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Pour aller plus loin : dix domaines de valeur

Dans le document Être bienveillant avec soi-même (Page 159-163)

E m estu d o realizado por N u n e s (1 9 8 5 ), sobre o q u an to os p ro fesso res de educação especial p erceb iam a carteira e sco lar com o elem en to relacio n ad o ao co m p o rtam en to acadêm ico das crianças. O resu ltad o m o stro u que 58% dos pro fesso res (N = 1 9 9 ) esperavam que seus alu n o s trab alh assem sen tados 3 a 4 horas diárias, o que se ap resen to u co m o u m a ex p ectativ a irreal, d ad a a inco m p ativ ilid ad e co n sta tad a entre as caraterísticas co m p o rtam e n ta is d o s e stu d a n tes e o design das

c arteiras. C o n tu d o , acred ita o autor que esses d ados são pertin en tes aos dem ais alu n o s do en sin o tradicional. A s m ás p o stu ras, que p o d em ser resu ltan tes de um m au d esign, interferem na co n centração dos alu n o s m esm o nos assu n to s de au la m ais in teressantes.

F lo y d e W ard (1976) realizaram um ex p erim en to com 84 crian ças com m éd ias d e idade d e 17.2 anos, de esco las secu n d árias, p a ra verificar o tem po gasto em cad a d iferente ativ id ad e e as diferen tes p o stu ras assu m id as, conseq ü en tem en te. O resu ltad o d e m o n stro u que, dentre outras atividades, a de m aio r duração foi a de o uvir, o cu p an d o de 35 a 40% do tem po total, seguido d a ativ id ad e de escrever, com 30% do tem po total.

N a ob serv ação d a p o stu ra adotada, o s auto res afirm aram que as postu ras m ais freq ü en tes foram , sentar sem o uso do en co sto d a cadeira, sen tad o com o tronco inclinado p a ra frente e am b o s os braços ap o iad o s sobre a m esa. C hegaram a con clu são que essas po stu ras, em co n junto, m esm o sendo im p o stas p ela necessid ad e de e screv er em u m a su p erfície p lana, são a d o tad as m esm o sem a d ev id a necessidade. T am b ém foi o b servado que o uso do en co sto dorsal se d av a m ais q u an d o um d o s b raço s o u n enhum , p erm an eciam ap o iad o s à m esa.

H ira (1980), através de estudos co m p o rtam e n ta is em sala de aula, chegou a con clu são que p a ra o m elh o r desem p en h o de suas ativ id ad es, a interação entre a m esa e seus usu ário s en v o lv e três d istin tas p o stu ras sentadas: (a) sen tad o com o tronco inclinado à frente, d u rante a escrita; (b) sentado com am b o s os braços a p o iad o s sobre a m esa, d u ran te o prestar atenção e/o u escrever; (c) sen tad o com o c orpo apoiado c o n tra o en costo, d u rante o p resta r atenção (ouvir); (d) em pé en tre o a ssento e a m esa; e, (e) ingressando ou saindo da carteira.

K arvonen, K oskela, e N o ro (1962) reco m en d aram que seja fo rnecido aos alu n o s u m a educação sobre hábitos po stu rais, de m odo a criar atitudes corporais sau d áv eis e fav o ráv eis durante o crescim ento. N o entanto, a le rta M andai (1981) que e m b o ra a p o stu ra e reta de 90° seja a m ais rec o m en d a d a p a ra o s alunos, ela dificilm en te seria ad o tad a por m ais de alg u n s m inutos, pelas seg u in tes razões:

a) D evido a extensão do tronco, h á um excesso de so b re c a rg a m u scu lar nas co stas em função d a ação c o n trária dos m ú scu lo s p o ste rio re s d a coxa, que atuam n a posição de pelve;

b) N ã o h á um relax am en to d a cu rv a lo m b ar d evido a inclinação de 90° da articu lação dos quadris. H aja visto, segundo e stu d o s anteriores de K eeg an (1953) que e ssa articulação d e screv e em m éd ia som ente 60° de flexão, e que, os restantes 30°, são dev id o s a retificação da cu rv atu ra lo m b ar natural;

c) E xiste u m a in co m p atib ilid ad e entre a d istâ n c ia do olho, de 50-60 cm ad o tad a nessa p o sição, em relação ao m aterial e a d istân cia co rreta que seria de 20-30 cm p a ra ativ id ad es de leitura e escrita. D esta form a, as folhas do caderno são visu alizad as de um ân g u lo de 45° em relação a lin h a de visão, onde deveriam estar p o sicio n ad o em ân gulo reto. N a p o sição co n v en cio n al, a cria n ça p a ra ler terá q u e fixar o globo ocular nu m a posição m uito baixa, o que p ro d u zirá cansaço em pouco tem po.

S eg u n d o F loyd e W ard (1969), hábitos p o stu ra is a d q u irid o s durante anos nas escolas, estab elecem pad rõ es p a ra a v id a ad u lta e, q uanto m ais longo durarem esses h áb itos, m ais difíceis serão p a ra m u d ar P o r o u tro s lado, com o uso de um apropriado

design de m o b iliário escolar, que aten d a as características an tro p o m étricas dos

u suários é de g rande im p o rtân cia para o d e sen v o lv im en to de bons com p o rtam en to s posturais.

N o sen tid o de am en izar e ssa p ro b le m átic a da sala de aula, M andai (1981) p ropõe quatro reco m en d açõ es im p o rtan tes q uanto ao m obiliário:

I a) T am p o s de m esa inclinados: a m ed id a que o ân g u lo da superfície de trab alh o for a u m e n tad a em 30°, po d e-se o b serv ar a ad o ção de u m a m elhor p o stu ra p a ra ativ id ad es de leitura e escrita; o m aterial ficaria em um ângulo m ais favorável em relação a linha de visão norm al.

2a) C adeiras m ais altas: um b anco alto (72 cm ) ou a b o rd a de u m a m esa, fará com que as p essoas que neles se sentem , m an ten h am u m a p o stu ra perfeita, co m a c u rv a lom bar p rese rv ad a e a articu lação d o s qu ad ris m ais p ró x im a s d a posição neutra (45°).

3a) M esa m ais altas: alu n o s m ais altos devem ter m esas m ais altas para perm itir-lh es, ao in clin arem -se à frente p a ra a execu tarem suas tarefas, m an ten h am seus co to v elo s em co n tato com a su p erfície da m esa, de form a que não seja n ecessário u m a su p er flexão do tronco. A s an tig as carteiras eram co n sid erav elm en te m ais altas que as usadas atualm ente.

S ch oberth (1962) h a v ia reco m en d ad o u m a m esa p a ra leitu ra e e scrita que tin h a u m a inclinação de 20° em d ireção aos olhos. N a prática, a m esa in clin ad a não é m uito utilizad a p a ra a e scrita d ev id o ao papel e as canetas ten d erem a escorregar.

2.10. NBR 14006/97

N e ste d o cu m en to , de 6 p áginas, estão reu nidos os c ritério s e reco m en d açõ es para co n stru ção m óveis escolares, elaborado po r um co m itê de no rm atização , ju n to a A sso ciação B ra sile ira de N o rm as T écnicas (A B N T ), sed iad a no R io de Janeiro, que rep re sen ta o F ó ru m N acional de N o rm atização.

JEsta n o rm a p a d ro n iz a as classes e as dim en sõ es p a ra assentos e m esas escolares, que co rresp o n d em aos estág io s de crescim en to do aluno, d ados antro p o m étrico s, assegurando a co rreta p o stu ra ao sentar, proteção à saúde e estru tu ração corporal do usuário. P erm ite ain d a liberdade ao m odelo para en co n trar so luções técnicas, edu cacio n ais e eco n ô m icas p a rticu la re s usadas em in stitu içõ es educacio n ais em to d o o País, exceto para escolas especiais.

E sta n o rm a d iz ainda, que o seu co n teúdo foi p rep arad o b aseado no p rincípio de que o m o b iliá rio esco lar deve ser co n stru íd o de form a a e stim u la r a aluno a ad o ção de p o stu ras c o rp o rais adequadas. N ão esp ec ific a n en h u m req u isito de m aterial, m odelo, con stru ção ou qualidade. B asicam en te e sta n o rm a tra z o seguinte:

a) P revê 7 classes de m edidas para o d im e n sio n am en to do m o b iliário esco lar (asse n to s e m esas). S endo que, cada classe deverá ser rep re sen ta d a po r núm eros e cores co rresp o n d en tes, especifican d o a estatu ra corporal m édia, com seus resp ectiv o s valo res m ín im o s e m áxim os, que d ev e rá ser visiv elm en te afixados no pró p rio m o b iliário (T ab ela 3 e A nexo 5). O aluno d ev e rá ser classificad o de acordo com su a altura, referente ao inicio do ano letivo.

b) C om o critério para o aluno ter u m a boa postura, recom enda-se o seguinte: (a) o aluno deve sentar-se ereto; (b) o assento deve p e rm itir que o aluno apoio os pés ao chão, sem co n tudo causar pressão n a parte inferior d a coxa; (c) o espaço entre a coxa e m esa deve p erm itir liberdade de m o v im entos; (d) a altura da m esa dev erá ficar no m esm o ao nível dos co to v elo s ou levem ente inferior; (e) o en co sto deve perm itir o firm a apoio d a região dorsal baixa e lom bar; (f) espaço livre entre as pern as frontais d a cadeira, bem co m o , entre o encosto e a su p erfície do assento, para a co m o d ar a região glútea. A n o rm a faz referência a F ig u ra 1, no inicio d e sta revisão.

c) A s carteiras devem ser colocadas na sala em ordem crescen te de altura, em relação ao quadro.

d) O m o b iliário esco lar p o d e ser regulável, através de eq u ip a m en to s adequados. e) A superfície de trabalho d a m esa deve ser h o rizontal, no entanto ressalv a a

p o ssib ilid ad e de u m a inclinação de até 16 graus, em d ireção ao estudante.

f) A parte p rincipal d a superfície do assento deve ser horizontal ou o b edecer um inclinação de no m áxim o 4 o no sentido posterior. A su p erfície do assento pode ser p lan a ou côncava, arred o n d ad a e com um a p ro fu n d id a d e m áx im a de 15 m m .

Tabela 3: R esum o das p rin cip ais alturas de m esas e cad eiras segundo A B N T .

N°/Cor 0/brco 1/larja. 2/lilás 3/amarelo 4/verlho. 5/verde 6/azul Alt.Aluno 900 1050 1200 1350 1500 1650 1800

Alt.Mesa 400 460 520 580 640 700 760

Alt.Cadeira 220 260 300 340 380 420 460

Encos/mesa - 100 120 130 150 160 170

E stas postu ras inadequadas, assum idas q uando crianças, tendem a p reju d icar a saúde de sua c o lu n a q uando adulto, com o bem frisou A sch er (1976) , talvez, por e ssa razão p o u c a atenção a esco la tem disp en sad o ao assunto. N o entanto, a esco la

seria o lu g ar para se por em p rática os cuidados e a prev en ção , b astando que para isso, ex ig i-se a adoção de um m o b iliário que m elh o r aten d a as ativ id ad es que desen v o lv em e as diferen ças an tro p o m étricas de seus usuários.

C o n sid eran d o -se que a sala de au la é um am b ien te de trab alh o co m o outro q u alquer, o n d e as p e sso as realizam tarefas e sp ecíficas, é c o n v en ien te a aplicação d esses resu lta d o s de p e sq u isa n a solução de p ro b lem as prático s dentro da escola. (N unes, 1985). In felizm en te, co nform e su sten tad o p o r K ao (1976), a u tilização de co n h e cim e n to s de E rg o n o m ia às q u estões edu cacio n ais ain d a são raros. A s N orm as B rasileiras (N B R 140006/1997) prevêem esse problem a, d iv id in d o a carteira esco lar em sete classes de m ed id as de tam anho p a ra m esas e a ssen to s em todas as in stitu içõ es educacio n ais, onde d everão ser ob serv ad o s as variáv eis an tro p o m étricas de cad a aluno. P orém , na p rática, e ssa n o rm a n u nca foi obedecida. T alv ez p o r não d isp o rm o s d ados a n tro p o m étrico s de n o sso s alu n o s ou p o rq u e as n o ssas salas de aulas são usadas p a ra d iferen tes n ív eis esco lares com d iferen tes faixas etárias, ou ainda, será que é pelo cu sto ? ou p o r não sab erm o s d ecid ir? São q u estões sem soluções. A s n orm as ex istem , m as parecem um pouco a m argem de nossa realid ad e educacional.

3.1 Participantes

P a ra o presen te estudo, foram selecio n ad o s 220 p a rticip an tes, de am b o s os sexos (125 fem inino e 95 m asculino), com idade co m p re en d id a entre 9 a 16 anos, m atricu lad o s nas classes reg u lares do en sin o fu n d am ental, em u m a esco la p ú b lic a d a rede estadual de S an ta C atarina. T odos esses p a rticip a n te s eram destros, ou seja, se d a m ão d ireita para a execu ção d a tran scrição do texto, co n fo rm e pro p o sto com o tarefa. P arte sig n ific a tiv a d esses alu n o s pertence às cam ad as pop u lares, ap esar do c olégio estar situado em um bairro tradicional, com p red o m in ân c ia da classe m édia.

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