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Characteristics of informal traders

Informal Trade in Africa

5.4 Characteristics of informal traders

Dentre os encontros nacionais que a UPES participou em 1980, destacam-se dois: o primeiro organizado no início do ano pela CPB (Confederação dos Professores do Brasil) e o outro organizado em julho pelo grupo crítico da linha da entidade, fruto do I Encontro Nacional dos Professores, que acontecera em Belo Horizonte em 1979. Em reportagem do jornal A Tribuna, de 28 de dezembro de 1979, é anunciado que a UPES irá participar do Primeiro Encontro Nacional dos Professores, que acontecerá em Brasília entre os dias 18 a 20 de Janeiro com organização a cargo da CPB. Na matéria é destacado que a entidade aproveitará o encontro para denunciar os problemas que afligem todo o magistério nacional e, por conseguinte, os professores capixabas. Segundo o jornal, dentre os trabalhos que serão apresentados pelo magistério espírito- santense destacam-se o direito de sindicalização do servidor público e o recebimento do décimo terceiro salário. Outro ponto que será abordado, segundo a presidente Myrthes Bevilacqua, é a perda do poder aquisitivo do servidor público a nível estadual e municipal, bem como a falta de assistência médica, odontológica e hospitalar

Excetuando as questões da luta pelos direitos, uma das críticas feitas pela UPES – uma das organizações de professores a nível estadual que mais apoiava o trabalho da CPB – foi a demora da confirmação da realização do encontro. Entre as explicações sobre a desorganização do evento estava a movimentação do grupo que questionava a linha política adotada pela Confederação de Professores e foi responsável pela organização do encontro realizado em Belo Horizonte, em julho de 1979. Enquanto a CPB tinha dificuldades para organizar o encontro, acontecia a mobilização para a realização do I Congresso Nacional dos Profissionais da Educação, que aconteceria em julho de 1980, inclusive com a participação de entidades historicamente ligadas à CPB, como a UPES.

De acordo com JÚNIOR (2011, p. 58) a partir do primeiro encontro, realizado em julho de 1979, o grupo que fazia oposição à linha proposta pela CPB reiniciou os contatos entre as diversas organizações estaduais, ação que resultou em reuniões realizadas no ano de 1980, nos meses de fevereiro, abril e maio, em São Paulo, sendo a última em 7 de junho no Rio de Janeiro. Nessas reuniões foi deliberado a realização de um encontro nacional, nos dias 28 e 29 de julho de 1980, em São Paulo. A justificativa para a realização desse encontro foi a necessidade de sistematizar experiências vividas pelo magistério nos diversos estados, consolidar as vitórias obtidas e unificar, até onde fosse possível, as lutas que se avizinham. Entremeando as reuniões aconteceu, no mês de março de 1980, um encontro em Belo Horizonte.

Nesse encontro foram discutidos os pontos que unificavam a luta sindical em nível nacional. Segundo o autor, o primeiro ponto era composto pelas seguintes reivindica-

ções econômico-corporativas: aposentadoria aos 25 anos de serviço; estabilidade no emprego; reajuste semestral; sustentação e fortalecimento das entidades. Outros dois pontos lançaram as bases para a fundação da futura entidade nacional dos professores: I - foi criada uma comissão executiva nacional, cujos membros eram diretores da APE- OESP (Sindicado dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo), da União dos Trabalhadores de Ensino de Minas Gerais, do Centro Estadual de Professores do Rio de Janeiro, das Associações Profissionais de Ensino Oficial de Pernambuco, da Associação de Professores do Estado de Pará, da União dos Professores do Espírito Santo e do Centro dos Professores de Goiás;

II - determinava-se a convocação de um Congresso Nacional dos Profissionais em Educação para julho de 1980.

O autor ressalta que no I Congresso Nacional de Profissionais de Educação apare- ceram bem explícitas as diferenças de concepção de luta das entidades ligadas a determinados grupos de esquerda, chamados de “esquerdistas”, e a CPB, esta apoiada pelos comunistas ligados ao Partido Comunista Brasileiro (PCB), ao Partido Comunista do Brasil (PC do B) e ao Movimento Revolucionário Oito de Outubro (MR-8). As discussões centraram-se na democratização da Confederação dos Professores do Brasil ou na construção de uma nova entidade que unificasse a luta do magistério em todo o país.

Para o autor, a tese de fortalecimento da CPB era defendida pelo seu presidente Hermes Zanetti e por dirigentes de entidades do Rio Grande do Sul e do Paraná. Essa linha de ação também era defendida pelo PCB, pelo PC do B e pelo MR-8, que entendiam ser possível transformar, numa perspectiva democratizante, a estrutura associativista da Confederação de Professores do Brasil. Ferreira Júnior destaca que essa lógica de ação estava inserida num tipo de estratégia política utilizada na luta contra o regime militar. Os comunistas dos partidos citados propunham uma frente ampla contra o regime político implantado com o golpe militar de 1964, contando ainda com a participação do PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro) e de outros agrupamentos existentes, ação que poderia se tornar um fator positivo na mobilização das forças populares. Não eram, entretanto, favoráveis ao enfrentamento dos militares através dos movimentos de massa, as greves. Contudo, os argumentos utilizados pelo presidente da CPB para convencer a plenária não foram suficientes, pois contra a entidade pesava a sua trajetória histórica.

Segundo o autor, a crítica feita pelo grupo mais radical era baseada no passado da CPB, marcada pelo atrelamento ideológico com as forças políticas que promoveram o golpe de 64 e pouco expressiva do ponto de vista da própria luta sindical pelos interesses corporativos da categoria dos professores de 1º e 2º graus. Além dessas críticas, a fala de um dos líderes esquerdistas, o professor Gumercindo Milhomem Neto,

resumia bem o pensamento do grupo que convocou o encontro:

Tal federação não teve comprometimento com as lutas recentes dos professores (. . . ). Também é uma entidade que tem o estatuto anti- democrático, pelo qual foi eleito o seu atual presidente sem que os professores fossem ao menos informados (. . . ). É uma entidade que impede a participação da categoria organizada em seu interior (. . . ). Essa proposta como não podia deixar de ser, vem com o momentoso compromisso de democratização (. . . ) ao que respondemos: não é meses antes nem mesmo depois e sim no momento certo, que os professores precisam de suas entidades e este momento é o do en- caminhamento das lutas. Além disso não queremos uma entidade democratizada por alguém. Queremos construir nós mesmos, a nossa entidade, em respeito à democracia do movimento”. Ferreira Júnior (2011, p. 60)

Devido a todo o processo construído durante parte da década de 1970, as inconciliáveis diferenças nas propostas de organização dos professores e no enfrentamento ao regime militar, coube aos apoiadores ligados a Confederação dos Professores do Brasil, que assistiram sem a menor possibilidade de intervenção, a aprovação da principal proposta dos Profissionais em Educação votada no Congresso Nacional: a fundação de uma estrutura sindical nacional dos professores.

Contudo, essa proposta acabou não vingando. O que aconteceu posteriormente, no de- correr da década, foi uma mudança na linha de ação da CPB, que depois se transforma- ria na Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE). Paralelamente à realização desses encontros a nível nacional, o magistério capixaba continuava a sua luta para a conquista de direitos, como o reajuste no salário e a nomeação dos professores aprovados no concurso público.