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Chapitre 3 Méthode de recherche

3.9 Analyse des données des Volets 1 à 4

3.9.2 Analyse des données qualitatives

Atividades desta natureza buscam através da utilização de equipamentos de mídia e softwares computacionais, simular um modelo físico teórico. Essas atividades buscam substituir modelos que levam muito tempo para serem realizados, aqueles que necessitam de muito recurso ou apresentam alto grau de complexidade. Atividades como estas são muito utilizadas para ensinar tópicos de Física Moderna como o efeito fotoelétrico. Os alunos têm contato com um software computacional que apresenta este efeito, podendo estabelecer a interação com o fenômeno através da modificação das variáveis e de todos os fatores envolvidos.

De acordo com Giordan (2003) durante o desenvolvimento de atividades experimentais de simulação;

o sujeito se percebe diante de uma representação da realidade, obrigando-se a formular a sua própria, que venha a se ajustar àquela em simulação. Trata-se portanto de determinar à experimentação o novo papel de estruturadora de uma realidade simulada, etapa intermediaria entre o fenômeno, que também é acessado pelo prisma da experimentação, e a representação que o sujeito lhe confere. (p. 9)

Neste mesmo trabalho o autor nos mostra diversas possibilidades de utilização de atividades de simulação no ensino de Física e Química. Estas atividades vêm ganhando espaço dentro das instituições educacionais devido ao desenvolvimento tecnológico na área da informática e do fácil acesso a computadores e softwares que dispõem de simulações de fenômenos físicos.

2.4) Conclusão preliminar do capítulo

Neste capítulo, tivemos a pretensão de analisar criticamente as abordagens possíveis para o laboratório didático de Física que encontramos na literatura da área de ensino de ciências. Desta forma, foi possível delinear algumas hipóteses sobre as concepções laboratoriais que poderemos encontrar nos alunos de licenciatura em Física que entrevistamos. Estas concepções dizem respeito aos recorrentes objetivos das práticas

21 Tabela que contem valores de resistência elétrica refere a cada uma das cores que podemos visualizar em um

resistor. A leitura destas cores nos dá os valores dos resistores sem que seja necessário efetuar nenhuma medida de resistência elétrica.

experimentais que estão de acordo com a visão de ciência apresentada e com os objetivos desejados pelos professores responsáveis pelo desenvolvimento da experimentação.

Nos trabalhos analisados encontramos que as práticas experimentais podem ser desenvolvidas a partir de duas concepções de ciência que se contradizem em suas bases filosóficas. Temos, então, a concepção empirista, de cunho cientificista e a concepção construtivista.

A concepção empirista se apresenta através de um discurso racionalista. Esse formato não impediu que o ensino de ciências fosse, e ainda seja transmitido através de um discurso didático embasado em tal concepção, fortalecendo aspectos factuais da ciência, se impondo dentro de características dogmáticas, lineares e acumulativas.

Devido a estas características e pelo fato de não levar em consideração o aluno como um sujeito pensante, dono de uma história de vida, de idéias, desejos, que devem ser levados em consideração no momento da aprendizagem, a concepção empirista vêm sendo muito criticada e com isso vêm perdendo espaço para práticas experimentais de natureza construtivista. Na concepção empirista, o professor aparece como o detentor do conhecimento e o sujeito responsável por transmitir o conhecimento científico ao aluno. O laboratório didático tem nesta perspectiva “a finalidade de corroborar com a construção teórica, imprimindo a esta uma aura de verdade inquestionável e terminada” (ALVES FILHO, 2000, p.76).

Em contrapartida, a concepção de ciência construtivista, vem ganhando força no ensino de ciências por colocar o aluno no centro das práticas laboratoriais, fazendo com que o aluno não seja mais visto como um receptáculo de informações e passe a atuar como o mentor de toda a construção do conhecimento científico. Para garantir a participação do aluno, o professor aparece como mediador da prática experimental e não mais como o detentor do conhecimento como era visto no laboratório cientificista.

Há de se notar que apesar de o laboratório construtivista se propor a explorar fenômenos de uma forma a desenvolver nos alunos o pensamento científico e a argumentação, eles parecem deixar de lado aspectos ligados à cultura científica, como questões sociais, políticas e éticas, por exemplo. Deste modo, mesmo os laboratórios didáticos construtivistas parecem disseminar uma ciência do ponto de vista internalista sem levar em conta questões que podem municiar os alunos para futuras argumentações dentro da sociedade.

Outro fator que podemos destacar é o elevado número de possibilidades que um professor tem no momento de fazer uso de uma prática experimental como uma ferramenta didática. Este ponto nos leva a conclusão de que para estar preparado e ser capaz de fazer uso

da alternativa que condiz com os objetivos que ele pretende alcançar em sua aula, o professor deve, em algum momento de sua formação, ter contato com as diversas possibilidades de práticas experimentais, pois acreditamos que somente desta forma ele estará preparado para planejar e desenvolver a experimentação de modo que esta auxilie no processo ensino- aprendizagem dos fenômenos físicos. Neste contexto, encontramos em Pinho Alves (2002) que;

Sua [do professor] “vivência” profissional permitirá uma análise das necessidades da

situação, encaminhando-a na busca de “experiências pessoais” dos estudantes, que desemboquem em alternativas previsíveis e didaticamente controladas. Ao professor caberá a tarefa maior de perceber qual atividade experimental deverá escolher e como será trabalhada. (p.8, colchetes nosso)

Dessa forma, como foi possível observar nas explanações das abordagens possíveis para o laboratório didático de Física, o professor assume um papel importante durante o desenvolvimento das práticas experimentais, seja como o detentor do conhecimento ou como mediador do processo de aprendizagem do aluno em atividades experimentais menos estruturadas, sendo o responsável por provocar o diálogo e a argumentação entre os alunos. Portanto, neste capítulo, atentamos para um ponto que será fundamental no momento de nossa análise que é o modo como estas abordagens de laboratório didático podem ser apresentadas aos licenciandos que são objetos desta pesquisa e, a partir disso levantar indícios de como estas práticas influencia na formação dos licenciandos, considerando que estes serão futuros professores de Física, disseminadores da ciência e formadores de opinião.