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Variations temporelles en oxygène et hydrogène – relations à la température température

H) II.4.1 Cas général

III.6.4 Variations temporelles en oxygène et hydrogène – relations à la température température

92 Comecemos pela visão do Padre Espanca, mais institucional, mais fascinada pela vida da

corte em Vila Viçosa. Obra lúcida, de quem conhecia o terreno, mas não inocente — pela sua obra prepassa, por exemplo, uma crítica tenaz do Liberalismo. Afinal de contas, ele viveu a época do fim do Antigo Regime. A maior parte dos capítulos são transcrições dos Arquivos Municipais. Nalguns, porém, o autor tece comentários sobre a situação social sua contemporânea17.

Vila Viçosa foi a segunda povoação portuguesa eregida em Marquesado (1431) e o primeiro Marquês, já então conde de Arraiolos, foi D. Fernando, segundo filho de D. Afonso, Conde de Barcelos (que mais tarde viria a ser o primeiro Duque de Bragança) e neto materno de Nuno Alvares Pereira. A morte prematura do seu irmão mais velho, D. Afonso, Marquês de Valença, falecido sem filhos legítimos, devolveu ao primeiro Marquês de Vila Viçosa o direito de sucessão na Sereníssima Casa e Estado de Bragança.

Até à erecção em Marquesado, Vila Viçosa vivia principalmente da agricultura, pagando apenas ao Estado os impostos e dando a Évora e Aviz dois terços dos seus dízimos. Começou então a receber de outras povoações do reino somas avultadas, seja de rendimentos particulares da casa dos Bragança e dos fidalgos desta, seja de Comendas e Alcaidarias-Mores. As primeiras, segundo um autor citado por Espanca (Cadornega), eram 45 só da apresentação da Casa de Bragança, e as segundas 18 (5:8)

18. A colocação da corte do estado de Bragança acarretou que Vila Viçosa se tornasse

em cabeça de comarca das 12 vilas e um concelho do Ducado no Alentejo, bem como a posse de tribunal de fazenda e o Desembargo de todo o Estado Brigantino, com uma cidade (Bragança), 24 vilas e 400 lugares.

A ligação local à história nacional é visível na genealogia da Casa. O primeiro duque foi D. Afonso, filho natural de D. João I, quando este era apenas mestre de Avis. Casou-se com Dona Beatriz, filha do Condestável. D. João legitimou-o para se poder casar, e D. Nuno demitiu-se do Condado de Barcelos para o rei poder nomear D. Afonso para aquele condado e este casar já com categoria. O dote da filha do Condestável incluía vilas e castelos de Entre Douro e Minho e Trás-os-Montes. Na morte do senhor de Bragança, Afonso tomou-a para si, tendo o regente, D. Afonso V, passado título de Duque de Bragança em 1449.

D. Manuel I reformou os forais antigos para estabelecer um novo regulamento da cobrança de portagens (5:97). As liberdades municipais teriam sido, de algum modo, cerceadas, através da criação dos Juízes de Fora. Quanto às aldeias, como Bencatel ou Pardais, contavam com os chamados Vintaneiros ou Juízes de Vintena, que perduraram até 1834, cumprindo funções semelhantes às dos regedores de Paróquia ou Juízes eleitos do tempo de Espanca (5:104).

93 Descansemos um pouco da prosa de história-crónica do Padre Espanca. A Memória

Paroquial referente a Pardais (vol 27, memória 82, pag 523, Torre do Tombo), dá-nos um

quadro sumário da freguesia de Pardais em 1758.

A freguesia contava então com 84 vizinhos, a que correspondia uma população de 280 pessoas. Compreendia duas aldeias, a de Pardais, com 70 vizinhos e a da Fonte Soeiro, com 14 vizinhos. Segundo o padre que redigiu a resposta a este inquérito nacional subsequente ao terramoto de 1755, a paróquia ficava fora destes lugares. Isto é, a igreja estaria situada numa campina, embora constasse que em tempos antigos se tivesse situado num monte contíguo. Nesta (que creio ser a actual capela do cemitério), o padre descreve quatro altares, sendo um do orago, Santa Catarina, de que havia uma mordomia que todos os anos celebrava a festa, a 25 de Novembro, «com grande cortejo de gentes que acorre com intento de ganhar uma indulgência plenária, dada a quem neste dia, confessado e comungado, visite a Igreja». O segundo altar estava consagrado a Nossa Senhora do Rosário, com uma mordomia também, o terceiro ao Senhor Jesus crucificado, igualmente com mordomia, que todos os anos celebrava festa no dia da Circuncisão. O outro altar estava consagrado ao Santíssimo Nome de Jesus. Estas são exactamente as invocações a que ainda hoje se presta culto. Existia igualmente uma Capela das Almas, com uma irmandade que todos os anos celebrava aniversário pelos irmãos defuntos. O inquérito refere ainda mais duas mordomias: de S.João Baptista e de Santo António. O pároco era cura apresentado pelo prelado da diocese, e recebia uma renda de 200 alqueires de trigo. É reportada uma ermida no sítio da Orta Grande, arruinada (trata-se da Igreja consagrada a Santa Helena, de que não há hoje vestígios).

cevada. Em anos de água, também muito feijão branco». E referida uma lagoa célebre na herdade da Lagoa (hoje uma pedreira), e a freguesia estaria «dotada pela natureza de muitas águas», com abundância de fontes que alimentavam quintas, jardins e hortas. No documento faz-se várias vezes menção à Quinta do Panasco, e na Herdade da Almagreira «retiram-se terras equivalentes e semelhantes em as cores aos tabacos» (trata-se de manganês). A maior parte dos campos «é de matos silvestres», pelo que havia abundância de perdizes, lebres e coelhos.

Na referida lagoa formava-se o rio (Ribeira de Pardais), em cujas margens eram cultivados feijões, trigo e meloais, bem como árvores de fruto. Ao todo, contavam-se 21 azenhas e 3 moinhos. As águas não eram livremente usadas pelos moradores, porquanto todos os engenhos «que estão em este rio pagam foro desta água à Sereníssima Casa de Bragança». O rio «não passa junto a povoação alguma menos em seu princípio, que tem a aldeia de Pardais vizinhos das suas margens». Por fim, «há também junto a este rio três pedreiras, donde se tiram pedras de moinho em abundância que se difundem por toda esta província» (daqui a designação, anterior à indústria do mármore, do Bairro das Pedreiras).