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Large Vocabulary Speech Recognition Based on Statistical Methods

5.5 Acoustic Modeling

5.5.4 HMM Adaptation

A cod ificação teórica d a p ersp ectiva linear, com o m atéria autónom a ou com o saber basilar p ara a p rática d a Arte, encontrava-se, com o se viu , ap enas m anu scrita e, p or isso m esm o, lim itad a a u m nú m ero extrem am ente red u zid o d e p ersonagens, quand o surgem as p rim eiras obras im p ressas qu e abord am o tem a: o tratad o d e Jean Pélerin, d ito o Viator – De Artificiali Perspectiva217, p ublicad a em Tou l em 1505 – e a obra d e

Pom p onio Gau rico – De Sculptura218, saíd a no ano anterior em Florença – ond e se

d ed ica u m cap ítulo à p ersp ectiva.

Ap arte isso só m esm o as p róp rias obras p rovenientes d esse círculo d e eleitos p erm itiam verificar d e qu e form a e até qu e p onto a p ersp ectiva linear se constitu ía com o veícu lo d e controle ou d e invenção d o esp aço no p ressu p osto d e que a arte d everia gizar u m a ap roxim ação, ou m esm o ap rop riação, d a natureza.

The real significance of linear perspective, therefore, was that it introduced a halfway station where geometry and nature could meet219 refere, certeiram ente, Kim Veltm an a p rop ósito

d e Leonard o.

O p roblem a é qu e u m a obra d e arte não é u m com p ênd io e o que era m esm o necessário era conhecer o proced im ento, o m od o d e chegar a tão convincentes resultad os e, se p ossível, entend er as razões qu e os legitim avam . Mas a “fórm ula” ou “fórm ulas” iam p erm anecend o na som bra, algo resguard ad as, p ara não d izer secretas, aind a qu e, p aralelam ente e há já qu ase u m século, o u so em p írico d a p ersp ectiva fosse generalizad o. Só qu e a m aior p arte d as vezes as d itas “fórm u las” estavam p ervertid as ou, p ura e sim p lesm ente, au sentes. Mas existiam algum as

217 Os fac-sím iles d a 1ª ed ição d e 1505 e d a 2ª d e 1509, p u blicad as em Tou l, estão d isp oníveis em

IVIN S Jr., William M. – On Rationalization of Sight. With an examination of three renaissance texts on

perspective. New York: De Capo Press, 1975. Este importante ensaio de Ivins foi originalmente

p u blicad o em 1938.

218 GAURICO, Pom p onio – Sobre la escultura (1504). Com. por André Chastel e Robert Klein. Fuentes

d e arte, 7. Mad rid : Ed iciones AKAL, 1989.

219 VELTMAN , Kim H . – Linear Perspective and the Visual Dimensions of Science and Art. Studies on

norm as, trad ução d e u m saber p rático ad qu irid o nas botteghe dos artistas, quer dentro quer fora d e Itália, que iam além d as cham ad as rules of thumb suficientes para insuflar algu m rigor e verosim ilhança às rep resentações esp aciais aí ensaiad as sob os au sp ícios d a p ersp ectiva.

É exactam ente esse saber e não aqu ele veiculad o p or via teórica, d e acesso d ifícil e relativam ente reservad o, que as obras em cau sa vão d ivu lgar. De m od os d iferentes, é claro, não só d evid o às circu nstâncias d a su a p rod ução e ao tom que ad op tam , como p elo sim p les facto d o tratad o d e Viator ser a prim eira obra im p ressa d ed icad a esp ecificam ente à p ersp ectiva enqu anto que a d e Gaurico, sobre a escultu ra, ap enas a trata p arcelarm ente.

Em relação ao conteú d o ressalta em term os form ais um a d iferença ap reciável entre am bas já que De Artificiali Perspectiva é essencialmente um álbum com uma introd u ção e u m conjunto d e sintéticos m as p recisos com entários, enquanto no cap ítu lo “De p ersp ectiva” inclu íd o no De Sculptura o texto assume protagonismo face às im agens, que se não conhecem m as se sabe qu e existiram . Gau rico não d isfarça a p retensão d e fazer um a grand e obra teórica sobre a arte d a escultu ra e coloca a fasqu ia no m áxim o acred itand o na rep ercussão m ais geral d as suas id eias. E não há d ú vid a qu e a sua contribu ição tem lu gar na nascente teoria d a arte.

Im p ressa na cid ad e qu e foi o berço d as exp eriências d e Bru nelleschi, no território que acolheu os p rim eiros d esenvolvim entos teóricos d este sistem a d e rep resentação, de Alberti ao tratad o referencial d e Piero d ella Francesca, a obra d e Gaurico d efraud a p orém , em absolu to, quaisqu er exp ectativas em relação à p ersp ectiva, já que a p rep aração d o au tor a nível d a geom etria é francam ente lim itad a e d em onstrativa d o seu d esconhecim ento face ao p atrim ónio que tinha à m ão. De facto, quand o seria d e esp erar qu e d este p recioso legad o surgisse u m trabalho na via d a exp loração científica d a p ersp ectiva será, p arad oxalm ente, a p rática institu íd a, com tod os os seu s vícios e inconsistências, que será alvo d e u m a p retensa teorização, obviam ente fracassad a e, em m u itos asp ectos, regressiva.

Ap arte esta fragilid ad e no âm bito d a p ersp ectiva geom étrica a contribu ição d e Gau rico tem no entanto os seu s m éritos no p lano qualitativo e com o contribu to p ara a reflexão, filosófica se qu iserm os, sobre o p ap el d a p ersp ectiva na arte. Tal com o refere Klein, en lugar de entenderla [a perspectiva] como un procedimiento de imitación de

la naturaleza, Gaurico la entiende como un procedimiento de narración o de exposición del tema220. Esta requalificação d a p ersp ectiva que, d iga-se, só constitui novid ad e na

m ed id a em que é assu m id a com m aior rad icalism o d o qu e em Alberti, reflecte-se d esd e logo na tentativa d e d issecação d o fenóm eno p ersp éctico, com a ind ivid u alização d e d iversas com p onentes. Pela p rim eira vez se sep ara com clareza a p ersp ectiva “fisiológica”221 d a p ersp ectiva “gráfica”, ou seja, a p ersp ectiva-óp tica d a

p ersp ectiva enqu anto rep resentação. É, p or consegu inte, a p artir d e Gau rico que se torna legítim o falar sem equ ívocos d a d istinção clássica entre perspectiva naturalis e

perspectiva artificialis, sendo que este último termo será exactamente o que Viator

utilizará p ara intitular o seu tratad o. Tam bém nos p arece relevante a sep aração qu e seguid am ente é p rop osta p or Gau rico entre p ersp ectiva “u niversal”, referente ao esp aço, e a p ersp ectiva “p articular”, o “escorço” d os objectos. Em bora reconheçam os, com o Klein, qu e sob o p onto d e vista científico esta d istinção não tem sentid o, pues no

hay razón para tratar un pavimento o el interior de una habitación de manera distinta a la superficie de una mesa o un paralelepípedo cualquiera222, a verd ad e é que se ajusta à id eia

d e consid erar o esp aço, p assível d e geom etrização, com o recep táculo d os objectos que nele se d isp õem . E, contrariam ente ao qu e afirm a o consagrad o estu d ioso223, tem

tod o sentid o concep tu alizar o vazio com o tal, a p artir d e um p lano d e base qu e, à m aneira d e Alberti, se rep resenta através d e um quad riculad o. O que no térm ino d o p rocesso Gau rico cham a “p ersp ectiva d e com p osição” consiste na reu nião d a p ersp ectiva “u niversal” e “p articular”, ou seja, a representação conjugad a d o esp aço e d os corp os qu e nele se d isp õem . Esse esp aço é tend encialm ente cénico e entre os

220 GAURICO, P., op. cit., p. 190-191.

221 A ad op ção d este term o evid encia qu e u m a d as p rincip ais fontes d e Gau rico é John Pecham . 222 GAURICO, P., op. cit., p. 191.

corp os qu e o ocup am d istinguem -se natu ralm ente os actores, cu m p rind o a fu nção narrativa e d ram ática que se p retend e qu e a p ersp ectiva p ossua em nom e d a clara rep resentação d a istoria224. Cu riosa é a articulação d a referid a “p ersp ectiva d e

com p osição” com a perspicuitas225 d os oradores o que é m ais um a p rova d a fu nção

retórica que se atribu i à p ersp ectiva226.

Tal com o em relação a Alberti d eve d izer-se d e Gaurico qu e o d esconhecim ento d as im agens ilu strativas d a constru ção geom étrica qu e ele tem a au d ácia d e d escrever no seu De Sculptura ao tratar a perspectiva “universal”, aliada à omissão parcelar de algu ns p roced im entos, tem d ificultad o bastante as tentativas d e interp retação e d e reconstitu ição. E se tal, aind a hoje, não é totalm ente consensual p od e im aginar-se com o terá sid o árd ua a tarefa dos contem p orâneos qu e eventu alm ente tenham recorrid o à obra d e Gau rico p ara ap oiar a sua iniciação no m und o d a p ersp ectiva. N ão d everão ter sid o m u itos e, p or conseguinte, a fortu na que conheceu esta obra resultou d outros factores. Já o sucesso d e Viator só à p ersp ectiva p od e ter sid o d evid o, m u ito graças, tam bém , à sim p licid ad e com que se ap resenta o tem a. A receita é infalível: texto q.b. e m u itas gravu ras! N o extrem o op osto d e Gau rico, a obra d esp retensiosa d e Viator funciona com o um au têntico m anu al e talvez d evêssem os rotu lar o seu eventu al im ed iatism o ap enas d e eficácia.

Tend o com o base o levantam ento crítico d as interp retações d a constru ção p ersp éctica d escrita p or Gaurico, d evid as a Panofsky [1927], Gioseffi [1957], Kitao [1962], Klein [1969] e Veltm an [1975], p rovid enciad o p or García-Salgad o [2003] no seu artigo “Distance to the Persp ective Plane”227, bem com o a hip ótese d escrita p or ele m esm o,

p arece-nos p ossível, agarrand o novam ente o texto original, id entificar os p assos d essa construção qu e p od em ser d ad os com o seguros e, em contrap artid a, isolar, claram ente, aqu eles qu e são suscep tíveis d e interp retações d iferenciad as.

224 Ibidem, p. 191.

225 Transp arência ou clareza d e estilo d o d iscu rso. 226 Idem, p. 192.

227 GARCÍA-SALGADO, Tom ás – “Distance to the Persp ective Plane”. In Nexus Network Journal,

Fig. 72 – As fases iniciais d a constru ção p ersp éctica d e Pom p onio Gau rico, De Scupltura, 1504 1) a linha vertical central e o traçad o d a linha d e base (æquareæ linea)

2) d ivisão em “p és” d a linha d e base

3) p osicionam ento d a vertical corresp ond ente ao Observad or

4) traçad o d as d iagonais e d efinição d a linha lim ite d o plano d e base (plani definitrix)

N ão são as etap as iniciais d o p rocesso, qu e p od em os d ivid ir em quatro fases, qu e suscitam p olém ica [Fig. 72].

Com efeito, ninguém tem d úvid as que ele se inicia com o traçad o d e um a vertical, coincid ente com o Plano Visual Princip al, a m eio d o sup orte d o d esenho, a que se

1 2

segue o d e um a linha horizontal – a æquareæ linea – que se constitui como linha de base [Fig. 72.1].

Ad perpendiculum mediam lineam demittito, Heinc inde semicirculos circunducito, Per eorum intersectiones lineam ipsam aequoream trahito228.

É interessante notar neste p onto a p reocup ação d e Gaurico no que concerne à d escrição p ara obter a horizontal através d o traçad o d e d u as circu nferências com o m esm o raio e centros situ ad os sobre a vertical traçad a inicialm ente. Send o esse p roced im ento p erfeitam ente corrente p ara a obtenção d e um a p erp end icular só se entend e essa m enção caso se associe a constru ção referid a ao traçad o d a vesica piscis, o qu e é, aliás, ap arte o sim bolism o inerente, a via m ais cóm od a e tam bém p or isso m ais natu ral d e resolver o p roblem a. Mas com o a sup osta vesica se encontra aqui na horizontal tam bém não d eixa d e evocar assim , significativam ente, o olho hu m ano ou o sentid o d a visão e, m u ito concretam ente, segund o nos p arece, o p arad igm ático “olho alad o” d e Alberti, au têntico sím bolo d a p ersp ectiva.

A p assagem à etap a segu inte qu e consiste na d ivisão d a æquareæ linea em partes igu ais, “p és” no caso, sim etricam ente em relação à vertical central [Fig. 72.2], não se realiza sem qu e Gaurico equ acione, p rim eiro, o p roblem a d a d elim itação d o p lano d e base através d o traçad o d a plani finitricis Lineæ paralela à linha horizontal de partida.

Esto iam in hac quadrata, nam eiusmodi potissimum utimur, tabula hec inquiunt línea, At quantum ab hac, plani definitrix distare debebit? Aut ubi corpora collocabimus?

Denota-se p elo m od o com o p rossegue o seu d iscurso que tem consciência d e que o afastam ento entre am bas d ep end e d a d istância a que se irá colocar a vertical rep resentativa d o Observad or d a vertical qu e se traçou, logo no início, a m eio d o sup orte. E, d á com o conselho, qu e a d istância entre am bas não d eve ser inferior ao

228 As citações latinas d o texto original d e Gau rico, segu id am ente ap resentad as, foram extraíd as d a

nota nº 60 d e PAN OFSKY, Erw in – La perspectiva como forma simbolica. Cuadernos Marginales, 31. Barcelona: Tu squ ets Ed itores, 1985, p . 107-108. (1ª Ed . Die Perspektive als "Symbolische Form". Berlim: B. G. Teu bner, 1927).

tam anho d o corp o, ou seja, a d istância (d) do Observador ao Quadro deverá ser, para Gau rico, igual ou m aior à sua altu ra (h)229.

Qui prospicit, nisi iam in pedes despexerit, prospiciet a pedibus, unica sui ad minimum dimensione, Ducatur, itaque quot uolueris pedum linea hec,

É então qu e p ed e, concretam ente, p ara situ ar nu m d os extrem os d a linha d e base essa nova vertical, ajustad a à altura d o hom em , d e cujo extrem o p artirão as d iagonais d a quad rícula qu e se p retend e “escorçar” [Fig. 72.3],

Mox deinde heic longius attollatur alia in humanam staturam Sic.

Conclu i-se a fase inicial d o p rocesso, a 4ª etap a, com as ind icações exp ressas d e traçar u m a linha d esd e o extrem o d essa vertical até ao início ou extrem o op osto d a linha d e base, a p rim eira d iagonal,

Ex huius autem ipsius uertice ducatur ad extremum aequoreae linea Sic,

e as d em ais linhas qu e o u nem às outras d ivisões d a linha d e base, as d iagonais restantes,

itidem ad omnium harum porcionum angulos Sic.

Sic (assim), repete Gaurico, o que denota que existiam ilustrações a acompanhar o

texto.

N o p onto ond e a p rim eira d iagonal corta a linha vertical interm éd ia encontrar-se-á a linha lim ite d o quad rad o rep resentativo d o plano qu e se d eve traçar p aralelam ente à linha d e base,

ubi igitur a media aequorea perpendicularis hec, cum ea que ab uertice ad extremum ducta fuerat, se coniunxerit, plani finitricis Lineae terminus heic esto,

d and o resp osta à qu estão colocad a inicialm ente relativa à circunscrição d o plani

definitrix [Fig. 72.4].

229 Salgad o assu m e d = h; Klein considera d > h – qualquer das situações cabe na descrição de Gaurico.

De qu alqu er m od o p referim os assu m ir a op ção d e Salgad o p or ser essa a p rim eira p ossibilid ad e qu e é ap resentad a no texto.

A p artir d aqui p assa-se ao traçad o d as ortogonais e d as transversais, ou vice-versa, d e m od o a d efinir u m a quad rícula cujo m ód u lo, neste caso, é u m quad rad o com um “p é” d e lad o em vez d e ser u m a “braça” florentina à m aneira d e Alberti. E a controvérsia está exactam ente na tentativa, vã quanto a nós, d e estabelecer p riorid ad es no traçad o d essas linhas. É qu e Gaurico, p u ra e sim p lesm ente, não faz referência ao traçad o d as transversais e, consequ entem ente, om ite o(s) p roced im ento(s) p ara as d eterm inar lim itand o-se a d izer que traça as ortogonais, d esd e a linha d e base até à finitrix,

quod si ab equorea ad hanc finitricem, ab laterali ad lateralem, absque ipsarum angulis ad angulos, plurimas hoc modo perduxeris lineas, descriptum etiam collocandis personis locum habebis, nam et cohaerere et distare util oportuerit his ipsis debebunt interuallis.

Com o se p od e constatar p elos d esenhos segu intes é p ossível resolver o p roblem a traçand o as transversais, qu e não são m encionad as m as estão im p lícitas, a p riori, o que corresp ond e m ais à p osição d e Klein e García-Salgad o, ou a p osteriori, o que é m ais conform e às id eias d e Gioseffi [Fig. 73].

O qu e não p arece p ossível su stentar é a hip ótese d e Panofsky, tam bém segu id a p or Veltm an, d e qu e Gau rico tinha p resente o conceito d e punto centrico, conforme Alberti, e saberia que as ortogonais, um a vez p rolongad as p ara além d a finitrix, se encontrariam nesse p onto.

N ão estand o em questão qu e o p roblem a d e Gau rico se cruza com o d e Alberti, d ad o que tam bém trata d a rep resentação p ersp éctica d o pavimento, ou do plano reduzido a u m a qu ad rícula, a base qu e serve d e recep táculo aos objectos qu e irão “com p or” a cena, não p arece verosím il, d e facto, contrariam ente ao que p ensava Panofsky, que a sua p rop osta, no âm bito p uram ente geom étrico, constitu a u m ap erfeiçoam ento d a constru ção albertiana ou tenha m esm o com ela qu alqu er relação.

Fig. 73 – As etap as finais d a constru ção p ersp éctica d e Gau rico: com o traçad o p révio d as transversais face às ortogonais (colu na d a esqu erd a) e vice-versa (colu na d a d ireita).

N ote-se, na p assagem d e 6 p ara 7 e d e 5’ p ara 6’, o recu rso (p ossível) à sim etria bilateral p ara m arcar na transversal m ais d istante (finitrix), do lado esquerdo do eixo central, os extremos das ortogonais

Porqu e é inegável qu e o p rincíp io construtivo, a atitud e d e querer racionalizar o esp aço d e rep resentação p or m eio d o reticulad o d e base é bastante sem elhante em bora se fiqu e p or aí já qu e se não d enota, com o em Alberti, m ais ind icações no

5’ 5 6’ 6 7’ 7

sentid o d e estend er esse qu ad ricu lad o d esd e o p lano d e base ao esp aço trid im ensional. Esta falta d e sentid o u nitário d o esp aço é aliás u m a d as m aiores fraquezas d a p rop osta d e Gau rico e constitu i m ais um a p rova d a sua d ep end ência face à p rática artesanal. Mesm o a noção d e p lano d e base e, consequentem ente, as ind icações p ara obter o seu “escorço” ou p ersp ectiva tem lim itações im p ortantes, com o verificám os. De facto, com o Gau rico interrom p e o curso norm al d as ortogonais até ao punto centrico na finitrix, a transversal mais afastada do Observador para além d a qu al não concebe qu alqu er rep resentação, tam bém se p erd e a noção d e horizonte, já p resente em Alberti. Com o é evid ente, este constrangim ento im p ossibilita a geom etrização d o esp aço no seu tod o o qu e, d e algum m od o, se ad ivinhava na p rem onição albertiana d e qu ase atingir o infinito.

Mas o qu e m ais caracteriza e d istingu e a constru ção “gau riquiana” é evid entem ente o p rotagonism o d a vertical que se traça a m eio d o sup orte logo d e início – ad

perpendiculum mediam lineam – e das diagonais, que partem ou convergem num ponto

ipsius uertice ducatur.

Mas d a d escrição, p ou co inform ad a sob o p onto d e vista geom étrico, ressalta qu e o encad eam ento d os p roced im entos resu lta claram ente d e u m a receita, ou d e u m a técnica d e traçad o bid im ensional não send o, p or isso, d etectável qualquer d om ínio d a situação esp acial cond ucente àqu ele resultad o p ersp éctico.

A p ossibilid ad e d a referid a linha e d o d ito ponto se p od er id entificar com o Qu ad ro e com o olho d o Observad or vistos d e p erfil send o as d iagonais, nessa circunstância, raios visuais, d eve ser, p or conseguinte, afastad a, p ois não há qu alqu er m enção no texto qu e a legitim e. Aliás, tend o com o referência essa hip otética visão d e p erfil não tem qu alqu er sentid o, nu m a constru ção d esta natureza, traçar raios visuais que não intersectem o Quad ro com o acontece no 4º p asso d a p rim eira fase d o p rocesso [Fig. 72.4].

Falar d e p onto d e d istância, com o se p retend eu , m ais abu sivo será, p ois tam bém não há evid ência que d em onstre o d om ínio d o conceito que lhe subjaz.

N ão qu er isto d izer que a constru ção esteja incorrecta, que não está. Os p ressup ostos esp aciais que a d eterm inam é qu e estão m anifestam ente longe d e ser vislu m brad os e bem m ais d istantes d o qu e estavam com Alberti. Cu riosam ente, qu and o referim os o caso d e Francesco d i Giorgio, qu e p raticam ente só nos legou im agens acom p anhad as d e p arcas p alavras m as d e significativas d esignações, com o são as d e centro e

contracentro, não hesitámos em lhe reconhecer o domínio da construção albertiana e

d a constru ção com o p onto d e d istância.

Com Gaurico nad a d isso acontece. Faltou -lhe o conhecim ento d o trabalho p révio d os seu s antecessores ou p elo m enos a cap acid ad e científica ind isp ensável p ara os entend er. Mas, ap esar d e tud o, a “sua” constru ção serve d esd e que se não u ltrap asse o âm bito restrito p ara a qu al se gizou qu e é, basicam ente, o d e p ersp ectivar um a quad rícula p lana, norm alm ente u m pavimento, com prejuízo do sentido unitário da caixa esp acial qu e se intenta rep resentar já que os p lanos que a d efinem ou ou tros que d ivid em o esp aço com a m esm a orientação convergem , regra geral, p ara linhas d e fu ga d istintas. A p rática sed im entou -a e, d e algum m od o, era sua intenção p erp etu á-la ju lgand o qu e o acto d e a d escrever seria bastante p ara fazer teoria. Gau rico qu eria no fu nd o d ar substância teórica à d enom inad a construção p ersp éctica bifocal [Fig. 74], cuja instrumentalização remonta ao trecento italiano, visando a sua elevação à categoria d e regra universal.

Qu and o, logo no início d a exp lanação d a “sua” constru ção p ersp éctica, trata d a d ivisão em p és d a æquareæ linea [Fig. 72.2], naturalmente que o faz simetricamente