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III. Phénomènes observés pour des échantillons traités

III.1. Evolutions du coefficient de frottement ______________________________ 115

Nesta secção é dada atenção à procura de explicações no que diz respeito às disciplinas em que os alunos frequentam esta actividade. Esta é uma questão de importância para caracterizar o fenómeno das explicações e também para compreender as razões para a sua procura.

2.5.1. Disciplinas procuradas

Nesta secção são explorados os resultados de diferentes estudos sobre explicações em relação às disciplinas procuradas pelos alunos. De acordo com Silova & Kazimzade (2006: 121), no que se refere ao caso do Azerbaijão, entre as disciplinas mais populares para explicações no Ensino Secundário contam-se a língua e literatura Azeri (procurada por 34,1% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e por 70,9% da amostra dos alunos universitários), línguas estrangeiras (procuradas por 32% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e por 68,1% da amostra dos alunos universitários), Matemática (procurada por 24,8% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e por 58,8% da amostra dos alunos universitários), Geografia (procurada por 21,1% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e por 57,9% da amostra dos alunos universitários) e História (procurada por 19% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e por 39% da amostra dos alunos universitários). Estas autoras acrescentam que embora o uso de explicações nas três primeiras disciplinas (língua Azeri, línguas estrangeiras e Matemática) corresponda em geral a padrões internacionais, Geografia e História não se encontram entre as principais escolhas para explicações noutros contextos educativos (Silova & Kazimzade, 2006: 121). Segundo as autoras, a procura nestas duas disciplinas deve-se então a estas estarem incluídas nos exames de entrada na universidade (Silova & Kazimzade, 2006: 121). Este estudo indica que as disciplinas ligadas às ciências são menos populares, sendo que a Física foi procurada por 9,1% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e

96 por 11% da amostra dos alunos universitários, a Química por 9,8% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e por 10,1% da amostra dos alunos universitários e a Biologia por 3,8% da amostra dos alunos do Ensino Secundário e por 0,8% da amostra dos alunos universitários (Silova & Kazimzade, 2006).

No caso da Bósnia-Herzegovina, Husremović & Trbić (2006: 149) referem que no que diz respeito às explicações particulares no Ensino Secundário, a maioria dos alunos da sua amostra indicou ter recebido explicações a Matemática (66%), que é seguida por explicações em línguas estrangeiras (10%) e Física (9%), e a proporção de alunos que recebeu explicações noutras disciplinas era de 5% e valores inferiores a esta percentagem.

No que diz respeito à Croácia e à amostra universitária, a Matemática foi a disciplina em que mais alunos indicaram ter tido explicações particulares durante o seu último ano de Ensino Secundário (88,8%) (Dedić, Jokić, & Jurko, 2006: 175). A Física foi procurada por 18,9% da amostra, língua e literatura croatas por 16,3% e todas as outras disciplinas registaram uma procura inferior a 10% (Dedić, Jokić, & Jurko, 2006: 176). No que diz respeito à amostra de alunos do Ensino Secundário, a maioria indicou ter recebido explicações particulares (durante do 2º ano deste nível de ensino) a Matemática (77,3%), que é seguida pela Física (30,9%), pela Química (21,2%) e línguas estrangeiras (18%) (Dedić, Jokić, & Jurko, 2006: 176).

No que concerne a Geórgia, as disciplinas mais comuns para explicações entre a amostra de alunos universitários eram Matemática (45,4%), língua estrangeira (34,4%), língua nativa (31,2%) e História (20,1%) (Matiashvili & Kutateladze, 2006: 199). Na amostra de alunos do Ensino Secundário, 50% dos alunos a frequentar explicações faziam-no a língua e literatura georgiana, 50,3% a línguas estrangeiras e 52,3% a Matemática (Matiashvili & Kutateladze, 2006: 199).

No que se refere à Lituânia, as disciplinas mais procuradas para explicações (no que se refere ao seu último ano de Ensino Secundário) eram a Matemática (44,5%), línguas estrangeiras (42,3%), História (37,2%) e língua lituana (32,2%) (Būdienė & Zabulionis, 2006: 220).

Na Mongólia, a maioria dos respondentes (54,2%) recebeu explicações em Matemática, sendo esta disciplina seguida pela Química (12,7%), língua mongol (12%), línguas estrangeiras (4,7%) e Física (3,4%) (Dong, Ayush, Tsetsgee, & Sengedorj, 2006: 242).

Na amostra polaca, Murawska & Putkiewicz (2006: 268) indicam que a procura de explicações se distribuía da seguinte maneira: língua estrangeira (50,7%), História (50%), Polaco (17,7%), Matemática (14,8%), Ciência Política (11%), Física (3,1%),

97 Química (3,1%), Biologia (1,7%), Geografia (0,7%), Lógica (0,7%) e História de Arte (0,2%).

No caso da Eslováquia, as explicações particulares eram mais procuradas a línguas estrangeiras (42%) e Matemática (37%), seguidas pela História (17%) (Kubánová, 2006: 289).

No que diz respeito à Ucrânia, as disciplinas mais procuradas para explicações particulares foram a língua ucraniana (41,7%), línguas estrangeiras (47,2%), Matemática (51,4%), História (12,1%), Biologia (9,9%), Química (10,2%), Física (10,5%) e Educação Cívica (20%) (Hrynevych, Toropova, Pylnyk, Sereda, & Gerasevich, 2006: 312).

No que diz respeito ao caso português, Sá & Antunes (2007: 129 e 149) desenvolveram um estudo num concelho do norte de Portugal (que designaram Vila

Formosa) em que realizaram entrevistas aos dirigentes das escolas com oferta de

Ensino Secundário deste concelho, tendo estes sido questionados sobre o fenómeno das explicações nas suas escolas. Um dos inquiridos forneceu a seguinte resposta:

Não é possível, os nossos alunos tirarem 18 e 19 se não for assim [explicações], só aquele dotado, muito inteligente, mas não acredito muito […] sei que há disciplinas que têm que ser necessariamente suportadas para…, porque o sistema não permite que seja de outra forma, mas não posso dizer a extensão, não posso dizer quanto… Estamos a falar da disciplina de Matemática, fundamentalmente, Química, as do Agrupamento 1, que depois dão origem aos cursos mais apetecidos, mas Matemática, claramente; as chamadas disciplinas nucleares das ciências, por ex., quem quiser ir para Medicina (E7). (Sá & Antunes, 2007: 149) Como pode ser constatado pelo excerto transcrito, na opinião deste dirigente as disciplinas mais procuradas são a Matemática, a Química e outras disciplinas da área das Ciências. Posteriormente, em Antunes & Sá (2010: 173-174) são reportados resultados acerca de questões colocadas a encarregados de educação também no âmbito deste estudo. Os encarregados de educação foram questionados acerca das disciplinas em que os seus educandos frequentavam explicações no ano lectivo em que foi aplicado o questionário – Matemática foi a disciplina mais popular (indicada por 369 dos respondentes, 76,5%), seguida em segundo lugar pela Física e em terceiro lugar pela Química (com cerca de uma centena de respostas para cada uma destas disciplinas) (Antunes & Sá, 2010: 173-174).

No trabalho de Neto (2006: 138-140) e no que diz respeito às disciplinas mais procuradas em termos de explicações (e indicando as duas disciplinas mais mencionadas), no 2º ciclo estas são o Inglês (disciplina indicada por cerca de 25% dos alunos) e Ciências da Natureza (indicada por cerca de 22%); no 3º ciclo as disciplinas mais procuradas são a Matemática (indicada por cerca 30% dos alunos) e o Inglês

98 (indicada por cerca de 20%); e, no Ensino Secundário são a Matemática (indicada por cerca de 35% dos alunos) e a Língua Portuguesa (indicada por cerca de 19%).

No estudo de Bento (2009: 6) a disciplina mais procurada foi a Matemática (reportada por 19 alunos), seguida pela Química, Geometria Descritiva, Física, Biologia e História.

No trabalho desenvolvido por Amaral (2009: 74-75) no curso de Ciências e Tecnologias as disciplinas mais procuradas em explicações (que registaram 15% das respostas ou mais) eram Matemática (49%), Físico-Química (19%) e Biologia (15%), no curso de Línguas e Humanidades o Português (36%), Inglês (21%) e Filosofia (17%) e no curso profissional de Técnico de Informática de Gestão a Matemática (43%), Inglês (29%) e Português (23%).

No trabalho de Silveirinha (2007: 148-149) a autora realizou um questionário dirigido a alunos do 12º ano de escolaridade que frequentavam explicações a Matemática – a distribuição destes foi efectuada por responsáveis de centros de explicações e por explicadores ―domésticos‖, tendo sido recolhidos 68 inquéritos. Neste seu estudo, 76,4% (52 alunos) dos alunos pertencia ao Agrupamento Científico- Natural, 13,2% (9) ao Agrupamento Económico-Social e 10,2% (7) ao Agrupamento Artes (Silveirinha, 2007: 158).

Os resultados da investigação no âmbito do Projecto Xplika reportados por Ventura, Costa, Neto-Mendes, & Azevedo (2008: 125-131) indicam a Matemática como disciplina mais popular para a procura de explicações: no ano lectivo de 2004/2005 esta disciplina foi assinalada por 75,3% dos alunos do 12º ano, com explicações, inquiridos; no ano lectivo de 2005/2006 por 73,2%; e no ano lectivo de 2006/2007 por 80,7% dos alunos.

Os resultados dos estudos apresentados mostram diversidade ao nível das disciplinas procuradas para explicações mas indicam também que a Matemática ocupa um lugar de destaque nesta procura.