9. Synthèse et conclusion
9.4 Conclusion
A teoria dos sistemas sociais tem como precursor Luhmann e compreende a sociedade, as associações e as interações, ela introduz a relação desses sistemas com o meio. Conforme o autor, os sistemas sociais podem se dividir em subsistemas – direito, economia, política, religião, etc. –, cada um deles fechado operacionalmente e auto-referente, com um âmbito determinado de operação e de comunicações que delimitam seu ambiente e reduzem a complexidade de um modo especializado.
Os sistemas sociais então teriam a função de reduzir a complexidade do mundo – representando a unidade entre sistema e meio, contendo todos os sistemas e todos os meios – de modo a torná-la inteligível para os sistemas psíquicos ou pessoais. Ou conforme Luhmann (1984), citado por Mathis (1999), complexidade é o conjunto dos possíveis estados e acontecimentos de um sistema. A redução da complexidade é feita, no interior dos sistemas sociais, por meio da comunicação.
No entanto, essa não é uma tarefa muito simples. Uma vez que, comunicação é a síntese de um processo de seleção que envolve uma mensagem, uma informação e a compreensão da diferença entre as relações. Ocorre que ao mesmo tempo em que a comunicação reduz a complexidade através da seleção, aumenta a complexidade ao introduzir informações no sistema, resultando num paradoxo. Ou seja, comunicação gera comunicação dentro do sistema social, permitindo a sua manutenção. Por outro lado, como a comunicação é umaoperação interna, não ocorre entre sistema social e ambiente.
Outro aspecto a ser considerado é que as relações sociais são dificultadas pelo problema da contingência. Conforme Mathis (1999), a contingência é a variedade das alternativas de atuação. E tanto o sistema social quanto um único
indivíduo tendem a interpretar o problema da contingência como um grau de liberdade de escolher entre várias alternativas de atuação. Mas o autor explica que se estivermos no papel de observador o problema da contingência passa a ser diferente, pois a liberdade de escolha do sistema se transforma para o observador desse sistema em insegurança e surpresas.
Portanto, a existência das contingências também gera a complexidade do seu meio que as enfrenta através da elaboração de estruturas complexas, essas por sua vez também podem aumentar a contingência do sistema e dessa forma iniciar um processo evolutivo, ainda que complexidade e contingência não estejam diretamente relacionadas (MATHIS, 1999). Dessa forma, conforme Luhmann, cada teoria da sociedade deve responder como as sociedades reagem frente ao problema da complexidade e ele próprio responde: reagem com diferenciação, ou seja, formam através de um processo recursivo, novos sistemas dentro de um sistema já existente (MATHIS, 1999).
Dentre as formas de diferenciação, a funcional é a mais completa e corresponde na divisão da sociedade em subsistemas que assumem uma função específica na reprodução da sociedade e do seu meio. O que vai significar também a diferenciação da comunicação, no qual cada subsistema elabora uma estrutura própria para comunicar-se. A sociedade moderna, portanto, caracteriza-se por uma organização social baseada na diferenciação funcional, com um grau crescente de complexidade.
A fim de explicar essa sociedade, Luhmann (1990) incorpora uma série de conceitos à sua teoria. “A auto-referência”, conceito proveniente da cibernética e com aplicações nas neurociências, é uma característica básica do sistema, já que é próprio de todo sistema ser capaz de se diferenciar do ambiente que o cerca – do qual fazem parte outros sistemas. Juntamente com o conceito de auto-referência, o conceito de “autopoiésis”, elaborado por biólogos chilenos (Maturana e Varela), é de fundamental importância neste estudo. Os sistemas autopoiéticos são dotados da capacidade de realizar operações auto-constitutivas, ou seja, criar, a partir de si mesmos, as estruturas e os elementos de sua composição, reproduzindo-se dentro de um processo operacional fechado.
Maturana e Varela, apud Mathis (1990), desenvolveram a noção de autopoiese para descrever a teia da vida e como os seres vivos mantêm a identidade de suas espécies, isso possibilitou um novo contorno ao conceito de
auto-organização. Para eles, “os seres vivos seriam sistemas autopoiéticos” porque reproduzem todas as unidades elementares de que se compõem, e com isso delimitam as fronteiras com o ambiente. Os sistemas vivos passam a ser descritos então como sistemas fechados na sua auto-referencialidade, orientados para a manutenção de sua identidade.
Luhmann (1990) apropria-se dessa definição, para aplicá-las aos sistemas sociais”, e vislumbra no conceito de autopoiese a chave para explicar a auto- referencialidade dos sistemas sociais (CURVELLO, 2001). Ele descreve o processo de autopoiese como algo que pode ocorrer de três diferentes maneiras: autopoiese dos sistemas vivos (vida e sistemas vitais), autopoiese dos sistemas psíquicos (que se traduz via consciência) e autopoiese dos sistemas sociais (que se opera via comunicação).
Esses grandes sistemas se diferenciam em relação ao ambiente e constroem seu modo próprio de atuação, bem como suas leis de investigação, reduzindo a complexidade do ambiente que o cerca, realizando algumas seleções que são típicas de seu modo de atuar e constituindo-se num sistema fechado sobre si mesmo. Só se mesclam mediante interpenetração, ainda que nesse processo não percam a identidade.
Luhmann (1990) vai centrar suas análises nos sistemas sociais. Para ele, “a sociedade é um sistema auto-referente e autopoiético que se compõe de comunicações”. O conceito de comunicação é central na teoria dos sistemas de Luhmann, que o vê como o dispositivo fundamental da dinâmica evolutiva dos sistemas sociais, uma vez que é um processo de seleções, e é pela seleção, se bem-estruturada, que se opera o processo de redução de complexidade14 na relação com o ambiente.
14 Mathis (1999), citando Luhman (1984), define complexidade como o conjunto dos possíveis
estados e acontecimentos de um sistema. A função principal dos Sistemas sociais seria então reduzir a complexidade do mundo, de tal maneira que possamos entender a unidade que o mundo representa entre sistema e meio.