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Comparaison avec la m´ ethode du potentiel d’intensit´ e

2.5 Comparaison avec les autres m´ ethodes ´ energ´ etiques

2.5.2 Comparaison avec la m´ ethode du potentiel d’intensit´ e

Priscila foi uma das servidoras da SEE-DF que formalizou uma denúncia de assédio moral junto à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal, que citei inicialmente.

Acho importante ressaltar dois aspectos sobre Priscila. Primeiro, Priscila é, dentre as professoras com as quais convivi, uma das maiores conhecedoras do tema assédio moral. Esse é um tema com o qual ela vem se deparando há alguns anos, objeto de reflexão profunda. Em nossas conversas, aprendi muito sobre o caráter “assediante” de algumas relações na SEE-DF. Segundo, além desse episódio vivenciado com Uiara, Priscila registrou outras duas denúncias na Ouvidoria da SEE-DF por assédio moral, que também não foram apuradas, o que a faz questionar a atuação da Ouvidoria e, nesse caso, a fez procurar a Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal. Por causa do último episódio de assédio que muito a abalou, no segundo semestre de 2013, Priscila encontrava-se afastada do trabalho, pois, ao ser mais uma vez impedida de dar continuidade ao projeto de educação em higiene bucal que estava implementando, entrou em depressão. Afirma que só concordou em falar comigo porque já estava se reestabelecendo e estava pronta para tratar desse tema. Já havia superado os momentos mais críticos e estava disposta a falar sobre o assédio moral vivido. Vamos a sua história.

Técnica em higiene bucal, Priscila estava tentando implementar um trabalho de educação bucal e ambiental em uma escola de ensino fundamental. No entanto, ela afirma ter desde o inicio enfrentado o descaso da supervisora pedagógica Uiara que, em diferentes momentos, não teria atendido os seus pedidos de solicitação de materiais, o que teria retardado o início das atividades do projeto. Priscila afirma que Uiara tinha um perfil centralizador e, ao perceber que a negativa para suas solicitações tinha se transformado em

76 uma questão pessoal, resolveu elencar as situações em que se sentia assediada moralmente e formalizar a denúncia.

O estopim do conflito aconteceu quando a supervisora mandou colocar na porta da clínica odontológica painéis que seriam destinados ao lixo e, segundo ela, uma “montanha de lixo”. Segundo Priscila, estavam próximos da data de iniciar as atividades da clínica e haviam acabado de pintar os paredes, quando o lixo foi colocado na sua porta. Os alunos e alunas brincando em cima da montanha de lixo sujaram de poeira toda a parede e os painéis que haviam pintado para o projeto. Quando chegou segunda-feira na escola, Priscila encontrou as outras duas técnicas muito tristes, uma delas até chorando. Então Priscila, que afirma ser muito transparente, resolveu não ficar calada e exercer a cidadania: foi questionar Uiara o porquê de ela ter feito aquilo. Afirma que Uiara disse que ela, Priscila, não era da escola, que Uiara haveria dito também “ou essa mulher sai da escola ou eu não fico!”, por isso acabaram trocando outras ofensas e gritaram uma com a outra. Priscila disse que iria abrir uma sindicância para apurar a forma como Uiara estava lidando com os servidores na escola. Foi à Ouvidoria da antiga Diretoria Regional de Ensino e formalizou uma reclamação, mas, para sua surpresa, no momento de sua devolução da escola, veio a saber que retroagiram a data da estada de Uiara na Ouvidoria para que fosse justificada a reclamação de Uiara sobre Priscila e não o contrário.

Quando eu fui chamada pela diretora da regional, já era para mim sair, me retiraram de lá arbitrariamente, com o projeto todo pronto para ser arriado e ela ainda foi além, eles mudaram a data na secretaria. Ela foi depois de mim na diretora regional, mas o que eles fizeram? Mudaram a data, fizeram uma das coisas mais horrorosas, mas que costumam fazer entre chefia. Eles retroagiram a data da estada dela lá para ser anterior à minha para ser como se ela tivesse reclamado de mim, entende? Então para você ver, a Ouvidoria no momento era do lado da Diretoria da Regional de Ensino, então como é difícil você exercer, você cobrar essa questão até legal, porque assédio moral é uma questão legal e desacato ao funcionário público também, que está tudo no mesmo bojo. Então quando ela retroagiu ficou como se eu tivesse causado o problema, e não ela. (Fala de Priscila.)

Descrente da Ouvidoria da SEE-DF, Priscila seguiu então à procura da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

Todo esse episódio aconteceu em 2008. Retornei, em 2013, à escola citada por Priscila para conversar com a direção e fui recepcionada por Uiara, a antiga supervisora pedagógica e atual diretora da escola.

77 Aprendi que falar sobre assédio moral não é nada fácil para os diferentes envolvidos, e para aqueles que em algum momento foram acusados de assediadores ou assediadoras tampouco. Desde o momento em que entrei na sala da direção, me apresentei, falei do tema e que havia ocorrido um caso de assédio moral na escola. Uiara havia ficado visivelmente abalada e foi assim durante toda a minha estada em sua sala.

Após uma conversa inicial sobre aspectos gerais do assédio moral na SEE-DF, a qual Uiara permitiu que eu gravasse, ela perguntou se eu já havia acabado, se já havia desligado o gravador e afirmou que a história a que me referi aconteceu alguns anos atrás com a servidora Priscila, quando ela era a supervisora pedagógica. Uiara buscou uma pasta com os documentos pessoais na sala ao lado, me mostrou aqueles elaborados à Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal quanto à antiga Diretoria Regional de Ensino justificando a devolução de Priscila da escola e, quando eu pedi uma cópia desses documentos, ela perguntou primeiro se eu era da Universidade de Brasília para depois me entregá-los. Disse que era para eu ter a outra versão dos fatos em meu trabalho. Segue então um resumo do olhar de Uiara sobre os fatos ocorridos na escola com relação a Priscila.

Uiara, em um documento respaldado pela direção escolar, explica que, no dia 6 de setembro, em meio aos preparativos para o desfile do Sete de Setembro, eles tiveram que retirar os papelões da galeria para poder abrigar os alunos que dormiriam na escola, já que sairiam muito cedo no dia do desfile. Os papelões foram colocados do lado de fora da galeria, em frente à Odontologia, o local mais próximo, para evitar maior desgaste da equipe já cansada, e abrigado do vento para que não se espalhasse pela escola. Colocaram o papelão, e não o lixo, na porta da clínica, pois papelão é reciclável, e iriam retirá-lo no dia seguinte. Na segunda-feira, Priscila, ao encontrar os papelões em frente à clínica, dirigiu-se a Uiara para reclamar o ocorrido, demonstrando total descontrole.

Segundo Uiara, a professora Priscila é esquentada, ela é uma “petista roxa”. Uiara afirma que Priscila chegou, na segunda-feira, gritando pela escola e não quis conversar. Ao ouvir que as queixas eram sobre ela, Uiara foi agredida verbalmente com expressões como “essa mulher”, “má”, “baixa”, “suja”, “insuportável” e “ela está emperrando o meu projeto”. Uiara afirma que estava debilitada, pois havia doado sangue logo pela manhã, que começou a passar mal e a chorar, mas, após os desacatos de Priscila, também se alterou e a desacatou.

78 Relembra que, em julho de 2008, Priscila solicitou vários papelões a uma empresa, os quais foram colocados ao lado da porta da sala da direção em uma mesa usada por todos. Ressaltou que ninguém se sentiu ofendido por acreditarem na reutilização dos materiais e que o “lixo” deixado em frente à clínica de odontologia também seria reutilizado nas salas de aula. Dessa maneira, afirmou não entender a indignação de Priscila.

Com relação às reclamações sobre o não atendimento das suas solicitações de materiais, Uiara afirma que, quando possível sempre, as atendeu, no entanto, Priscila apresentava inúmeros pedidos e demonstrava impaciência querendo soluções imediatas. Além disso, afirma que Priscila queria utilizar todos os painéis que geralmente são utilizados pelos professores para a exposição dos trabalhos dos alunos e das alunas da escola.

Afirma que nunca cometeu nenhum assédio moral contra Priscila e justifica que isso seria impossível, pois, sendo técnica bucal, a sua chefia imediata não se encontrava na escola, mas sim na Diretoria Regional de Ensino; e, se alguém cometeu algum assédio moral, foi o assédio moral horizontal de Priscila contra ela. Uiara afirma que registrou na Ouvidoria o assédio horizontal por conta da postura de Priscila, mas não obteve nenhuma resposta.

Por fim, afirmou que nunca teve nada contra Priscila, que a conhece desde outros tempos, do Jardim da Infância onde o filho dela estudava; que Priscila tinha raiva dela até hoje e que não fala com ela; que outro dia ela a encontrou na Regional e Priscila sequer olhou para ela. Segundo Uiara, existe muito assédio moral na SEE-DF, mas acha que, nesse caso, elas poderiam ter conversado e resolvido de outra maneira.