DANS LA F0SS6 AUX LIONS
LES CROYANTS DANS LA FOSSE
Iniciamos esse percurso de escrita dissertativa tendo como objeto de análise o projeto artístico/pedagógico “Lugar de circo é na escola”, na busca de responder, a partir dessa experiência, os seguintes questionamentos: Por que estudar circo e palhaço na escola? Qual o potencial de uma ação como essa no contexto escolar? É possível ensinar a ser palhaço? Que possibilidades metodológicas podem ser utilizadas para a aprendizagem da palhaçaria na escola? Assim, após toda descrição, análise e estudo das relações bibliográficas estabelecidas, sobre os questionamentos levantados cheguei às seguintes considerações sobre as possibilidades metodológicas que podem ser utilizadas para o aprendizado de circo e do universo do palhaço no espaço escolar:
Ao apresentar o percurso pedagógico metodológico utilizado no projeto “LCE”, expusemos uma das possibilidades metodológicas possíveis de se aprender Arte na escola, que é a contextualização, a apreciação e a fruição/fazer no/do objeto de estudo, em uma união alicerçada na relação estabelecidas entre teoria e prática.
Assim, sendo a ideia do percurso metodológico do projeto baseada na Abordagem Triangular proposta por Barbosa (2003) e da compreensão desse docente, acreditamos que o ambiente escolar e os estudos de Arte na escola devem proporcionar, através da atuação do professor como facilitador de processos educacionais, espaços de diálogos e de utilização de metodologias diversificadas que ampliem as relações e os envolvimentos dos participantes com o estudo desenvolvido. A resposta para o questionamento “é possível ensinar a ser palhaço?” foi, para mim, a que mais me inquietou durante o desenvolvimento do projeto e da escrita desta pesquisa. Como ensinar algo ao qual artistas dedicam uma vida toda a seu desenvolvimento, construção, reconstrução e aprimoramento de uma determinada arte? Seria eu capaz de ensinar alguém a ser palhaço? Essa arte que há anos vem sendo ensinada e mantida a partir dos ensinamentos construídos através da relação familiar e de forma oral com que as gerações mais novas aprendiam com as mais velhas se dá por uma aprendizagem da cultura.
Ao propor o conteúdo palhaço no ensino regular, não poderíamos partir da ideia de formação de artistas/palhaços apenas. Isso ocorreu como consequência do desenvolvimento dos alunos diante do percurso artístico pedagógico proposto.
Ensinar palhaço se tornando um palhaço, aprender fazendo, foi um momento de grande relevância na construção de conhecimentos relacionados ao palhaço, no entanto não foi o único procedimento utilizado, pois os conteúdos de cunho conceitual, factual e atitudinal trabalhados teriam uma menor exploração caso o projeto focasse exclusivamente na formação e no ensino prático de palhaço. Assim, podemos dizer que o professor de Arte no ensino fundamental, baseado em nossa experiência, deve dar base, a partir do percurso metodológico proposto, ao ensino “não apenas” do ser palhaço, mas do ler, compreender, relativizar, contextualizar e refletir sobre a palhaçaria e suas possibilidades no espaço escolar.
Enquanto professor, apostar em um percurso metodológico baseado em um processo em que utilizamos o híbrido entre as artes como forma de mescla de procedimentos, utilizando desenhos, filmes, poemas e músicas, gera a cada momento do processo uma novidade, algo “diferente”. Eu sempre chegava para retirar dos alunos seus conhecimentos prévios, retirá-los do estado de conforto, proporcionando um desequilíbrio gerador de novas reflexões e conhecimentos.
Assim, a experiência desenvolvida com a palhaçaria no espaço escolar contribuiu para a formação/conhecimento daqueles alunos que não tinham nas aulas do componente curricular Artes uma vivência da tríade fazer/fruir/contextualizar com a palhaçaria.
A escrita dissertativa corrobora, de certa maneira, a experiência vivida com a palhaçaria no contexto escolar. Experiência compreendida como papel formador e parte constituidora do sujeito; experiência que não pode ser reduzida ao simples “fazer”. Experienciar no projeto escolar e nessa escrita dissertativa foi/é viver determinadas condições que dão possibilidade para que ela, a experiência, se efetive/efetivasse permitindo que algo acontecesse, tocasse, que algo sucedesse naqueles estudantes e no professor/pesquisador dessa escrita dissertativa.
Creio que as experiências vivenciadas pelos alunos no projeto já comentado no espaço escolar produziu neles novos olhares para o palhaço e a palhaçaria em particular, principalmente quando vivenciaram o fazer e quando puderam dialogar esses fazeres com a fruição e a contextualização sobre o universo do circo nas aulas de Artes.
REFERÊNCIAS
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