• Aucun résultat trouvé

Le corps, « objet » de la modernité occidentale

3 Le corps, objet social, objet de recherche

3.2 Le corps, « objet » de la modernité occidentale

No âmbito das povoações, as áreas urbanizadas tem denominações específicas como lugar, aldeia, vila e cidade dependendo de critérios tais como população, densidade populacional ou estatuto legal.

O conceito de cidade possui definições distintas consoante a época da história. A definição grega difere da Idade Média europeia, assim como das mais recentes. O termo cidade compreende assim uma heterogeneidade de definições, de acordo com a sua historicidade ou disciplinaridade, apesar de nenhuma englobar tudo o que uma cidade poderá abranger na sua totalidade qualquer uma é correta (Ribeiro, 2008).

A cidade é uma área complexa onde o estudo da sociedade pode ser realizado de forma competente, apesar de esta integrar diversos elementos. O estudo do conceito, como da

Evolução da Paisagem do Peso da Régua

Caracterização e Análise Histórica da Cidade

32

própria cidade tem que considerar um vasto conjunto de elementos, têm de ser analisados no singular e posteriormente a relação existente entre eles. O conceito assim como a própria cidade estão em constante formação, são desenvolvidas definições por diversas áreas de estudo por filosóficos, humanistas, eruditos e atualmente por áreas relacionadas ao urbanismo (Lefebvre, 1974; Ribeiro, 2008).

Na cultura grega a cidade significa a polis, tratava-se de um protótipo da cidade-estado grega. A sua origem é de acordo com um conceito político, na relação entre a Cidade e o Estado onde existir um tem necessariamente de haver o outro. Esta relação teve origem num grupo de cidadãos, que num determinado espaço como a agora, a praça, ou outro local selecionado exerciam determinada prática politica (Aristóteles, 1998).

Na cultura romana, a cidade passa a ser definida como um conceito e como um espaço. Trata-se de um espaço organizado que engloba um determinado povo, assim como serviços e elementos acessíveis a todos com relevância para a governação, o culto, o comércio e a produção.

A cidade medieval difere totalmente das definições anteriores, na época esta desempenhava um princípio de defesa do espaço, recorrendo a construção de muralhas para defesa do núcleo. Assim como Afonso X (1221-1284), de cognome O Sábio aplicou na sua cultura também a caraterística da cidade ser um local delimitado por muralhas, onde no seu interior se localizavam os arrabaldes e as edificações (Ribeiro, 2008). Mais recentemente na Nova Carta de Atenas, a cidade é definida como o “Estabelecimento humano com um certo grau de coerência e coesão” (Conselho Europeu de Urbanistas, 1998, p.33).

No séc. XVII juntamente com as cidades capitais políticas barrocas, surge mais uma definição de cidade, define-se por um “espaço administrativo e burocrático, de origem principesca ou senhorial”, que convida pela sua imponência, luxo e riqueza, tratando-se a própria cidade trata-se de um artigo que visa o aumento económico e politico europeu (Cantillon, 1959).

A Revolução Industrial foi também um marco importante na definição de cidade, consequência das modificações que se verificaram nas cidades europeias, como a afluência de pessoas para as cidades, tal como ainda hoje se verifica. Surge nas cidades a necessidade de colocar em prática sistemas de planeamento urbano, como forma de organização das cidades. Em alguns casos, a renovação e preservação dos núcleos históricos surge devido a acentuada afluência de pessoas para se fixarem, o que consequencialmente obrigou as cidades a crescer, dando origem as designadas zonas periféricas nos perímetros urbanos (Goitia, 1996).

A cidade contemporânea aparece como um espaço hierarquizado e dividido em duas partes, os designados centros históricos como referido anteriormente surgem devido às

Evolução da Paisagem do Peso da Régua

Caracterização e Análise Histórica da Cidade alterações que as cidades sofreram. Estes locais desempenham um papel principal pois são a reserva no meio da mudança, são espaços primórdios na cidade. Inicia-se operações para a preservação daqueles espaços da cidade de forma a protege-los, proporcionar e projetar a cidade num todo. Para o estudo e análise destes espaços, a realização de forma consciente e coerente deste trabalho, origina nesta época um aparecimento em massa de urbanistas, passando o Urbanismo a ser uma área de estudo independente (Correa, Fornies &Regojo., 1985).

Devido ao aumento dos aglomerados urbanos, aumentam os fenómenos urbanos ligados a cidade, dando origem a novas definições do conceito. A partir desta época surgem diversas disciplinas que remetem estudos para a cidade, tais como: a História, Geografia, Sociologia, Antropologia, História da Arte, Arquitetura e Urbanismo. As disciplinas começam por direcionar o estudo para um objetivo distinto consoante o interesse, desse modo tanto o conceito como a própria cidade passam a ser analisados e estudados de diferentes formas.

Ao longo dos tempos houve elementos que foram estudados e que se mantiveram intemporais na caracterização de uma cidade, como o estudo da densidade demográfica e do género de atividades desenvolvidas nestas que desde sempre as caracterizaram, assim como a principal atividade desenvolvida, que pode ou não ter sido alterada (Ribeiro, 2008).

Em Portugal, o conceito alterou-se, começou por definir-se segundo raciocínios de natureza eclesiástica, até a segunda metade do séc. XIX, onde eram apenas designadas por cidades aquelas que possuíssem uma sede de bispado. A área era administrada por um bispo, todos os restantes aglomerados independentemente de fatores como a densidade populacional, ou localização eram designadas por vilas. O número de cidades entre o séc. XII e o séc. XIX era reduzido, a atribuição de foral de cidade era regida segundo normas de ordem religiosa, a partir do séc. XIX estas normas são alteradas com a rainha D. Maria onde a atribuição de foral de cidade passa a estabelecer-se segundo critérios demográficos e económicos (Serrão, 1973).

A criação de um conceito universal torna-se complexa, uma vez que englobar numa só definição um conjunto de elementos que constituem a cidade, como a sua história, a sua experiência e tudo que a carateriza e constitui, acaba por se transformar numa meta impossível. Assim existem dois tipos de conceitos de cidade, os que se fundamentam em critérios essenciais e selecionam um ou dois, e os que tentam agregar caraterísticas dos aglomerados urbanos, que traduzam a sua heterogeneidade (Capel, 1975).

Cada cidade tem uma história diferente, os elementos importantes que traduzem a sucessão de acontecimentos naquele espaço, a sobreposição de momentos e os elementos que a constituem, determinam a cidade e a sua definição. O estudo, a compreensão e a análise independente dos elementos constituintes da cidade, assim como a interligação entre

Evolução da Paisagem do Peso da Régua

Caracterização e Análise Histórica da Cidade

34

eles, e a perceção de como o espaço se foi transformando ao longo do tempo permite compreender o seu processo de evolução.