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DES TITULAIRES AVEC DES ÉTUDIANTS

A partir do Seminário RSI e o Sinthoma, através de sua interpretação de James Joyce, Lacan (1975-6) começou a tratar de outras manifestações da psicose, mais discretas e com ausência dos fenômenos elementares.

À perspectiva estrutural, em foco num primeiro momento, acrescentou-se, posteriormente, a localização do sujeito não apenas em termos de estruturas psíquicas e seus modos de defesa diante da castração, mas em relação aos modos de amarração borromeana e formas de gozo.

Nessa perspectiva, incluo o livro La psicosis ordinária, que contém novas informações das sessões clínicas do campo freudiano a par de discussões teórico- clínicas, ocorridas em 1998.

Nas conversações de Arcachon e Antibes, foram discutidas as formas de atar e desatar o nó-borromeu; os fenômenos do corpo que não são interpretados de maneira clássica e o manejo da transferência nas novas psicoses. O termo “psicose ordinária” coincide com a classificação psiquiátrica de psicose simples ou inespecífica, ou seja, os casos de difícil classificação.

Os organizadores entendem que aquilo que orienta a clínica consiste em localizar aquilo que, em determinado momento, para um sujeito se desengata, na relação com o Outro, desata. Localizar esse momento, possibilita esclarecer o elemento que fazia o engate para o sujeito.

Tais encontros permitiram a discussão sobre a possibilidade de a flutuação ocorrer de uma estrutura a outra e se o modo de estabelecer o diagnóstico de estrutura deveria ser mudado. Relativizou-se o desencadeamento da psicose como determinada pela foraclusão do significante nome-do-pai e dos fenômenos elementares como condição sine qua non para a psicose. As discussões desviaram o foco da premissa de o nome-do- pai estar ou não inscrito, voltando-se para a discussão sobre o que faz os registros do nó-borromeu ficarem atados.

Bernardino (2004) discute os casos clínicos designados como inclassificáveis, debatendo o posicionamento de Jacques-Alain Miller. A autora relata que Miller, ao se interrogar se esses casos implicariam uma gradação entre neurose e psicose, respondeu

negativamente, afirmando que tanto na neurose quanto na psicose há o ponto de capitonê.46 Num caso, é o nome-do-pai; no outro, coisa diferente do nome-do-pai.

Bernardino (2004) questiona se essa afirmação poderia levar à compreensão de que a neurose seria uma forma “amena” de psicose. Recorda a autora que o raciocínio estaria na contramão da proposta lacaniana, que acentuou a heterogeneidade das psicoses em relação às neuroses.

Bernardino (2004), ao concluir pelo valor instrumental do sintoma articulado ao significante do nome-do-pai, igualmente registra que, nos encontros, esclareceu Miller tratar-se a distinção muito mais de artifícios teóricos do que de uma necessidade clínica, admitindo a continuidade das ideias lacanianas e não seu rompimento.

Força salientar que a clínica borromeana não desconsidera a clínica do nome-do- pai e a clínica estrutural. Tão só – em mudança de perspectiva − relativiza o nome-do- pai. Como se disse, na clínica estrutural, a psicose era o resultado de uma negatividade, da ausência do significante nome-do-pai. Com o sistema de atar do nó-borromeano, o nome-do-pai passa a ser uma das formas de prender o nó.

O nó-borromeano compõe as três dimensões espaciais habitadas pelos seres falantes e se organizam em torno do vazio (objeto a). Ele é formado por três círculos que representam o Simbólico (S), Real (R) e Imaginário (I).

Figura 7

Embasada nos textos psicanalíticos e no Dicionário de Psicanálise, fiz um resumo de cada elo do nó-borromeu. O Imaginário como o lugar do eu por excelência, passível de ser representado de diversas maneiras, por meio de imagens. Essa instância pode ser vista na relação dual do sujeito com a imagem de um semelhante − exemplo disto: o

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Metáfora utilizada por Lacan para demonstrar que, do mesmo modo que o ponto com que um tapeceiro une entre si as diferentes partes de um estofado, o ponto capitonê fixa a significação em uma determinada cadeia de significantes.

estádio do espelho. O Imaginário é o campo das satisfações libidinais ligadas às imagens.

O Simbólico, demonstrado pelas construções lacanianas, por intermédio das leis da linguagem, obedece às suas regras e leis. Trata-se sempre de símbolos organizados na linguagem: portanto, funcionando a partir da articulação do significante e do significado. Tal instância designa a ordem, representado pela função simbólica, a que o sujeito se liga pela linguagem. O Simbólico libera o sujeito de sua alienação a seu eu (imaginário).

O Real − oposto do imaginário − designa uma realidade impossível de representação e de simbolização. O Real pode ser reconhecível nas fixações ou nas repetições. A experiência analítica confirma que parte de real nos sujeitos sempre escapa, torna-se inacessível.

Entendo o Imaginário como a imagem de si; o Simbólico como os traços nos quais o sujeito se identifica; o Real como o campo pulsional. Cada qual em sua singularidade, esboçam os três casos a circulação entre os três elos.

A letra a, no centro do nó-borromeu, na intersecção dos anéis, se refere ao conceito de objeto a na teoria lacaniana. Entendido como um objeto pulsional, sem materialidade ou consistência, o objeto a deve ser percebido como um resto do processo de simbolização, na medida em que nem tudo do real é passível de ser transferido para o nível simbólico – assim, nem tudo da experiência psíquica pode ser representado.

O objeto a, na teoria de Lacan, ocupa o lugar daquilo que na estrutura não é redutível ao significante. Sua função permite que venha a desempenhar uma grande diversidade de papéis nos avatares da subjetividade. Pode remeter tanto à dimensão do desejo, quando é valorizado seu estatuto de objeto enquanto perdido, quanto à dimensão do gozo, quando é seu valor de fetiche que vem à frente, operação que, segundo Freud, tem por objetivo recusar a castração e a falta que ela implica. (Souza, 1994, p. 78).

Lacan considera o significante nome-do-pai como o quarto elo (Σ) que une esses elementos do nó-borromeu.

Figura 8

O nome-do-pai rege a dinâmica subjetiva, fundando um sujeito desejante por meio da introdução da lei e da interdição. Faz parte da existência humana o encontro com a impossibilidade de acesso à satisfação total − logo, a função do pai possibilitará a forma com a falta será registrada na estrutura.

No último tópico, retomo a discussão do nome-do-pai e a articulo com os achados da pesquisa.