Le leurre du mariage en tant qu'union exclusive
1. Racines et évolution du mariage dans la société
1.3 Le point sur la crise du mariage
Em meio à intensa discussão sobre a territorialidade, é necessário recorrer a outros vieses teóricos, que tornarão estreita a vinculação entre os aspectos materiais e imateriais da apropriação do espaço. A noção de identidade é fundamental para consolidar um entendimento do território, afinal, é o mais
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―To be inside a place is to belong to it and to identity with it, and the more profoundly inside you are the stronger is this identify with the place‖
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consciente e visível dos aspectos do pertencimento. A identidade é percebida, vivida, e sua ausência, sofrida. É pela identidade que se travam as grandes lutas. O modo de vida humano – sua cultura – é ainda o mais eficiente elemento de agregação social. Apesar da imensa discussão sobre o tema, as reflexões de Stuart Hall em relação à diáspora africana e às suas significações culturais, possuem tanta semelhança com o caso em estudo, e trazem uma elaboração tão pertinente, que oferecem uma direção interessante para o raciocínio:
Essencialmente, presume-se que a identidade cultural seja fixada no nascimento, seja parte da natureza, impressa através do parentesco e da linhagem dos genes, seja constitutiva de nosso eu mais interior. E impermeável a algo tão "mundano", secular e superficial quanto uma mudança temporária de nosso local de residência. A pobreza, o subdesenvolvimento, a falta de oportunidades — os legados do Império em toda parte — podem forçar as pessoas a migrar, o que causa o espalhamento — a dispersão. Mas cada disseminação carrega consigo a promessa do retorno redentor (HALL, 2003:28).
O autor explica que essa mesma identidade cultural, que é múltipla e ao mesmo tempo unificante, traz o paradoxo de, embora sonhada e almejada, não poder ser alcançada, porque simplesmente alcançou condição de metáfora. A identidade cultural é histórica, – ―uma 'produção' que nunca se completa, que está sempre em processo e é sempre constituída interna e não externamente à representação3‖ (1990:222) – e fadada à fragmentação.
Parece estranho, mas o afogamento operado por Sobradinho tem aspectos comuns com fenômenos de desintegração identitária posteriores. É provável ser esse um processo universal, decorrente da modernidade, com ponto máximo no fenômeno mais recente da globalização, que assim como a submersão, provoca o apagamento pelo enturvamento, homogeneização e desterritorialização.
Como outros processos globalizantes, a globalização cultural e desterritorializante tem seus efeitos. Suas compressões espaço- temporais, impulsionadas pelas novas tecnologias, afrouxam os laços entre a cultura e o "lugar". Disjunturas patentes de tempo e espaço são abruptamente convocadas, sem obliterar seus ritmos e tempos diferenciais. As culturas, é claro, tem seus "locais". Porém, não é mais tão fácil dizer de onde elas se originam (HALL, 2003:36).
3 “We should think, instead, of identity as a 'production', which is never complete, always in process,
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Canclini, ao analisar as características do hibridismo cultural, destaca dois fenômenos em sua origem: o descolecionamento e a desterritorialização. O primeiro refere-se ao desordenamento e mistura de elementos culturais, e o segundo diz respeito ao desligamento da base de vida de uma comunidade, tomada aqui em um sentido bem mais amplo:
Por isso, a análise das vantagens ou inconvenientes da desterritorialização não deve ser reduzida aos movimentos de ideias ou códigos culturais, como é freqüente na bibliografia sobre pós- modernidade.
Seu sentido se constrói também em conexão com as práticas sociais e econômicas, nas disputas pelo poder local, na competição para aproveitar as alianças com poderes externos.
As buscas mais radicais sobre o que significa estar entrando e saindo da modernidade são as dos que assumem ás tensões entre desterritorialização e reterritorialização. Com isso refiro-me a dois processos: a perda da relação "natural" da cultura com os territórios geográficos e sociais e, ao mesmo tempo, certas relocalizações territoriais relativas, parciais, das velhas e novas produções simbólicas (CANCLINI, 1997:8).
Deste modo, a ideia da desterritorialização está profundamente ligada a todas as instâncias da vida. Trata-se do universo simbólico como um todo, cuja transformação é precedida pela alteração do modus vivendi, amparado este em base material. Canclini também vislumbrou o poder necessário para tamanha operação. Não se trata apenas do poder imediato de quem dá as ordens, mas de toda uma conjuntura de transformação que hibridaria a cultura local, como de fato ocorreu em outras localidades, mas no caso, potencializada ao máximo pela modo radical e abrupto que ocorreu:
O incremento de processos de hibridação torna evidente que captamos muito pouco do poder se só registramos os confrontos e as ações verticais. O poder não funcionaria se fosse exercido unicamente por burgueses sobre proletários, por brancos sobre indígenas, por pais sobre filhos, pela mídia sobre os receptores. Porque todas essas relações se entrelaçam umas com as outras, cada uma consegue uma eficácia que sozinha nunca alcançaria. Mas não se trata simplesmente de que, ao se superpor umas formas de dominação sobre as outras, elas se potenciem. O que lhes dá sua eficácia é a obliquidade que se estabelece na trama. Como discernir onde acaba o poder étnico e onde começa o familiar ou as fronteiras entre o poder político e o econômico? Às vezes é possível, mas o que mais conta é a astúcia com que os fios se mesclam, com que se passam ordens secretas e são respondidas afirmativamente (CANCLINI, 1997:29).
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A dinâmica da cultura e seus rebatimentos no presente são vislumbres importantes no contexto de culturas em reconstrução, remodelamento, ou mesmo busca de uma identidade, como postula Stuart Hall:
O que esses exemplos sugerem é que a cultura não é apenas uma viagem de redescoberta, uma viagem de retorno. Não é uma "arqueologia". A cultura é uma produção. Tem sua matéria-prima, seus recursos, seu "trabalho produtivo". Depende de um conhecimento da tradição enquanto "o mesmo em mutação" e de um conjunto efetivo de genealogias.
Mas o que esse "desvio através de seus passados" faz é nos capacitar, através da cultura, a nos produzir a nos mesmos de novo, como novos tipos de sujeitos. Portanto, não é uma questão do que as tradições fazem de nós, mas daquilo que nos fazemos das nossas tradições. Paradoxalmente, nossas identidades culturais, em qualquer forma acabada, estão à nossa frente. Estamos sempre em processo de formação cultural. A cultura não é uma questão de ontologia, de ser, mas de se tornar (HALL, 2003:44).
Em outro trabalho, Hall retomará, de forma ainda mais clara, o tema, demonstrando a imanência do passado:
O passado continua a nos falar. Mas já não se dirige a nós como um simples ―fato passado", já que nossa relação com ele, como a relação da criança com a mãe, é sempre já "depois do intervalo". É sempre construída através da memória, fantasia, narrativa e mito. As identidades culturais são os pontos de identificação, os pontos instáveis de identificação ou de sutura, que são feitos, nos discursos da história e da cultura. Não é uma essência, mas um posicionamento4 (HALL, 1990:394).
Tudo isto aponta para a ideia de que a desterritorialização como a da morte, não deve ser tomada no seu sentido clínico, de fim da vida, da existência, mas na acepção transcendental, de passagem, transmutação. Assim como Hall aponta a impossibilidade de retornar àquela África ―imaginada‖, não se poderia retomar a identidade cultural das antigas comunidades anteriores ao lago.
A questão que pulsa, no entanto, é que a identidade cultural foi objeto de forte intervenção exógena diretamente na base material daquelas comunidades. Não é possível descolar a violência desse processo. E somente o exercício do poder poderia possibilitá-la.
4 ―The past continues to speak to us. But it no longer addresses us as a simple, factual "past", since
our relation to it, like the child's relation to the mother, is always-already "after the break". It is always constructed through memory, fantasy, narrative and myth. Cultural identities are the points of identification, the unstable points of identification or suture, wich are made, within the discourses of history and culture. Not an essence but a positioning.‖
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