7.2 Les diff´erentes techniques d’alignement d’une mosa¨ıque de r´eseaux
7.2.2 Techniques d’analyse de champs lointains
Em relação à quarta conversação, das 921 unidades semântico-entoacionais, no total, verificam-se 115 Ms e Rs - 12,5%: 55 Matrizes e 60 Ressonâncias. As 60 Rs classificadas funcionalmente ficam assim distribuídas:
TABELA 6
Distribuição de macrofunções e subfunções em [TD]
MACROFUNÇÃO Nº % SUBFUNÇÃO Nº %
A RESPONSIVIDADE 18 30,0 Resposta Qu Resposta S/N 02 16 3,3 26,7
B CONCORDÂNCIA 29 48,3 Confirmação Reafirmação Fática Aceitação de colaboração Complemento Figura Lembrança Intensificação Repasse 13 04 0 02 09 01 0 0 0 21,7 6,7 0 3,3 15,0 3,3 0 0 0
C DISCORDÂNCIA 04 6,7 Contraste Negação Retificação 01 02 01 1,7 3,3 1,7 D QUESTÃO 03 5,0 Interesse Pedido de esclarecimento Admiração Certificação 01 01 0 01 1,7 1,7 0 1,7
E HUMOR 0 0 Humor/Ironia Apreciação 0 0 0 0
F EXPANSÃO 06 10,0
TOTAL 60 100
Observando-se as macrofunções de Ressonâncias em [TD], verifica- se, novamente, o predomínio do grupo B, de Concordância, com um percentual de 48,3%. O grupo de Responsividade (A) apresenta um total de ocorrência equivalente a 30% das Rs detectadas nessa conversação. As Rs dos Grupos de Expansão (F) - 10%, Discordância (C) - 6,7% - e de Questão (D) - 5% possuem baixa freqüência. Além disso, é importante citar que não há ocorrência de Ressonâncias com função de Humor (E).
Analisando-se as subfunções das Ressonâncias, observa-se que as Rs de Resposta S/N são as que apresentam maior ocorrência - 26,7%, seguidas pelas Rs
de Confirmação - 21,7%. O subtipo Complemento também deve ser mencionado, com porcentagem de 15% do total. Todos os outros subtipos possuem presença mínima.
Diante desses dados, é necessário chamar a atenção para a predominância significativa das Rs com função de Concordância, distribuídas entre três de suas subfunções: Confirmação, Complemento e Reafirmação, apesar de a subfunção com maior número de enunciados ressoantes ser a de Resposta S/N. Somando-se o total de ocorrências das macrofunções que prevalecem em [TD] – Concordância e Responsividade, verifica-se um total de aproximadamente 80% do total de Rs constatadas nessa transcrição. Já as macrofunções de Discordância, Questão e Humor perfazem 11,7%. Comparando-se esse resultado com o das demais conversações, é possível constatar que a soma do número de Rs com as duas funções especificamente - Responsividade e Concordância - é de 40% a 60%. Explicando melhor, o número de Rs do grupo A - Responsividade - e do grupo B - Concordância, em [TA], resulta em um percentual de 59,2%. Em [TB], o conjunto de Ressonâncias de Concordância e Responsividade equivale a 44,8%, e, em [TC], esse resultado é igual a 57,7%. Essas diferenças na distribuição funcional de Rs entre [TD] e as outras transcrições dão indícios de uma interação com características distintas: os falantes conversam com mais seriedade e interagem, através das Rs, basicamente para responder ao interlocutor ou para ratificar e completar a informação recebida, visto que as subfunções de Resposta, Confirmação e Complemento, conforme já mencionado, são as predominantes. O baixo índice percentual de Ressonâncias dos grupos C, D, E e F sugerem um maior distanciamento entre os interlocutores de [TD]. Diante dos dados expostos acima e dos comentários feitos até o momento, pode-se concluir que uma interação com
mais espontaneidade parece apresentar uma maior variedade de funções exercidas pelas Ressonâncias detectadas.
Outras considerações podem ser feitas ao observarmos o número de Ms e Rs presentes nessa interação. Temos aqui, novamente, um indício de que essa quarta transcrição caracteriza-se diferentemente das outras três. Com um percentual de apenas 12,5% de enunciados ressoantes, verifica-se que os falantes de [TD] valem- se pouco do recurso da Ressonância, e esse dado também sugere uma interação com um menor grau de envolvimento entre seus participantes.
Poder-se-ia questionar as causas de um maior ou menor número de Rs em um texto. Como os dados de que disponho para esta pesquisa são insuficientes para tal investigação, lanço duas suposições para o fato de [TD] apresentar um número menor de Ressonâncias do que as outras transcrições: a primeira seria o menor grau de intimidade entre os informantes. Observe-se o trecho abaixo, transcrito da conversação D:
(4.36) [TD p. 12]
((L1 tece comentários sobre a assistência que deu a seu irmão durante tratamento médico.))
1. L1 - (…) A. ... quando eu tava lá lidando lá com meu irmão né... 2. aqui na FHEMIG...
3. L2 - uhm...uhm...
4. L1 - e... eu sentava lá na sala de espera... (...)
5. aí ele sentou... 6. sentei ao lado dele... 7. aí o:: psiquiatra... 8. L2 - ele morreu?
9. L1 - nã::::o... ele tá::... tá lá... tá numa instituição em Belo Horizonte agora...
A pergunta do interlocutor, na linha 8, sobre o irmão de L1, mostra que L2 não compartilha de informações bastante importantes para o locutor 1: o tratamento e a internação de seu irmão. Através de passagens como essa, é possível perceber que o grau de intimidade entre os falantes, em [TD], é menor do que entre os
participantes das outras três conversações. Um diálogo entre duas pessoas que convivem diariamente, como é o caso dos participantes de [TA], [TB] e [TC], é totalmente diferente de uma conversa entre duas amigas que não se falam freqüentemente, como é o caso de TD. É relevante, neste momento, fazer menção aos dados das fichas dos informantes de cada conversação. Nas interações [A], [B] e [C], o grau de intimidade entre os interlocutores é classificado como alto. Em [TA], a conversa acontece entre mãe, filha e nora. Em [TB], participam do evento um falante, sua namorada e seu melhor amigo. Em [TC], os interlocutores são mãe, filha e o noivo da filha. Já em [TD], a conversação é travada entre duas amigas, e o documentador classifica o grau de intimidade entre elas como médio. Essas informações são muito importantes, na medida em que servem para corroborar algumas afirmações e suposições feitas no decorrer da análise.
A segunda explicação para o resultado obtido em [TD] relacionado ao pequeno número de enunciados ressoantes seria o estilo individual dos participantes da conversação. Os falantes se utilizam de grande quantidade de marcadores conversacionais, tais como: “é”, “ahã”, “uhn”. Esses elementos, assim como as Ressonâncias, também são formas de participação, só que menos marcadas. Conforme visto em 3.3.3 desta dissertação, esses marcadores foram contados como um turno, neste trabalho, ou seja, foram considerados unidades entoacionais, fato que contribuiu ainda mais para o baixo índice percentual de Ms e Rs em [TD] especificamente.
É importante ressaltar que os comentários feitos acima, relacionados ao grau de intimidade entre os interlocutores e ao estilo individual dos falantes, são somente suposições que, em face do corpus analisado, poderiam justificar uma baixa freqüência de enunciados ressoantes na conversação D. Para conclusões
definitivas, entretanto, seria necessário analisar outros dados, buscando controlar certas variáveis que parecem interferir numa maior ou menor produção de Ressonâncias por falantes.
Na próxima sub-seção, após análise da tabela 7, que fornece a quantificação dos tipos funcionais das quatro conversações em conjunto, retomarei as considerações feitas até o momento.