IV. Croyance et lien social, une idylle infinie
2) Faut-il encore y croire ?
2.5.2.1. Doris Humphrey e Charles Weidman
Doris Humphrey (1895-1958) foi dançarina e coreógrafa norte-americana, natural de Oak Park, Illinois. Antes de ingressar na Denishawn school, em 1917, Humphrey já havia feito e ministrado aulas de dança livre, folclórica e dança de salão, em sua cidade natal. Na escola de Ruth e Ted Shawn tornou-se a principal dançarina e coreógrafa dos recitais realizados pelo casal, conhecidos como St. Denis´s Music Visualizations.
Em 1928, Humphrey iniciou sua carreira independente que contou com as parcerias do produtor musical Pauline Lawrence e Charles Weidman, e que culminou na criação da companhia Humphrey-Weidman, encerrada no período da Segunda Guerra Mundial, por problemas financeiros.
De acordo com a escritora e pesquisadora norte-americana Marcia B. Siegel (2012), no período entre 1947 até seu falecimento devido a um câncer, em 1958, Doris Humphrey deu aulas e treinou inúmeros dançarinos, entre eles, o mexicano José Limón (que também estudou com Charles Weidman).
Ainda de acordo com Siegel (2012), Humphrey se interessava por temas que incluíam ciclos naturais, processos e forças vitais, construindo uma técnica apoiada na respiração, no gesto, nas relações com peso, equilíbrio e orientação espacial, resultando em sua característica marcante, fall and recovery (quedas e recuperações). Como ressalta Bisse (2008):
[Humphrey] partia de uma história do gesto, classificando-o em quatro tipos: gestos sociais – os das relações dos homens entre si; gestos funcionais – os de trabalho e da vida diária; gestos rituais – os das religiões; e gestos emocionais – tradução imediata dos sentimentos individuais. Pesquisando o gesto primitivo, buscava encontrar o ritmo fundamental. Para ela, o ritmo gera-se pela relação do corpo com o espaço. O peso – que também é símbolo das forças que agem contra o homem – atrai o corpo para a terra. A força física e espiritual recoloca-o na posição vertical. Entre essas duas posições estáticas de equilíbrio, encontra-se a vida. As duas palavras-chave de sua técnica são: cair e refazer (fall-recovery)” (BISSE, 2008, p.34).
No mesmo ano de seu falecimento Humphrey publicou seu livro The Art of Making Dances, o qual descreve seu trabalho técnico e coreográfico.
Figura 06 – Doris Humphrey e Charles Weidman, provavelmente nos anos 1930. Foto: Domínio Público.
Fonte: Charles Weidman Dance Foundation39.
Charles Weidman (1901-1975) foi dançarino, coreógrafo e professor de dança, natural de Lincoln, Nebraska, Estados Unidos, cuja formação na dança teve início nos anos de 1920, na Denishawn School, em Los Angeles.
Sua trajetória na Modern Dance foi marcada por parcerias artísticas com Martha Graham, no período em que esteve na Denishawn, e com Doris Humphrey, na Humphrey-Weidman Company, no período entre 1930 e 1940. Weidman trabalhou ainda como coreógrafo para a Broadway e para a New York City Opera, até o início da década de 1960, quando fundou sua própria companhia.
39 Disponível em <https://charlesweidman.files.wordpress.com/2013/01/chasdoris.jpg>. Acesso em 15 fev
Neste contexto, Charles Weidman desenvolveu sua própria técnica, denominada de kinetic pantomime (pantomima cinética), e a qual, de acordo com os pesquisadores norte- americanos Ann Dils e Clay Daniel (2012), era constituída por juggling (malabarismo), reversing and distorting (inversão e distorção), cause and effect (causa e efeito), impulse and reaction (impulso e reação).
Outros aspectos sobre sua trajetória e contribuições para Modern Dance podem ser encontrados na página virtual da Charles Weidman Dance Foundation40.
Figura 07 – Charles Weidman e Martha Graham, na Denishawn School, provavelmente nos anos de 1920. Foto: Domínio Público.
Fonte: Charles Weidman Dance Foundation41.
40 Disponível em <http://www.charlesweidman.org>. Acesso em 18 jan 2016.
41 Disponível em <https://charlesweidman.files.wordpress.com/2013/01/chasmartha.jpg>. Acesso em 18 jan
Apresentamos neste capítulo o contexto histórico, sociocultural e os principais personagens que contribuíram para a criação e o desenvolvimento do que hoje identificamos como a Modern Dance norte-americana, e que alcançou seu ápice com o trabalho de Martha Graham. Como destaca o crítico de dança norte-americano Walter Terry (1971):
O sangue de dez gerações de norte-americanos constitui sua herança física, a ossatura da terra onde ela vive fornece o esqueleto para suas danças; inseparáveis, vivem em Martha Graham. Os recursos podem mudar, características superficiais podem variar em diferentes danças, os temas podem ser estrangeiros ou universais, mas o sangue puritano e a ossatura norte-americana são irremovíveis de suas danças, bem como de seu próprio ser (TERRY, 197142 apud GRAFF, 1997)43.
Ainda que a atmosfera social e cultural fosse compartilhada, o movimento moderno na dança, de acordo com De Mille (1991), foi fruto de pesquisas individuais e muitas vezes solitárias, visto que seus representantes, especialmente no auge de suas carreiras, tinham pouco contato entre si, com exceção dos cursos de verão ministrados nas universidades.
A partir deste panorama geral de contextualizações, podemos aprofundar um pouco mais o olhar sobre a poética de Martha Graham, cuja trajetória pessoal, criativa e técnica será apresentada a seguir.
42 TERRY, Walter. The Dance in America. New York: Harper and Row, 1971 [1956].
43The blood of ten generations of Americans is her bodily heritage, the bone of the land in which she lives
provides the skeleton of her dances; inseparable, they live in Martha Graham. Features may change, surface characteristics may vary in different dances, themes may be foreign or universal, but the Puritan blood and the American bone are as irremovable from her dances as they are from her own being.