Pesquisou-se a história de ocupação e formação do aglomerado, seu surgimento, a partir de depoimentos de seus moradores mais antigos e suas características e qualificação, na base de dados do Plano Global (2007), específico da Vila Paquetá. Segundo a Urbel (2007) o Plano Global Específico da Vila Paquetá (PGE) apresenta um estudo elaborado a partir de seu assentamento, de acordo com seu processo histórico, desde sua origem até o presente momento. Neste tópico histórico o PGE relata as principais informações que remetem à maneira de como se deu o início de sua ocupação, sua motivação e a origem da área ocupada. Consta ainda a origem e seus primeiros moradores, a descrição do processo de ocupação, conflitos e dificuldades. Narra ainda como se estruturou a comunidade e quando se deu a sua consolidação. Apesar de ser caracterizado por um texto narrativo, ele tem claras abordagens analíticas, as quais identificam, entre outros aspectos, aqueles que influenciaram o processo histórico, a razão pela qual influenciou e de que maneira esse processo transcorreu. O histórico do PGE da Vila Paquetá é parte resultante da articulação das Pesquisas Qualitativa e Amostral, e da Pesquisa de Dados Secundários. Para exemplificar, tomou-se a análise de identificação das possíveis razões que contribuíram para o delineamento do seu perfil organizacional, obtido através da Pesquisa Amostral. Como análise final, o histórico de ocupação da Vila Paquetá servirá para elucidar e identificar potencialidades na comunidade que possam ser revertidas como meios de melhoria da sua qualidade vida.
O resgate das informações históricas de ocupação da Vila foi realizado a partir de entrevistas semi estruturadas com seus moradores antigos e representativos, conforme consta em documento da URBEL (2006).
Baseando-se nos relatos de moradores, o início da ocupação da Vila se deu no final da década de 60. Tem-se registro de uma segunda família que se instalou na área em 1969, isto é, há pelo menos 38 anos. Tal família era composta por Dona Rosa (mãe de D. Maria Pereira) seu companheiro e oito filhos, e procedia de uma cidade do interior do Estado de Minas Gerais. Segundo depoimento de Dona Maria Pereira: “a área era só mato, uma capoeira”. (Entrevista, URBEL, 2006).
As primeiras moradias eram constituídas de barracos de adobe ou de pau-a-pique, cobertos de sapé, e outros barracos foram construídos com latão.
Segundo depoimentos, as novas famílias que se deslocaram para habitar a Vila não encontraram resistência da parte dos moradores ali existentes, nem tampouco dos proprietários dos terrenos. Assim, a ocupação foi se expandindo. [...] Na década de 70, época
em que o Senhor João, marido de Dona Ana, era o presidente da Associação, houve um movimento da empresa Fayal S/A no sentido de tentar realizar ações que pudessem ocasionar a extinção da Vila. Tal empresa tinha como sócio majoritário o Sr. Antônio Luciano que era um conhecido proprietário de terras no município de Belo Horizonte. Nesse período foi construído pela Fayal um muro, em parte de um terreno da Vila, para evitar a expansão da ocupação. Esta empreitada não surtiu o efeito desejado. Atualmente, essas ações promovidas pela empresa Fayal encontram-se paralisadas. (URBEL, 2006).
De acordo com os dados retirados do Plano Global da Vila Paquetá, eventualmente, surge pessoas que se dizem proprietárias de alguns terrenos da Vila. Contudo, não foram constatadas ações de qualquer proprietário para a reintegração de posse desses terrenos. A maioria dos moradores pioneiros da Vila é procedente de cidades do interior de Minas Gerais, dentre as quais, Teófilo Otoni, Conselheiro Pena, Novo Cruzeiro e Jequitinhonha. Vários fatores contribuíram para o deslocamento dessa população e, conseqüentemente, para a formação da Vila, tais como o processo de exclusão sócio-espacial, verificado na cidade, como reflexo da atuação do mercado imobiliário; a ineficácia das políticas sociais, habitacionais; a falta de reforma agrária.
Parcela dessa população, ao se instalar na área da Vila, encontrou oportunidades de trabalho nos seguintes setores: da construção civil (funções de pedreiro, pintor, servente), de serviços domésticos (faxina, diarista, mensalista) e de comércio (abertura de pequenos negócios). [...]. Devido à baixa qualificação profissional e educacional dessa população o acesso ao mercado de trabalho não tem se apresentado favorável. Certamente que, na época, a “ineficácia” das políticas públicas sociais (de emprego e renda, educação e saúde) contribuíram para isso. [...]. No início da ocupação da Vila, observava-se sua total carência de infra-estrutura urbana, pois não havia rede de abastecimento de água, de esgoto sanitário e elétrica, as vielas e pequenos acessos existentes eram todos de terra. Os moradores buscavam água e lavavam suas roupas e um córrego (sub-bacia do córrego da Ressaca). [...]. Existem relatos de que alguns moradores chegaram a construir cisternas nos terrenos ocupavam, e doavam água para seus vizinhos, formando uma rede de solidariedade. [...]. No final da década de 70, os padres da Igreja Divina Providência (Padre Noleto e Padre Cido) promoveram um processo de mobilização de seus moradores, eles tinham como meta a implementação de rede de abastecimento de água através da iniciativa do poder público. Eles chegaram a organizar a população da Vila e conseguiram angariar recursos para a instalação dos hidrômetros. (URBEL, 2006).
No início o espaço ocupado pela Vila era o de uma trilha. Não existiam becos; as casas foram implantadas aos poucos e o esgoto era a céu aberto.
Contam ainda que a forma de assentamento do aglomerado se deu através de duas formas: ocupações em espaços doados, e de espaços invadidos. Existe uma distinção entre eles: a formação da Vila, do lado esquerdo do Beco da Paz, aconteceu em terrenos doados pelo padre; a porção acima do Beco da Paz caracterizou-se pela invasão. Este último possui proprietário, que recorre na Justiça pelo seu direito.