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Synthèse des approches d’appariement de graphes

1967, o governo Trabalhista, acelerou a expansão territorial de Israel. Yigal Allon foi escolhido para desenhar um plano que estabelecesse uma fronteira de segurança permanente. Para isso, pensou uma série de colonatos agrícolas e bases militares junto da fronteira com a Jordânia, deixando as áreas da montanha densamente habitadas por palestinianos sob autonomia limitada ou sob o controlo jordano.

Figura 6 – Plano Dayan, 1978-1979. O objetivo deste plano era estabelecer uma partilha de controlo da Cisjordânia com o Reino da Jordânia.

Figura 7 – Plano Drobless, 1977-1978. Este plano pretendia estabelecer colonatos israelitas em áreas da Cisjordânia densamente habitadas pela população árabe. Drobless definiu blocos de colonatos a circundar cidades palestinianas e perto das estradas que as conectavam.

Figura 8 – Plano Sharon, 1981. O plano de Ariel Sharon pretendia controlar as áreas da Cisjordânia habitadas por árabes, isolando os povoados palestinianos e anexando mais território.

Território Devolvido à Jordânia Território Anexado a Israel Maiores Cidades Árabes Estrada de Conexão Israelitas (acesso livre) Estrada de Conexão Jordanas (acesso livre) Colonatos Judeus Anexados a Israel Colonatos Judeus Construídos nos 20 anos Depois da Plano Allon

Maiores Cidades Árabes Cantão (Civil e Militar) Colonatos no Vale do Jordão

Blocos de Colonatos Maiores Cidades Árabes Colonatos Urbanos Planeados Colonatos Urbanos Existentes Colonatos Rurais Planeados Colonatos Rurais Existentes

Área para manter sob Administração Árabe Área a ser anexada por Israel Maiores Cidades Árabes Colonatos Urbanos Judaicos construídos Dentro do Plano Sharon Colonatos Rurais Judaicos Construídos Dentro do Plano Sharon

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Entre 1992 e 2001 a população judaica em Jerusalém Este aumentou de 141.000 para 170.000. No mesmo período a população nos colonatos ilegais de Gaza e da Cisjordânia aumentou de 110.000 para 214.000. Enquanto a área construída dos colonatos ilegais ocupava menos de 2 por cento da Cisjordânia, os seus limites equivaliam a três vezes o seu tamanho e através de uma rede de conselhos regionais, eles controlavam as políticas de planeamento em cerca de 35 por cento, ou seja, um total de 42 por cento da Cisjordânia estava sob o controlo destes colonatos.

Os colonatos ilegais estavam conectados entre si e a Israel por uma nova rede de autoestradas. A rede de estradas israelitas mudou o centro de gravidade do país para este, enquanto o sistema de estradas bypass que ligava os colonatos era mais um passo para a segregação da população palestiniana que não as podia usar.

À medida que era construída a paisagem da modernidade colonial, dezenas de milhares de hectares eram apreendidos aos palestinianos. Mais de 7.000 casas foram demolidas e cercas 50.000 pessoas ficaram desalojadas, para além dos milhões que já se encontravam nos campos de refugiados. O processo de Oslo ajudou a acelerar estes processos de contração económica e expropriação territorial, diminuindo as possibilidades da Palestina construir um estado autónomo.

Os palestinianos aperceberam-se finalmente que a esperança de criar um estado soberano era algo cada vez mais complicado e que as opções eram cada vez mais limitadas.

Assim, em Setembro de 2000, despoletou uma nova Intifada – Intifada de al-Aqsa19. Esta foi

precipitada pela visita provocadora de Ariel Sharon, na época líder recém-eleito do Likud, a um dos principais lugares sagrados da zona árabe de Jerusalém Este. Mas tal como a

Primeira Intifada, teve origens mais profundas na prolongada experiência da ocupação,

exaltada pelo desespero trazido com o “processo de paz”. À Intifada as FDI responderam de modo extremamente violento, lançando ataques contra a população palestiniana e transformando o processo numa intensa revolta armada.

Em 2001, Ariel Sharon, aproveitou o momento agravado pelos ataques que visaram Nova Iorque e Washington, para intensificar as incursões militares na Cisjordânia. Usando como pretexto os ataques do 11 de Setembro de 2001, entrou em Jenin, Jericó e Ramallah, demolindo casas, arrancando árvores e matando civis.

Com a chegada de 2002, a militarização da ocupação e da Intifada atingiu números recorde. A 17 de Janeiro, o exército de Israel ocupou pela primeira vez uma cidade palestiniana na sua totalidade, num ato que se repetiria no futuro. Israel não tinha tanta

19 Palavra de origem árabe – Nome de uma Mesquita, construída no Século VIII, no Templo do Monte, na Cidade Antiga de Jerusalém, que é considerado o lugar sagrado dos judeus e o terceiro lugar sagrado do Islão.

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liberdade militar desde que Ronald Reagan permitiu a invasão do Líbano em 1982. As FDI voltavam, passadas duas décadas, a entrar nos campos de refugiados – Jabalya, Balata, Jenin e Nablus – impondo-lhes um novo desenho.

Em Março de 2002 iniciava-se a maior ofensiva israelita desde 1967 – curiosamente batizada de Operação Escudo Defensivo. A escalada da campanha militar foi rápida e em Abril do mesmo ano, Israel controlava seis das oito cidades palestinianas.

A política de ocupação vertical de Israel punha todo o território palestiniano sob controlo permanente. Como nos explica Eyal Weizman, “Os olhos no céu, completam a

rede de observação tecida por todo o território”20, ou seja, depois de conseguir o total

hegemonia sobre o território e as infraestruturas da Palestinas, o exército israelita tomou posse do seu espaço aéreo, montando uma rede operacional de controlo que abrangia verticalmente toda à área dos Territórios Ocupados. A violência imposta pela Operação

Escudo Defensivo consistia num exercício de humilhação diária, onde os checkpoints e

outros tipos de barreira impunham o estatuto de inferior ao sujeito ocupado.

Este impasse ajudou à criação de um território bipartido entre a “civilização” e o

“barbarismo”. Aqui, Agamben lembra-nos, que o homo sacer21 – sujeito ao qual as leis do

resto da humanidade não se aplicam – é um sujeito constituído através da produção de um espaço de exceção, que na Palestina assume uma forma física concreta. Se por um lado temos uma estratégia de consolidação e contenção, do outro vemos uma estratégia institucionalizada de exclusão. O primeiro objetivo já havia sido completado na Primeira Intifada – isolar Gaza do resto do mundo, como uma prisão – mas Ehud Barak propôs ainda a construção de uma barreira semelhante para a Cisjordânia e finalmente em Junho de 2002, Ariel Sharon anunciou a construção de uma complexa rede de separação. Barak queria um muro construído ao longo dos 360 quilómetros da “Linha Verde”, mas Sharon projetou uma barreira com mais de 700 quilómetros e pretendia anexar território para além do limite instituído internacionalmente. Este muro serpenteante representava uma estratégia direta para a inclusão dos colonatos ilegais dentro do território israelita e para a anexação de milhares de hectares de solo agrícola palestiniano – subsistência económica da Palestina e da sua população.

Numa primeira fase 15 povoados palestinianos ficaram do lado israelita do Muro, enquanto outros foram separados dos seus campos e poços, de modo a que Israel assumisse o controlo das redes de água. A barreira consolidava ainda o reduto de Jerusalém

20 GREGORY, Derek. The Colonial Present, Blackwell Publishing Ltd., Oxford, 2004 p.118 21 AGAMBEN, Giorgio. Homo Sacer, Stanford University Press, Palo Alto, 1998

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Este, situado em território palestiniano e cortava o acesso de centenas de palestinianos à Cisjordânia.

A geografia “barroca” elaborada pelo processo de Oslo transformou o território palestiniano num “arquipélago” extrajudicial. Hoje, a única área sob controlo exclusivo da Autoridade Palestiniana – Área A – foi transformada num sistema de exclusão e inclusão, no qual as cidades e povoados estão separados entre si e estão sob constante cerco das forças militares israelitas, que alteram o modus operandi e diminuem as possibilidades de solução a cada dia. Os Territórios Ocupados foram transformados numa cartografia delirante de fronteiras móveis, que forçaram uma fragmentação violenta e uma recombinação do espaço e do tempo, perturbando o ritmo diário da vida palestiniana.

Dentro desta fronteira em constante mutação, a crise tornou-se rotina e o excecional tornou-se normal. O espaço de exceção é produzido pela crise, forçando a mudança de lugar aos que estão sujeitos a ela. A terra que os sionistas queriam um dia transformar de “selvagem” em “civilizada” foi devastada por eles. Desde 1967 foram demolidas mais de 8.000 casas palestinianas nos Territórios Ocupados, num processo promulgado pela lei israelita. As cidades palestinianas foram destruídas, numa estratégia que impede a modernização de um país. Este sistema legal assimétrico que apoia a construção de um lado e a impede do outro foi a base para o desaparecimento e para a destruição da paisagem palestiniana, de Belém a Jenin.

Aqui a arquitetura é vista como a estrutura que sustém a ocupação e a cumplicidade dos arquitetos que a desenham. Procuramos ler as políticas da arquitetura israelita no modo como as forças sociais, económicas, nacionais e estratégicas se materializam em organizações, formas, infraestruturas e colonatos. Mas podemos ler esta arquitetura de modo conceptual de forma compreender questões políticas como realidades construídas.

De modo a explorar de forma mais detalhada os mecanismos da arquitetura como arma política, vamos estudar e analisar as ferramentas da ocupação israelita nos Territórios

Ocupados da Palestina (ver figura 9). A arquitetura colonial oferece-nos aqui um largo

espectro de aparatos opressivos que, ao mesmo tempo, dão o mote para a ocupação do território e o organizam de modo a controlar e orientar a vida da sua população, exercendo grande poder sobre os corpos, como veremos nos capítulos seguintes.

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Figura 9 – Plano com a identificação dos aparatos coloniais construídos na região da Cisjordânia e a sua divisão territorial.

0 20km Área C

63% da Cisjordânia está sob o controlo total de Israel. Muro de Separação 80% dos 700km da barreira estão Construídos em território Palestiniano. A construção começou em 2002. Estradas A Cisjordânia tem um grande número de estradas interditas a Palestinianos Checkpoints

Os checkpoints são montados por toda a Cisjordânia de modo a controlar e prevenir o movimento dos Palestinianos. Colonatos Os colonatos Israelitas construídos dentro da Cisjordânia violam o artigo 49 da Concenção de Genebra.

“Linha Verde” Linha fronteiriça acordada em 1949, depois da guerra Israelo-Árabe.

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