 Nota de repúdio. P.70. Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Fundo/Coleção: DOPS/ES.
ao Governo, acusando-o de não reconhecê-los. Se auto-intitulavam “párias da edu- cação”, não admitindo mais serem joguetes de políticos interessados somente em votos, solicitando ainda apoio dos professores efetivos. Como esse apoio não veio, os monitores passaram a organizar sua luta e a pressionar a UPES para que desse apoio ao movimento, como aconteceu na assembleia do dia 11 de maio, ação destacada pelos agentes no relatório do dia 21 de maio, com o título: “Movimento” de Professores e Monitores-UPES”18. Como foi exigida identificação, os agentes não puderam ter acesso à assembleia, sendo que, de acordo com o relato, a maioria das 1500 pessoas presentes eram professores monitores que possuíam o apoio dos estudantes da rede estadual e da UFES, pois boa parte deles eram ex- alunos da universidade.
Para cobertura da reunião do dia 12, que aconteceu no Edifício Caparaó, dois agentes foram designados. De acordo com o Jornal A Tribuna19, nesse encontro os monitores debateram se aceitariam a proposta de aumento oferecida pelo Governo e o número de vagas oferecidas no concurso de ingresso. Segundo o relatado pelo agente, houve um grande tumulto por parte dos próprios monitores, o que prejudicou os trabalhos. Um dos agentes foi assediado e teve que se retirar do local para evitar problemas.
No entanto, de acordo com a matéria20 “Monitores terminam greve estabelecendo exigências”, publicada no jornal A Gazeta, de13 de maio, ocorreu o tumulto na reunião devido a presença do líder da ARENA na Assembleia Legislativa, deputado Lúcio Merçon, que tentava justificar a falha do Governo em não colocar o aumento dos monitores no projeto de lei enviado à Assembleia Legislativa, sendo ironizado pelos presentes quando pegava o microfone tentando justificar a ação do Poder Executivo . Para dar término ao movimento paredista, os presentes votaram a favor da proposta de retorno às aulas, aceitando os 46% oferecido pelo Governo, contudo exigindo que não fossem punidos e reivindicando ainda o aumento de mais 54%, dando um prazo para que as autoridades atendessem as exigências e, caso isso não ocorresse, voltariam a paralisar suas atividades. Contudo, nesta mesma matéria, reportagem com o subtítulo “UPES critica ameaças da SEDU” aponta que a relação entre os monitores e o Governo do Estado estava longe de ter um final feliz.
Na reportagem, a presidente da UPES, Myrthes Bevilacqua afirma que está dando todo apoio à greve dos monitores, mesmo que seja considerada ilegal, destacando
anos de 1979/1980.
18 Relatório 21/05/1979. P.75-77. Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Fundo/Coleção:
DOPS/ES. Dossiê 13/ Manifestações dos Professores Estaduais e Municipais do Espírito Santo, ocorridas nos anos de 1979/1980.
19 A Tribuna. 12/05/1979 P.196-197. Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Fundo/Coleção:
DOPS/ES. Dossiê 13/ Manifestações dos Professores Estaduais e Municipais do Espírito Santo, ocorridas nos anos de 1979/1980.
20 A Gazeta. 13/05/1979 P.198. Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Fundo/Coleção: DOPS/ES.
Dossiê 13/ Manifestações dos Professores Estaduais e Municipais do Espírito Santo, ocorridas nos anos de 1979/1980.
que não concordou de maneira alguma com as ameaças feitas pelo Secretário de Educação, Stélio Dias, de mandar embora os monitores que não voltassem para sala de aula, contratando outros profissionais para substituí-los.Essa tentativa de aproximação da UPES não surtiu muito efeito, principalmente porque o pequeno grupo de monitores que radicalizou contra o Governo tecia críticas intensas à presidente da entidade, acusando-a de pelega, centralizadora e de atuar como porta-voz do Governador. A partir desse grupo foi organizada a CAPO (Comissão Aberta dos Professores de Oposição), que iria questionar a entidade de forma bastante intensa até o fim do mandato da atual direção, em 1981. Essa radicalização acabou demonstrando a fragilidade do movimento dos monitores.
De acordo com a reportagem publicada21 no jornal A Gazeta, de 31 de maio, somente 26 professores estavam presentes na assembleia e decidiram pela greve mesmo sendo uma ínfima parcela dos 9000 contratados. No início do mês de junho a greve foi deflagrada, contudo foi rapidamente sufocada pelo Governo. Mesmo com a derrota, esse grupo continuou defendendo ações radicais para a conquista dos direitos.
As idéias da CAPO eram oriundas dos grupos de esquerda que, desistindo da luta ar- mada, encontraram nos professores de alguns estados o espaço para a reorganização da luta contra os militares questionando o regime com as greves que aconteceram no final da década de 1970 e início da década de 1980, confrontando-se assim a concep- ção conciliatória defendida pela direção da CPB.Para trazer mais educadores para o movimento, houve a organização do I Encontro Nacional dos Professores, que contou com a presença de duas delegações representando os professores capixabas.
A participação dos docentes capixabas nos encontros nacionais realizados pela CPB sempre foram bem marcantes, tendo a professora capixaba Lucília Lamego exercido o cargo máximo na instituição, e a presidente da UPES Myrthes chegando a vice- presidência da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil. A diferença desse encontro para os outros que a União dos Professores participou, foram os organizado- res. Nos anteriores, a estruturação ficava por conta da Confederação de Professores, sendo que este foi organizado pelos opositores ao trabalho desenvolvido pela entidade nacional. Segundo JÚNIOR (2011, p. 57), o objetivo dos encontros – que aconteceram em julho de 1979, em São Paulo, e em 1980, em Belo Horizonte – era a criação de uma estrutura sindical nacional para unificar o movimento dos professores em todo o Brasil. Um ponto que chamou atenção nesse encontro foi a representação do magistério capixaba, pois, além da delegação organizada pela UPES, havia outro grupo composto por seis professores monitores, mais ligado às ideias defendidas pelos organizadores.
21 A Gazeta. 31/05/1979 P.201. Arquivo Público do Estado do Espírito Santo. Fundo/Coleção: DOPS/ES.
Dossiê 13/ Manifestações dos Professores Estaduais e Municipais do Espírito Santo, ocorridas nos anos de 1979/1980.
Assim, a União dos Professores foi convidada para esse encontro devido à organização que os professores já possuíam no Espírito Santo, mesmo que houvesse maior ligação com a CPB.
Segundo JÚNIOR (2011, p. 58), o Primeiro Encontro Nacional de Professores contou com a presença de trabalhadores em educação, oposições e entidades de 13 Estados. Nesse encontro foram debatidos os pontos em comum que unificavam as lutas nos Estados como: as reivindicações básicas, a postura governamental, as dificuldades impostas, os saldos organizativos conquistados, o avanço na consciência política da categoria e as formas de luta utilizada. O autor destaca que a luta dos professores, neste momento existente no Brasil, estava pautada por diferentes concepções. De um lado havia a tese de fortalecimento da CPB numa perspectiva democratizante, evitando o confrontamento com os militares. Essa linha política da qual a UPES fazia parte era apoiada pelos comunistas ligados ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), PC do B (Partido Comunista do Brasil) e MR-8 (Movimento Revolucionário 8 de outubro). Do outro lado atuava o grupo chamado “esquerdistas”, que acreditava na luta de forma mais incisiva, não aceitando diálogo com os governos militares.
A partir desse primeiro encontro foram reiniciados os contatos entre os diversos estados, resultando em reuniões realizadas durante o ano de 1980. Contudo, até chegarmos a julho desse ano a divergência de concepção na construção do movimento dos professores mostrou-se bastante presente no Espírito Santo, e mereceu a vigilância do DOPS.