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Circuit de commande

2.5 Les deux g´ en´ erations de pi` ege magn´ etique

2.5.3 Electro-aimant hybride de nouvelle g´ ´ en´ eration

2.5.3.3 Circuit de commande

A aula terminou com a professora fazendo um comentário sobre as respostas dadas pelos alunos nos painéis e oferecendo como leitura dois textos, são eles:“Uma Aula Pelo Avesso” de Roseli Fontana e “Conversa Sobre Ofício de Mestre” de Miguel Arroyo.

Comentários da professora

a- Anice, o bloco de notas89 é isso que você fez: registrar o ocorrido sem se posicionar como interlocutora. Esse 1º momento está ótimo. Agora, gostaria que fizesse uma análise dessa aula em seu conjunto: metodologia, relação professor/aluno, participação dos alunos dentre outras coisas.

b- Faça ainda uma autoavaliação de você no desafio de construir esse trabalho.

c- Gostaria de trabalhar esse relatório como exemplo na turma, você me autoriza? Ou seja, quero que você dê uma lida, ver se há erros, devolva para mim para que possa reproduzir para todos como exemplo, ok? Abraços, Márcia Ambrósio. (Excerto de um relatório de observação da primeira aula de Didática, pela aluna Anice, em 23/04/2003)

A partir da ação de observar e registrar, o relatório da estudante ajuda a pensar pelo menos quatro reflexões pedagógicas. Primeiro, houve um conhecimento inicial das expectativas dos estudantes e da professora no sentido de se criar um ambiente propício para o desenvolvimento de uma relação professor-aluno adequada a um processo ensino/ aprendizagem dinâmico. À medida que a sondagem docente convergia com expectativas dos alunos, as possibilidades de se estabelecer um curso dinâmico, interativo e capaz de refletir as diversidades culturais presentes no universo escolar instauravam-se o início de uma adequada relação pedagógica entre os sujeitos de aprendizagens.

Segundo, a proposta revelava que os sujeitos da aprendizagem estavam abertos para que diferentes linguagens fossem colocadas em questão e experenciadas e isso foi possibilitando que registros muito criativos como os do exemplo da tessitura do texto da estudante Tathiana intitulado terapia da didaticobservacional viessem à tona.

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As respostas foram retiradas para não alongar esse trecho transcrito.

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Ao estimular os estudantes a registrarem as aulas, tinha como objetivo dar visibilidade junto aos estudantes da ação de observar, registrar e analisar uma atividade pedagógica externa a eles e/ou que refletissem a própria prática quando fossem futuros docentes.

Terapia da didaticobservacional: Esta terapia irá te fazer exercitar os músculos

ópticos, podendo causar fadiga (tremores nos músculos dos olhos), pois você poderá olhar, olhar, olhar e ... olhar. Tente observar o máximo que puder, mas tente não ficar angustiado porque não está conseguindo relatar tudo o que vê. Isso é normal, pois nenhum ser humano tem visão biônica. Outro músculo que você exercitará com fervor são os músculos pronadores e extensores da mão, causando fortes dores.

Didaticoterapêutica: A didáticoterapêutica é uma terapia que te fará exercitar

incessantemente a bainha de mielina dos seus neurônios, a sua sensibilidade, criatividade, observação e suas experiências. Porém, ela poderá te fazer relaxar com música, filmes, bate-papos, aulas expositivas, discussões etc. Cuidado! Quem faz uso da didaticoterapia excessivamente poderá se tornar um didoticodependente e até mesmo desenvolver resistência a esta droga, além de aparecerem alguns efeitos colaterais. Experimente, que você nunca mais irá resistir aos efeitos causados por essa droga!

Nome genérico: didaticofenase

Nome comercial: didaticlofenaco, didaticol, didaticocetamol, didatocopostrol. portfoliol

Efeitos colaterais: cansaço, sonolência, fadiga, dores pelo corpo principalmente na

região dos glúteos por ter que ficar tanto tempo sentado e propensão à dependência psíquica.

Indicação: pacientes que sofrem de insuficiência da substância didática, pacientes didacodependentes, infetados pelo vírus da didática. Pacientes que estiverem com a corda no pescoço em relação a faltas e trabalhos não realizados também deverão fazer uso dessa terapêutica.

Contra-indicação ou limitações de uso: Evitar ingestão de didática no período de

TPM, pois, durante essa fase pode haver insanidade e irritabilidade. Para pacientes que são irresponsáveis e que perdem a hora de tomar a terapia poderá acarretar grande preocupação durante alguns meses.

Posologia: tomar dois dias por semana durante aproximadamente duas horas.

(Excerto do portfólio entitulado didacoclofenaco de sódio®, de Tathiana Muniz Bonfim, estudante de enfermagem, em 22/10/2003).

No caso específico deste registro Tathiana usou termos próprios da sua formação específica – enfermagem – realizando uma metáfora à ação de observar uma aula, qual seja: esta terapia irá te fazer exercitar os músculos ópticos, podendo causar fadiga (tremores nos

músculos dos olhos), pois você poderá olhar, olhar, olhar e ... olhar. Destarte, a estudante

supracitada mostrou sua capacidade criadora. Por meio de uma ação de observar, vários formatos de registros foram elaborados, e os produtos desse curso (as avaliações) acabaram por refletir o processo experienciado de múltiplas formas de escrever para transmitir a mensagem. Outro exemplo está presente no poema da estudante Ana Carolina.

Sondagem didática Primeiro dia de aula,

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Professora diferente?

Tudo novo,

e pela primeira vez nos pergunta: o que sabemos? O que trazemos? O nosso sentimento

era em algum momento Tudo seria inusitado...

(Excerto do portifólio de Ana Carolina em 12/12/2004)

O relatório da aula 1, sua releitura como terapia da didaticobservacional e o excerto poético de Ana Carolina desencadeiam-se uma terceira questão: a aula se tornou cenário para que se instaurassem as motivações para a elaboração de produtos avaliativos diferentes – acolhendo as diversas linguagens/gêneros literários.

Uma quarta questão é que a avaliação concretizava-se no momento em que docente e discentes direcionaram-se para o desempenho da ação (no caso em questão uma ação de observar a aula) e para questões metacognitivas. Nesse sentido, os sujeitos de aprendizagem se envolvem o suficiente – desde o início da tomada dos dados, seu processo analítico, até que produtos finais fossem alcançados. Ricos resultados foram se revelando e possibilidades formativas anunciadas.

4.3 A p a r ê n c i a s...

um planejamento que nos conduzia a uma metamorfose

As aulas iniciais foram surpreendentes. O modo como tudo transcorria, as dinâmicas e inovações me fascinavam a cada dia. Assim como a foto (apresentação de aeromodelismo) que mostra uma possível situação de risco, quem nos observasse de fora pensaria que tudo aquilo não passava de uma aula mal planejada e desorganizada. Mas, na verdade, assim como o piloto tem controle da situação, a professora também tinha em mente um planejamento que nos conduzia a uma metamorfose. Ela sempre tinha pleno controle de tudo.

(Excerto do portfólio de Sidney Robson Santana, , em 07/12/2004)

Na avaliação de Sidney R. Santana e nas indagações da estudante Ana Carolina em seu

poesiafólio, tomam-se alguns indícios importantes de como eram postos os desafios e

Como seria a observação de uma aula minha? O que teria para falar, criticar? Alguém dormiria? Alguém sairia da sala? Haveria atrasos? Alguém sairia satisfeito? Ou desapontado? Como seria a observação de uma aula minha? Conseguiria eu aprender algo dos meus alunos? Ou só passaria conhecimento? (Excerto do poesiafólio de Ana Carolina, UFMG/FaE, em 12/12/2004)

A partir do processo instaurado, as aulas continuavam revelando novos processos para a aprendizagem dos futuros docentes. A construção dos trabalhos que iam sendo incluídos no portfólio anunciava com diferentes formas de registros os caminhos percorridos revelando linguagens acadêmicas, expressas pela estudante Anice e linguagens metafóricas, como as sensações relatadas por Tathianaem seu portfólio didacoclofenaco de sódio®.

1. Arrolam-se os trabalhos importantes do curso em vários tópicos que precisar ser refletidos e analisados.

2. Selecionam-se notas e referências bibliográficas. 3. Tece-se o texto.

4. Acrescentam-se mais ideias, refaz-se o texto, melhorando as ideias iniciais e aprofundando-se no texto.

5. Produz-se uma primeira impressão, primeiro registro no papel para mostrar à professora e ver sua formatação no papel.

6. A professora ou colegas discutem pequenas revisões de conteúdo e forma no texto.

7. As reformulações necessárias foram produzidas e surgem novas questões. 8. Finalmente, tem-se a versão considerada como produto do trabalho. Pronto para apreciações.

(Excerto do portfólio de Cíntia, UFMG/FaE, em 02/12/2008)

A estudante Cíntia aponta, em síntese, como percebeu o processo de construção dos portfólios. A estudante Tathiana revela, por meio de metáforas, suas percepções, sensações, listando ações que se fizeram presentes no processo. No rol de ações supralistadas, percebe-se que os estudantes foram motivados a elaborarem sucessivas versões de cada trabalho com base nas reflexões presentes nos comentários de pessoas envolvidas no curso – docente e discentes. A construção dos portfólios foi desenvolvida com a dedicação de muitas horas de estudo e trabalho e com a humildade necessária para o aprendizado, podendo o estudante tornar-se didáticodependente ou mesmo “se tornar resistente a esta droga, além de

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Fomos convidados à observação de aula, analisar e confrontar textos teóricos, participar e refletir sobre dinâmicas de grupo, analisar fotografias produzidas por outrem ou por nós mesmos, a desenvolver projetos de trabalho: o que é? Como e onde se faz? Com quem? Para quê? Fazemos, refizemos e assim sucessivamente até ao produto final. De repente, nos tornávamos artistas plásticos, músicos, poetas, escritores, filósofos. No resultado dos nossos trabalhos, capacidades foram desenvolvidas: observar/registrar, pensamos criticamente, reformulamos, avaliamos, reinventamos, arriscamos, aceitamos nosso erro, aprendemos a aceitar críticas, aprendemos a ter sucesso, persistimos e com certeza inovamos.

(Excerto do depoimento de Cíntia Rodrigues de Almeida, no Grupo Focal - GF, em 02/12/2008)

A estudante Cíntia revela as ações das quais os estudantes foram convidados a participar, algumas delas reproduzidas como exemplo por meio das memórias dos estudantes elaboradas por meio de suas observações, análises e autoavaliações, presentes neste capítulo e nos apêndice B,C,D. Nesse sentido, a experiência constitui-se centrada nas alterações da relação pedagógica (DALBEN,1998), vislumbrando a emancipação do sujeito (FREIRE,1987). Após o convite ter sido aceito, seus talentos e habilidades compuseram a cena da sala de aula revelando as diferentes facetas do conhecimento. Os portfólios revelaram artistas plásticos, escritores, músicos, poetas etc e apresentaram as suas reflexões, impressões sobre a disciplina, opiniões, dificuldades, dúvidas ou qualquer outro material de interesse, pois: “qualquer que seja a linguagem que venhamos a empregar, nossas descrições do ato de

conhecer-na-ação são sempre construções” (SCHÖN, 2000, p. 31). Facilmente se reconhece que as ações implementadas também produziram o desenvolvimento de diferentes capacidades – planificar, pensar criticamente, reformular, avaliar, reinventar, arriscar, aceitar o erro, aprender a aceitar críticas, aprender com o sucesso, persistir e inovar – capacidades essas que são fundamentais para que a formação do ser humano e do futuro docente, no sentido de formar-se a si próprio e ser referência para as crianças, jovens e adultos como cidadãos livres, responsáveis e confiantes em si, sendo a universidade compreendida como mais um tempo de vivência humana. Assim, a nova relação pedagógica estabelecida foi movendo os estudantes e docente no sentido de estreitarem seus laços. Laços esses que foram sendo construídos por meio de diferentes movimentos e momentos para identificações mútuas. Praticou-se uma saída da relação pedagógica convencional para dizer o mais importante: quem somos nós e o

que queremos, somos sujeitos dessa cena acadêmica. Sensibilidades foram trabalhadas.

Exercitou-se uma exposição pública das diferenças e, com isso, perenizaram-se os momentos (por meio das fotos e dos diferentes registros) que ficaram marcados por meio do jogo

pedagógico que provocou a interação da razão com a sensibilidade.

registros expressos nos exemplos vivenciados por meio da dinâmica do olhar, do bicho, das diferentes linguagens)90. Dessa forma, por meio dos diferentes registros tomados dos estudantes, evocados neste texto até então, viu-se que os sujeitos exprimiram sua estima e consideração ao processo vivido; no entanto, se consegue reconhecê-las, a academia tende a ignorá-las e, tradicionalmente, a relação pedagógica, tal como geralmente se pratica, impede que os estudantes julguem, pensem e reflitam acerca do seu próprio trabalho (CHAVES, 2004; CUNHA, 2004). A avaliação acaba aparecendo como ponto nodal nas questões que envolvem uma relação de ensino e de aprendizagem. Basta pensar na natureza de muitas questões incluídas nos testes, no pouco tempo que os alunos têm para pensar nas questões que lhes são colocadas e na ênfase dada aos conhecimentos objetivos.

4. 4 A c e i t a ç ã o...