3. Cadre Théorique
3.3 La sécurisation des migrations, acteurs et structures
3.3.1 Acteurs et dynamiques d’altérisation
No contexto educacional essa mudança transforma o ato de ensinar, traz impactos para o ambiente escolar, retira a exclusividade de ensinar do ambiente, modifica o papel do professor, derruba as barreiras acadêmicas existentes entre mestres e alunos, e democratiza a informação. O mais importante é saber que o ato de transformar informação em conhecimento foi resignificado na relação entre educador e educando, e certamente enquanto processo está muito mais independente e colaborativo e pode acontecer em qualquer local, inclusive além dos muros da Escola.
A sociedade da informação em rede também abarca a Escola, que acredita inovar a linguagem da aprendizagem, apenas ao introduzir tecnologias variadas junto a seu público. Cabe ainda amadurecer o fato de que
[...] o capital dessa nova sociedade não é mais a matéria-prima ou bens produzidos e acumulados, mas o conhecimento. Assim, do mesmo modo que hoje demandamos por mais bens
materiais, nessa nova sociedade deveremos demandar por mais conhecimento. (VALENTE, 2000, p. 01)
Para Valente (2000), a Escola sem dúvida deverá passar por inúmeras mudanças em sua estrutura para compreender seu novo papel ao assumir premissas como a de que o conhecimento é o que cada indivíduo constrói como produto do processamento, da interpretação, da compreensão da informação. “É o significado que atribuímos e representamos em nossas mentes sobre a nossa realidade. É algo que é construído por cada um, muito próprio e impossível de ser passado – o que é passado é a informação que advém desse conhecimento, porém nunca o conhecimento em si.” (p. 01)
O documento da UNESCO (2009), chamado “Padrões de competência em TIC para professores”, sugere três abordagens para motivar o uso efetivo das tecnologias por professores e alunos no contexto da sociedade do conhecimento. Com relação à formação docente, essas abordagens podem ser vistas como níveis de aprofundamento de competências, como:
a) alfabetização em tecnologia; b) aprofundamento do conhecimento; c) criação de conhecimento.
Essas competências se organizam a partir dos componentes: política e visão; currículo e avaliação; pedagogia; TIC; organização e administração e desenvolvimento profissional docente.
Desta forma, o uso adequado de TIC no contexto escolar com ferramentas, técnicas e dinâmicas próprias, pode trazer a tão desejada integração do trabalho realizado pelo professor e as novas demandas de uma sociedade que vive em rede. Nesse sentido o papel da formação docente é essencial para que essa integração aconteça.
Entretanto, muitas são as contribuições que o uso das TIC trouxe para a Escola, uma delas foi atender um número maior de pessoas, democratizando o acesso à educação, que era até pouco tempo atrás um privilégio de poucos. No contexto do capitalismo o campo educacional surge como uma nova fatia de mercado muito promissora.
Para Belloni (2002, p. 120-121), o uso das tecnologias de informação e comunicação permite uma expansão globalizada e altas taxas de retorno para investimentos privados transnacionais que nem sempre podem gerar produtos educacionais de boa qualidade. Mas, é aí que o mercado da Educação a Distância se abre e combina técnicas de gestão e marketing, gerando formas inéditas de ensino que podem resultar em aprendizagem efetiva.
A Educação a Distância (EaD) nasceu no século XVIII, quando cursos passaram a ser oferecidos por correspondência, para disseminação e democratização do ensino. Normalmente, esses cursos atendiam pessoas de classes menos privilegiadas, que não tinham acesso à Escola, ou que estavam geograficamente distantes dos centros urbanos.
De acordo com Romani e Rocha (2001, p. 02), do século XX até a II Guerra Mundial, com o aperfeiçoamento das metodologias utilizadas no ensino por correspondência e com o surgimento de meios de comunicação de massa, a Educação a Distância passou a utilizar o rádio com grande repercussão, principalmente no meio rural. Com o uso dessa tecnologia surgiram projetos importantes em EaD, como o Instituto Rádio - Monitor, fundado em 1939, no Brasil.
Segundo as autoras, em 1947, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (SENAC) e o Serviço Social de Comércio (SESC) criaram a Universidade do Ar, em conjunto com as Emissoras Associadas, utilizando o rádio para treinar comerciantes e seus empregados em técnicas comerciais. No início dos anos 60, o Movimento de Educação de Base (MEB) é criado para alfabetizar milhares de jovens e adultos através das chamadas ‘escolas radiofônicas’, principalmente nas regiões norte e nordeste no Brasil. Entretanto é com o uso da televisão que a EaD passou a ser usada como meio de comunicação em massa, com programas pré-gravados ou ao vivo, com várias iniciativas em todo o mundo. No Brasil os Telecursos oferecidos pela Fundação Roberto Marinho surgiram no final da década de 70 e ofereciam cursos supletivos à distância com grande sucesso até os dias de hoje. (ROMANI e ROCHA, 2001, p. 02)
Com o início do uso dos computadores em rede nos anos 80 e a popularização da internet, nos anos 90, a EaD tomou novas proporções, pois
permitia a interação síncrona ou assíncrona entre professores e alunos, ou seja, os participantes podiam se comunicar em qualquer lugar e hora, através de salas de bate-papo, correio eletrônico, videoconferências, ou se utilizando de outros recursos que a internet oferecia. Essa flexibilidade foi agregada sem a perda de conteúdo ou de qualidade.
Considerando as dimensões de nosso país, a quantidade de pessoas que necessita ser educada, a infraestrutura física disponível, assim como o número de educadores com capacidade para facilitar esse processo de construção de conhecimento, a Educação a Distância surge como uma solução viável para o governo brasileiro corrigir as distorções educacionais existentes, tendo em vista que requer uma estrutura mais simples para funcionar, e que é capaz de atender regiões distantes e sem especialistas da área educacional. (VALENTE, 2000, p. 02)
De acordo com Gamez (2011, p. 78-80), a educação a distância permite conceber novos cenários pedagógicos para a gestão do conhecimento, sem perder a qualidade, a partir de um conjunto de princípios, de procedimentos, de tarefas que definem o conteúdo, por meio de uma identificação estrutural de conhecimentos e competências visadas. De forma simplista o processo de criação de cursos em EaD se inicia com a identificação do nível de competência visada na formação, em função do tempo necessário para formar o público-alvo. Esses elementos auxiliam na definição dos objetivos de aprendizagem que antecedem a constituição dos cenários de ensino- aprendizagem a serem compostos, que consideram o tipo de conhecimento a ser lecionado, baseados em teorias de aprendizagem que suportem as decisões e a composição das atividades de aprendizagem e de formação propostas para os cursos.
Atualmente são várias as iniciativas que trabalham com a EaD apoiada nos inúmeros recursos disponíveis na internet para oferecer ambientes de aprendizagem coletiva, sistemas de autoria para cursos a distância, sites educacionais, salas virtuais, entre outros. O uso educacional para diferentes propósitos de pesquisa e desenvolvimento aplica várias metodologias, o uso de jogos e da solução de situações problema, que já existiam na modalidade presencial e que se aperfeiçoaram na modalidade não presencial. Além disso,
o uso do EaD tem sido bem explorado por empresas privadas e públicas, especialmente no que se refere à formação continuada de seus profissionais. Algumas empresas criam suas próprias Universidades Virtuais e assim qualificam constantemente seus quadros de funcionários. Todas essas iniciativas nacionais e internacionais de EaD se mostram eficientes na universalização da informação e do conhecimento. Muitas Universidades e Instituições hoje disponibilizam seus cursos online, de forma gratuita. (VALENTE, 2000, p. 03-06)
Entretanto, apesar de todas as tecnologias disponíveis e facilidades de acesso, muitas pessoas ainda não têm acesso à internet e uma boa parte da sociedade nem mesmo possui um computador pessoal, ou dispositivo móvel que as permita escolher estar ou não em ambientes que propiciem acesso à informação, ou à educação.
Nesse sentido, governos são continuamente demandados por programas e projetos que promovam a inclusão digital de uma grande massa da sociedade que está ainda à margem dos processos que envolvem a sociedade da informação em rede. O uso de novas tecnologias para promover ações de inclusão digital, em conjunto com o uso de equipamentos modernos, auxilia a Escola a incluir digitalmente parcelas significativas de crianças, jovens e adultos. (RONDELLI, 2003)
A opção em adotar o meio digital como mais uma ferramenta de apoio escolar na organização e apresentação de conteúdos curriculares e em atividades didático-pedagógicas na Escola atende à necessidade de adequação ao mundo globalizado, além de complementar as ações pontuais de investimento que o Centro Paula Souza desenvolve paralelamente, como a aquisição de equipamentos e construção de instalações modernas.
Na última década os ambientes digitais passaram a ser utilizados como elementos de apoio à aprendizagem na construção do conhecimento através de ações ativas, colaborativas e investigativas. A internet é a espinha dorsal da comunicação global mediada por computadores, desempenhando um papel fundamental e bem estabelecido no mundo dos negócios, da educação e do lazer, e servindo como meio de busca, armazenagem, processamento e distribuição da informação e do conhecimento em rede (MORAN, 2010).
Os projetos que têm como objetivo buscar uma preparação ou adequação a essa nova ordem social, dentro dos ambientes escolares, são os projetos que mais promovem a inclusão digital de alunos e professores, pois não se restringem a fornecer somente acesso às redes de informação, mas contribuem para integrar e disseminar os novos recursos tecnológicos e os conteúdos, e as informações que de fato incluirão as pessoas numa sociedade que vive em rede. Sem as redes de informação, ver-se-iam aumentadas ainda mais a massa de excluídos que sempre existiu em nossa sociedade, e que sem programas ou projetos de inclusão digital seriam os “digitalmente excluídos”, como afirmam Mattos e Santos (2009), em análise crítica feita sobre a sociedade da informação e inclusão social:
[...] são necessárias políticas públicas que contemplem não apenas a oferta de equipamentos de TICs, mas também que atinjam aspectos relacionados à desigualdade na distribuição da renda, às diferenças de níveis educacionais e às diferenças regionais do país, sob pena de que o esforço de inclusão digital acabe apenas por corroborar ou mesmo amplificar as diversas facetas de desigualdade no Brasil. (p. 127)
Para os autores são fundamentais as políticas públicas que atendam as camadas mais amplas da população e que possam de fato qualificar as pessoas a compreender e trabalhar com os conteúdos gerados por TIC. (MATTOS e SANTOS, 2009, p. 122)
Bonilha e Souza (2009, p. 136-137) tratam do tema da inclusão digital dizendo que é necessário tomar posse de conteúdo e de informação, e que isso não é feito apenas provendo acesso. A inclusão digital precisa estar associada a cidadania, de forma que a mesma não seja apenas compreendida de forma simplista, como algo que é produzido fora dos contextos sociais e a eles aplicados impositivamente.
Desta forma, projetos que tratam da gestão de conteúdos digitais no ambiente escolar são importantes aliados para a promoção da inclusão digital e o uso de tecnologias da informação e comunicação. Uma ação depende da outra para incentivar o uso de TIC dentro da Escola para que de fato se promova a inclusão digital.
Para Correa et al (2010), a aquisição de equipamentos para o uso de novas tecnologias na escola não garante por si só que alunos e professores farão uso desse ferramental. O que de fato promove ações de inclusão digital e inserção de novas tecnologias é a apropriação que alunos e professores fazem desses ferramentais contribuindo para o processo ensino-aprendizagem ao se transformarem em usuários críticos e inteligentes, que otimizam recursos e ambientes em favor de uma autogestão responsável do processo escolar.
É importante destacar que, além da compra e da estrutura para o uso diário, seguro e correto das TIC, é necessário um planejamento a curto, médio e longo prazo para possibilitar que todos os usuários da unidade escolar possam se apropriar desse conhecimento com condições de interação junto à comunidade escolar em projetos benéficos para a coletividade, além de promover a consciência necessária para o uso autônomo e crítico. Até porque, o uso e a escolha das TIC na educação não são ações neutras, pois há intencionalidades políticas, comerciais e, por fim, muitas vezes, didático- pedagógicas. (CORREA et al. 2010, p. 20)
O Centro Paula Souza por meio do Projeto com o Portal Educacional, implementou Política Pública para inclusão digital e uso de TIC, e para isso investiu recursos públicos do Governo Estadual para desenvolver essas ações. Enquanto Instituição Pública demonstrou preocupação com o fato de que a Escola deve estar modernizada para conseguir desenvolver seu trabalho na preparação dos jovens para viver em sociedade.
A sala de aula tradicional já deixou de ser o único local para que alunos e professores trabalhem de forma criativa e colaborativa desenvolvendo repertórios acadêmicos em rede. O objetivo maior da Escola é ensinar o aluno a pensar e nesse sentido precisa estar em sintonia com o que está acontecendo no mundo globalizado, o mesmo mundo que esses alunos deverão enfrentar assim que saírem dos bancos da Escola. (MORAN, 2010)
Portanto, o estudo desenvolvido aqui explorou situações e contextos do mundo escolar e auxiliou a validação das ações envolvidas no processo de inserção de novas tecnologias em sala de aula e de inclusão digital, assim como criou condições para melhorar o controle da gestão pública sobre os investimentos feitos pelo governo estadual junto às Etecs do Centro Paula Souza.
3.3. A AVALIAÇÃO DO PROJETO INSTITUCIONAL BASEADO EM EAD