RESERVE SPECIALE
CONSEIL D'ADMINISTRATION: POUVOIRS
Nós, seres humanos, somos animais dependentes do amor. Humberto Maturana
Somos do tecido com o qual se fazem os sonhos. William Shakespeare
Minha chegada ao GRECOM aconteceu de forma atípica. Nos idos de 2003, eu havia terminado o curso de história na UFRN. No tempo de graduação, vivi uma experiência incrível no Museu Câmara Cascudo, no qual Wani Pereira (pesquisadora do GRECOM) era vice-diretora. Eu era bolsista de Wani e trabalhava com o estudo de coleções. Não tinha a mínima ideia da existência do GRECOM e menos ainda da complexidade, só tinha contato com um sujeito que me surpreendia a cada momento de escrita dos relatórios da CAPES, Edgar Morin e sua teoria sobre o paradigma da morte e o surgimento da arte. Na época, eu não entendia como aquilo fazia sentido no meu pragmatismo de catalogar e acondicionar peças museográficas. Nessa época, fui aluna de Josineide Silveira na disciplina de Antropologia e nas aulas comecei a perceber outras formas mais prazerosas de fazer ciência. Josi falava com paixão que estava no doutorado e que desejava estudar os amores proibidos pela Igreja Católica, aquilo me encantava. Eu, tão pragmática, presa à história tradicional, aos fatos e acontecimentos, ainda não tinha ideia do que seria um fenômeno de estudo e sua complexidade no mundo.
Ao término do meu curso, na época da monografia, enquanto todas as expectativas me levavam a fazer um trabalho sobre o estudo de coleções e sobre a arte popular, recebi um banho frio do meu futuro orientador, que não via muitas possibilidades nem ganhos significativos para a História no meu projeto. Foi então que aconteceu uma das bifurcações da minha vida, a primeira na UFRN. Descobri-me no estudo sobre a loucura e me realizei entre os textos históricos construindo o percurso de sua institucionalização no Rio Grande do Norte. Ao término do curso, e ainda em contato com Wani, ela me explicava da necessidade de dar continuidade à minha formação acadêmica, mas eu não tinha ideia de como fazer isso, e foi aí que ela me falou a respeito do GRECOM e do mestrado. Me inscrevi então na seleção do Programa de Pós-Graduação em Ciências Sociais e encaminhei meu projeto baseado na monografia recém-apresentada (nessa época não tínhamos a etapa da prova escrita).
No dia da entrevista, esqueci completamente e, de repente, em casa recebi uma ligação do PPGCS me alertando sobre o horário da entrevista. O tempo que eu tinha para chegar à UFRN era muito curto e sem um tostão no bolso me aventurei num táxi, que fez aquela corrida fiado. Cheguei esbaforida e encontrei Ceiça na sala pela primeira vez. Com cabelos curtos, extremamente vermelhos e uma saia longa e rodada, ela me recebeu calorosamente, de forma tão generosa, que não acreditei que merecia aquele tratamento. Deu tudo certo na entrevista e fui aprovada. Iniciei o mestrado, fazendo as disciplinas e ainda muito distante do GRECOM, eu não entendia que era preciso estar lá, até o dia que Ceiça me disse isso de forma clara e dura. Envolvida em ganhar a vida dando aulas, me perdi nos primeiros meses, até o dia em que encontrei Ceiça a caminho de um dos eventos do grupo. Quando percebeu meu ar desatento com as coisas do GRECOM, ela me fitou, me fulminou e deu de ombros dizendo que assim não se fazia pesquisa no grupo. O chão se abriu e eu entrei no buraco. Uma noite de crise existencial foi suficiente para decidir meu caminho.
Dali para a frente, reorganizei minha vida para estar no GRECOM todos os dias à tarde. Eu tive que dar um jeito. Confesso, não foi fácil, porém, foi o tempo de maior crescimento acadêmico e profissional para mim. Entrei de cabeça no grupo, totalmente disponível para participar de tudo. Minhas companheiras de sala eram Silmara Marton, Rita Ribeiro e Margarida Knobbe, embora houvesse muitos outros colegas circulando por ali nessa época, como Samir Cristino, Carlos Alberto, Renato Figueiredo, Walmir, Lenice Raymundo, Paula Vanina, Henrique Fontes, Wyllys Farkat, Gerlúzia Alves, Ednalda Alves, João Neves e tantos outros. Todos eles, cada um do seu jeito, me ensinaram algo e deixaram suas marcas. Lembro-me com carinho da primeira vez que mostrei algumas páginas do meu texto de dissertação a Rita, quando ela me ensinou como escrever sem repetir tantos "ques". Lá reencontrei com muita alegria Josineide e aqueles amores proibidos pela Igreja Católica que ela tanto desejava estudar tinham se transformado numa bela tese sobre a relação mestre e discípulo de Abelardo e Heloísa. Era assim no GRECOM, uns cuidavam dos outros. E nesse
espírito eu também queria cuidar. Me responsabilizava pelo café, pelas compras, e pela organização de materiais e textos, junto com Silmara.
A parceria com todos foi maravilhosa. Ceiça todos os dias me trazia desafios novos em meio às produções, aos eventos e às atividades do grupo. Eu, muito ‘verde’, não sabia como essas coisas funcionavam, mas não abria mão de dizer que faria e, mesmo sem saber como, eu "daria um jeito". Para situações difíceis eu também dava um jeito. Esse era meu mantra.
Um dos maiores desafios que vivi foi participar do Dia de Estudos como expositora do Método 1 de Edgar Morin. Os Dias de Estudos aconteciam quinzenalmente e eram momentos de imersão teórica. Eu não tinha tido oportunidade até então de participar de imersões e estudos em grupo como aqueles ali. Logo da primeira vez como expositora me responsabilizei por uma obra que não possuía nenhuma intimidade e de uma grande densidade teórica. Soava como impossível, naquelas alturas, fazer uma boa exposição, afinal, Morin ainda era para mim um enigma, mas naquele instante o céu deu um jeito! Naquele dia, Ceiça não participou e eu pude me dar o direito de falar talvez insanidades sem ser mal avaliada por ela. Eu tinha e tenho muita admiração por Ceiça e não desejava decepcioná- la.
O GRECOM me trouxe muitas surpresas agradáveis, ele era e ainda é um lugar incrível de conexões. Certa vez, Ceiça me levou ao Piató. Era uma honra receber o convite para entrar naquele lugar que ela dizia tão especial. Na época, meus colegas Wyllys, Silmara e Paula iam com grande frequência, mas eu não, pois os Saberes da Tradição, temática desenvolvida por Ceiça e uma das linhas do grupo, não estava no contexto da minha pesquisa. Chegou então o dia de conhecer o tão falado Piató e Chico Lucas, e pasmem! mais uma conexão de vida se fez ali. Descobri que, no passado a propriedade do pai de Chico Lucas era vizinha à propriedade do meu avô Amarante, ambas foram submersas pela Barragem Antônio Ribeiro Gonçalves. Mas a história ficou. Chico conhecera meu avô em sua juventude e tinha muita coisa para me contar daquele homem incrível que eu conheci pouco. Fui privilegiada em ver a lagoa cheia e navegar com Chico como nosso timoneiro
por aquelas águas. Naquele lugar foi erguida a Casa da Memória do Piató Chico Lucas e tive o prazer de participar de sua inauguração ainda no barro. O almoço daquele dia preparado com carinho na casa de Chico e de D. Maria jamais se fará no campo dos esquecimentos. Ah que bela galinha torrada!
O GRECOM unia pessoas de pertencimentos tão diferentes e isso era enriquecedor. Nessa época, a efervescência era total, tínhamos a cada Dia de Estudos a participação de umas 20 pessoas. O lugar era cuidado por todos. Eu produzia os folders, enviava as comunicações para os e-mails, organizava os materiais e assim me apropriava de tudo. O mais interessante é que, embora eu estivesse absorvida até o pescoço com as coisas do grupo, minha dissertação não sofreu atrasos. A produzi em tempo de apresentá-la antes do prazo limite. Que orgulho!
Trabalhei com a história de vida de pacientes crônicos residentes do Hospital João Machado. Normalmente, o tema da loucura é visto com repugnância, distanciamento e prepotência, um estigma em nossa sociedade. No GRECOM, aprendi que a loucura é mais um estado de nosso espírito, muito típico do sapiens-demens, e fiz questão de trabalhar cada vez mais na vertente do acolhimento, da diversidade e da sensibilidade como ali havia aprendido. Para se ter uma ideia, a dissertação intitulada Diálogos da Alma: uma outra história da loucura foi desenvolvida dentro do referido hospital, entre amigos loucos. Mergulhei fundo de corpo e, principalmente de alma, numa história antes não contada e que me atrevi a colocá-la no devido lugar das lembranças, a história daqueles considerados loucos, dos esquecidos. Foi nesse diapasão que conheci e me encantei pela trajetória e obra da Dra. Nise da Silveira, de Bóris Cyrulnik e Jung. A permissão que obtive para cumprir tão grande tarefa foi-me concedida num lugar diferente, onde se pensa, se sente e se pratica ciência de uma outra forma.
O tempo para a produção do trabalho parecia que se multiplicava, porque eu sempre dava um jeito. Em meio às atividades do grupo, e dando aulas à noite, eu ainda arranjava tempo para fazer minhas pesquisas nas enfermarias do hospital, onde fiz muitos amigos. Ceiça acompanhava minha pesquisa de forma muito próxima, chegou inclusive a participar comigo da
confraternização natalina do hospital. Ela entrava de cabeça junto conosco e isso dava um tom de parceria, difícil de imaginarmos em outros espaços acadêmicos canônicos.
A cada dia os desafios que Ceiça me oferecia eram provas de fogo. Para se ter uma ideia, dois dias antes da chegada de uma das participantes da minha banca, Cremilda Medina, Ceiça me disse que ela desejava muito em sua estadia em Natal reencontrar uma velha amiga que residia na cidade e me deu apenas como pista o nome "bem comum" dessa pessoa "Fátima Araújo". Ora, como eu encontraria uma Fátima Araújo na Cidade do Natal, sem outras pistas, numa época em que não existia Facebook ou outras redes sociais? Parece incrível, mas eu disse que daria um jeito, e sofri para conseguir. Peguei em casa a antiga lista de telefones "Listel" e me aventurei a ligar para mais de duzentas “Fátimas” e dizer: Olá, sou Juliana Rocha estudante da UFRN e estou em busca de Fátima Araújo amiga de Cremilda Medina, você a conhece? Era muito improvável que eu encontrasse alguém assim, mas eu arrisquei. O céu novamente deu um jeito, eu encontrei a amiga de Cremilda. Não acreditei em ouvir tal reconhecimento e alegria do outro lado da linha telefônica. Fátima, muito satisfeita em reencontrar a amiga, esteve presente no dia da minha apresentação. Pois é, coisas assim aconteciam no GRECOM e com quem estava lá.
E por falar no dia da defesa, a apresentação da minha dissertação trouxe à academia todos os amigos pacientes cronificados que contribuíram de alguma forma com os meus "Diálogos da Alma". O auditório do CCHILA se encheu de pessoas queridas e, pela vida, estigmatizadas. O GRECOM continuava a conectar pessoas, vidas e ideias. Cremilda Medina saiu daquela sala com a dissertação embaixo do braço a dizer, “levarei esse texto para que meus alunos entendam como se faz uma dissertação ousada, comunicativa no viés histórico.”
Ao término desse tempo, outros desafios se apresentaram para mim, a docência no Ensino Superior, estimulada pela minha colega de grupo Gerlúzia Alves e a aprovação no concurso como professora da Prefeitura do Natal. Passei minha faixa do GRECOM para a jovem Louise Gabrielle,
estudante de Pedagogia e nova bolsista de Ceiça. Voei por novos ares; porém, sem esquecer do lugar que eu havia conhecido e que me transformara. Sabia das coisas que aconteciam no grupo à distância e uma boa nostalgia tomava conta de mim. Até que, num fim de semestre, conversando na calçada de uma das faculdades particulares que eu trabalhava com a amiga e também professora Valéria Soares, pensávamos juntas nos planos profissionais para o futuro. Ela me disse sobre a seleção aberta para o doutorado no Programa de Ciências Sociais da UFRN. A aura de Valéria é aquele tipo de aura iluminada, de uma devota Hare Khrisna, que me disse em alto e bom som “vai que dá”, e eu fui. O prazo para o encerramento das inscrições ocorreria em dois dias, mesmo assim deu tempo. Passei na prova escrita e, no dia da minha entrevista, reencontrei Ceiça, Josineide e Ana Laudelina, depois de tantos anos. Meu projeto era bem claro e direto, eu queria escrever a História do GRECOM e me foi dada essa chance. Voltei ao grupo numa nova circunstância, numa nova fase. Mudei literalmente minha vida e a dos meus familiares para encarar esse desafio, e eles fizeram a aposta junto comigo. Só eu sei o que não dá para revelar neste texto.
Sei também que, neste novo momento, algumas teclas de um piano antigo voltaram a tocar. Um exemplo dessa melodia que se repete foi a possibilidade que me foi dada de rever Edgard Carvalho. Com a mesma vivacidade e energia intelectual ele continuava lá, ligado por sentimentos de afeto e amizade. Edgard sempre estava conosco. Ele participava e ainda participa das atividades do grupo como eventos, seminários, Oficinas do Pensamento e bancas. Pelo menos uma ou duas vezes ao ano ele vem a Natal. Sem sombra de dúvidas, um grande parceiro. Sempre muito generoso, me tratava com muita cordialidade e fineza. Tive a alegria de participar de dois lançamentos de seus livros em Natal, um há alguns anos Virado do Avesso (2005) e o outro recentemente, Conexões da vida: uma antropologia da experiência (2017). Para mim, Edgard é um intelectual que tem leveza e visão. Assim como todos os colegas que testemunharam, eu reforço, Edgard sempre nos traz novas leituras, e abre nossa visão para novas possibilidades. Acredito que sua amizade com Ceiça é como um caminho de mão dupla, quando na leveza do encontro se oxigenizam um ao outro.
Após o intervalo de uma década distante do grupo, no meu retorno encontrei muita gente nova no GRECOM, e um ambiente um pouco diferente daquele que havia conhecido. Fiz muitos amigos que levarei para a vida, certamente. Reencontrei Louise, aquela menina que eu havia deixado lá atrás e hoje se tornou uma profissional de sucesso, professora do IFRN. Como ela cresceu. Conheci Mônica e logo me afinei com ela. Como pensar num grupo em que duas pessoas trabalham com o mesmo tema, como eu e Mônica, e se tornam amigas? Não havia divisão entre nós, havia na verdade uma oferecendo o ombro para a outra nas inúmeras quedas e adversidades. Sei bem que esse testemunho não é romântico, nem quero fazer dele assim, pois existem crueldades, mas aposto no que há de bom e guardo as necroses para autofagia, me alimentando dos nutrientes que sobram das intempéries.
Nessa nova fase minha no GRECOM, a história agora passou a ser outra. Eu não era mais a mesma, agora professora de instituições particulares, estava muito absorvida pelas demandas profissionais e não consegui, embora tentasse abrir mão de tudo como há dez anos. Mesmo assim, o GRECOM me recebeu. Desenvolvemos, eu e Ceiça, uma nova fase da nossa relação, primeiramente desafiante, pois ela me cobrava uma resposta intelectual e cognitiva mais a altura do grupo. Desconfiei que eu estava esclerosando pois quanto mais eu era forçada, mais esquecia de tudo. Depois, um segundo momento foi marcado pela compreensão uma com a outra. Não sei precisar em que momento isso aconteceu, mas houve sim uma bifurcação comportamental... talvez mais minha do que dela. Compreendemos uma à outra. Eu, por entender o porquê das suas exigências e implicâncias com minhas ausências e ela entendia a contingência da minha vida naquele momento, impedindo-me de estar por perto full time.
Esses quatro anos do doutorado foram intensos. Viajei com o grupo para Vitória da Conquista – BA em 2015 e vi in loco como o GRECOM espalhou seus “neurotransmissores” por outros lugares, criando novas conexões e outros grupos de complexidade, a exemplo do Laboratório de Estudo e Pesquisa em Educação e Conhecimento Científico – LABECET
(Conquista/BA). Lá na UESB apresentei pela primeira vez para um público externo a proposta de trabalhar com a História do Grupo de Estudos da Complexidade. Foi um momento de extrema tensão para mim, por dois motivos: porque a proposta para mim é muito cara e porque Ceiça, meu balizador de qualidade, estava ali. Até então a tensa relação mestre e discípula não tinha sido resolvida. Me sentia dando os primeiros passos de novo, como há dez anos. Mas esse frio na barriga deve ser sinal de vida, de cuidado. No ano seguinte, participamos eu e meus colegas do grupo da Conferência Internacional “Saberes para uma Cidadania Planetária”, em Fortaleza - CE. Foi muito rico e ao mesmo tempo divertido aquele tempo. Fazíamos piadas das adversidades encontradas. Ali, eu e mais seis colegas saímos de Natal para reencontrarmos e/ou conhecermos grandes nomes que mantêm relação de ideias com o GRECOM, como Maria Cândida Moraes (UCB), Ana Cecilia Espinosa Martinez (México), António Nóvoa (Un. de Lisboa), Alfredo Pena-Vega (EHESS/CNRS-França), Izabel Petraglia (FMU/SP), Lia Diskin (APA/SP), Raul Domingo Motta (Cátedra Edgar Morin/UNESCO), Roberto Sidnei Macedo (UFBA), Ubiratan D'Ambrósio (UNICAMP), e muitos outros.
Vieram então as fases de qualificação no doutorado. A primeira, numa disciplina ministrada por Ana Laudelina, saí destroçada. Ceiça e Josi estavam lá e não gostaram nenhum pouco daquele meu primeiro texto. Foi horrível a minha primeira tentativa de escrever a história de um grupo que não aceitava uma história convencional. Mas eu sabia que tinha que dar um jeito nisso. Na segunda tentativa, já na banca de qualificação constituída por Wani, Margarida Knobbe e Alex Galeno, tive a minha chance de bifurcar. Em meio ao “canteiro de obras” descrito por Alex sobre minha tese, Margarida Knobbe me presenteou com a possibilidade de trabalhar com os testemunhos. Ela foi precisa. Um dia depois da banca, eu já estava com o livro de Pierron em mãos, Transmissão: uma filosofia do testemunho (2010). A partir de então, entendi o que deveria fazer, e como todo o potencial dessa história não poderia sair apenas de um “transmissor”, mas de todos os que eu pudesse trazer.
O mais interessante disso tudo foi o que eu aprendi durante a chegada dos testemunhos para esta tese. Cada um me impactou de uma forma; porém, consegui olhar para mim por meio dos testemunhos de Josineide e de Eugênia. Foi quase uma catarse. Eu passei a entender como o GRECOM tinha me contaminado todo esse tempo e as repostas profissionais que eu dei diante do que aprendi com o modo de ser que opera pela complexidade. As aulas que eu ministro, os projetos de conexão comunidade e academia que eu desenvolvo (a exemplo do Projeto de Extensão Rede Parceira Estácio- Alecrim), a disponibilidade que tenho de assumir funções diferentes a cada ano nos lugares em que trabalho, a habilidade de conviver com meios profissionais diferentes sem priorizar um em detrimento do outro, certamente foram em mim despertados pelas conexões às quais me permiti no GRECOM. Considero que saí da teoria bonita da complexidade para torná-la prática na minha vida.
Sou só mais uma testemunha que viveu seu período de formação no Grupo de Estudos da Complexidade, não sou a metatestemunha, sou apenas mais uma no meio de tantas que estiveram no GRECOM. Sou uma transmissora apenas, de uma rede neural sobre a qual não temos controle. Mais uma vez, encerro um ciclo de formação no grupo, com amizades fortalecidas e muito aprendizado para fazer meus novos caminhos.
Mesmo sendo de um campo de pertencimento diferente - a História - vou me arriscar pela neurociência para representar o GRECOM por meio da metáfora das sinapses cerebrais, ou como quer Lídia Borba, da dança dos neurônios. Para mim, o GRECOM é isso, uma intrincada rede de conexões como as cerebrais, a gerar sinapses imprevistas e às vezes previstas no espaço-tempo. Como aprendemos lá no Ensino Médio, os neurônios formam