Os procedimentos utilizados para coleta de dados foram: pesquisa documental, entrevistas semi-estruturadas e levantamento de opiniões (survey). O recorte temporal é transversal, pois os dados foram coletados em um único período de tempo (Creswell, 2014).
Para o primeiro objetivo específico de mapear as iniciativas de Hackathon promovidas pelo setor público brasileiro foi utilizado o procedimento de pesquisa documental. O conceito de documento por sua vez é bastante amplo: todo objeto capaz de comprovar algum fato ou acontecimento (Gil, 2010). A pesquisa documental tem como fonte de dados documentos existentes (documentos institucionais, documentos pessoais, material elaborado para fins de divulgação, documentos jurídicos, documentos iconográficos, registros estatísticos e websites) a respeito do assunto pesquisado (Gil, 2010).
A coleta das evidências documentais se deu em websites, editais de convocação com o resultado de processos seletivos de cidadãos para Hackathons e documentos, notícias geradas a partir das iniciativas. Foram conduzidas buscas no dia 01/12/2016 desses documentos no Diário Oficial da União (canal oficial de convocação do setor público - http://portal.imprensanacional.gov.br/), Google News (website de busca de notícias - https://news.google.com.br/) e o website Ping Hacker (portal de notícias e divulgação de eventos especializado no público hacker brasileiro - http://pinghacker.com.br/). Como parâmetros de busca foram utilizados as palavras-chave “hackathon” e “maratona hacker” com combinação da palavra-chave referente ao locus da pesquisa: “governo” ou “setor público”. Para os websites Ping Hacker e Imprensa Nacional (Diário Oficial da União) foram analisados todos os resultados e catalogados aqueles que diziam respeito aos Hackathons organizados pelo setor público, excluindo os resultados repetidos ou não condizentes com o objetivo da pesquisa. Já para o website Google News, devido à quantidade de retornos da busca, foram analisadas até cinco páginas após o último Hackathon catalogado, para se reduzir o risco da não identificação de algum evento (resultando em buscas até a página 15 do website). Não foram considerados os eventos organizados por entidades privadas sem fins lucrativos (ex.: SEBRAE, Transparência Brasil, entre outros). A partir dessas buscas, foram catalogados 47 Hackathons organizados pelo governo.
Considerando os objetivos específicos dois e três, para identificar os propósitos na promoção da iniciativa e avaliação dos resultados dos Hackathons, foram conduzidas entrevistas com agentes públicos promotoras desse tipo de iniciativa no Brasil. A escolha dos
sujeitos para realização das entrevistas foi de acordo com a intensidade. De acordo com Patton (1990), a lógica de escolha de sujeitos pela intensidade passa pela seleção dos casos que possuem maior experiência (escolha pelo propósito da pesquisa). Esses casos possibilitam aprender com maior profundidade e conseguir informações mais ricas pertinentes ao estudo. Marshall (1996) e Coyne (1997) afirmam que selecionar os casos que parecem ser os mais produtivos para atingir os objetivos da pesquisa é a forma mais utilizada em pesquisas qualitativas.
Em uma busca preliminar realizada em outubro de 2016 seguindo o mesmo protocolo de busca mencionado anteriormente, foram identificadas as organizações que haviam promovido Hackathons. Foram contatadas as organizações que haviam promovido o maior número de Hackathons, e convidados para a entrevista os sujeitos que participaram da organização das iniciativas. Foram entrevistados nove sujeitos, em um total de oito entrevistas (uma das entrevistas foi realizada com dois participantes, a pedido da organização responsável, para maior riqueza de informações). As organizações onde os dados foram coletados promoveram um total de 20 Hackathons, cobrindo mais de 42% das iniciativas totais catalogadas.
Bauer e Gaskell (2000) sugerem que o momento de encerrar a coleta de evidências empíricas seja entre a 15ª e 20ª entrevista. Já Thiry-Cherques (2009) sugere entre 10 e 20 entrevistas. Dessa forma, o número de entrevistas não se mostra distante em termos de quantidade e com uma representação considerável do total de Hackathons já realizadas, seguindo recomendações de Patton (1990), Marshall (1996), Coyne (1997) e Thiry-Cherques (2009).
As entrevistas foram realizadas presencialmente e por intermédio de software de teleconferência (Skype) entre os meses de outubro e novembro de 2016, tiveram duração total de mais de quatro horas e o tempo médio por entrevista foi de 31 minutos. O áudio das entrevistas foi gravado e em seguida foi realizada a transcrição para que a análise de conteúdo fosse aplicada.
Foi solicitado ao órgão locus que participassem da entrevista os agentes públicos responsáveis pela realização dos Hackathons. Nesse sentido, sujeitos de diferentes níveis hierárquicos foram entrevistados, a saber: Diretor de Ciência, Tecnologia e Inovação; Pesquisador Tecnologista em Informações e Avaliações; Diretor de Comunicação Externa; Coordenadores e Gestores de área; e Secretários Municipais.
Para realização das entrevistas, foi solicitada a assinatura do Termo de Aceite Institucional do representante da organização e do Termo de Consentimento Livre e
Esclarecido dos entrevistados, seguindo os procedimentos exigidos nas Resoluções Éticas Brasileiras, em especial a Resolução CNS 196/96 e pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Instituto de Ciências Humanas da Universidade de Brasília. Esta pesquisa foi aprovada por esse Comitê no dia 04 de Setembro de 2016 (Certificado de Apresentação para Apreciação Ética número 57753316.0.0000.5540).
Quanto aos objetivos específicos 5 a 7, relacionados à avaliação das motivações e perfil sociodemográfico dos participantes de Hackathon, foi utilizado o levantamento de opinião (survey). O levantamento de opiniões é utilizado quando se deseja obter dados primários de uma grande amostra de indivíduos, cujas características, ações ou opiniões se deseja conhecer e, a partir de uma análise quantitativa dos dados, concluir sobre algum assunto (Creswell, 2014). Foi utilizado um questionário online (disposto no Apêndice B e no website https://gabriel206.typeform.com/to/GCVNW6). A adesão à pesquisa foi voluntária, caracterizando uma amostragem por conveniência e não probabilística, por contemplar a participação de sujeitos que estivessem mais disponíveis para tomar parte no levantamento e que pudessem fornecer as informações necessárias à pesquisa (Creswell, 2014).
Foi utilizada a estratégia da bola-de-neve visando maior alcance do levantamento de opinião. Essa estratégia se dá pelo compartilhamento do instrumento de pesquisa por parte dos primeiros sujeitos, que vão acionando outros possíveis respondentes que atendam aos requisitos de participação (Berg, 1988). Os sujeitos foram convidados a participar a partir do compartilhamento do instrumento em redes sociais e por correio eletrônico dos participantes fornecido pelas organizações promotoras da iniciativa. Como incentivo ao compartilhamento da pesquisa, os três sujeitos que mais indicaram contatos para responder a pesquisa foram premiados com vale-compra no valor de 100 reais na loja virtual de sua escolha. Ao todo, foram respondidos 319 questionários, com 308 respostas válidas.
Estima-se que 30 pessoas participam em cada Hackathon (Klix, 2013). Foram catalogadas 47 iniciativas promovidas pelo setor público, tendo uma população aproximada de 1.410 sujeitos. Bartlett, Kotrlik e Higgins (2001, p. 48) sugerem que o tamanho adequado da amostra de uma pesquisa com variáveis categóricas e população de 1410 sujeitos deve ser 303 sujeitos, ou seja, valor inferior à quantidade coletada (308 respostas válidas). Essa amostra leva em consideração um intervalo de confiança de 95% (z-score de 1,96), margem de erro de 5% e estimativa de proporção da população de 50% (essa porcentagem resultará na maximização da amostra, sendo uma medida conservadora recomendada ao pesquisador) (Bartlett et al., 2001).