Chapitre 4 Application en 3D
4.6 Bilan du Chapitre 4
2.2.1.1 Objectivos
Definidas as questões de partida, propusemo-nos, num primeiro momento, com recurso à entrevista, recolher o depoimento de especialistas e profissionais cuja
O contributo do Design de Ambientes no acesso à cognição
134
actividade investigativa que vêm promovendo, as competências e o saber experimental resultantes de uma formação e/ou prática profissional, nos permitiram aferir perspectivas convergentes e divergentes sobre o enquadramento teórico e prático do Design de Ambientes.
Na abordagem a este tema, numa primeira fase, centrámos a nossa procura nas diferentes estratégias conceptuais, procedimentos, práticas, experiências, dispositivos e matérias que a caracterização de um espaço ou de um lugar, em determinado contexto, poderá convocar. Interessava-nos averiguar em que medida as reflexões teóricas e as práticas profissionais poderiam constituir um quadro referencial para circunscrever e precisar este território, independentemente dos agentes que as praticam, quer sejam arquitectos, designers, pintores ou outros profissionais.
Na exploração deste conceito, interessava-nos também conhecer a identificação dos diversos contextos sociais e culturais nos quais o Design de Ambientes poderia protagonizar um papel relevante na relação do sujeito com o espaço envolvente. Por fim, centrámo-nos no problema relacionado directamente com as qualidades intrínsecas e específicas dos espaços dos museus no que concerne às práticas desenvolvidas no âmbito do Design de Ambientes entendido como um mediador entre o visitante e o conteúdo expositivo.
2.2.1.2 Amostragem e procedimentos
De acordo com as orientações de Pires (1997), a amostra, que é do tipo não probabilística e intencional, foi construída “em função das características específicas que o investigador pretendeu pesquisar” (p.97), assegurando a “diversificação interna” dentro de um grupo homogéneo de sujeitos no qual se pretende explorar a diversidade de opiniões formuladas. Nesta linha de actuação, seleccionámos um grupo de especialistas que pela sua actividade científica e profissional detêm um bom domínio do problema.
Tomou-se como ponto de partida a formação académica, o percurso investigativo, a prática profissional na área do Design e da Arquitectura e a experiência nos
diferentes domínios de actuação nos museus, tendo sido tomado em consideração a previsível disponibilidade e interesse que estes especialistas poderiam ter em continuar a colaborar nesta pesquisa (vide Anexo I).
O inquérito foi administrado através de entrevistas, a um painel de dezoito (18) especialistas, todas elas dirigidas pessoalmente. Estas foram realizadas no local proposto pelo entrevistado, num ambiente e num contexto adequados, entre os meses de Julho de 2009 e Fevereiro de 2010. A solicitação para a realização da entrevista foi feita via correio electrónico, com um breve enquadramento da entrevista e explicitação dos objectivos.
As entrevistas, com uma duração de entre 40 a 60 minutos, foram devidamente registadas em suporte magnético, após autorização expressa pelos entrevistados e, posteriormente, transcritas de acordo com critérios formais, que procuraram preservar o conteúdo do discurso, efectuando, sempre que considerado necessário, alguns alinhamentos – na oralidade, na pontuação, incluindo o corte de algumas repetições, redundâncias e coloquialismos ou de outros elementos inúteis –,visando a clareza de ideias. Esse processo foi repetido até a décima oitava entrevista, cuja transcrição se encontra no Anexo I.
Seguindo as recomendações de Guerra (2006) sobre a directividade na condução das entrevistas, começámos por contextualizar a pesquisa em curso, explicando o objectivo da entrevista e os seus temas, de forma a facilitar o diálogo reflexivo com os entrevistados, deixando que estes expressassem as suas percepções, opiniões e reflexões no contexto da temática. As intervenções foram formuladas de uma forma aberta, introduzindo-se alguma flexibilidade, mas, simultaneamente, conduzindo o entrevistado para o foco da questão, de modo a garantir o encadeamento e a objectividade na recolha da informação.
O trabalho de campo iniciou-se com a realização de uma entrevista não dirigida, aplicada a um informante privilegiado, que nos forneceu pistas importantes para a concepção do guião da entrevista, permitindo “revelar determinados aspectos do fenómeno estudado em que o investigador não teria espontaneamente pensado por si mesmo e, assim, complementar as pistas de trabalho” (Quivy & Campenhoudt, 2005, p.69), resultando numa aproximação às questões emergentes do campo do
O contributo do Design de Ambientes no acesso à cognição
136
Design de Ambientes nos espaços dos museus, em relação às quais não tínhamos um conhecimento sistematizado nem a bibliografia consolidada.
A partir destes resultados, obtivemos um conjunto de dados que permitiram a construção do guião da entrevista, (vide Anexo I) estruturado conforme as orientações de Estrela (1990), a partir da criação de blocos, objectivos específicos e tópicos para a elaboração de um formulário de questões.
Para a realização destas entrevistas semiestruturadas, seguimos o guião previamente elaborado, o que nos permitiu fazer uma completa abordagem a todas as questões de investigação, sendo que a condução das entrevistas teve em atenção o comportamento a ter com os entrevistados, seguindo os princípios propostos por Ghiglione e Matalon (1992).
Num primeiro momento, procedemos a uma contextualização, motivação e legitimação da entrevista de modo a integrar o entrevistado na temática em estudo e introduzimos algumas questões para melhor conhecer a formação científica, as práticas profissionais e as áreas de investigação dos entrevistados, indagando sobre o nível de envolvência na área do design.
A definição do conceito de Design de Ambientes e os diferentes sentidos que este termo encerra poderiam, só por si, constituir um tema de debate que ultrapassaria os propósitos deste estudo. Contudo, interessava enquadrar o conceito e situar a problemática em torno da qual se produz esta reflexão, proporcionando um quadro de referência relativamente à investigação e à práxis que esta promove. Neste sentido, elaborámos uma questão de partida, centrada no conceito de Design de Ambientes e nos pressupostos para a sua fundamentação.
Na terceira parte do inquérito, propusemo-nos abordar um dos pontos centrais desta pesquisa que visava a aproximação do conceito de Design da Ambientes aos espaços museais, em particular aos museus de arte. Consideramos, também, numa primeira aproximação ao meio expositivo, que o Design de Ambientes se torna responsável pela experiência do sujeito com o objecto, onde se incluem conteúdos a nível da configuração dos espaços, percursos, luz, som, cor, cheiros, entre outros.
Se, por um lado, Quivy e Campenhoudt (2005) admitem a profundidade dos conteúdos obtidos com garantida do reconhecimento das suas próprias linguagens e
quadros de referência através desde método, alertam, simultaneamente, para o facto de que “a flexibilidade do método pode levar a acreditar numa completa espontaneidade do entrevistado e numa total neutralidade do investigador” (p.194). Neste sentido, a análise das entrevistas considerou sempre, quando conveniente, algum tipo de ocorrências nos interlocutores, pois, como afirmam estes autores, considerar o entrevistado e o entrevistador “independentemente de um contexto tão marcante seria revelar uma grande ingenuidade epistemológica” (p.194).
2.2.1.3 Tratamento do conteúdo das entrevistas
Para o tratamento destas entrevistas, foi utilizada a técnica da análise de conteúdo, o que permitiu a sistematização da leitura que, segundo Bardin (2009), deve atender a aspectos de identificação (recorte) e transcrição das unidades de registo, com a respectiva redução destas unidades sempre que estes registos se mostrem semelhantes.
No tratamento das entrevistas, foram apuradas unidades de registo tema por tema, através do estabelecimento de categorias e subcategorias. Após a leitura das entrevistas, as temáticas e problemáticas inicialmente identificadas no guião foram completadas com outros níveis de elementos, entretanto retirados dos discursos dos entrevistados, procedendo-se à análise descritiva deste material no qual se incluem a análise categorial que “consiste na identificação das unidades pertinentes que influenciam determinado fenómeno em estudo (…) de forma a sacar apenas as variáveis explicativas pertinentes” (Guerra, 2006, p.78).
No processo de categorização, procurou-se observar as regras enunciadas por Bardin (2009), nomeadamente: um mesmo elemento do conteúdo só deverá ser classificado numa única categoria; um conjunto de categorias deve obedecer ao mesmo tema e com a mesma dimensão de análise; as categorias devem ser estruturadas em função dos objectivos do estudo; a objectividade e a fidelidade devem estar sempre presentes.
Seguimos também a terminologia utilizada por Bardin (2009), entendendo o tema como uma afirmação referente a um assunto – um excerto do texto, uma frase ou um
O contributo do Design de Ambientes no acesso à cognição
138
pequeno fragmento. Na análise das unidades de registo, assinalámos a sua presença, independentemente da frequência com que ocorriam em cada uma das entrevistas, sendo que, no final, medimos o número de entrevistados que referiam determinado tema. Esta técnica permitiu-nos estabelecer uma diferenciação de peso relativo para cada tema, verificando quantos indivíduos partilhavam de determinada perspectiva.
Este tipo de análise admite, segundo Vala (1989), proceder a uma desmontagem discursiva e elaborar um novo discurso baseado nas inferências em ordem à fonte e ao contexto em que se produziu o objecto de análise, possibilitando efectuar inferências, segundo uma lógica determinada.
A análise de conteúdo das entrevistas permitiu identificar cinco núcleos temáticos ou categorias:
Formação académica, científica e profissional;
Pressupostos conceptuais do Design de Ambientes;
Conhecimento e prática disciplinar do Design de Ambientes;
Inter-relação de conhecimentos;
Design de Ambientes nos espaços museais.
Discutiram-se as unidades de registo para cada núcleo temático de forma a enquadrar o tema do Design de Ambientes. Dado o número limitado de entrevistas realizadas, não foi possível fazer uma análise quantitativa suficientemente expressiva dos resultados. Realizámos uma análise qualitativa, inserindo em cada conceito seleccionado, e entre parênteses, o número de entrevistados que o mencionaram, retirando várias citações das entrevistas que ilustram as principais ideias expressas pelos entrevistados e sustentaram a análise e interpretação dos dados. Sempre que considerado pertinente, incluímos também na nossa discussão a transcrição de algumas opiniões e ideias sugeridas pelo nosso entrevistado inicial que, pela relevância do seu contributo para o nosso estudo, nos pareceu fundamental assinalar algumas das suas reflexões.
Foi também elaborada uma grelha-síntese com referência às unidades de registo identificadas em cada parágrafo (para.) da entrevista (vide Anexo I). Deste modo, foi possível ter a noção da sua relação com o contexto global dos entrevistados.
Os métodos e as técnicas utilizadas mostraram-se capazes de produzir resultados de grande significado para a discussão do conceito de Design de Ambientes, fornecendo um conjunto de informações resultante do cruzamento de dados obtidos através da opinião dos diversos peritos.
2.2.1.4 Caracterização científica e profissional dos entrevistados
Neste grupo cruzámos um grupo de diferentes intérpretes das práticas do design e práticas expositivas, das quais fazem parte um número significativo de docentes e de investigadores especializados nesta área.
Do conjunto das 18 entrevistas aplicadas aos diversos especialistas, 15 são docentes e investigadores especializados, sendo que dez (10) têm uma licenciatura em arquitectura e dois (2) em design. Deste grupo de arquitectos e designers registámos que a sua prática profissional e/ou investigativa se cruza com a concepção e caracterização dos espaços expositivos (10), com excepção de dois (2) elementos que não referiram terem realizado ou colaborado em qualquer trabalho na área expositiva. Neste grupo de entrevistados, considerámos igualmente relevante obter o ponto de vista dos especialistas na área da museologia e da museografia (8), em que se incluem directores de museus ou comissários de exposições, no total de quatro (4), profissionais dos museus nas áreas do marketing (1) e dos projectos educativos em museus (1).
Reconhecendo-se um sobredimensionamento da classe de arquitectos, não considerámos que este factor pudesse ser desviante dos resultados, uma vez que todos eles relacionaram o seu exercício profissional com as temáticas em estudo, em particular com a experiência expositiva.
Como forma de sistematização da informação recolhida, apresenta-se um quadro- síntese com a enumeração e caracterização dos especialistas entrevistados,
O contributo do Design de Ambientes no acesso à cognição
140
identificando-se a sua área de formação académica e a suas actividades profissionais.
Figura 5. Caracterização dos entrevistados
No grupo de 18 entrevistados, 12 são arquitectos e/ou designers, 4 são directores de museus ou comissários de exposições, 1 têm trabalhado na área de marketing dos museus, 1 na área do design de exposições e 1 na área dos projectos educativos em
museus.
Neste contexto, fomos confrontados com a possibilidade de traçar direcções conceptuais e operativas para o Design de Ambientes, envolvendo os principais conteúdos que compõem esta unidade e explorando as diferentes escalas e dimensões que esta prática profissional envolve. As variáveis presentes nesta pesquisa dizem respeito ao desenvolvimento do campo interdisciplinar do Design de Ambientes. 10 2 4 1 1 arquitectos designers directores museus marketing psicólogo/educ.