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Adhesive interactions within the hematopoietic niche

A imagem mais comumente associada à complexidade é a de um tecido, no qual as partes estão intimamente entrelaçadas formando um todo, porém sem que cada uma delas perca suas características particulares.

Morin (1998, p.188) aponta para o fato de que

[...] as diversas complexidades [...] (a complicação, a desordem, a contradição, a dificuldade lógica, os problemas de organização, etc.) formam o tecido da complexidade: complexus é o que está junto; é o tecido formado por diferentes fios que se transformaram numa só coisa. Isto é, tudo se entrecruza, tudo se entrelaça para formar a unidade da complexidade; porém a unidade do complexus não destrói a variedade e a diversidade das complexidades que o teceram.

O fundamento físico da realidade não é simples, mas complexo. Esta realidade comporta incertezas, aleatoriedades, contradições, desordem, as quais não podem ser excluídas da explicação complexa.

Verifica-se que no

nível macroscópico, o universo já não é a esfera ordenada que Laplace sonhava, mas, ao mesmo tempo, dispersão e cristalização, desintegração e organização. A incerteza, a indeterminação, a aleatoriedade, as contradições aparecem não como resíduos a eliminar pela explicação, mas como ingredientes não elimináveis de nossa percepção/concepção do real, e a elaboração de um princípio de complexidade precisa de que todos esses ingredientes, que arruinavam o princípio da explicação simplificadora, alimentem daqui em diante a explicação complexa (MORIN, 1998, p.272).

Trabalhar com a incerteza incita o pensamento complexo. “O pensamento complexo é o pensamento que, equipado com os princípios de ordem, leis, algoritmos, certezas e idéias claras, patrulha o nevoeiro, o incerto, o confuso, o indizível, o indecidível” (MORIN, 1998, p.231). O pensamento complexo tenta munir- se do máximo de certeza para enfrentar o incerto, o desordenado, o aleatório.

Existe, ainda, uma outra fonte de incerteza inerente à ação, traduzida pelo princípio da socioecologia da ação: “toda ação humana, a partir do momento em que é iniciada, escapa das mãos do seu iniciador e entra no jogo das interações múltiplas próprias da sociedade, que a desviam de seu objetivo e às vezes lhe dão um destino oposto do que era visado” (MORIN, 1998, p.128).

Assim, um novo paradigma não pode ignorar o que existe de incerteza, derivações, desordem e aleatoriedade nos fenômenos do mundo real. Ele deve comportar, portanto, “incertezas, antagonismos, associando termos que se implicam mutuamente. Mas o novo espírito da ciência [...] consiste em fazer progredir a explicação, não eliminando a incerteza e a contradição, mas as reconhecendo, ou seja, em fazer progredir o conhecimento pondo em evidência a zona de sombra que todo saber comporta [...]” (MORIN, 1998, p.267-268).

Como o paradigma da simplificação é baseado nas operações lógicas de redução e disjunção (separação), o paradigma da complexidade conterá operações

lógicas distintas: “[...] se o pensamento simplificante funda-se sobre a dominação de dois tipos de operações lógicas: disjunção e redução, que são uma e outra brutalizantes e mutilantes, então os princípios do pensamento complexo serão necessariamente princípios de distinção, de conjunção e de implicação” (MORIN, 1990, p.103-104).

Dentro dessa perspectiva de pensamento, “[...] a complexidade não é só pensar o uno e o múltiplo conjuntamente; é também pensar conjuntamente o incerto e o certo, o lógico e o contraditório, e é a inclusão do observador na observação” (MORIN, 1998, p.206).

O novo paradigma é complexo por também introduzir a causalidade complexa, “[...] sobretudo a idéia de ecoautocausalidade (que precisa sempre de causalidade externa) e a causalidade recorrente, em que o processo organizador elabora os produtos, ações e efeitos necessários à sua própria geração ou regeneração.” (MORIN, 1998, p.273)

Morin (1998, p.331-334) formula, então, a hipótese de que um paradigma de complexidade poderia ser constituído na e pela conjunção dos seguintes princípios de inteligibilidade:

1. validade, mas insuficiência, do princípio de universalidade. Princípio complementar e inseparável de inteligibilidade a partir do local e do singular; 2. princípio de reconhecimento e de integração da irreversibilidade do tempo na

física [...], na biologia [...] e em toda problemática organizacional [...]. Necessidade inelutável de fazer intervirem a história e o acontecimento em todas as descrições e explicações;

3. princípio que une a necessidade de ligar o conhecimento dos elementos ou partes aos conjuntos ou sistemas que elas constituem;

4. princípio da incontornabilidade da problemática da organização e [...] da auto- organização;

5. princípio de causalidade complexa, comportando causalidade mútua inter- relacionada [...], inter-retroações, atrasos, interferências, sinergias, desvios, reorientações. Princípio da endo-exocausalidade para os fenômenos de auto- organização.

6. princípios de consideração dos fenômenos segundo uma dialógica Ordem desordem (...) organização

Integração [...] da problemática da organização e dos acontecimentos aleatórios na busca da inteligibilidade.

7. princípio de distinção, mas não de separação, entre o objeto ou o ser e seu ambiente. O conhecimento de toda organização física exige que se leve em conta as suas interações com o seu ambiente. O conhecimento de toda organização biológica exige que se considere as suas interações com o ecossistema.

8. princípio de relação entre o observador / concebedor e o objeto observado/ concebido. [...] Necessidade de introduzir o sujeito humano – situado e datado cultural, sociológica, historicamente – em estudo antropológico ou sociológico; 9. possibilidade e necessidade de uma teoria científica do sujeito.

10. possibilidade, a partir de uma teoria da autoprodução e da auto-organização, de introduzir e de reconhecer física e biologicamente (e sobretudo antropologicamente) as categorias do ser e da existência;

11. possibilidade, a partir de uma teoria da autoprodução e da auto-organização, de reconhecer cientificamente a noção de autonomia;

12. problemáticas da limitação da lógica. [...] Princípio discursivo complexo, comportando a associação de noções complementares, concorrentes e antagônicas;

13. necessidade de se pensar de maneira dialógica e por macroconceitos, ligando de maneira complementar noções eventualmente antagônicas.

Assim, o desafio para o pesquisador passa a ser pensar a realidade de maneira complexa, deixando de lado o pensamento simplificante. Segundo Morin (1998, p.334), o

paradigma de complexidade não ‘produz’ nem determina a inteligibilidade. Pode somente incitar a estratégia / inteligência do sujeito pesquisador a considerar a complexidade da questão estudada. Incita a distinguir e fazer comunicar em vez de isolar e de separar, a reconhecer os traços singulares, originais, históricos do fenômeno em vez de ligá-los pura e simplesmente a determinações ou leis gerais, a conceber a unidade / multiplicidade de toda entidade em vez de a heterogeneizar em categorias separadas ou de a homogeneizar em indistinta totalidade. Incita a dar conta dos caracteres multidimensionais de toda realidade estudada.