II. Sélection et caractérisation des matériaux
II.2. Traitements thermochimiques de surface ______________________________ 74
São escassos os trabalhos que se debruçam sobre as explicações no Ensino Superior. No entanto, estas parecem não ser um fenómeno recente. A revista Time possui vários artigos datados da década de 30 e 40 do século XX sobre esta temática. No artigo ―Councilors and tutors‖ são discutidas as explicações que têm lugar junto da Universidade de Harvard (Time Magazine, 1936). De acordo com este artigo os explicadores que ofereciam os seus serviços aos alunos desta Universidade trabalhavam em edifícios situados em Harvard Square e ―are paid by panicky students
to provide them with enough last-minute information to squeeze them through any kind of examination, a job usually accomplished in three tense, packed hours‖ (Time
Magazine, 1936). Neste artigo é também referido que ―About half the students feel
called upon to patronize a tutoring bureau at some point in their careers‖ (Time
Magazine, 1936). O artigo acrescenta que na altura em que foi escrito existiam cinco centros de explicações (ou ―Harvard bureaus‖ como são designados no artigo) disponíveis para os alunos de Harvard, e que o mais popular era aquele dirigido por Harold Wolff, que, de acordo com o artigo ―launched the practice of advertising in the
Harvard Crimson [o jornal diário dos alunos da Universidade de Harvard] his willingness to be of assistance in preparing for approaching examinations‖ (Time
Magazine, 1936). O artigo indica que este explicador alugou um andar num edifício directamente em frente aos dormitórios dos caloiros da Universidade, contratou 21 assistentes e dava explicações a cerca de 500 alunos por ano e cobrava ―$4 an hour
for private work, $2.50 for class reviews‖ (Time Magazine, 1936).
O artigo também menciona que os centros de explicações não são exclusivos da Universidade de Harvard, mas ―Although undergraduate tutoring bureaus appear in
some form on most sizable U. S. campuses, they are actually characteristic only of
61
O autor refere o Relatório do Liceu de Chaves, 1953-54, em que o Reitor refere esta questão como razão para a abertura de uma sala de estudo no seu liceu: ―1º A criação das Salas de Estudo no Liceu Nacional de Chaves visa, além de um objectivo pedagógico, eliminar, ou pelo menos diminuir, uma situação que se pode classificar de moralmente perigosa para as alunas. Com efeito, é hábito na cidade a explicação colectiva. Em salas sem quaisquer condições, reunem-se alunos e alunas do mesmo ano, e até de anos diferentes, a fim de receberem leccionações particulares‖ (Barroso, 1995: 751).
79
Harvard, Yale and Princeton, where students have enough distractions and enough money to make them a paying convenience‖ (Time Magazine, 1936).
Um artigo publicado em 1939 intitulado ―Intellectual brothels‖ menciona um artigo publicado no jornal já mencionado, o ―Harvard Crimson‖ (Time Magazine, 1939). O artigo discutido ―The tutoring school racket‖ designa os centros de explicações referidos acima como ―bordéis intelectuais‖ (―intellectual brothels‖) e indica que ―Every
year they are patronized by two-thirds of the student body‖ (Harvard Crimson, 1939).
Este artigo critica esta actividade e acrescenta que ―Once upon a time, tutoring was
understood to be a type of legitimate aid, granted to help a slow but honest student. Now, at Harvard, it is defined as a method of passing courses without working, without thinking, without learning‖ (Harvard Crimson, 1939). O artigo da Time que menciona
este artigo de jornal indica que o ―Harvard Crimson‖, por causa da sua perspectiva negativa sobre estes centros, decidiu parar de aceitar anúncios pagos por estes, o que implicava a perda de 2.000 dólares por ano em receitas para o jornal (Time Magazine, 1939).
O artigo ―Crammers crushed‖ indica que o primeiro centro de explicações em Harvard foi aberto por "The Widow" Nolen (que concluiu o seu curso em Harvard em 1884), mas que no período em que o artigo foi escrito a Universidade estava a agir contra os centros de explicações (Time Magazine, 1940). No artigo ―Dean Hanford
warns of ban on tutoring‖ é referido que ―attending a commercial tutoring school makes a student liable to ‗disciplinary action‘ by the University‖ (Harvard Crimson, 1941). O
artigo cita a chamada de atenção do Deão para a
―[…] section 14 of the 'Regulations for Students in Harvard College,' which provides that 'A Student is liable to disciplinary action if he makes use of the services of a commercial tutoring school, unless for very exceptional reasons, permission is given by the instructor in charge of the course in which he desires assistance and by the Dean of Harvard College'‖ (Harvard Crimson, 1941).
Um artigo da Time de 1944 intitulado ―Jimmy‘s‖ menciona um centro de explicações em Inglaterra, chamado ―‗Jimmy's‘ of London (Carlisle & Gregson, Ltd.),
which last week was cramming young men for the British medical examinations‖ (Time
Magazine, 1944). O artigo refere que no período em que foi escrito o ―Jimmy‘s‖ se centrava em exames relacionados com a Medicina e com a Marinha (―Navy cadetships‖, ―Royal Marines‖ e ―Royal Indian Navy‖), mas que depois da Guerra planeava oferecer preparação para os exames universitários e os exames para a entrada na administração pública (Time Magazine, 1944)62.
62 Como curiosidade, reproduz-se o anúncio do ―Jimmy‘s‖ que foi publicado na revista ―New Scientist‖ em 1962:
80 Rouverol (1955: 1-2) ao referir-se à Europa (em comparação com os Estados Unidos da América), indica que,
The magnitude of the ordinary examination for the first degree in Europe […] is such as to pose a formidable challenge even to the far from casual European student. So much hinges on performance in this one ordeal that many students seek special assistance in preparation for it, and as a result a sizable coterie of private tutors is to be found in the vicinity of nearly every European university. The amount of tutorial coaching varies greatly at different universities, but wherever a large number of students can afford it the system thrives.
O autor acrescenta que,
During the past century, private tutoring reached such proportions at certain British universities that in order to put all students on an equal footing and to control what had become a major element in instruction, several university administrations took a step of major significance in educational history: the tutors were officially incorporated into the university instructional program. Every Oxford and Cambridge student is now assigned to a faculty member for regular tutoring, and nearly all faculty members devote as much time to their several tutorial students as to either lecturing or research (Rouverol, 1955: 2).
Mais recentemente foram encontradas algumas referências ao recurso a este serviço na Índia. Saxena (1990: 99) indica que nas faculdades (colleges) se recorre a explicações em grande escala. Jeffrey, Jeffery, & Jeffery (2004: 971) ao mencionar uma instituição do Ensino Superior63 em Bijnor no estado de Uttar Pradesh, indicam que ―It is widely said to be easy to pass college examinations by hiring private tutors
and cramming from ‗cheat books‘ available in local markets‖.
Zachariah (1993: 122) acrescenta que taxas elevadas de insucesso em muitas disciplinas de licenciatura em exames públicos (public examinations64) estão na origem de um grande número de explicadores, centros ―paralelos‖ (parallel colleges)65 e
(New Scientist, 16 August 1962, no. 300, p. 379,
http://books.google.pt/books?id=GHPu198W2lIC&pg=PA379&lpg=PA379&dq=Carlisle+%26+Gr egson,+Ltd.+examinations&source=bl&ots=55nVc4- xd8&sig=Lrdyxcgf28gbwy452w8_B8cRgvY&hl=pt-PT&ei=DB5gTKrUIs- fOJD3jL0J&sa=X&oi=book_result&ct=result&resnum=2&ved=0CBoQ6AEwAQ#v=onepage&q= Carlisle%20&f=false). 63
A government degree college (Jeffrey, Jeffery, & Jeffery, 2004: 971). 64
O autor indica que na Índia os exames públicos (public examinations) são realizados por certos tipos de Universidades (Zachariah, 1993: 115).
65 ―Parallel colleges are educational institutions found in certain states of India, especially Kerala. […] In Kerala most universities have a practice called private registration which enables students to pursue an academic programme without being admitted to a college or a university department. Such private candidates' mostly rely on parallel colleges for tuition and guidance.
81 centros de explicações (tutorial colleges) (ilegais ou quase-legais) em todo o país. Os explicadores são, na maioria dos casos, professores de faculdades que oferecem os seus serviços pela manhã cedo ou ao fim da tarde às mesmas disciplinas pelas quais são pagos para ensinar durante o dia (Zachariah, 1993: 122). Já em 1969 surge uma referência a professores universitários que trabalham como explicadores para suplementar os seus salários:
Despite the efforts of the University Grants Commission to persuade state governments to share with them the costs of raising and standardising the salary scale of college teachers, there has thus far been little success. […] Supplements must be found; private tuition – ‗tuitions‘, i.e., coaching of uncertain students – has for many years been a much discountenanced, much sought after source of income for the more impecunious and less worldly teachers in universities and colleges (especially the latter) (Shils, 1969: 357).
Zachariah (1993: 122) também indica que no que diz respeito a centros de explicações e ―paralelos‖, quase todos os dias se vêem os seus anúncios nos jornais diários indianos. Nestes anúncios, alguns destes centros afirmam que vários dos seus alunos (cujos nomes e fotografias são mostrados) ficaram em 1º ou 2º ou 15º lugar nos exames públicos (Zachariah, 1993: 122).
Ninnes, Aitchison & Kalos (1999: 336) apresentam o testemunho (obtido numa entrevista) de um aluno que descreveu o fenómeno das explicações da seguinte maneira:
The latest trend in India is that apart from your college and your university studies a lot of students have started taking tuitions. That's private classes from the teachers. So teachers of these subjects, accounts and certain other practical subject would take classes at home and at other places too they would charge some nominal fee. In fact this is a very big issue coming up in India because it's not legal in a way because they get a tax-free income. The teachers are doing this. So in those subjects we really have to depend on the teacher. We have to go take extra classes and then the teacher, depending on how good the teacher is, would tell us how to do the subject ... it's getting so competitive over there that teachers don't have time. They start at six o'clock in the morning and they have a batch of five, six, seven students, and some teachers their demand is such that they actually have you kind of have to give them an entrance test to get into their tuitions, there's so much rush they just won't cope, all the students want to go to them, so its like tuition's becoming a part of our education system which is a very debatable issue (Rakesh).
These include those who fail to secure sufficient marks to gain admission to the usual colleges.‖ (http://en.wikipedia.org/wiki/Parallel_college);
―Another system introduced in recent years for higher education is private registration of candidates for appearance at university examinations. […] As a result, numerous private unregistered institutions, euphemistically called ‗parallel colleges‘ coaching private registrants, have emerged in India almost without governmental or other public support. In Kerala the growth of such institutions in recent years has been phenomenal and they have come to a stage where they play a significant role in the field of higher education in the state‖ (Nair & Ajit, 1984: 1840).
82 Para além disto, Ramachandran (2003: 17) afirma que um dos recentes desenvolvimentos no sector da educação no estado de Kerala é um crescimento no número de estabelecimentos não registados chamados ―centros ‗paralelos‘ e de explicações‖ (‗Parallel and Tutorial Colleges‘66). Estes estabelecimentos ocupam
agora, segundo este autor, um papel muito importante na área da educação, especialmente no sector do Ensino Superior (Ramachandran, 2003: 17). O autor acrescenta que dado que estes centros não são reconhecidos pelo Governo nem afiliados a nenhuma universidade, não se possuem dados fidedignos sobre os sistemas ―paralelos‖ e de explicações em Kerala (Ramachandran, 2003: 17).
Este autor refere o ―Report of the Survey on Parallel and Tutorial Colleges in
Kerala 1989‖ (publicado pelo ―Department of Economics and Statistics‖, de
Thiruvananthapuram), indicando que o trabalho que deu origem a este relatório tinha como principal objectivo identificar o número total de centros ―paralelos‖ e de explicações em funcionamento no estado de Kerala, preparar uma lista destes estabelecimentos e também estudar a importância destes centros em termos de oferta, número de alunos inscritos e o emprego gerado (Ramachandran, 2003: 17). O relatório indica que à data da realização do estudo existiam 4.601 destes centros em Kerala (Ramachandran, 2003: 18).
Estas referências encontradas sobre o fenómeno das explicações no Ensino Superior na Índia não são na sua maioria muito recentes e não se debruçam especificamente sobre esta actividade, mas a forma como é apresentado leva a crer que este não é um fenómeno novo na Índia e que continuará a ter um papel na vida de muitos alunos actualmente.
Khuwaileh & Al-Shoumali (2001) discutem o recurso a explicações de Inglês no Ensino Superior na Jordânia. De acordo com estes autores, a língua inglesa é ensinada nas escolas deste país do ano 5 ao ano 12 e é a língua de instrução em vários departamentos científicos de universidades (Khuwaileh & Al-Shoumali, 2001: 31). Através de discussões formais e informais com professores e alunos na Yarmouk
University e na Jordan University of Science and Technology, os autores chegaram à
conclusão de que alunos nestas universidades recorriam a explicações nesta língua (Khuwaileh & Al-Shoumali, 2001: 31). Para estudar esta questão os autores realizaram um inquérito por questionário que aplicaram a 50 alunos, que tinham recorrido a explicações, das duas Universidades – estes alunos encontravam-se a realizar estudos nas áreas de Engenharia, Ciências e Inglês (Khuwaileh & Al-Shoumali, 2001: 32).
66
83 Foram várias as razões indicadas pelos alunos para o recurso a explicações nesta língua: um desejo de obter boas notas (referida por 48 alunos); competência dos professores67 (40 alunos); o explicador ajudava a participar nas aulas (32 alunos); prestígio (em dois sentidos: explicações, pelos seus custos, associadas a classes sociais mais altas, e o Inglês como língua de status, usada pelas classes sociais mais altas) (25 alunos); proporção desigual de materiais de estudo em Inglês e Árabe (a maioria dos materiais encontra-se em língua inglesa) (20 alunos); a importância do Inglês (10 alunos); e o poder económico (que permitia o recurso a explicações) (9 alunos) (Khuwaileh & Al-Shoumali, 2001: 32-34).
No caso da Austrália, Zobel (2004) discute a questão do plágio numa universidade australiana, referindo casos em que os alunos pagam a alguém para fazer um exame por eles e a venda de trabalhos. Este autor refere a existência neste país de explicadores individuais ou pequenos centros que oferecem explicações a alunos do Ensino Superior (Zobel, 2004: 358). O autor relata, no entanto, uma prática não ética por parte de um explicador e refere o caso de um indivíduo que divulgou em 2001 a oferta dos seus serviços no campus da Universidade em que o autor ensina – este indivíduo oferecia explicações, ajuda na realização de trabalhos e a venda de trabalhos68 (Zobel, 2004: 359).