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PARTIE 1 : LES TROUBLES OBSESSIONNELS COMPULSIFS :

C. Le TOC résistant

Na realização da pesquisa de campo, observou-se a separação de trechos distintos em função da paisagem existente nas margens do Rio Parnaíba na cidade de Teresina, como mostra a Figura 15.

Figura 15: Trechos destacados por diferenciações da paisagem.

Fonte: Google Maps (2015), editada pela autora.

De acordo com a Figura 15, observa-se a divisão do trecho estudado em quatro outros trechos. Como critério de distinção entre os trechos foi utilizada a diferença de paisagem que eles apresentam.

4.1.1 Trecho 1 (ciano)

No trecho em ciano, tem-se o encontro dos rios. Nessa área há o Parque Ambiental Encontro dos Rios. Em pesquisa realizada em 2011 por Rocha, Santos e Silva, encontram-se relatos da situação das margens que revelam, em comparação à presente pesquisa, que nenhum trabalho foi realizado no sentido de recuperação dessa área.

Rocha, Santos e Silva (2011) destacam como impactos da área do parque a pavimentação, o saneamento inadequado da região, a erosão da margem esquerda do Rio Parnaíba e o extrativismo mineral, além da presença de uma galeria exposta que permite a proliferação de doenças, como se observa na Figura 16. Nesse sentido, os autores apontam que a pavimentação do local dificulta a infiltração da água. Essa falta de permeabilidade gera a retenção da água e propicia a ocorrência de enchentes, também favorecendo a erosão de sua margem que provoca o alargamento da calha do rio.

Figura 16: Galeria exposta no Parque Ambiental Encontro dos Rios.

Fonte: Rocha, Santos e Silva (2011).

Comprovando o que foi dito por Rocha, Santos e Silva (2011), em pesquisa de campo realizada em 30 de agosto de 2015, observa-se a existência desses impactos, principalmente a erosão da margem do rio por conta da retirada de sua mata ciliar (Figura 17). Nota-se, a partir da situação encontrada, que há um descumprimento do Código Florestal, que institui a mata ciliar, “faixas marginais de qualquer curso d’água natural perene e intermitente” (BRASIL, 2012), como APP, devendo obviamente ser preservada, e não retirada.

Figura 17: Erosão na margem direita do Rio Parnaíba.

Fonte: Arquivo pessoal da autora (2015).

Pela análise das imagens apresentadas deste trecho, verifica-se a gravidade do processo erosivo existente. Este apresenta também como consequência o assoreamento do rio devido à falta da existência da mata ciliar. Tal cenário indica a falta do cumprimento da legislação, que prevê e normatiza o estabelecimento da largura mínima da faixa marginal ao rio, de 200 metros, livre de ocupação, como já foi apontado nesta pesquisa.

4.1.2 Trecho 2 (amarelo)

No trecho em amarelo podemos observar como característica principal a existência de pequenas hortas por todo o trecho demarcado, como se observa na Figura 18.

Figura 18: Hortas existentes na margem direita do Rio Parnaíba.

Fonte: Arquivo pessoal da autora (2015).

Essas hortas comunitárias localizam-se no terreno na margem direita do Rio Parnaíba, no fundo de pequenos casebres. A região também é caracterizada pela existência do extrativismo mineral em suas proximidades, assim como a existência das Lagoas do Norte, citadas anteriormente nesta pesquisa. Rocha, Santos e Silva (2011) também apontam a presença dessas hortas em seu estudo, afirmando a existência dessa atividade econômica, assim como o cultivo de vazantes e o extrativismo mineral e vegetal. Encontrou-se nessa região outra atividade, a localização de uma sucata dentro da zona de preservação, entre a via de automóveis e o rio.

4.1.3 Trecho 3 (magenta)

Nesse trecho começa a Avenida Maranhão, que acompanha a margem do rio até a zona sul. De um lado da avenida existe a margem do rio e, do outro, nota-se a existência de moradias. Esse trecho entre o rio e as habitações, na maior parte da região, não respeita o limite delimitado pela legislação de 200 metros.

O trecho em destaque é caracterizado por ausência parcial da mata ciliar, havendo presença de vegetação de grande porte, como se pode observar na Figura 19.

Figura 19: Mata ciliar no trecho 3.

Fonte: Arquivo pessoal da autora (2015).

Na Figura 19 pode-se observar a presença da vegetação de grande porte e a ausência parcial da mata ciliar.

Outro ponto importante que se pode observar com a imagem é a existência de coroas de areia no rio. A presença dessas coroas é um indicativo do processo de assoreamento. Em reportagem feita por um jornal local, em que esse mesmo problema foi apresentado, além de outros, apontou-se o despejo de esgoto sem tratamento em vários trechos do rio. Tal reportagem mostra ainda que é possível andar pelo rio devido à grande presença desses bancos de areias, consequentes do assoreamento (NÍVEL [...], 2015).

4.1.4 Trecho 4 (verde)

Na Figura 20 observam-se imagens do trecho destacado em verde. Esse trecho localiza-se na região do centro da cidade. Nota-se na figura a ausência quase total da mata ciliar na margem do rio, e observa-se a presença de banco de areia aparente, assim como em outros trechos.

Figura 20: Ausência da mata ciliar no trecho 4.

Fonte: Arquivo pessoal da autora (2015).

Esse trecho foi o que apresentou maior grau de perda da mata ciliar comparado com os demais trechos analisados.

4.1.5 Trecho 5 (azul)

Nesse trecho, o maior de todos os analisados, utilizou-se como parâmetro para distinção dos demais sua característica mais marcante, que é a presença dos lavadores de carro na Avenida Maranhão. Esses lavadores, que utilizam a água do rio para realizarem a lavagem, despejam diretamente a mesma água depois do uso, já contaminada pela presença de produtos químicos para limpeza. Observa-se na Figura 21 a forte presença dessa atividade econômica, discutida anteriormente.

Figura 21: Presença de lavadores de carro na Avenida Maranhão.

Fonte: Arquivo pessoal da autora (2015).

É interessante observar a quantidade de pessoas que utilizam esse serviço. Por isso, é de extrema importância que elas sejam informadas dos danos que tal atividade provoca no rio e consequentemente em toda a cidade. Dessa forma, a partir da informação, é possível que os usuários busquem exigir ações públicas e alternativas para que tal atividade seja realizada de modo não prejudicial ao meio ambiente. Ressalta-se que essa atividade econômica é o meio de sobrevivência de muitas famílias da região, não podendo ser simplesmente erradicada, mas sim deve ser adaptada aos parâmetros de sustentabilidade.

É possível apreender também, pela análise das imagens, a forte presença da densa vegetação de grande porte neste trecho em questão.

Com uma análise comparativa entre os trechos, em relação aos dois principais aspectos observados – assoreamento e mata ciliar –, criou-se a Tabela 2 para compreender melhor o estado em que se encontram esses trechos.

Tabela 2: Comparação entre os trechos.

TRECHO ASSOREAMENTO MATA CILIAR

Trecho 1 Sim Grande perda

Trecho 2 Sim Perda parcial

Trecho 3 Sim Grande perda

Trecho 4 Sim Perda quase total

Trecho 5 Sim Muito presente

Fonte: Elaborada pela autora (2015).

Comparando os trechos, observa-se que todos apresentam em comum o assoreamento do rio como grande dano ambiental. Se confrontarmos a modificação da paisagem das margens com o processo de urbanização da cidade de Teresina, encontra-se uma justificativa para a quantidade de perda da mata no trecho verde. Nota-se que o trecho destacado em verde foi o local escolhido por Saraiva para a formação da cidade, onde houve maior concentração de urbanização no início da formação da cidade. O trecho em amarelo indica a localização da Vila Velha do Poti, que, por contar com baixa densidade populacional, não apresenta uma perda da mata ciliar tão grande como a encontrada no trecho em verde. O trecho em magenta apresenta o sentido para onde a cidade cresceu após a ocupação do centro e foi alvo de criação de muitos conjuntos habitacionais. Essa justificativa toma força também quando se compara com o trecho em azul, com maior presença da mata ciliar, que se localiza na zona sul, a zona urbanizada mais recentemente em relação às demais em questão.

No que se refere ao assoreamento do Rio Parnaíba, Gomes, Nunes e Paula (2014) apontam a existência desses bancos em diferentes locais em todo o trecho do rio em estudo na presente pesquisa. Os autores subdividem o trecho em quatro menores: Setor Sul, Setor Centro-Sul, Setor Centro-Norte e Setor Norte (Figura 22). Eles verificam, reforçando o que foi dito anteriormente, que o principal motivo desse assoreamento é a perda da mata ciliar. O estudo apontou que as regiões dos setores Sul e Centro-Sul são as que apresentam a maior quantidade de bancos,

geralmente pouco alongados. Os autores consideram a possibilidade de tal fato estar associado ao local de início da zona urbana. No Setor Norte, os bancos arenosos tendem a ficar mais alongados e maiores. Deve-se levar em consideração a ação de descarga da desembocadura do Rio Poti. Esses bancos de areia são compostos de sedimentos quaternários que, em suspensão, prejudicam ainda a qualidade da água, aumentando seu grau de turbidez, além de agregar outros poluentes (GOMES; NUNES; PAULA, 2014).

Figura 22: Trechos do Rio Parnaíba com os bancos de areia em destaque.

Fonte: Gomes, Nunes e Paula (2014).