análise dos dados foi dividida em duas etapas: uma para os 141 estudantes e outra para os doze, todos da graduação de Ciência da Computação, ingressantes ou concluintes, da mesma IES.
A amostra de sujeitos não foi equilibrada em gênero, uma vez que o curso de Ciência da Computação possui muito mais estudantes do sexo masculino do que do feminino35. Da mesma maneira, o número de participantes ingressantes (111) foi maior que o de concluintes (30), justamente por haver alta evasão nessa graduação, um dos motivadores desta pesquisa.
Resultados e análises dos 141 estudantes
As análises com a amostra de 141 estudantes giraram em torno das seguintes variáveis: desempenho no EGRAF dos ingressantes e dos concluintes, desempenho dos sujeitos mal e bem sucedidos no EGRAF, desempenho no ENADE (formação geral) dos ingressantes e concluintes, desempenho no ENADE (formação geral) dos sujeitos mal e bem sucedidos no EGRAF, desempenho no ENADE (componente específico) dos ingressantes e concluintes, desempenho no ENADE (componente específico) dos sujeitos mal sucedidos e bem sucedidos no EGRAF, raciocínio dedutivo dos ingressantes e concluintes e raciocínio dedutivo dos sujeitos mal sucedidos e bem sucedidos no EGRAF.
A média das idades dos ingressantes era 19,93, desvio-padrão 3,00 e, dos concluintes, média de 24,00, desvio-padrão 2,75.
As análises estão apoiadas em resultados estatísticos como os testes t, de Kolmogorov-Smirnov, correlação de Pearson, dentre outros, realizados com auxílio do software SPSS e Excel
A tabela 6.1 mostra o número de sujeitos, a média, o desvio-padrão e o teste de normalidade Kolmogorov-Smirnov (K-S Test), para cada variável. Em estatística, o teste Kolmogorov-Smirnov é usado para determinar se duas
35 INEP divulgou que a graduação de Ciência da Computação apresenta em média 87% de estudantes do sexo masculino (www.inep.gov.br).
distribuições finitas diferem uma da outra. Todas as amostras apresentaram distribuição normal. Esse fato permite o uso do teste t para as amostras de estudantes.
O desempenho no EGRAF
O resultado do desempenho no EGRAF dos sujeitos agrupados como ingressantes ou concluintes e, como bem ou mal sucedidos neste exame, encontra-se na tabela 6.2.
Os ingressantes tiveram desempenho inferior no EGRAF em relação aos concluintes, pois a diferença da média entre os dois grupos é apontada como significativa pelo teste t (t(141)=-2,634; p=0,011).
Tabela 6.1: Variáveis e o teste de normalidade
Variável N Teste de normalidade
(K-S Test) EGRAF - ingressantes 111 K-S(111)=1,002 p=0,268
EGRAF - concluintes 30 K-S(30)=0,370 p=0,999
EGRAF - mal sucedidos 76 K-S(76)=0,823 p=0,508
EGRAF - bem sucedidos 65 K-S(65)=0,973 p=0,300
ENADE (f.geral) - ingressantes 111 K-S(111)=2,318 p=0,000
ENADE (f.geral) - concluintes 30 K-S(30)=0,806 p=0,535
ENADE (f.geral) - mal sucedidos no EGRAF 76 K-S(76)=1,839 p=0,002
ENADE (f.geral) - bem sucedidos no EGRAF 65 K-S(65)=1,321 p=0,061
ENADE (c.específico) - ingressantes 111 K-S(111)=1,189 p=0,119
ENADE (c.específico) - concluintes 30 K-S(30)=0,817 p=0,517
ENADE (c.específico) - mal sucedidos no EGRAF 76 K-S(76)=1,119 p=0,163
ENADE (c.específico) - bem sucedidos no EGRAF 65 K-S(65)=1,092 p=0,184
Raciocínio dedutivo - ingressantes 111 K-S(111)=1,270 p=0,079
Raciocínio dedutivo - concluintes 30 K-S(30)=0,554 p=0,919
Raciocínio dedutivo - mal sucedidos no EGRAF 76 K-S(76)=0,704 p=0,704
O mesmo teste (t(141)=-17,349; p=0,000) aponta que a diferença entre as
médias do grupo dos mal sucedidos e dos bem sucedidos no EGRAF é significativa.
A diferença entre as médias dos ingressantes e concluintes indica que, de uma maneira geral, a IES contribui positivamente para o desempenho da inteligência cristalizada desses graduandos. Além disso, foi observada grandes discrepâncias entre estudantes mal e bem sucedidos nessa variável, apontada pela diferença significativa entre os resultados neste último grupo (bem e mal sucedidos).
O desempenho no ENADE (formação geral)
A tabela 6.3 mostra o resultado do ENADE (formação geral) dos 141 estudantes. Apesar de a média do desempenho dos concluintes ser ligeiramente superior à dos ingressantes e, igualmente dos bem sucedidos em relação aos mal sucedidos, essas diferenças não foram significativas, conforme testes t respectivos (t(141)=-0,89; p=0,378 e t(141)=-1,00; p=0,321).
Infere-se daí não haver evidência de que a Faesa tenha contribuído significativamente para a formação geral (variável estudada pelo ENADE na parte de formação geral) desses estudantes. Da mesma forma, é possível que os
Tabela 6.2: Desempenho no EGRAF dos sujeitos agrupados como ingressantes e concluintes e como bem e mal sucedidos no EGRAF
Grupo N Média (%) Erro- padrão da média Desvio- padrão (%) Estatística ingressantes 111 45,24* 1,43 15,07 t(141)=-2,634 p=0,011 concluintes 30 53,11* 2,62 14,37 todos 141 46,91 1,28 15,22 mal sucedidos 76 35,37* 1,08 9,39 t(141)=-17,349 p=0,000 bem sucedidos 65 60,41* 0,96 7,75 todos 141 46,91 1,28 15,22 *p= ou menor que 0,01.
conteúdos não tenham sido relevantes para essa evolução, uma vez ter havido grandes diferenças na inteligência cristalizada e não nesta variável.
Por outro lado, é possível que a pequena diferença apontada nas médias dos concluintes em relação aos ingressantes e dos bem sucedidos em relação aos mal sucedidos seja significativa sob o ponto de vista da existência de uma evolução nessa variável, por se tratar de sujeitos adultos. Contribuir para a cultura geral de sujeitos que possuam uma vivência de, no mínimo, dezoito anos não tem o mesmo impacto evolutivo que em sujeitos em idades mais precoces.
Ainda é preciso considerar que dez itens para avaliar tal desenvolvimento podem ser insuficientes.
O desempenho no ENADE (componente específico)
A tabela 6.4 informa os resultados do ENADE no componente específico para os grupos ingressantes/concluintes e bem/mal sucedidos.
Tabela 6.3: Desempenho no ENADE (formação geral) dos sujeitos agrupados como ingressantes e concluintes e como bem e mal sucedidos no EGRAF
Grupo N Média (%) Erro- padrão da média Desvio- padrão (%) Estatística ingressantes 111 64,99 2,06 21,69 t(141)=-0,89 p=0,378 concluintes 30 69,05 4,06 22,22 todos 141 65,86 1,83 21,78 mal sucedidos 76 64,10 2,77 24,19 t(141)=-1,00 p=0,321 bem sucedidos 65 67,69 2,31 18,61 todos 141 65,75 1,84 21,79
Os resultados mostram que a inteligência fluido-cristalizada não evoluiu significativamente com a graduação (t(12)=-0,57, p=0,574), ou seja, possivelmente
os ingressantes não foram estimulados suficientemente pela IES a ponto de destacar os concluintes nessa variável. Em outras palavras, os estudantes não se diferenciam como ingressantes ou concluintes no desempenho medido pelo ENADE (componente específico). O mesmo não ocorreu quando comparados como bem sucedidos ou não no EGRAF, ao observar-se que o teste t (t(12)=-3,17,
p=0,002) revelou diferença significativa entre o grupo dos bem sucedidos e o dos mal sucedidos.
Correlação entre ENADE (formação geral) e o EGRAF
Para verificar se havia relação entre o ENADE (formação geral) e o EGRAF, foi realizada a análise de correlação e calculado o coeficiente de correlação de Pearson, conforme mostra a tabela 6.5.
O estudo revelou haver relação entre as variáveis (r=0,228; p=0,007), dentre os 141 estudantes. Essa relação não ocorreu especificamente em nenhum grupo,
Tabela 6.4: Desempenho no ENADE (componente específico) dos sujeitos agrupados como ingressantes e concluintes e como bem e mal sucedidos no
EGRAF