O sal marinho está caracterizado como uma rocha sedimentar evaporítica51, em que as mesmas são constituídas por compostos minerais salinos, que são
50 A rotação da Terra e o movimento de translação da Lua (ou seja, o movimento da Lua ao redor da
Terra), além da força gravitacional, colaboram para a formação das marés. A maré alta ocorrerá na face da Terra que está voltada/oposta à Lua; a maré baixa ocorrerá nas faces que estão formando aproximadamente um ângulo de 90° com relação à Lua. A amplitude da maré (ou seja, a diferença entre a maré alta e a maré baixa) será diferente dependendo da fase da lua. Quando estamos em Lua Cheia ou Lua Nova, a força gravitacional da Lua combinada com a do Sol, cria amplitudes maiores da maré (ou seja, marés altas maiores que a média e marés baixas menores do que a média - o mar avança/recua mais em relação à faixa de areia). Neste caso, ocorre a maré de sizígia. https://www.terra.com.br/noticias/climatempo/. Acesso em 31/05/2018.
51 Esses tipos de precipitações evaporíticas geralmente se processam ordenadamente, com uma ordem
de afloramento de acordo com a solubilidade de cada rocha, sendo da menos solúvel para a mais solúvel. Com o processo de evaporação da salmoura marinha se precipitam os carbonatos, como calcita (CaCO³), depois os sulfatos de cálcio, sendo a gipsita a mais comum, mais adiante, através de
depositados das salmouras marinhas em elevadas condições de evaporação e restrição de precipitação nas bacias sedimentares. As rochas são comuns em ambientes localizados na costa e que são inundados por águas salgadas (do mar), em que na maioria das vezes são isoladas por alguma barreira natural ou artificial, com uma característica de clima árido e semiárido (SOUZA, BORGES, 2011). No Quadro 4, configura-se a precipitação do sal marinho.
Através da concentração da água do mar e da decorrência de fatores climáticos (ventos e energia solar) a salmoura chega a atingir 27% de concentração, é onde se processa precipitação dos cristais de halita (NaCl), que é o mineral mais abundante, dessa forma é produzido pela água do mar rica em Cl- e Na+, constituindo o sal marinho (HANDFORD, 1991 apud SILVA, SCHREIBER, SANTOS 2015).
Quadro 4 - Caracterização da precipitação do sal marinho
Características Discriminação Autor
Caracterização
Rocha sedimentar evaporíticas, formada por compostos minerais salinos
SOUZA; BORGES (2011), Precipitação das
rochas
Forma ordenada, com uma ordem de afloramento do menos solúvel para o mais
solúvel
SOUZA, BORGES (2011) Minerais precipitados
a partir da evaporação da salmoura marinha
Carbonatos, como a calcita, sulfato de cálcio, sendo o mais comum a gipsita (conhecida como caraco), e mais adiante a
anidrita
SANTOS JUNIOR, et. al, (2013)
Quando precipita os cristais de halita (sal)
Quando a salmoura atinge 27% de concentração, o sal é precipitado
HANDFORD, (1991) apud SILVA, SCHREIBER,
SANTOS (2015) Classificação dos
cristais de Halita
Cristais hopper, Chevron (um lado do cristal cresce preferencialmente em uma
direção), dendríticas e morta board.
SILVA, SCHREIBER, SANTOS (2015) Composição química do cloreto de sódio Aproximadamente 60% de cloro e 40% sódio MENDES, (2012) Coloração do cloreto de sódio
Classificada como translúcida, mas dependendo da região poderá ser acinzentada, branca ou avermelhada
MENDES, (2012) Solubilidade do Sal Totalmente solúvel nos solventes polares e
insolúvel nos solventes apolares MENDES, (2012) Fonte: Adaptado Silva (2016).
A partir da sua fase inicial até a saída do produto para venda passar-se-á a apresentar o esquema da produção do sal marinho em todas as suas fases (Figura 16). A água do mar é introduzida nas salinas através de um sistema de bombeamento, por ocasião de elevação das marés, com água com salinidade entre 3 a 5 graus
um processo de desidratação são formadas a anidrita (CaSO4), que se apresentam como os primeiros minerais a precipitarem com a retenção da agua salínica em cercos (SANTOS JUNIOR et. al. 2013).
baumé52 (para o seu ingresso nos primeiros tanques, e depois é repassada para os evaporadores) significando que, para cada litro de água existe 30 a 50 gramas de saturação de sais na água.
Segundo Oliveira (2010), quando a água atinge o limite de 18º baumé, permanece no circuito até completar 28º baumé, pois nessa graduação os sais de magnésio se precipitam, sendo esses prejudiciais para a boa qualidade do cloreto de sódio. Quando as salinas optam por aumentar a produção com salinidade superior a 28º baumé, a qualidade do sal é reduzida, e pode ser inapropriado o seu uso para algumas finalidades específicas.
Figura 16 - Esquema básico da produção de sal marinho
Fonte: Elaborado pelo autor (2018).
52 A escala Graus de Baumé foi criada pelo farmacêutico francês Antoine Baumé para medição de
densidade de líquidos. Ele usou água pura e soluções de cloreto de sódio para definir os pontos da escala e a relação entre grau Baumé (ºBé) e densidade (d). https://pir2.forumeiros.com/t118010-escala- graus-de-baume
Captação da Água do Mar
Área de Evaporação da Salina Área de cristalização da salina Colheita de Sal Transporte/ Lavagem Do sal Estocagem/ empilhamento
Embarque a granel Transporte
Maritimo Terreste Descarte de águas-mães Para o mar Beneficiamento do sal e refinaria Empacotamento e ensacamento Embarque Estocagem Adição de aditivos
A captação das águas dos rios é conduzida através de canais em quedas de níveis, e captada para dentro das salinas através de bombas centrifugas, no período de estiagem essas bombas trabalham até 24 horas ininterruptamente para abastecer os evaporadores (grandes tanques) com água de sais, com lâminas de água não superior a 50 cm, onde ficarão decantadas para receber a luz solar e aumentar o nível de salinidade da água, com isso a salmoura será repassada de um evaporador para outro até chegar ao estágio da cristalização (SILVA, 2001).
Na Figura 17, observa-se a entrada das águas dos rios, que foram captadas pelas bombas centrifugas, para começar a percorrer o circuito de produção do sal.
Figura 17 - Entrada da água salgada na salina após captação
Fonte: Silva (2001).
Após a captação da agua doce com teor de sais do rio a mesma passa a fazer parte do circuito da salina, a produção de sal se processa em dois estágios, no primeiro é a evaporação, onde através de canais à água53será levada para os evaporadores, que são grandes tanques que correspondem a cerca de 80% da área da salina, que chegam a 100 m², e ficam submetidas a ação dos tempos meteorológicos que proporcionam a evaporação até atingir 23º graus baumé; nesse circuito após o início da decantação a água vai sendo transferida em vários estágios de acordo com o grau adquirido, ventos e decantação; com isso têm-se vários tanques com 7, 12, 15, 18, 20, 23 até 28 graus baumé. No segundo estágio na cristalização,
quando atinge 28º baumé de graduação o cloreto de sódio se precipita e as lajes de sal se formam.
Na Figura 18, observa-se os canais que levam as águas captadas para os evaporadores (chocadores), em que ficarão decantadas até atingir uma determinada graduação de grau baumé e passar para outro estágio. Nessa graduação salínica o cloreto de sódio se precipita, a salmoura permanece cristalizando e evaporando até atingir 28º baumé, nessa graduação as águas mães54são despejadas no estuário55 pois se precipitam outros minerais que são prejudiciais à produção de sal (ANDRADE, 1995).
O descarte das águas mães é acompanhado via satélite pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - IBAMA , pois essas águas são ricas em nitritos que são nocivos a biota marinha, com isso o descarte só deve ser realizado com a maré cheia para que sejam levadas para o mar, pois caso isso não aconteça, os componentes químicos que se precipitam nessas aguas promovem a destruição da fauna e da flora marinha causando danos irreversíveis a todo o complexo ambiental do rio.
Figura 18 - Canais de condução das águas captadas para os cristalizadores
Fonte: Salina – Grossos-RN (2012).
54 Águas mães: Resíduo de uma dissolução salina cristalizada que não pode dar mais cristais.
Com a graduação de 28º Baumé o cloreto de sódio se precipita, e vai se sedimentando em lajes no fundo do cristalizadores, as lajes de sal começam a ser formadas até atingirem camadas de 20 a 30 cm, no entanto, já existe um forro (uma laje) de aproximadamente 30 cm abaixo do sal que é produzida para suportar os equipamentos que farão a colheita do sal (BEZERRA et al. 2012).
Após o processo de cristalização do cloreto de sódio que dura aproximadamente 6 meses para se atingir lâminas de 12 a 20 cm de sal, se inicia o processo de extração (colheita), que é realizado no período após o inverno nos meses de agosto a janeiro. Nessa ocasião os cristalizadores são drenados (escoamento da água), e o sal é colhido por máquinas com esteiras propelidas (semelhante a colhedeira de grãos, com adaptações). Na Figura 19, destaca-se uma colhedeira de sal, que é um equipamento adaptado de colher grãos, com lâminas que levantam a laje de sal.
Figura 19 - Colhedeira transportando para caçambas
Fonte: Salina em Grossos-RN (2012).
Após as esteiras com placas de ferro auto propelidas da colhedeira levantar as lâminas de sal e transportar para esses basculantes os mesmos transportam o sal para o lavador, que é um funil (feito de trilhos), denominado de trimônia, em que será realizado o processo de lavagem do sal que serve para remover as impurezas e substâncias insolúveis agregadas durante o processo de fabricação (SOUTO; FERNANDES, 2005).
Figura 20 - Lavagem do sal
Fonte: Salina em Grossos-RN (2012).
Ao descarregar o sal nessa trimonia os cristais entram em uma centrífuga com água doce, com isso ocorre o processo de lavagem e depois o sal é lançado em uma esteira de malha de aço inox que o transporta para o empilhamento para que passe pelo processo de cura (secagem), que ajuda a reduzir a umidade; o período de estiagem e ventos fortes são ideais para o processo de cura (SILVA, 2001); até mesmo as chuvas sazonais que aparecem na região nos meses de setembro promovem esse processo, em que as pilhas de sal ficam a céu aberto. (Figura 21), apresenta-se o empilhamento de sal nas salinas.
Figura 21 - Empilhamento do sal para o processo de cura
No processo de cura o sal fica empilhado ao ar livre para secar, e com as chuvas que caem sob a região continua o processo de lavagem, em que impurezas e outras sujidades acabam saindo nesse processo de secagem do sal. Na Figura 22, pode-se perceber em uma visão panorâmica de todo o circuito de produção de uma salina, desde a captação da água até a sua cristalização, e colheita.
Figura 22 - Visão geral de uma salina
Fonte: Baldassin (2016).
Pode-se verificar todo o circuito de produção de uma salina, os rios que margeiam a salina, aonde ás águas são captadas, os canais em que escoam as águas para abastecer os evaporadores, que seriam os cercos mais escuros (com água) e a parte branca seriam os cristalizadores aonde o cloreto de sódio é cristalizado e mais ao canto da visualiza-se pilhas de sal aonde está se realizando o processo de cura (BALDASSIN, 2016).