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La divergence de Kullback-Leibler

1.8 Mesure de similarit´e

1.8.5 La divergence de Kullback-Leibler

Os resíduos sólidos da construção civil têm um potencial na substituição de matérias primas convencionais usadas na construção civil. A grande questão está em como utilizá-los de forma sustentável. Neste sentido, este estudo contemplou a utilização de material oriundo dos RSCC’s, como instrumento de revitalização das moradias carentes, através de métodos distintos: quantitativo e qualitativo. O levantamento bibliográfico no que tange ao tema proposto, quanto à questão da reciclagem dos resíduos sólidos da construção civil e nos estudos de desenvolvimento tecnológicos do compósito, consta dos sub-capítulos posteriores, embasado em vários autores que ajudaram nas interpretações dos fenômenos.

Dados do Sindicato da Construção Civil SINDUSCON revelam que nos últimos anos, as construções de reformas têm superado, em números bastante expressivos, as construções novas, gerando, com isso, uma oferta muito maior de resíduos é gerada. Para Cassa, (1997, p.10) “a sociedade está se tornando cada vez mais exigente em relação à questão ambiental. O entulho, resíduo das atividades de construção e demolição, apresenta-se como um dos principais problemas nas áreas urbanas...”. Segundo o Sindicato da Construção Civil (SINDUSCON) a construção civil sempre busca iniciativas visando equacionar desperdícios econômicos. O (SINDUSCON) defende a metodologia da Produção Mais Limpa, que deve ser aplicada por meio da realização de balanços de massa e de energia, para avaliar processos e produtos. Com este método são identificadas oportunidades de melhoria que trarão benefícios ambientais e econômicos para as empresas, graças ao Estudo de Impactos Ambientais e Relatórios de Impactos ao Meio Ambiente (EIA-RIMA) e do aumento da eficiência do processo com o ACV.

A Produção Mais Limpa é a aplicação contínua de uma estratégia ambiental de prevenção da poluição na empresa, focando os produtos e processos, para otimizar o emprego de matérias-primas, de modo a não gerar ou a minimizar a geração de resíduos, reduzindo os riscos ambientais para os seres vivos e trazendo benefícios econômicos para a empresa (SINDUSCOM, 2005, p. 29).

Na construção civil, a reciclagem de resíduos é uma tentativa de aproximá-la ao conceito de desenvolvimento sustentável, e deve ser vista como um processo que a leva a novos rumos quanto à exploração de recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e às mudanças institucionais.

Segundo o CONAMA, os resíduos sólidos da construção civil, estão assim definidos:

Art. 2º -Para efeito desta Resolução são adotadas as seguintes definições:

I - Resíduos da construção civil: são os provenientes de construções, reformas, reparos e demolições de obras de construção civil, e os resultantes da preparação e da escavação de terrenos, tais como: tijolos, blocos cerâmicos, concreto em geral, solos, rochas, metais, resinas, colas, tintas, madeiras e compensados, forros, argamassa, gesso, telhas, pavimento asfáltico, vidros, plásticos, tubulações, fiação elétrica etc., comumente chamados de entulhos de obras, caliça ou metralha (CONAMA, 2002).

A Associação das Normas Brasileiras (ABNT-NBR 10004) em conformidade com a Resolução CONAMA nº 307, de cinco de julho de 2002, estabelece diretrizes, critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil, disciplinando as ações necessárias de forma a minimizar os impactos ambientais. Promover a correção dos problemas ambientais gerados pelas deposições clandestinas indiscriminadas de transbordos dos resíduos da construção civil tem sido o alvo do Programa de gestão da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) da Prefeitura de Belo Horizonte juntamente com o programa de reciclagem de entulhos. De acordo com Vanderley M. John.

...entre as políticas públicas, destacam-se aquelas que visam à redução e ao aproveitamento de resíduos sólidos gerados pela indústria da construção civil em resposta ao atual modelo de produção da indústria que utiliza, quase sempre, recursos naturais não-renováveis. (JOHN, 2000, p.90).

O desenvolvimento tecnológico das argamassas, a partir dos RSCC’s coletados pela SLU dependerá da gestão dos resíduos sólidos urbanos, baseadas em Normas da ABNT e resoluções do CONAMA.

No Brasil, é descartado como lixo urbano, o equivalente á US$ 40 bilhões. Só a construção civil é responsável por US$13.2 bilhões, correspondentes a 33% deste valor, em espécie (Romero, 2006). Esses resíduos sólidos da construção civil (RSCCs) são provenientes de reformas, reparos, demolições e materiais resultantes da preparação e escavações de terrenos.

Segundo Brasil, Ministério das Cidades (2008) - Resultados, Projeções e Ações e também com base em dados da Prefeitura de Belo Horizonte (2004) após os anos 1980, os problemas com resíduos se agravam pela caracterização de uma escassez de área de deposição, devido à ocupação e a valorização das áreas urbanas; bem como, dos altos custos sociais no gerenciamento destes resíduos urbanos, da problemática com saneamento público e com a contaminação ambiental.

De acordo com Romero (2006) em “Nivelando as Informações para a Gestão dos Resíduos Sólidos Urbanos” (GRAF. 1 e 2 abaixo): os entulhos representam cerca de 60%, em volume, de todos os resíduos sólidos urbanos coletados. Em volume são valores muito superiores aos dos resíduos domiciliares.

Dos resíduos de construção: 60% deles provêm de pequenas reformas; 20% de construções novas e 20% são provenientes de residências e prédios.

GRÁFICO 1: Composição dos resíduos da construção, conforme fonte geradora

Fonte: ROMERO (2006).

Os 80% da geração dos resíduos de construção provêm de pequenos geradores pulverizados pela cidade, que atuam informalmente. Os restantes 20% não sabemos quem são, pois essas construções não possuem alvará (ver GRÁF.2).

GRÁFICO 2: Características dos resíduos da construção, conforme seus geradores

Para os efeitos da Norma ABNT-NBR 10009: Resíduos sólidos – Classificação (2004, p. 71) e em conformidade com a Resolução CONAMA nº 307 (2002) os resíduos sólidos da construção civil (RSCCs) estão assim classificados:

Classe A - Resíduos reutilizáveis ou recicláveis como agregados, tais como: a) de construção, demolição, reformas e reparos de pavimentação e de outras obras de infra-estrutura, inclusive solos provenientes de terraplanagem; b) de construção, demolição, reformas e reparos de edificações: componentes cerâmicos (tijolos, blocos, telhas, placas de revestimento etc.) argamassa e concreto; c) de processo de fabricação e/ou demolição de peças pré-moldadas em concreto (blocos, tubos, meios- fios etc.) produzidas nos canteiros de obras.

Classe B - Resíduos recicláveis para outras destinações, tais como plásticos, papel, papelão, metais, vidros, madeiras e outros.

Classe C - Resíduos para os quais não foram desenvolvidas tecnologias ou aplicações economicamente viáveis que permitam a sua reciclagem/recuperação, tais como os produtos oriundos do gesso.

Classe D - Resíduos perigosos oriundos do processo de construção, tais como tintas, solventes, óleos e outros, ou aqueles contaminados oriundos de demolições, reformas e reparos de clínicas radiológicas, instalações.

A composição dos resíduos sólidos de Belo Horizonte está assim representada, conforme mostra o QUADRO 1:

QUADRO 1

Caracterização dos resíduos sólidos urbanos de Belo Horizonte

Fonte: Segundo ALMEIDA, Marco Antônio, a partir do relatório de Marco Antônio Carvalho Teixeira, para o programa Gestão Pública e Cidadania, 2003.

Hoje, a cidade de Belo Horizonte, conta com três Usinas de Reciclagem de Entulho. A primeira instalada no bairro Estoril, a segunda na BR-040 (com sua capacidade já esgotada) e uma terceira, no bairro Pampulha.

As usinas de reciclagem de entulhos classificam e separam assim o material: material A, composto de entulho proveniente da mistura de blocos de cimento, pedras e concretos, sem a presença de material cerâmico; material B, também chamado bica corrida, que apresenta na sua mistura cerâmica e outros materiais tais como: telhas cerâmicas, tijolos queimados, restos de reboco e blocos cerâmicos.

A área identificada como a principal geradora de deposições clandestinas foi a região oeste de Belo Horizonte, e o bairro Estoril foi definido como o local mais apropriado para a implantação da primeira estação de reciclagem de entulho, a chamada Estação de Reciclagem de Entulho Estoril.

Juntamente com a implantação da primeira estação de reciclagem, em 1995, iniciaram-se as primeiras Unidades de Recebimento Pequenos Volumes - URPV’s. O funcionamento bem sucedido da primeira estação acelerou a criação da segunda, que já estava prevista. Assim, em 1996, foi implantada a Estação de Reciclagem de Entulho Pampulha.

As estações de reciclagem de entulho estão instaladas em áreas públicas totalmente fechadas de no mínimo 6.000 m² e têm por finalidade receber e reciclar resíduos da construção civil. As URPV´s têm por finalidade receber gratuitamente pequenos volumes (até 2 m³/dia por gerador) de RSCC (madeira, terra, telhas, tijolo, concreto, metais, gesso, cerâmicas), podas, pneus, outros objetos volumosos (móveis, eletrodomésticos, etc.).

A Prefeitura de Belo Horizonte, através da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) foi fonte de pesquisa na gestão dos resíduos, com o desenvolvimento do Programa de Reciclagem de Entulho da Construção Civil procurando encontrar soluções definitivas na ordenação dessa situação ambiental urbana, sendo pioneira nesta ação, desde 1993. Sua primeira usina foi criada em 1996, no bairro Estoril. Uma forma de inclusão social encontrada e adotada pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio de políticas e práticas de gestão dos resíduos da construção civil, foi através da instauração da fábrica de produção de artefatos de concreto, em que são utilizados agregados reciclados como matéria-prima. Essa fábrica foi denominada, por seus idealizadores, de ECOBLOCO. (Ver FIG. 2 abaixo.)

FIGURA 2: Fabricação do Ecobloco, Usina de Reciclagem do Estoril Fonte: da autora, 2008.

Atualmente, a fábrica trabalha com a confecção de blocos de concreto, considerado o carro-chefe da produção, para atender à demanda crescente de mercado. Entretanto, há a intenção de se fabricar outros artefatos de concreto. A matéria-prima empregada é proveniente da reciclagem do material coletado pela rede receptora. Os blocos fabricados são vendidos para as casas de material de construção localizadas no entorno da Estação de Reciclagem Estoril e então, revendidas. A qualidade desses artefatos fabricados é garantida por parcerias com uma empresa especializada, que tem apoiado o projeto ECOBLOCO, e com a Escola de Engenharia da UFMG, que iniciou os trabalhos de ensaios desse material e realiza, atualmente, pesquisas para a melhoria da qualidade dos blocos fabricados.

Os testes para a aprovação desse produto na construção civil foram feitos através da parceria com a empresa Diefra Engenharia e Consultoria, que utilizou como ferramenta a norma da ABNT-NBR 12118/06, na determinação da resistência à compressão, com a unidade de medida, o Mega Pascal – mpa, como sendo o ideal 2,5 mpa-Newton kg/força.

Quanto às dimensões dos blocos confeccionados, foi observada a norma da ABNT- NBR 6136/06.

Blocos de 10 39 x 19 x 9 Blocos de 15 39 x 19 x 14 Blocos de 20 39 x 19 x 19

A fábrica de ECOBLOCO, anexa à Estação do bairro Estoril, utiliza-se dos agregados do material A, na confecção de blocos de alta resistência e qualidade, produzidos dentro das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). O ECO- BLOCO é um exemplo de como criar produtos, a partir dos materiais processados nas usinas de reciclagem de entulhos e trabalhá-los diferentemente, como materiais que dariam origem, a novos produtos e objetos, com valor agregado e ferramentas do design. O projeto “Reciclagem de Entulho para a Produção de Materiais de Construção: Entulho Bom” analisa a possibilidade do alcance de metas como inclusão social, reciclagem e empreendedorismo. Questiona-se se a partir de novo material e de novos produtos desenvolvidos, gerados através da reciclagem de resíduos da construção civil, pode-se trabalhar a criação de patentes, como meio de introduzi-los ao mercado e a industrialização, assim também, de servir como incremento empreendedor para a economia regional.