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Communiqué de presse du CICR du 6 novembre 1990

Dans le document UN DROIT DANS LA GUERRE ? (Page 21-38)

Não diferentemente do que acontece com a grande teoria proposta por Moscovici, são muitos os conceitos que compõem a abordagem estrutural. No decorrer desta discussão, dissertamos sobre os conceitos básicos que servem para a compreensão dessa abordagem e, sobretudo, ao desenvolvimento deste estudo.

De acordo com Abric (1994a), as representações sociais desempenham um papel fundamental na dinâmica das relações sociais e das práticas, apresentado quatro funções essenciais:

1- A função de saber, que permite o sujeito/grupo compreender e explicar a realidade,

permitindo aos atores sociais adquirir conhecimentos e integrá-los aos já existentes, em coerência com seus valores, ideologias, história e meio social, sendo assim necessárias para a comunicação;

2- A função identitária, que define a identidade e permite a salvaguarda da especificidade de grupos, pois as representações também têm a “função situar os indivíduos e os grupos no campo social, permitindo a elaboração de uma identidade social e pessoal gratificante, ou seja, compatível com sistemas de normas e de valores sociais e historicamente determinados” (ABRIC, 1994a, p. 35);

3- A função de orientação, que guia os comportamentos e as práticas dos grupos, uma

vez que definem o que é lícito, tolerável ou inaceitável em um contexto social;

4- A função de justificação, que permite uma posterior justificativa para as tomadas de

decisões e para os comportamentos dos grupos.

Em síntese, podemos afirmar que as representações sociais funcionam como um sistema de interpretação da realidade que rege as relações dos indivíduos com o seu ambiente

físico e social, guiando seus comportamentos e suas práticas. Dizendo de outro modo, uma representação social é um conjunto organizado e estruturado de informações, crenças, opiniões e de atitudes, constituindo-se de um sistema sócio-cognitivo particular composto de dois subsistemas em interação: um sistema central e um sistema periférico (ABRIC, 1998a, 2003a).

O sistema central é a parte mais estável da representação. É ele que irá opor-se à mudança, pois toda alteração no núcleo central acarretará em uma mudança completa da representação. Abric (1994a, p. 31) afirma que o sistema central é definido, “de um lado, pela natureza do objeto representado, de outro, pelo tipo de relações que o grupo mantém com este objeto e, enfim, pelo sistema de valores e normas sociais que constituem o meio ambiente ideológico do momento e do grupo”.

Para o autor, o sistema central, ou o núcleo central, é constituído de um ou mais elementos e assegura três funções essenciais: a função geradora, que diz respeito à significação da representação; a função organizadora, que diz respeito à organização interna dos elementos do núcleo; a função estabilizadora, que garante a estabilidade do núcleo.

Dessa forma, para que duas representações sociais sejam consideradas diferentes, é necessário que apresentem núcleos diferentes. Por isso, Abric (1998a) alerta que a apreensão do conteúdo de uma representação social não é suficiente para conhecê-la e defini-la, uma vez que duas representações sociais podem ter o mesmo conteúdo e serem diferentes devido a sua organização. Nisso está, no nosso entendimento, o mérito dessa abordagem teórica, motivo pelo qual optamos utilizá-la na pesquisa.

O autor ainda destaca que no sistema central coexistem dois grandes tipos de elementos: os elementos normativos, que são oriundos diretamente do sistema de valores dos indivíduos e que constituem a dimensão fundamentalmente social do núcleo, ligada à história do grupo e à sua ideologia, determinando os julgamentos e as tomadas de posição relativas ao objeto; os elementos funcionais, que estão associados às características descritivas e à inscrição do objeto nas práticas sociais ou operatórias, orientando as condutas em relação ao objeto.

Assim, por meio desses elementos normativos e funcionais, o núcleo central desempenha um duplo papel: um avaliativo, que justifica os julgamentos de valor, e um pragmático, que implica em práticas específicas. Logo, podemos afirmar que os elementos normativos e funcionais de um núcleo central serão ativados em função do tipo de relação que um grupo estabelece com o objeto de representação (ABRIC, 1998a). Ou seja, um grupo que não apresente uma relação prática com determinado objeto de representação ativará

majoritariamente elementos normativos, enquanto que um grupo em contato direto com o objeto ativará elementos funcionais. Por esse motivo, a distância ou relação do sujeito/grupo com um determinado objeto precisa ser considerada quando se trata de um estudo de representações sociais, uma vez que “os aspectos normativos e o julgamento são tão mais ativados na representação quanto mais distantes estiver o pessoal do terreno da ação concreta” (ABRIC, 1998a, p. 12).

Dizendo ainda de outro modo, as cognições centrais correspondem a um polo descritivo – campo das definições –, ou seja, às características que definem um objeto de representação, e também correspondem a um polo avaliativo – campo das normas –, ou seja, aos critérios para avaliação dos objetos (SÁ, 1996).

Referente ao sistema periférico, que é menos estável e mais flexível que o central, Abric (1998a, p. 3) afirma que “é a parte mais acessível e mais viva da representação”, sendo seu papel definido por 5 (cinco) funções essenciais: a função de concretização, que possibilita a formação da representação social em termos concretos, se relacionando à ancoragem dos elementos centrais; a função de regulação, que possibilita a integração de uma nova informação ou transformações que ocorrem no meio ambiente, visto que o núcleo central não é vulnerável às mudanças; a função de prescrição dos comportamentos, que define o que é normal de fazer ou de dizer, em uma determinada situação, guiando a ação de maneira instantânea; a função de proteção do núcleo, que é responsável pela defesa da representação em relação às mudanças; a função de personalização, que permite uma certa diferenciação do conteúdo de uma representação em função do vivido e das características individuais, garantindo variações individuais ligadas à história do sujeito e às suas experiências pessoais. Em resumo, a função de personalização, que possibilita modulações pessoais em relação a um núcleo central comum, Abric chamará de representações sociais individualizadas (ABRIC, 1994a; 1998a, 1998b).

O Quadro 1, apresenta uma síntese das características do núcleo central e dos elementos periféricos propostos por Abric.

Quadro 1 – Síntese dos dois subsistemas que compõem de uma representação social: núcleo central e sistema periférico

SISTEMA CENTRAL SISTEMA PERIFÉRICO

Ligado à memória coletiva e à história do grupo; Permite a integração de experiências e histórias individuais;

• Consensual:

Define a homogeneidade do grupo;

• Suporta a heterogeneidade do grupo; • Estável;

• Coerente; • Rígido;

• Flexível;

• Suporta contradições;

Resiste às mudanças; Evolutivo;

Pouco sensível ao contexto imediato; Sensível ao contexto imediato; Funções:

• Gera o significado da representação; • Determina sua organização.

Funções:

• Permite adaptação à realidade concreta; • Permite a diferenciação do conteúdo; • Protege o sistema central.

Fonte: Abric (apud BONA, 2014).

Dessa maneira, podemos afirmar que o sistema periférico e central de uma

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