H. INFORMATIONS COMPLEMENTAIRES
16.4 D ECLARATION RELATIVE AU GOUVERNEMENT D ’ ENTREPRISE
CIÊNCIAS DA SAÚDE
A influência simultânea das variáveis sociodemográficas, acadêmicas e da prevalência de TMC sobre a qualidade de vida dos graduandos de ciências da saúde foi analisada para todos os domínios do WHOQOL-bref.
O domínio físico do WHOQOL-bref envolve os descritores de dor e desconforto; energia e fadiga; sono e repouso; mobilidade; atividades da vida cotidiana; dependência de medicação ou de tratamentos; capacidade de trabalho.
O domínio relações sociais do WHOQOL-bref é identificado pelas condições de suporte e apoio social, atividade sexual.
O domínio meio ambiente da qualidade de vida compreende segurança física e
proteção; ambiente no lar; recursos financeiros; cuidados de saúde e sociais: disponibilidade e qualidade; oportunidades de adquirir novas informações e habilidades; participação e
oportunidades de recreação/lazer; ambiente físico: poluição/ruído/trânsito/clima; transporte). E o domínio psicológico do WHOQOL-bref, definido como desfecho principal para o presente estudo é caracterizado pelos sentimentos positivos: pensar, aprender, memória e concentração; auto-estima; imagem corporal e aparência; sentimentos negativos; e espiritualidade/religião/crenças pessoais.
A tabela 9 apresenta que os graduandos ciências da saúde que não apresentaram sintomas de TMC (β= -0,561 e p<0,001) e são provenientes da cidade de Uberaba (β=0,109 e
p=0,005), cidade onde moram e estudam, sofreram influência positiva sobre os índices de
qualidade de vida no domínio físico.
Tabela 9 – Influência dos preditores sociodemográficos, acadêmicos e de prevalência de TMC sobre o domínio físico de qualidade de vida dos graduandos de ciências da saúde da UFTM, Uberaba/MG, 2018.
Dominio Físico WHOQOL-bref
Β p*
Sexo -0,069 0,076
Cor autodeclarada -0,003 0,946
Estado civil -0,049 0,205
Renda familiar mensal -0,051 0,184
Cidade de Origem 0,109 0,005
Cursos de Ciêncas da Saúde 0,073 0,058
Ocorrência de TMC -0,561 <0,001
Os graduandos de ciências da saúde que não apresentaram sintomas de Transtorno Mental Comum (β= -0,545 e p<0,001) e são do sexo masculino (β= -0,084 e p=0,038), apresentaram influência positiva sobre os índices de qualidade de vida no domínio psicológico, segundo a tabela 10.
Tabela 10 – Influência dos preditores sociodemográficos, acadêmicos e de prevalência de TMC sobre o domínio psicológico de qualidade de vida dos graduandos de ciências da saúde da UFTM, Uberaba/MG, 2018.
Domínio Psicológico WHOQOL-bref
Β p*
Sexo -0,084 0,038
Cor autodeclarada 0,018 0,651
Estado civil -0,029 0,459
Renda familiar mensal -0,029 0,469
Cidade de Origem 0,025 0,536
Cursos de Ciêncas da Saúde 0,000 0,996
Ocorrência de TMC -0,545 <0,001
Fonte: a autora (2018), *Regressão linear.
A influência positiva sobre os índices de qualidade de vida no domínio relações sociais também ocorreu para os graduandos de ciências da saúde que não apresentaram sintomas de TMC (β= -0,266 e p=<0,001), residem na cidade de Uberaba (β= 0,120 e
p=0,007), são so sexo masculino (β= -0,111 e p=0,015), são casados (β= -0,100 e p=0,025) e
cursam os curso de Enfermagem ou Medicina (β= 0,088 e p=0,049) segundo os dados da tabela 11.
Tabela 11 – Influência dos preditores sociodemográficos, acadêmicos e de prevalência de TMC sobre sobre o domínio relações sociais de qualidade de vida dos graduandos de ciências da saúde da UFTM, Uberaba/MG, 2018.
Domínio Relações Sociais WHOQOL-bref
Β p*
Sexo -0,111 0,015
Cor autodeclarada 0,030 0,502
Estado civil -0,100 0,025
Renda familiar mensal -0,020 0,644
Cidade de Origem 0,120 0,007
Cursos de Ciêncas da Saúde 0,088 0,049
Ocorrência de TMC -0,266 <0,001
Fonte: a autora (2018), *Regressão linear.
A análise da tabela 12 permitiu identificar o maior número de variáveis influenciando simultaneamente os índices de qualidade de vida no domínio meio ambiente. A influência é positiva sobre a QV no domínio meio ambiente para os graduandos que não apresentaram sintomas de TMC (β= -0,386 e p<0,001), são do sexo masculino (β= -0,144 e p=0,001), moram na cidade de Uberaba (β= 0,135 e p=0,001), cursam os cursos de Biomedicina,
Educação Física, Fisioterapia, Nutrição e Terapia Ocupacional (β= -0,121 e p=0,005), se autodeclararam brancos (β= 0,103 e p=0,015) e possuem renda familiar maior ou igual a dois salários mínimos (β= 0,083 e p=0,048).
Tabela 12 – Influência dos preditores sociodemográficos, acadêmicos e de prevalência de TMC sobre o domínio meio ambiente de qualidade de vida dos graduandos de ciências da saúde da UFTM, Uberaba/MG, 2018.
Domínio Meio Ambiente WHOQOL-bref
Β p*
Sexo -0,144 0,001
Cor autodeclarada 0,103 0,015
Estado civil -0,082 0,053
Renda familiar mensal 0,083 0,048
Cidade de Origem 0,135 0,001
Cursos de Ciêncas da Saúde -0,121 0,005
Ocorrência de TMC -0,386 <0,001
Fonte: a autora (2018), *Regressão linear.
Utilizando os Descritores em Ciências da Saúde no endereço virtual da Biblioteca Virtual em Saúde: (tw:(qualidade de vida)) AND (tw:(transtornos mentais)) AND (tw:
(estudantes de ciências da saúde)) foram identificados 2 artigos; no site do PubMed, com os
descritores: ((quality of life[MeSH Terms]) AND mental disorders[MeSH Terms]) AND
students health occupations[MeSH Terms] a busca apresentou 8 resultados; e finalmente no
ambiente virtual do site Web of Science com os mesmos descritores em inglês citados anteriormente: “TS=(quality of life AND mental disorders AND students health occupations)”, “Índices=SCI-EXPANDED, SSCI, A&HCI, CPCI-S, CPCI-SSH, ESCI Tempo estipulado=Todos os anos” foi identificado um artigo.
Dos trabalhos disponibilizados apenas um abordou o tema em análise. O estudo desenvolvido por Santos e outros autores (2017) com estudantes de medicina identificou, como na presente pesquisa, uma diminuição em todos os domínios de qualidade de vida para os graduandos com suspeição de TMC.
Em buscas aleatórias identificou-se um estudo desenvolvido em Pelotas por Jansen et
al (2011) com jovens de 18 a 24 anos que analisou a ocorrência de TMC através do SRQ-20 e
a QV através do SF-26. A prevalência de TMC foi de 24,5% para um n de 382 sujeitos, com predominância entre as mulheres e pertencentes às classes socioeconômicas D ou E. Neste estudo os jovens mais afetados não se encontravam estudando e não estavam empregados, consumiram bebida alcoólica, são tabagistas e que fizeram uso de alguma substância ilícita nos últimos três meses. Assim como no presente estudo, os jovens com TMC obtiveram uma menor média nos escores da SF-36 em todos os domínios de qualidade de vida avaliados.
Em um inquérito que analisou o perfil da qualidade de vida de 110 estudantes da área da saúde de uma faculdade particular de Vitória da Conquista – BA, (73%) era do gênero feminino, (54%) com estado civil solteiro e (79%) realiza alguma atividade laboral. Sobre a análise da qualidade de vida global, 73,6% declaram-na regular. Em relação aos domínios, a prevalência de análise foi regular com índice de 66,4% no domínio Meio Ambiente, 77,3% no domínio Psicológico, 77,3% no domínio Físico. No domínio Relações Sociais apresentou-se como “boa” índice de 52,7%. O gênero feminino apresentou a necessidade de melhoria da qualidade de vida (17,8%) (SANTOS; BITTENCOURT, 2017), diferente neste estudo, que apresentou melhores índices de QV no domínio relações sociais: 72, e o menor foi no domínio meio ambiente: 62,52.
Com o intuito de avaliar a percepção da QV de 62 estudantes dos turnos diurno (31) e noturno (31) de uma mesma universidade privada de Piracicaba - SP, do 2° e 3° ano de graduação das áreas de ciências humanas e ciências da saúde, foi encontrado o seguinte: idade entre 18 e 25 anos, média de idade foi de 20,89 (±2,83) anos para o turno diurno e 21,45 (±1,85) anos para o turno noturno, resultados que corroboram com esta pesquisa. No grupo diurno, 11 eram do gênero feminino e 20 do gênero masculino. No grupo noturno 24 eram do gênero feminino e 7 do gênero masculino, em concordância com a prevalência de mulheres descrita anteriormente. Nesse estudo a relação da percepção da QV foi satisfatória com escores positivos nos domínios físico e social. Por outro lado os escores dos níveis ambientais e psicológicos foram percebidos como negativos independente do turno que frequentam (PETRINI; MARGATO; VILELA JÚNIOR, 2013), ao contrário do presente estudo que apresentou índices relevantes em todos os domínios.
No levantamento realizado com 42 estudantes do primeiro ano de graduação de uma instituição privada do Paraná, no qual considerou a possibilidade de vulnerabilidade ao TMC devido ao ritmo de vida imposto no início da vida acadêmica, identificou-se idade entre 18 e 52 anos, com média de 22 anos, um valor próximo a este trabalho; 38 (90,5%) eram do gênero feminino e 4 (9,5%) do gênero masculino, 35 (83,3%) eram da graduação em Psicologia e 7 (16,7%) enfermagem. A prevalência de fatores indicativos para TMC foi de 35,7% e o ponto de corte foi escore ≥ 8. As queixas evidenciadas foram nervosismo, tensão ou preocupação, sensação desagradável no estômago, de tristeza e cansaço o tempo todo (ANSOLIM et al, 2015), a sensação de nervosismo tensão e preocupação também foi queixa predominante neste estudo prevalência de 75% dos graduandos de ciências da saúde pesquisados.
Na avaliação de qualidade de vida de estudantes da área da saúde, dos cursos de biomedicina (n=96), enfermagem (n=57), farmácia (n=67) e fisioterapia (n=100) de uma
universidade particular da cidade de São Paulo, observou-se na distribuição total segundo as variáveis sociodemográficas que 85% eram do gênero feminino e 15% do masculino, com média de idade 24,36 (± 6,33) anos, predomínio de solteiros, 92% possuem uma renda familiar mensal de mais de dois salários mínimos, 95% residem com seus familiares, dados concordantes com o presente estudo; 69% afirmaram que exercem atividade laboral formal ou informalmente, ao contrário dos resultados identificados. Os índices de QV encontrados corroboram com o presente estudo, o maior índice identificado também correspondeu ao domínio relações sociais, bem como o menor também compreendeu o domínio meio ambiente (BARROS et al., 2017).
5 CONCLUSÃO
O presente estudo identificou uma predominância de graduandos de ciências da saúde do sexo feminino, solteiros, caucasianos, residindo em repúblicas, em sua maioria oriundos de outras cidades, principalmente do estado de Minas Gerais.
A prevalência de transtormo mental ocorreu em maioria dos graduantos do curso de Terapia Ocupacional, e a menor ocorrência foi para os graduandos em Educação Física. Os graduandos de ciências da saúde descreveram como principais sintomas sensação de
nervosismo, tensão e preocupação; seguidos do sintoma somático dormir mal e da dificuldade em tomar decisões.
A qualidade de vida foi descrita de forma positiva em todos os domínios, com maior pontuação no domínio relações sociais e menor na dimensão meio ambiente. Com relevância para o curso de Educação Física cujos graduandos declaram maior índice geral e para o curso de Medicina com o menor. A prevalência de TMC influenciou negativamente todos os domínios de qualidade de vida, e destacou a influência positiva do sexo masculino, dos docentes caucasianos, com maior renda mensal, oriundos da própria cidade onde a pesquisa foi desenvolvida e pertencentes aos cursos de Biomedicina, Educação Física, Fisioterapia, Nutrição e Terapia Ocupacional sobre o índice de qualidade de vida no domínio meio ambiente.
A utilização de outros preditores relacionados ao tema como motivação, depressão e ansiedade e espiritualidade poderiam descrever com maior propriedade as características que afetam a qualidade de vida dos graduandos de ciências da saúde.
Os resultados identificados auxiliam na interpretação de como a ocorrência de TMC pode afetar a qualidade de vida dos estudantes, e a análise dos sintomas descritos podem subsidiar intervenções que permitam melhoria do bem estar destes estudantes e
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