• Aucun résultat trouvé

Couplage avec les m´ ethodes de r´ eduction lin´ eaires

2.3 Conclusion sur les m´ ethodes de r´ eduction lin´ eaires

3.1.4 Couplage avec les m´ ethodes de r´ eduction lin´ eaires

Em sua viagem, as observações que Darwin teve oportunidade de fazer em sítios, sobretudo no extremo sul do continente americano e em Galápagos, iriam revolucionar conceitos que a Ciência havia consolidado ao longo de séculos a respeito dos seres vivos. Uma das conclusões de Darwin foi a de que, a partir de uma mesma espécie, dentro de um quadro de variabilidade temporal ou espacial, surgirão outras espécies derivadas mas diferentes das originais. Em outras palavras, espécies diferentes surgem por seleção, a partir de uma mesma espécie, apenas variando-se as condições ambientais.

Contudo a Teoria Evolutiva, veiculada na obra “A Origem das Espécies”, publicada em 1859, não responde a uma infinidade de perguntas que ela mesma suscita. Muitas questões permanecem ainda por serem investigadas e, ao que tudo indica, a cada descoberta, novas perguntas surgirão.

A obra de Darwin e dos outros pesquisadores que contribuíram para sua formulação, não se esgota em si mesma; suas conclusões atingem em cheio o pensamento ecológico atual, considerando-se nossa cada vez mais ampla e profunda capacidade de alterar os ambientes. As palavras mutação e mutante não estão mais adstritas à ficção científica.

Algumas alterações ambientais de origem antrópica têm provocado modificações danosas nas células responsáveis pela reprodução dos organismos vivos, de forma que tais danos se perpetuam pelas gerações subsequentes. Esse fenômeno é chamado de mutagênese, e as substâncias criadas pelo homem capazes de provocá-lo são denominadas agentes mutagênicos. A espécie humana não está evidentemente imune a esse processo; ela poderá sofrer profundas alterações dentro de um prazo não muito longo.

A Teoria da Evolução também alimenta antigas e importantes discussões filosóficas, como aquela referente à ideia de “desigualdades naturais”, proposta por Rousseau no século XVIII. Logo no início de sua obra “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”, o iluminista francês, levando em consideração os conhecimentos da Ciência de então, considera inimaginável a preocupação com as possíveis causas das desigualdades naturais15.

Para Rousseau, o fato de as desigualdades naturais entre os humanos terem sido estabeleccdas pela natureza desqualificaria qualquer pergunta sobre suas causas. No entanto a Teoria da Evolução retiraria dessa pergunta o status de absurda, e ainda permitiria a formulação de diversas outras que seriam, naquele tempo, provavelmente consideradas tão absurdas quanto aquela, como por exemplo: qual a origem do homem? E esta outra: em sua origem, o homem já carregaria as diferenças do outro tipo, ou seja, as morais ou políticas?

Outra questão filosófica, sobre a qual a Teoria da Evolução pode estar lançando luzes, é a da existência ou não do livre-arbítrio. Considerando a possibilidade da inexistência do livre-arbítrio, Duve menciona um comentário quase irônico de Searle, assinalando em seguida que algumas descobertas de Darwin tiveram a propriedade de influenciar nosso pensamento sobre teleologia, e que tais descobertas são praticamente irrefutáveis.16

15 “Eu concebo duas espécies de desigualdade entre os homens; uma, a qual eu chamo de desigualdade natural, ou física, porque é estabelecida pela natureza e consiste na diferença de idade, saúde, força corporal, e as qualidades da mente, ou da alma; a outra, que podemos denominar de desigualdade moral ou política, porque ela depende de uma espécie de convenção, e é estabelecida, ou pelo menos autorizada, pelo consenso da humanidade...

Seria absurdo perguntar qual a causa das desigualdades naturais, uma vez que a mera definição de desigualdade natural responde a questão.” (ROUSSEAU, 2004).

16 “Sobre a questão do livre-arbítrio, contudo, Searle é evasivo. Ele, cheio de reservas, menciona livre-arbítrio só de passagem e acompanhado pelo comentário “se é que essa coisa existe mesmo”, e argumenta que a intencionalidade deve ser interpretada da mesma forma que nós agora interpretamos teleologia em biologia. Era comum, nos velhos tempos, ver o coração como tendo sido feito para bombear sangue pelas nossas artérias. Hoje dizemos que o sangue circula através das nossas artérias porque o coração é feito do jeito que ele é, e explicamos a aparentemente intencional estrutura do coração como o produto da seleção natural... Essa “inversão de explicação” ajusta-se à perfeição à ortodoxia Darwiniana e está além de qualquer objeção.” (DUVE, 1995, p. 256).

Embora esses assuntos sejam fascinantes, e nos sintamos tentados a prosseguir investigando-os, não pretendemos aprofundar as decorrências da Teoria da Evolução diretamente sobre o pensamento filosófico; nosso escopo nesta etapa será o de investigar como a Teoria Evolutiva teria aberto caminho para que o conceito de ecologca fosse formulado, e como a importância desse conceito, tendo brotado na Ciência, desenvolveu-se na Filosofia.

Em 1866, Ernest Haeckel, biólogo alemão, firme adepto da então controvertida teoria evolutiva, talvez antevendo as imensas implicações da obra de Darwin, da qual foi um divulgador, propôs a criação de uma nova disciplina dentro da Biologia, a qual deveria se preocupar com as relações de sistemas de seres vivos com o ambiente, incluindo as relações com outros sistemas de seres vivos. (LAGO, 1989, p. 7; SARKAR, 2005; ENCYCLOPÆDIA BRITANNICA, 2010). Essa disciplina é a Ecologia.

Ecologia portanto, era a princípio apenas uma subdisciplina da Biologia. Mas, em menos de 100 anos, isso mudaria sob dois aspectos. Primeiro, a subdisciplina se transformaria numa grande disciplina, que comporta várias subdisciplinas, como “ecologia de populações, ecologia de comunidades, ecologia de conservação, ecologia de ecossistemas, ecologia de metapopulações, ecologia de metacomunidades, ecologia espacial, ecologia de paisagens, ecologia fisiológica, ecologia evolucionária, ecologia funcional, e ecologia comportamental.” (BRENNAN, 2002).

Diversas universidades no mundo inteiro mantêm, há décadas, cursos de graduação e de pós-graduação em Ecologia. Contudo, com uma ou duas raras exceções, há apenas alguns anos, no Brasil não havia cursos de graduação na disciplina, muito embora nosso país seja considerado um dos mais importantes do mundo do ponto de vista ecológico, seja por sua exuberante biodiversidade, pela variedade de ecossistemas que abriga, pela quantidade de água doce que possui, por ainda ser o território de significativas comunidades de povos primitivos remanescentes do processo de colonização, e por diversas outras razões.

A segunda mudança foi que o termo ecologia, além de designar a ciência acima descrita, passou também a “identificar um amplo e variado movimento social, que em certos lugares e ocasiões chega a adquirir contornos de um movimento de massas e uma clara expressividade política.” (LAGO, 1989, p. 8).

Na visão de Passos, um grande número de movimentos sociais, incluindo de expressão artística, estaria associado ao ambientalismo.17

17 “O ambientalismo, ou a ecologia, é recente. Nasce sob uma filosofia do protesto, com inspiração nos movimentos contra a cultura dominante, no movimento surrealista, nos movimentos estudantis anarquistas,

Portanto o termo ecologia, atualmente, pode assumir um desses dois significados: ou se refere à ciência que estuda as relações de seres vivos com seus ambientes, entendendo-se ambiente como o meio abiótico mais os demais seres vivos que nele atuam, ou diz respeito aos movimentos sociais acima mencionados.

Com o objetivo de diferenciar o profissional da ciência Ecologia, do ativista ou participante do movimento ecológico, em nosso país é usual lançar mão dos termos ecólogo para o primeiro, e ecologcsta para o segundo. Na língua inglesa não há distinção: usa-se ecologcst, tanto em um caso como em outro.

Além dessa diferenciação, é interessante notar que em alguns momentos encontramos referência à expressão movcmento ecológcco, e em outros a movcmento ambcental. Uma leitura despreocupada pode entender que as duas expressões tenham o mesmo significado, mas parece haver uma sutil diferença. A hipótese é a de que os participantes das linhas mais radicais do movimento ecológico preferem ser identificados como ativistas do movimento ecológico ou ecologistas; contudo, aqueles que militam sob inspiração mais moderada preferem ser identificados como participantes do movimento ambiental ou ambientalistas.

Neste trabalho, usaremos indiferentemente as expressões movimento ecológico e movimento ambiental, e os termos ecologista e ambientalista.

A partir das considerações sobre a origem da disciplina Ecologia e tendo em conta que o movimento ecológico surgiu como uma resposta à degradação ambiental pelas ações humanas, tanto na guerra, como em nome do desenvolvimento, podemos lançar a hipótese de que o surgimento da primeira não implicou no aparecimento do outro. Isso significaria que, ainda que não existisse a ciência Ecologia, o movimento ecológico surgiria, desde que as condicionantes de seu surgimento existissem. E que, se não houvesse tal alarmante degradação ambiental, a existência da ciência Ecologia não implicaria, de forma alguma, no aparecimento do movimento ecológico.

Contudo, ainda que essa hipótese seja válida, podemos supor que a ciência Ecologia foi, ao lado da Biologia tradicional, uma das mais importantes ferramentas com as quais o movimento ecológico foi talhado. E também que os primeiros ecologistas teriam migrado de áreas como a Biologia, a Ecologia, o Reflorestamento e outras das ciências da vida.

protestando contra a guerra e a racionalidade moderna, contra o totalitarismo e o formalismo convencional. Vai buscar no naturismo e no romantismo formas militantes de quebra dos padrões de consumo e da megaprodução industrial. Vai buscar ainda no particularismo e na vivência da diferença cultural, transgênero, reviviscência das etnias, nos novos movimentos sociais, modos de romper com a hegemonia e padronização da monocultura.” (PASSOS, 2004, p. 9).

Entretanto essas são hipóteses com as quais não nos ocuparemos neste trabalho. Nosso objetivo, nesta seção, é tão somente defender a existência de duas entidades diferentes, as quais se identificam com um mesmo termo: ecologia.