• Aucun résultat trouvé

Utilisations thérapeutiques

Dans le document Parcours des ains (Page 91-142)

Segundo Antunes (2012a), a teoria chegou ao Brasil em 1994 e houve aderência de educadores, como foi o caso de Celso Antunes e Nilson Machado. Além de Gardner, toma-se como base a fala de Celso Antunes, em sua coleção Inteligências Múltiplas e seus Jogos, por se tratar de um renomado educador e estudioso da teoria aqui tratada, além de criar uma relação direta da teoria com os jogos.

Para Gardner (2001), nos últimos séculos, principalmente nas sociedades ocidentais, popularizou-se a ideia da pessoa inteligente, sendo que as atribuições que essa pessoa deve possuir evoluíram com o tempo e os cenários de ideologia de cada sociedade. Nas escolas tradicionais, destacava-se o domínio em línguas clássicas e matemática, principalmente geometria. Antunes (2012a) considera que a escola brasileira ainda trata os seus estudantes (com algumas raras exceções) como seres munidos de inteligência em seu conceito antigo, privilegiando a clareza de se expressar e o domínio da resolução de desafios matemáticos. Para ele, alguns educadores acreditam que os saberes corporais, emocionais, artísticos, naturalistas e outros não devem ser desenvolvidos na escola. Apesar de algumas evoluções, a base para as avaliações continuam passando pelo domínio linguístico e matemático. Outro elemento importante da teoria é acreditar que a ação estimuladora das inteligências não depende exclusivamente do professor e das instituições de ensino, mas de diversas pessoas ligadas e atuantes no meio social do indivíduo, ampliando assim o seu desenvolvimento.

Para Gardner (2009), inteligência é um potencial para processar a informação que entra pelos olhos, ouvidos ou membros, nos capacitando a solucionar problemas e fazer coisas que são valorizadas em culturas e comunidades. Ele metaforiza dizendo que cada ser humano possui vários computadores em seu cérebro, um para cada inteligência, sendo que cada pessoa possui potenciais diferentes de funcionamento de cada computador.

O “olhar” que a teoria possui de inteligência pode ser definida como

a faculdade de entender, compreender, conhecer. Inteligência é também juízo, discernimento, capacidade de se adaptar, de conviver. Constitui

potencial biopsicológico não especificamente humano, mas que em seres humanos assume dimensão inefável. É uma capacidade para resolver problemas e serve também para criar ideias ou produtos considerados válidos (ANTUNES, 2012a, p. 19).

Sendo as criaturas humanas munidas de elevado nível de inteligência, com capacidade para compreender, inventar e atribuir significado às informações, produzindo respostas pertinentes. É ela que possibilita dar sentido ao meio em que interagimos, responsável por buscar, armazenar e criar elementos em nossa memória, capacitar o raciocínio, ter vontade de realizar algum feito, “criar e utilizar símbolos e graças a eles realizar conquistas extraordinárias, fazendo surgir o mito, a linguagem, a arte e a ciência” (Antunes, 2012a, p. 20). E a imensidão de possibilidades é tão grande que nos faz seres únicos. É nesse sentido que a Teoria das Inteligências Múltiplas possui interseção à teoria de Vygotski, descrita anteriormente.

A Teoria se constitui em uma nova maneira de ensinar, uma nova forma de conhecer a capacidade dos estudantes, transpondo as barreiras das aulas tradicionais. O objetivo didático, ao se trabalhar com Inteligências Múltiplas, é ressaltar a interdependência humana, evidenciando a solidariedade, a cooperação e a complementação no aprofundamento às relações interpessoais. Nesse contexto, acredita-se na utilização do QUIZ para despertar e, de certa forma, atuar no desenvolvimento das Inteligências Múltiplas dos participantes, sendo mais um instrumento útil em meio a tarefas educacionais.

Para Antunes (2012a, p. 41) os jogos são “atividades de natureza lúdica e educativa, em relação interpessoal entre o mediador e as crianças, estabelecidas por algumas regras e por objetivos”.

Neste estudo, dar-se-á atenção especial à inteligência lógico-matemática, por se tratar, principalmente, de conteúdo utilizado como foco da pesquisa. Apesar de acreditarmos que, com o QUIZ, é possível trabalhar e criar possibilidades para o desenvolvimento de todas as Inteligências Múltiplas da Teoria: Inteligência cinestésico-corporal, Antunes (2009a); inteligência ecológica, naturalista ou biológica, Antunes (2009b); inteligência espacial, Antunes (2009c); inteligência linguística, Antunes (2007); inteligência lógico-matemática, Antunes (2012b); inteligências pessoais e inteligência existencial, Antunes (2012c); inteligência sonora ou musical, Antunes (2006). As inteligências podem ser trabalhadas no jogo por

meio de perguntas bem elaboradas, fazendo com que os estudantes pensem, reflitam e troquem informações com os outros integrantes da equipe. Também por meio de atividades lúdicas, sendo um amplo espaço flexível do jogo, fazendo com que a imaginação dos elaboradores seja o limite para tais atividades. As atividades lúdicas são mais detalhadamente descritas na parte de Atividades Criativas que podem complementar a dinâmica do jogo.

Há também de se destacar as inteligências pessoais, a inteligência linguística e a inteligência sonora. Elas são constantemente desenvolvidas durante a dinâmica do jogo, seja pela interação com os integrantes da equipe, seja pela capacidade de se relacionar e de convencimento em relação à resposta correta do jogo ou, até mesmo, pela capacidade de realizar tudo isso com a atmosfera lúdica proporcionada pela música durante a atividade.

A inteligência lógico-matemática também é abordada na teoria de Gardner. Essa inteligência possui relação com o processo de resolução de problemas, principalmente os que envolvem grandezas, valores ou números. Indivíduos com essa inteligência desenvolvida conseguem trabalhar, finalizar um processo lógico ou realizar contas de forma extremamente rápida, possuindo uma natureza não verbal (ao contrário da inteligência linguística) em seus atos de pensar e em suas respostas. Possuem familiaridade com gráficos, números e expressões algébricas ao invés de palavras e frases. Gardner (2009) afirma estar presente com maior intensidade em algumas profissões como Engenharia, Física, Matemática, Contabilidade, Programação de Computadores e inúmeras outras que envolvem ou manipulam números ou análises de dados, como é o caso de alguns cientistas. Ao contrário da inteligência linguística e sonora, que possui origem no âmbito auditivo-oral, a inteligência lógico-matemática, em crianças pequenas, é despertada na relação com o mundo dos objetos: realizando comparações e avaliando

quantidades. Ao passar dos anos “o raciocínio será aplicado no desenvolvimento de

sua compreensão de afirmativas, de pessoas e de ações em relação a outras ações.” (Antunes, 2012b, p. 21). Normalmente, crianças que gostam de jogos de estratégia, com peças de armar ou desmontar, jogos que envolvam números, batalha naval ou xadrez, que criam uma familiarização com o computador, possuem tendências no desenvolvimento dessa inteligência.

Para o autor, o estímulo da inteligência lógico-matemática envolve alguns aspectos importantes, principalmente em desafios que envolvam:

 O reconhecimento de objetos diferentes, proporcionando comparação, associação e padrões de características comuns entre eles;

 Exploração de conceitos de quantidade, tempo causa e efeito;

 Utilização de elementos simbólicos para a representação de coisas ou situações concretas;

 Resolução de problemas de lógica;  Levantamento e teste de hipóteses;

 Elaboração de estimativas e interpretações de gráficos e estatísticas;  Resolução de operações complexas e programação de computadores;

 Desafios que envolvam peças de montar para construção de objetos e formulação de modelos.

A inteligência lógico-matemática foi efetivamente utilizada nas aplicações do QUIZ analisadas no estudo, principalmente na parte quantitativa, isto é, nos testes e análise do desempenho dos estudantes nesta área.

Gardner (2009) afirma que em mais de 25 anos de estudos, a Teoria das Inteligências Múltiplas pode ser resumida a duas afirmações científicas e a duas afirmações educacionais. A primeira afirmação científica diz que todo ser humano possui todas as inteligências anteriormente discutidas. A segunda afirmação diz que não existem dois seres humanos com o mesmo perfil de inteligência. Nesse contexto, Gardner afirma que devemos individualizar a educação ao máximo possível (ao contrário do que fizemos por toda a história da educação), possibilitando cada pessoa aprender da maneira que preferir. Ressalta que esta é a primeira vez em nossa história que temos a possibilidade de realizar esse feito, com a ajuda da tecnologia. A segunda afirmação educacional diz que devemos ensinar tudo que é importante de várias maneiras diferentes, utilizando o maior número possível dos conceitos discutidos sobre cada uma das inteligências múltiplas. Dessa forma é possível ter um maior alcance no aprendizado dos estudantes, respeitando

suas individualidades de apreensão do conhecimento e realizando uma maior ativação de redes neurais no cérebro, mediante formas diferentes de aprendizado. O QUIZ não poderia ser uma delas?

Por fim, Gardner (2009) ressalta que apesar da importância do desenvolvimento de todas as inteligências, a maneira que cada um as utiliza é fundamental para o futuro da humanidade.

Acredita-se que cada uma das inteligências pode ser trabalhada no QUIZ, algumas em maior grau e outras com adaptações ao jogo, evidenciando o seu potencial e relação à Teoria de Howard Gardner. Este estudo se utilizou da Teoria como apoio no entendimento e importância da inteligência lógico-matemática e na validação do jogo como instrumento útil a tarefas educacionais, mostrando que pode ser mais um caminho para o desenvolvimento educacional e de inteligências. Haveria necessidade de pesquisas mais aprofundadas a fim de detalhar a relação do QUIZ com cada uma das Inteligências de Gardner.

Dans le document Parcours des ains (Page 91-142)