Speech Pattern Recognition using Neural Networks
4.3 Speech Recognizers Based on Neural Networks .1 Preparations
4.3.2 Classification Error Minimization
Tom and o com o m od elo o De Architectura libri decem, e seguindo a tradição renascentista, António Rod rigues insere no seu tratad o um cap ítu lo d ed icad o às
partes que ha de ter ho arquitecto onde afirma, escudando-se na autoridade de Vitrúvio, que se não chamará perfeito arquyteto aquele que não for esperto nelas35.
Para além d e convir que seya latino, de saber a harte de comtar, ser esperto na Giometria,
saber debuxar, hemtemder a esfera, que seya muzico, e ser necessário que seja grave, e allegamte, e reitoryco, é também determinante: hemtender a prespetiua.
A Prespetiua surge então como uma das partes que o arquitecto ha de ter e, natu ralm ente, d om inar.
Mas, curiosam ente, a p ersp ectiva é p rim eiro referid a com o p arte integrante d o d esenho ou d ebu xo.
É nesessario hao arquiteto saber debuxar porque hele amostre ho seu cõseito e que amostre como he tam nesesario hao fabricar como cada hũa das outras couzas que o emtemdimento declarou, e que declare as quatro hespesyas em que está devedido cada hũa per sy, como he ‘pramta’, e ‘momtea’, e, ‘perfice’, e mostrará por regra de prespetiua ho escursar das couzas36.
O d ebu xo é, com o se vê, o elem ento p elo qu al se exp ressa o “conceito” através d as esp écies d a dispositio vitruviana37 – a pramta (ichnographia), a momtea38 (orthographia), a
prespetiua (scenographia) – a que acresce o perfice (perfil, corte ou secção) [Fig. 2], ou
seja, o conjunto d e d esenhos qu e p assaram então a d ar corp o ao p rojecto como
34 Exp ressão d e Piero d ella Francesca. In DELLA FRAN CESCA, Piero – De Prospectiva Pingendi. Org.
p or G. N icco-Fasola. Florença: Casa Ed itrice Le Lettere, 1984, Libro Terzo, p . 128 (rep rod u ção anastática d a ed ição Sansoni d e 1942).
35 “Cap itolo d as p artes qu e ha d e ter ho arqu itecto”. In Tratado de Arquitectura. S/l: manuscrito, s/d.
BN , Cód . 3675, fols. 10r-13r.
36 Op. cit., fol. 10v.
37 Le specie de la dispositione qual graficamente son dicte Ideæ (Vitrúvio, Cesariano, Liber Primus, XIII). 38 ‘Momtea’ corresponde ao alçado. Pola momtea amostrará ho aleuamtado hou alturas dos edefisios cõforme
rep resentação d a id eia d e arquitectu ra que lhe subjaz. O debuxo ou desegno, do italiano, disegno, designava precisamente o projecto39, term o qu e só fará a sua
ap arição na língu a p ortugu esa nos finais d a centúria segu inte. Mais d o que um com binad o d e rep resentações e d escrições técnicas d a obra, d everia ser a exp ressão rigorosa d a id eia qu e p resid ia à su a concep ção.
Prop osição 43
pramta X – prespetiua ◦ R – momtea Prop osição 44
Prop osição 45 perfice ou perfil40
Fig. 2 – As qu atro hespesyas do debuxo, segundo António Rodrigues.
Tratado de Arquitectura (Militar), 1576.
39 Acerca d a su bstitu ição p rogressiva d este conceito alargad o d e “d esenho”, ou d o seu esvaziam ento,
p elo term o “p rojecto” é d e ver: BUEN O, Beatriz P.S. – “De qu anto serve a Ciência d o Desenho no serviço d as obras d e el-rei”. In AAVV – Actas do Colóquio Internacional. Universo Urbanístico
Português 1415-1822. Coord. de Water Rossa, Renata Araújo e Hélder Carita. Lisboa: CNCDP, 2001,
p . 267-269. Esclarece esta au tora qu e até aos finais d o séc. XVII, p aralelam ente ao term o “d esenho”, se u tilizavam os vocábu los “risco”, “d ebu xo”, “traça”, “am ostra”, “m od elo”, “id eia”, “ap ontam entos”, “regim entos” p ara d esignar o qu e se entend e hoje com o p rojecto arqu itectónico. N o entanto, com o tem p o, as nu ances sem ânticas d e cad a u m d estes term os foram send o ap u rad as, esp ecializand o-se, à m ed id a qu e a p rofissão d e arqu itecto se ia sed im entand o em Portu gal (idem, p. 268). Nou tro artigo d a m esm a au tora d efine-se concretam ente a evolu ção sem ântica d e cad a u m d eles, bem com o a evolu ção d o conceito d e d esenho, d esd e o reinad o d e D. João II ao d e D. João V (BUEN O, Beatriz P.S. – “Form ação e Metod ologia d e Trabalho d os Engenheiros Militares: a Im p ortância d a "Ciência d o Desenho" na Constru ção d e Ed ifícios e Cid ad es”. In AAVV –
Urbanismo de origem portuguesa. Revista do Centro de Estudos de Investigação e Arquitectura.
Lisboa: ISCTE, 4, Ju lho 2001. Com u nicação ap resentad a no Colóqu io "A Constru ção d o Brasil Urbano", Convento d a Arrábid a – Lisboa, 2000. End ereço Web: http://www.urban.iscte.pt/revista/ nu m ero4/d efau lt.htm ).
40 O fólio qu e continha o d esenho corresp ond ente à p rop osição 45 está p erd id o. Resta o texto qu e d iz:
Esta “id eia” ou “conceito” era d e acord o com Rafael Moreira, um termo-chave da
estética e da crítica de arte maneiristas, posto em uso por Miguel Ângelo e vulgarizado por Varchi e Vasari41. Tam bém Francisco d e H oland a (1517-1584) se filia nesta linha
neop latónica ao consid erar que o desegno, considerado na sua plenitude, deve ser o reflexo d a “execução” d a “id eia e conceito”, ou seja, d a Idea no sentido em que Panofsky42 utiliza o term o. Em H oland a, p orém , esta d erivação neop latónica assum e
u m a exacerbação qu e o p ragm atism o d e Rod rigu es am acia.
Com ecem os p or verificar na Lembrança Ao muyto Serenissimo e Christianissimo Rey
Dom Sebastiam: De quãto Serve A Sciencia do Desegno e Etendimento da Arte da Pintura, na Republica Christam Asi na Paz Como na Guerra, datada de 1571, a dimensão que
Francisco d e H oland a atribu i ao Desegno, tendo subjacente a preocupação de salientar a sua relevância nas qu estões m ilitares qu e, com o se sabe, concentravam a atenção d o Rei:
... Escrevo daquela ciência, [...] a qual se chama DESENHO e não debuxo nem pintura./ [...] um dos maiores e mais excelentes e proveitosos instrumentos [...] para as obras materiais (e ainda espirituais como são as imagens) de que se servem as Repúblicas e Reinos [...]. /Quer dizer este DESENHO de que escrevo: antes determinar, inventar, ou figurar ou imaginar aquilo que não é, para que seja e venha a ter ser, assim das coisas que são já feitas do primeiro entendimento incriado de Deus, que as inventou primeiro, como das que ainda não são de nós inventadas. De que vem dizerem os pintores que já têm acabado e feito a sua obra como em sua ideia têm feito o desenho dela, não tendo ainda feito nada mais que o desenho na ideia. De que vem dizerem também que os Imperadores na guerra que têm desenho de ir assentar seu campo em tal província, ou de combater com seu exército tal cidade, ou de fazer tal fortaleza, muito antes que o façam, tendo feito já o desenho na deliberação secreta do entendimento.
41 MOREIRA, Rafael – Um tratado português de arquitectura do séc. XVI (1576-1579). Lisboa: FCSH-UNL,
1982, nota 24. Mestrad o em H istória d e Arte.
42 De acord o com Vítor Silva (SILVA, Vítor – “1548. Francisco d e H oland a e a Arte d o Desenho”.
Disp onível na Web no endereço: http://www.exteril.com/textos/vitor_silva/1.html, Nota 1) Idea e
concetto são as noções entendidas por Panofsky como equivalentes ao pensiero, termo funcional do
«projecto»; faculdade de representar o Belo ou o Feio. Para Panofsky o Renascimento não faz mais do que adequar a noção neo-platónica de Ideia à lógica das formas ideais.
/Principalmente chamo DESENHO aquela ideia criada no entendimento criado, que imita ou quer imitar as eternas e divinas ciências incriadas, com que o muito poderoso Senhor Deus criou todas as obras que vemos; e compreende todas as obras que têm invenção, ou forma, ou fermosura, ou proporção, ou que a esperam de ter, assim interiores nas ideias, como exteriores na obra; e isto baste quanto ao DESENHO43.
Rod rigu es não é im u ne a esta d up la vertente, que vai d o d esenho na m ente ao d esenho no p ap el, d a sua com p onente intelectu al-filosófica-d ivina e d a sua trad ução gráfica em im agem p ara se fazer m atéria em obra, m as refreia o seu alcance e, a m ed id a d essa filtragem , talvez esteja p recisam ente na p equena d iferença qu e se p od e reconhecer entre “id eia” e “conceito”. N um a m aior ap roxim ação a am bas exp ressões talvez seja excessivo tom á-las com o rigorosam ente sinónim as já qu e “id eia” nos rem ete d irectam ente a Platão, p or via d o neop latonism o, com o nitid am ente se reconhece em Francisco d e H oland a, enqu anto “conceito”, em bora à ép oca reflicta aind a algu m eco d esses laços, nos liga m ais esp ecificam ente à obra arquitectónica em si m esm a, send o a interp retação p essoal, d o arquitecto, exp ressa p ela m od elagem concreta d e um a form a qu e se escreve na lingu agem d a arqu itectura em sintonia com u m estilo p ara cum p rim ento d e u m p rogram a, ond e não d eixam d e p articip ar tam bém , no p lano d a sim bolização, p ressu p ostos m ais ou m enos id ealistas, com m aior ou m enor conotação d ivina.
Rod rigu es contenta-se então qu e o “d ebuxo” amostre ho seu cõseito… o seu conceito, sublinham os, e, m ais p rosaicam ente aind a, que amostre como he tam nesesario hao
fabricar como cada hũa das outras couzas que o emtemdimento declarou.
Até aqu i em p é d e igu ald ad e com as ou tra esp écies d a dispositio, só a seguir vai conferir au tonom ia à p ersp ectiva, consid erand o-a então com o m ais um a d as p artes
43 Francisco d e H oland a, 1571. Citad o p or BUEN O, Beatriz P.S. – “De qu anto serve a Ciência d o
Desenho no serviço d as obras d e el-rei”. In AAVV – Actas do Colóquio Internacional – Universo
Urbanístico Português 1415-1822. Coord. de Water Rossa, Renata Araújo e Hélder Carita. Lisboa:
CN CDP, 2001, p . 269. Confrontad o com o fac-sím ile d o original (fol. 37r e 37v) p u blicad o p or: SEGURADO, Jorge – Francisco D’ Ollanda. Lisboa: Edições Excelsior, 1970, p. 139-140.
que ha de ter ho arquitecto, ao referir-se que comvem ao que houver de fazer profição de arquiteto hemtender a prespetiua pera que por hela amostre ho esterior he ho ymterior do edefisio escursado e, justificando-o, pragmaticamente, por motivos de economia: para que escuze de se fazer despeza em modelo de pao, hou de sera, hou de terra44.
Pietro Cataneo (1510?-1571?) vai m ais longe ao consid erar a p ersp ectiva com o u m a m ais-valia qu alificand o-a m esm o d e ind isp ensável p ara a d efinição d o “conceito” ou “id eia d e arqu itectu ra”:
Ma se lo architetto non será prospettivo, non potrà mai così bene né onorarsi, né mostrare per disegno il suo concetto, per eccellente designatore ch’ei si fusse, e da se stesso cognoscerà di quanta importanza gli sia il non essere nella prospettiva ben pratico45.
Este p asso é bem significativo d o p rotagonism o que a p ersp ectiva p assa a assu m ir no âm bito d a arqu itectu ra. Do seu ganho d e ind ep end ência, relativam ente às p rojecções ortogonais – p lanta, alçad o e corte – resp onsáveis p ela veicu lação d a inform ação rigorosa resp eitante à verd ad eira form a e grand eza d o objecto arqu itectónico. À p ersp ectiva fica com etid o ou tro p ap el, bem d e acord o com a sua p róp ria esp ecificid ad e: cabe-lhe sim ular o que a realid ad e vai ser ou, m ais p recisam ente, o m od o com o o arqu itecto vê essa realid ad e im aginad a e sobretu d o d eseja que seja ap reend id a p or ou trem .
Que a p ersp ectiva p od e evitar o recurso ao m od elo tam bém o afirm a Pietro Cataneo p ara qu em o p erfeito arqu itecto não p od e d eixar d e ser bonissimo prospettivo:
E terminata che sai ben la pianta, bisogna per farne l’alzato valersi de la prospettiva, o vero farne il modello di cartone, di legno, di cera, o terra, secondo la grandezza o degnità dell’edificio; ma sempre che sai ben disegnato e per ordine di buon prospettivo ne sia fatto
44 BN , Cód . 3675, fol. 11r.
45 CATAN EO, Pietro – “L’Architettu ra”. In CATAN EO, Pietro; VIGN OLA, Giacom o Barozzi d a –
Trattati. Org. por Elena Bassi. Classici Italiani di Scienze Tecnique e Arti. Milano: Il Polifilo, 1985,
l’alzato, tirandolo da la sua pianta, si dimostreranno gli effetti dell’edificio no molto men facili che se ne fusse fatto il modello46.
E tam bém não esqu ece a qu estão d a p ou p ança já que a segu ir nos d iz que com a p ersp ectiva d o ed ifício (della fabbrica) devidamente temperada com os efeitos de luz e d e som bra p ara lhe acrescentar verosim ilhança, si fuggirà la spesa del modello, la quale
alle volte vi corre non piccola47.
Mas, m ais d o qu e os asp ectos d e natureza m aterial, p arece-nos que o que é im p ortante é assinalar qu e esta p retensão d o d esenho se substitu ir ao m od elo tem p or d etrás a consolid ação d e u m a técnica d e rep resentação cap az d e nos ap roxim ar d a trid im ensionalid ad e d o objecto arqu itectónico que é, no caso, a p ersp ectiva. E se à p ersp ectiva ju ntarm os a axonom etria, qu e contem p oraneam ente tam bém já conhecia u m a larga d ifusão, m aior força ganha essa p retensão.
Una de las consecuencias de la perspectiva va a ser la de permitir dibujar la arquitectura bajo los preceptos de la nueva espacialidad, tanto en la representación de la arquitectura ya existente, la antigua, como en la predicción o proyectación de las obras a construir. La verosimilitud lograda por esta nueva representación perspectiva permitirá a los nuevos arquitectos controlar desde el dibujo (el disegno italiano) la nueva concepción de la arquitectura, llegando a sustituir a los modelos (maquetas tridimensionales) para mostrar las obras a construir…48
Um tratad ista esp anhol, Rod rigo Gil d e H ontañon (c. 1500-1577), arquitecto e amante d a p ersp ectiva, m ostra-se convicto d o pod er d este m étod o d e rep resentação confirm and o p lenam ente esta tend ência:
Como sea berdad, no poder com palabras solas, dar a entender lo que pretendemos açer, nos es forçoso mostrar la obra juntamente por modelo, O designio de prespectiua, lo qual es forçoso sauer, por ebitar açer modelo, demas de que aprobecha para entender el arte, por asi
46 Idem, Libro Primo, Cap. I, p. 185. 47 Ibidem, Libro Ottavo, p. 441.
48 LIN O CABEZAS, Gelabert – "La «Persp ectiva angu lar» y la Introd u cción d e la Persp ectiva artística
en la Esp aña d el siglo XVI". In AAVV – D'art. Barcelona: Univ. Barcelona, Publicacions, nº 15, 1989, p .167.
considerase lo que está futuro, y por benir, donde le recreçe crezido probecho, en saberlo y gran daño en ignorarlo49.
N o entanto, no nosso p aís, d u rante o reinad o d e Dom Sebastião, ap esar d a alternativa ao m od elo ou m aqu eta ap resentad a e d efend id a p or António Rod rigu es no seu Tratado de Arquitectura, não se pode dizer que a prática da perspectiva conhecesse já su ficiente d esenvoltu ra p ara o evitar até p orqu e não há qualqu er evid ência anterior d a existência d e u m investim ento sério e rigoroso na ap rend izagem d a m atéria qu e se p ossa equ ip arar à qu e ele em p reend eu. E, ap esar d o risco qu e correm os em afirm á-lo, não nos p arece verosím il qu e tenha existid o.
Por u m a carta d o rei, d e 1569, d irigid a à Câm ara, visand o d ar início à constru ção d a Igreja d e São Sebastião, sabem os que o soberano m and ou Afonso Álvares fazer a traça e m od elo d o tem p lo:
Vereadores e Procuradores da cidade de Lixboa e Procuradores dos mesteres dela, eu elRey vos envio muyto saudar: eu tenho mamdado a Afomsalurẽs, mestre das fortyficações, que va a essa cidade pera cõ ele verdes a traça e modelo que per meu mandado se fez pera o tenplo do bem aventurado Sam Sebastiaõ e ordenardes que loguo se comece a edeficar...50
A p rim eira p ed ra foi lançad a em 1571, no Terreiro do Paço, m as a igreja nu nca se chegou a conclu ir. Constatand o qu e esta era um a d as “fábricas” que “falecia” à cid ad e d e Lisboa, H oland a51 aind a esboçou um a alternativa que tam bém não foi
avante d evid o à d ecisão, d evid a a Filip e II, d e erigir a Igreja d e São Vicente d e Fora que tam bém seria d ed icad a a São Sebastião.
49 GIL DE H ON TAÑ ON , Rod rigo – “Cap . 73. trata d e algu nas controbersias. sobre el sacar el p u nto.”.
In GARCÍA, Sim ón – Compendio de architectura y simetria de los templos conforme a la medida del cuerpo
humano con algunas demostraziones de geometria: anö de 1681. Valladolid: Colégio Oficial de
Arqu itectos, 1991, fol. 132.
50 Arqu ivo Mu nicip al d e Lisboa, Livro de Festas, fl. 94. Publicado por: VITERBO, Sousa – Dicionário
Histórico e Documental dos Arquitectos, Engenheiros e Construtores Portugueses. Lisboa: Imprensa
N acional – Casa d a Moed a, vol. I, 1988, p . 14-15 (Rep rod u ção em fac-sím ile d o exem p lar com d ata d e 1899 d a Biblioteca d a IN CM).
51 H OLAN DA, Francisco d e – “Da Fabrica qu e falece ha cid ad e d e Lysboa”, 1571. In SEGURADO, J.,
N o início d a d écad a segu inte, e ap esar d o investim ento d e Rod rigues na “Ciência d o Desenho” que corria p aralelam ente ao ensino d a Arqu itectura Militar na Escola d o Paço, u m d os seu p ares, João Bap tista Lavanha, no seu Livro Primeiro da Architectura
Naval, datado de c. 1580, no Capítulo Primeiro, “Das partes de q consta
Architectu ra”, sem p re com Vitrú vio com o p ano d e fu nd o, ap ós d efinir a Disposissaõ, na id entificação d as su as “esp écies” ou “m aneiras” p ara além d a Planta, Montra, Perfil e Perspectiva continua a reclamar a necessidade do Modello.
A Disposissaõ he uma concertada distinaçaõ das partes, da fabrica q se ha de fazer, ou he uma figura da obra posta em debuxo. Porq depois q o Architecto ter um universal conceito de toda a obra na sua imaginaçaõ servindosse da Ordenaçaõ conve q distinguindo as suas partes, a represente em debuxo, para q se veja de todos e principalmte dos da fabrica, a que se ha de
satisfazer cõ o disenho della. E esta Disposissaõ se faz de cinco maneiras, em Planta, em Montra, em Perfil, em Perspectiva e em Modello52.
A Persp ectiva hè a parte agradavel…, muy necessaria mas o modelo tridimensional, reu nind o tod os os asp ectos d a Disposissaõ duma vez, é que era a perfeita antecipação d o qu e seria a obra.
A Perspectiva he a figura de toda a fabrica como se representa à vista segundo a sua postura e à dos olhos. Hè parte agradavel, e pª q se veja debuxado todo o edificio em papel, muy necessaria. Aliàs millhor o representa o Modello, o ql he a perfeita image de todas as partes da obra, Costumasse fazer de madeira, de gesso, de Barro, de Cera, e de Cartaõ, e nelle estaõ comprehendidas todas as outras quatro Partes, porq no Modello se ve, a Planta, a Montra, o Perfil, e a Perspectiva53.
Realm ente, com o é qu e o Modello não há-de ser milhor se nele também se vê a Persp ectiva!?...
52 BARATA, João d a Gam a Pim entel – “O «Livro Prim eiro d e Architectu ra N aval» d e João Batista
Lavanha”. In Ethnos. Lisboa: Instituto Português de Arqueologia, História e Etnografia, 4, 1965, p. 266.
Mu ito p rovavelm ente Lavanha, faland o d e ed ifícios, p ensava m ais no seu objecto de estu d o – a arqu itectu ra naval – estand o ciente d as d ificuld ad es d e rep resentação d as form as com p lexas a ela associad as e, p or isso, não lhe p arecia p ossível d isp ensar o m od elo. Provavelm ente d esconheceria com o Piero d ella Francesca tinha resolvid o o p roblem a [Fig. 3]. Como é sabido, ainda antes da era dos computadores e do CAD, foi necessário “inventar” um sistem a d e rep resentação m ais ad equ ad o à figuração d este tip o d e form as – referim o-nos ao sistem a d e p rojecções cotad as – que d esp ertou face à necessid ad e d e rep resentar com rigor o terreno, u m a sup erfície irregu lar p or excelência, com eçand o p elas p rofund id ad es qu e, natu ralm ente, constitu íam um a p riorid ad e [Fig. 4, Fig. 5]. Só que Piero antecipou o método subjacente a este sistema ao recorrer à estratégia d e “fatiar” u m a sup erfície irregu lar, através d e p lanos p aralelos, p ara d esse m od o p assar à sua rep resentação. E, no seu caso, tratava-se m esm o d e um a rep resentação em p ersp ectiva.
Fig. 3 – La testa degradare, Prop . VIII, Libro Terzo,
Piero d ella Francesca
Fig. 4 – Baía d e Cherbou rg Carte bathymétrique, 1789. Meu nier et La Bretonnière
Fig. 5 – Casco d e um a em barcação. Rep resentação actual segund o o
sistem a d e projecções cotad as
É interessante notar a transform ação ocorrid a face aos instrum entos p reconizad os p ara a rep resentação d a arquitectura no arco tem p oral que d ecorre d esd e Alberti até ao início d a segund a m etad e d e qu inhentos.
É qu e Alberti no seu tratad o d e arqu itectu ra De Re Aedificatoria, contrariando Vitrú vio (p osicionam ento qu e assum e, aliás, genericam ente ao longo d a obra), p roscreve a p ersp ectiva – a scenographia – que considera pertencer por direito próprio à p intu ra54.
E não se p od e d izer que o faça p or incap acid ad e d e a “hem tend er” já que é ele p róp rio qu em p ela p rim eira vez nos d escreve u m a regra p ara a construir. Fá-lo d e p lena consciência p or consid erar que o arquitecto e o p intor têm lingu agens claram ente d istintas.
Tra l’opera grafica del pittore e quella dell’architetto c’è questa differenza: quello si sforza di far risaltare sulla tavola oggetti in rilievo mediante le ombreggiature e il raccorciamento di