Fonte: Elaboração própria a partir de dados da Revista da Abrapp vários números
*As aplicações em Renda Fixa e em Renda Variável não incluem os Fundos de Investimentos. Estes incluem tanto os Fundos de Investimento em Renda Fixa, quanto os Fundos de Investimento em Renda Variável As aplicações em Renda Fixa incluem os títulos públicos, as debèntures e os depósitos a prazo.
Em segundo lugar, um outro elemento que podemos perceber é a relativa complementaridade existente entre as aplicações em títulos de renda fixa e em ações. Se
compararmos a composição da carteira de aplicações dos fundos de pensão brasileiros, notaremos que, em geral, quando há uma queda na participação das aplicações em ações, há também um crescimento nas aplicações em títulos de renda fixa (e vice-versa). Há, de certa forma, uma migração correlata de uma aplicação para outra. Pelo Gráfico III. 1, esta questão pode ser observada claramente já no início dos anos 90 e, notadamente, a partir de meados de 1993, quando houve um aumento mais expressivo das aplicações em renda variável vis-à-vis as de renda fixa.
Devemos observar aqui que os dados agregados que analisamos não nos permitem verificar com clareza a relação entre as aplicações de renda fixa e as de renda variável. As informações da Abrapp (a não ser mais recentemente) não fornecem a separação entre os fundos de investimento de renda fixa e os fundos de investimento de renda variável, de modo que o Gráfico III. 1 apresenta estas modalidades de forma conjunta. Percebe-se que em 1997, 1998 e 1999, a participação destes fundos de investimento foi aumentada, sendo que este movimento é devido essencialmente ao crescimento das aplicações em fundos de renda fixa a partir da re- introdução da pós-fixação, conforme será analisado mais adiante.
As informações relativas às aplicações em fundos de investimento passaram a ser apresentadas de forma desagregada (fundos de investimento em renda fixa e fundos de investimento em renda variável) após Maio de 1997, o que nos permitiu uma análise mais acurada do movimento das aplicações dos fundos de pensão nacionais em conjunto. Assim, como nos mostra o Gráfico III.2, a partir deste período, tal qual o comportamento geral das aplicações em renda fixa e em ações, há também uma certa complementaridade entre as aplicações em fundos de investimento de renda fixa e as em fundos de investimento em renda variável. Isto reforça ainda mais o movimento de complementaridade entre as aplicações em títulos de renda fixa e em renda variável.
Se coadunarmos as informações dos Gráficos III. 1 e III.2 com as dos Gráfico III.3, que mostra o movimento do índice Ibovespa do final da década de 80 ao final dos anos 90, teremos também a indicação de que a forma de atuação dos fundos de pensão brasileiros (se considerados conjuntamente) tem apresentado essencialmente um movimento semelhante ao dos demais aplicadores que operam no mercado. Um estudo do banco Oportunity mostra que o comportamento típico do aplicador das Bolsas brasileiras é o de realizar entradas quando ela está em alta e sair em massa nos períodos de baixas pronunciadas (GAZETA MERCANTIL, 5/12/2000). No caso dos fundos de pensão nacionais, tal qual o movimento do mercado de capitais brasileiro com um todo, nos momentos de baixa do mercado de ações os mesmos diminuem as suas aplicações em renda variável e as direcionam mais fortemente para os ativos
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de renda fixa, sendo o inverso verdadeiro nos momentos em que o mercado acionário apresenta melhores performances. Pelos dados dos Gráficos III. I e 111.3, percebe-se que, em linhas gerais, o crescimento mais significante das aplicações destes fundos em ações na década de 90 acompanhou o crescimento do índice Ibovespa, especialmente a partir de 1993, quando este índice começou a apresentar um crescimento mais acentuado. Ora, este é um dos comportamentos típicos de um especulador, o de “(...) um seguidor de tendências dos movimentos de preços dos ativos, descolados dos valores fundamentais um grafistçT (COSTA,
1997: 51)(grifos do autor).
GRÁFICO III. 2
FUNDOS DE PENSÃO BRASILEIROS: PRINCIPAIS APLICAÇÕES EM RENDA FIXA E EM RENDA r U ND<JJ> DE rE«»A VARIÁVEL*: MAIO/97 A NOV/99
Fundos de favestimento-RF ---Renda Variável —Fundos de Investimento-RV
♦XíSos Ao Jnização dos Títulos que compõem «.da tipo de aplicação foi feita segumdo a
Os dados comí e sugerida pela SPC. As aplicações em Renda Fixa incluem os mulos públicos, as debêntures e
esquematizaçao utn v aplicações em Renda Variável abrangem as ações, os fundos de investimento em renda varíável os.:fundos de investimento imobiliário, os fundos de commodities e o mercado de ouro a termo. ~
Ademais, especificamente no tocante às aplicações dos fundos de pensão nacionais em ações, merece destaque especial o fato de que o montante médio de recursos.aplicados nesta modalidade é altamente viesado nelas aplicações da Preyi (fondo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil). Isto, de um lado, porque esta fundação é, de longe, o maior fundo de pensão do Brasil, detendo um patrimônio de R$ 34.385.366 mil e possuindo 74.668 participantes. As cifras administradas pela Previ representam mais de quatro vezes o patrimônio da fundação que se encontra no segundo lugar no ranking das EFPP’s brasileiras - a Sistel (fundo de pensão dos funcionários das empresas de telecomunicações) - que administra recursos da ordem de R$ 8 219 980 mil, e quase cinco vezes o da Petros (fundo de pensão dos funcionários da Petrobrás) que por sua vez, é a terceira colocada nesse ranking, tendo sob a sua tutela cerca de R$ 7.246.098 mil (site da Abrapp, 2000 <informações coletadas em Dezembro de 2000^).
GRÁFICO III. 3