H. INFORMATIONS COMPLEMENTAIRES
20.1.4 Comptes sociaux 2004
Neste tópico será abordado inicialmente a existência de correlações estatisticamente significativas entre o conhecimento de risco operacional, a atribuição do seu nível de importância e a utilização da gestão de risco operacional em seu empreendimento.
Em seguida, será verificado se o nível de importância atribuído ao risco operacional está associado à utilização da gestão do risco no processo decisório da empresa.
Por fim,foi apresentada a tabulação cruzada entre a utilização no processo decisório e algumas situações utilizadas no instrumento de coleta de dados para a verificação da maneira de utilização da gestão de risco operacional.
A partir da análise da Tabela55, observou-se que a maioria dos respondentes (69,81%) não conhece o conceito de risco operacional. No entanto, 75,7% deles consideram a gestão desta modalidade de risco como muito importante.
Porém, não foi identificada associação significativa ente o conhecimento de risco operacional e o nível de importância atribuído a gestão deste referido risco (p valor >5%).
Tabela 55 – Conhecimento x Nível de importância atribuído a gestão de risco operacional
Conhece o conceito deRisco Operacional
Nível de importância atribuída a gestão de risco operacional
p-valor
Importante Importante Muito
Conhece 6 (37,5%) 10 (62,5%)
0,342 Não Conhece 9 (24,3%) 28 (75,7%)
Comportamento semelhante também foi observado quando realizado a verificação da existência de relação entre o conhecimento e a utilização do risco operacional. Verificou-se que dos 69,81% que não conhecem adequadamente o conceito de risco operacional, 86,5% utilizam a gestão do risco operacional em seu processo decisório, e essa correlação também não foi significativa (p valor > 5%).
Deste modo, infere-se que para as empresas pesquisadas o conhecimento não interfere na utilização da gestão de risco operacional.
Tabela 56 – Conhecimento x Utilização da gestão de risco operacional no processo decisório
Conhece o conceito de Risco Operacional
Utiliza a gestão de risco
operacional no processo decisório p-valor Sim Não
Conhece 14 (87,5%) 2 (12,5%)
1,000 Não Conhece 32 (86,5%) 5 (13,5%)
Em relação ao nível de importância atribuído a gestão de risco operacional, observou- se que considerando o nível de significância de 5%, não há uma relação estatisticamente significativa entre a utilização da gestão do risco operacional no processo decisório e o nível de importância atribuído, pois o p-valor encontrado foi de 0,090.
No entanto, conforme a Tabela 57, nas empresas pesquisadas há uma predominância daqueles que consideram a gestão de risco operacional muito importante também utilizarem a gestão de risco operacional no processo decisório.
Tabela 57 – Nível de importância da gestão de risco operacional x Utilização da gestão de risco operacional no processo decisório
Nível de importância atribuída a gestão
de Risco Operacional
Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório
p-valor
Sim Não
Importante 11 (73,3%) 4 (26,7%)
0,090 Muito Importante 35 (92,1%) 3 (7,9%)
Foi verificada ainda a relação existente entre a gestão do risco operacional com a utilização de alguns eventos relacionados aos riscos inerentes a fraudes internas, práticas empregatícias e segurança no ambiente de trabalho, possíveis danos aos ativos físicos da empresa, falhas de sistemas, processos operacionais da empresa, e seus produtos. Os dados encontrados estão dispostos na Tabela58 a seguir:
Tabela 58 – Nível de importância da gestão de risco operacional x Eventos de riscos operacionais Riscos inerentes a fraudes internas Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório
Realiza o monitoramento de erros, falhas ou fraudes dos seus
funcionários p-valor Sim Não Sim 43 (93,5%) 3 (6,5%) 0,124 Não 5 (71,4%) 2 (28,6%) Riscos inerentes a práticas empregatícias e segurança no ambiente de trabalho Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório
Atende aos padrões estabelecidos em leis trabalhistas e Disponibiliza equipamentos de segurança aos seus
funcionários p-valor Sim Não
Sim 44 (95,7%) 2 (4,3%)
1,000
Riscos inerentes a possíveis danos aos
ativos físicos da empresa Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório Realiza o monitoramento/acompanhamento
dos seus ativos imobilizados p-valor
Sim Não Sim 44 (95,7%) 2 (4,3%) 0,352 Não 6 (85,7%) 1 (14,3%) Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório
Realiza revisão periódica nas
instalações físicas da empresa p-valor Sim Não Sim 46 (100,0%) 0 (0,0%) Não se aplica Não 7 (100,0%) 0 (0,0%) Riscos inerentes as falhas de sistemas Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório
Investe em tecnologia para a gestão
da empresa p-valor Sim Não
Sim 35 (76,1%) 11 (23,9%)
1,000
Não 6 (85,7,1%) 1 (14,3%)
Riscos inerentes aos processos operacionais da empresa Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório Utilizam mecanismos de identificação e análise dos riscos
inerentes às operações da empresa p-valor
Sim Não
Sim 32 (69,6%) 14 (30,4%)
0,009
Não 1 (14,3%) 6 (85,7%)
Riscos inerentes aos produtos
Utiliza a gestão de risco operacional no
processo decisório
Realiza o monitoramento de falhas não intencionais relacionados aos
seus produtos p-valor
Sim Não Sim 45 (97,8%) 1 (2,2%) 0,006 Não 4 (57,1%) 3 (42,09%) Utiliza a gestão de risco operacional no processo decisório
Oferece produtos e serviços
adequados e formalizados p-valor Sim Não
Sim 45 (97,8%) 1 (2,2%)
0,043
Não 5 (71,4%) 2 (28,6%)
Ao analisar os dados da Tabela58, observa-se que mais de 50% da empresas pesquisadas utilizam práticas de controle do risco operacional, sejam eles, riscos inerentes a fraudes internas, práticas empregatícias e segurança no ambiente de trabalho, possíveis danos aos ativos físicos da empresa, falhas de sistemas, processos operacionais da empresa, e seus produtos.
Observa-se ainda que não fez-se uso do teste Exato de Fisher na verificação de relação entre a utilização da gestão de risco operacional e a realização de revisão periódica nas instalações físicas da empresa. Este procedimento foi adotado devido todas as 53 empresas
pesquisadas realizarem a revisão periódica em suas instalações tornando essa variável uma constante, o que por si só inviabiliza a execução do referido teste, contudo, o resultado evidencia que das 46 empresas que declaram utilizar a gestão de risco operacional no processo decisório, 100% delas também tem a prática de realiza a revisão periódica.
No entanto, ao se analisar a existência de relação entre a gestão de risco operacional no processo decisório e a utilização das práticas preventivas relacionadas aos eventos de risco operacional, constatou-se que para 4 das 6 práticas verificadas não se encontrou uma relação estatisticamente significativa. Foram eles: Os riscos inerentes a fraudes internas, práticas empregatícias e segurança no ambiente de trabalho, a danos aos ativos físicos da empresa, e falhas de sistemas.
As práticas preventivas realizadas pelas empresas que obtiveram significância ao nível de 5% foram os riscos inerentes aos processos operacionais da empresa, e os riscos inerentes aos produtos das empresas.
Em relação aos riscos inerentes aos processos operacionais, dos 86,79% que utilizam a gestão de risco operacional em seu processo decisório, 69,6% também acompanham os riscos originados dos processos operacionais. Deste modo, infere-se que para as empresas pesquisadas, aquelas que utilizam a gestão de risco operacional tendem a também utilizar mecanismos de identificação e análise dos riscos inerentes às operações da empresa.
Já para os riscos relacionados aos produtos, verificou-se que a maioria das empresas que utiliza a gestão de risco operacional, tende a também realizar o monitoramento de falhas não intencionais relacionados aos seus produtos, e também oferecem produtos adequados e formalizados.
5.CONCLUSÃO
O presente estudo teve como objetivo geral investigar se os gestores do APL Gesseiro do estado de Pernambuco conhecem, atribuem importância e utilizam as informações para a tomada de decisão gerencial, decorrentes da: Gestão de Custos e Formação de Preços de Vendas,Gestão de Caixa e Gestão de Risco Operacional.
Para o cumprimento do referido objetivo foi realizada uma análise descritiva dos dados, na qual, foram verificados o conhecimento, utilização e grau de importância atribuída às dimensões estudadas.
Em seguida, no processo de análise inferencial, fez-se uso do Teste de exato de Fisher para a verificação da existência de relação estatisticamente significativa entre o conhecimento, grau de importância e utilização da gestão de custos e formação do preço de venda, gestão de caixa e gestão do risco operacional no processo de tomada de decisão.
A coleta de dados foi realizada através da aplicação de questionário in loco nas empresas de gesso da região pesquisada, na qual, obteve-se a participação de 53 empresas.
Já a análise dos dados foi subdivida em três blocos. No primeiro, foi analisado os dados socioeconômicos. Neste tópico, destacamos como principais achados que 90,57% dos respondentes são proprietários e gerentes, nos quais destes, 52,08% possuem uma graduação. A maioria das empresas (47,15%) estudadas estão consolidadas no mercado tendo mais 5 anos de criação, 86,79% são Microempresas e Empresas de Pequeno Porte. Uma parcela significativa das empresas (92,5%) terceiriza os serviços de contabilidade, enquanto apenas 7,5% não contratam escritórios de contabilidade, realizando a sua contabilidade internamente. Em relação ao estilo de gerenciamento, 69,81% declaram delegar decisões aos seus funcionários, evidenciando uma predominância de gestões menos centralizadoras. Em relação à tomada de decisão, foi observado que a Teoria da Escolha Racional não é utilizada pela ampla maioria das empresas pesquisadas (98,11%), sendo empregada em apenas 1,89% da amostra estudada.
O segundo e terceiro bloco de análise foram destinados respectivamente para análise descritiva e inferencial, nos quais foram subdivididos por cada dimensão objeto dessa pesquisa.
Em relação à primeira dimensão estudada, gestão de custo, identificou-se que a maioria dos respondentes (77,36%) não conhece o conceito de custo, confundindo os conceitos de custos e despesas. No entanto, 75,47% e 22,64% dos respondentes consideram as informações de custo como muito importante ou importante, respectivamente. Esse
comportamento foi confirmado pelo teste exato de Fisher, que revelou que a atribuição de importância as informações de custos na gestão, independe do nível de conhecimento dos entrevistados sobre este assunto. Contudo, foi identificado uma associação significativa, entre aqueles que atribuem um alto grau de importância e aqueles que verificam e acompanham os custos relevantes na gestão da empresa (p-valor 0,002).
Também verificou-se que 92,45% das empresas pesquisadas realizam a verificação e acompanhamento da evolução dos seus custos relevantes, e esta atitude independe do conhecimento do conceito de custo do proprietário/gestor (p valor > 5%), e 88,68% utilizam as informações de custos principalmente para a formação do seu preço de venda, esse achado foi referendado quando observado uma relação estatisticamente significativa entre a verificação e acompanhamento dos custos relevantes da empresa e a utilização no processo de formação do preço de venda no processo decisório (p-valor 0,003)
Quanto à formação do preço de venda, percebeu-se que o critério de formação mais utilizado pelas empresas é o que considera o custo, margem de lucro e o preço praticado no mercado, critério utilizado por 81,13% das empresas, e nos casos de vendas a prazo, a maioria (69,81%) acrescenta encargos financeiros.
Em relação à utilização, verificou-se que a ampla maioria das empresas pesquisadas utiliza a gestão de custo na tomada de decisão gerencial (92,45%), sendo utilizada principalmente para obter um maior controle organizacional (75,51%), e para a análise de desempenho e obter uma vantagem competitiva (ambas com 55,10%). A Formação do preço de venda também é amplamente utilizada para a tomada de decisão, mas com uma frequência de utilização menor que a gestão de custo (88,68%).
Ao realizar a Tabulação Cruzada entre a utilização dessas duas variáveis, constatou-se que aqueles que utilizam a gestão de custo em seu processo de tomada de decisão tendem a utilizar a formação do preço de venda no processo de tomada de decisão gerencial (p-valor 0,003).
No que se refere à dimensão gestão de caixa, também foi observado que os respondentes não conhecem adequadamente o conceito de disponibilidades de caixa (84,91%), mas assim como o verificado na gestão de custo, as informações para a gestão de caixa são consideradas como muito importante (86,79%) ou importante (13,21%), e também independe do nível de conhecimento dos entrevistados sobre este assunto (p-valor > 0,05).
Também foi identificado que mais de 90% das empresas administram as suas disponibilidades de caixa e os seus fluxos de recebimentos e pagamentos diariamente, sendo
esta, considerada uma relação estatisticamente significativa (p-valor 0,001).Quanto ao destino das sobras de caixa, a maioria das empresas investem na compra de ativos fixos (39,62%), mas (35,85%) declararam analisar a melhor opção a ser tomada com os recursos disponíveis.
Quanto à utilização, a gestão de caixa obteve o mesmo índice de utilização da gestão de custo (92,15%), e quando utilizadas, as informações da gestão de caixa tem como principal finalidade o controle organizacional (73,47%), seguida pela finalidade análise de desempenho e obter vantagem competitiva (53,06%).
Em relação à análise inferencial realizada para a dimensão gestão de caixa pesquisada, foi observado que a utilização da gestão de caixa no processo de tomada de decisão gerencial independe do conhecimento dos gestores a cerca do conceito de disponibilidade de caixa e do nível de importância atribuído as informações de gestão de caixa.
Assim como nas outras duas dimensões estudadas, na gestão de risco operacional, em sua maioria, os proprietários/gerentes também não conhecem o conceito de risco operacional (69,81%), e atribuem um alto grau de importância (71,70% muito importante e 28,30% importante), também ressalta-se que o nível de conhecimento dos entrevistados em relação ao risco operacional não interfere no grau de importância atribuído as informações inerentes a gestão deste tipo de risco (p-valor > 0,05).
Quando verificado as práticas de gestão do referido risco operacional, observou-se que em relação à possibilidade de erros, falhas ou fraudes dos funcionários, 90,57% das empresas monitoram esse risco. Quanto às práticas empregatícias, apenas 3,77% não atendem aos padrões trabalhistas e também não disponibilizam equipamentos de segurança. Já em relação aos ativos fixos, todas as empresas realizam revisão periódica em suas instalações físicas, e para evitar as falhas de sistemas, 77,36% investem em tecnologia para a gestão da empresa, quanto aos processos, 62,26% se utilizam de mecanismos de identificação e análise dos riscos inerentes às operações da empresa. Quanto aos produtos fornecidos, todas afirmaram adquirir matérias-primas que atendem a atividade operacional, e 92,45% realizam o monitoramento de falhas não intencionais em seus produtos.
Assim como nas outras dimensões pesquisadas, também não foi identificada uma associação estatisticamente significativa entre o nível de importância atribuída e a utilização da gestão do risco operacional (0,090), o que implica em concluir que a utilização da gestão de risco operacional no processo decisório, independe do nível de importância atribuída. Observou-se ainda que em relação à utilização da gestão de risco operacional no processo de tomada de decisão gerencial, há a existência de associação estatisticamente significativa entre
a utilização e as práticas de realizar o monitoramento de falhas não intencionais relacionados aos seus produtos (p-valor 0,006), oferecer produtos e serviços adequados e formalizados (p- valor 0,043), e utilizar mecanismos de identificação e análise dos riscos inerentes às operações da empresa (p-valor 0,009).
Deste modo, conclui-se que predominantemente os gestores do arranjo produtivo local gesseiro não conhecem os conceitos de custo, disponibilidade de caixa, e risco operacional, mas atribuem um alto grau de importância para as dimensões estudadas, e as suas respectivas empresas de maneira geral utilizam a gestão de custos e formação do preço de venda, gestão de caixa e gestão de risco operacional em seu processo de tomada de tomada de decisão gerencial.
Devido à escassez de estudos que abordem a mesma temática ou variáveis semelhantes em outros APLs, este trabalho teve como uma de suas principais limitações a falta de estudos publicados que permitissem a realização de uma análise comparativa. Outra limitação desse estudo foi à quantidade de empresas pesquisadas em detrimento a população que compõem o APL investigado, fazendo com que os resultados dessa pesquisa estejam restritos a amostra desse estudo.
Sugere-se para pesquisas futuras a realização de estudos com um número maior de variáveis a serem investigadas, o que permitirá um amplo entendimento do APL gesseiro. Também sugere-se a realização de pesquisas semelhantes em outros arranjos produtivos locais do país, permitindo a realização da análise comparativa, de maneira a possibilitar um confronto entre os resultados e os APLs.
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