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Approximation de la distance d’édition de graphes

A topografia da Cisjordânia é caraterizada por três tiras de solo que correm de norte para sul. Numa correlação estranha e quase perfeita, entre latitude, ideologia política e forma urbana, cada tira é vista como arena para a colonização israelita e para o projeto de colonatos. Este processo tem sido promovido por diferentes agendas políticas, num apelo a diferentes ideologias para a ocupação de colonatos tipologicamente distintos (ver figura 49).

Para formalizarem um projeto de colonatos era necessário terem a maior quantidade de solo disponível e foi então que a partir 1967 se iniciou o projeto de mapeamento da Cisjordânia, que consistia no levantamento do território a grande escala por meios aéreos, de modo a descobrirem terrenos públicos que Israel pudesse reclamar

como seus, aproveitando a Lei do Solo otomana de 195877. Esta lei determinava que

qualquer terreno baldio por mais de três anos, passava a ser terreno estadual, ou neste caso, público. Devido às condições climáticas da zona, Israel conseguiu anexar as zonas mais

altas78 da Cisjordânia ao seu território, consideradas pobres para cultivo.79

A “ocupação civil” da Cisjordânia foi um processo que começou no profundo Vale do Jordão, durante os primeiros anos do governo trabalhista, entre 1967 e 1977. Durante

esse período, 15 povoados agrícolas de tipologia Kibbutz e Moshav foram construídos. Eles

eram construídos de acordo com o Plano Allon, que queria estabelecer uma fronteira de segurança com a Jordânia assente no princípio de trazer o máximo de segurança e território

para Israel, com o número mínimo de árabes.80

A arquitetura do colonato rural sionista era formada não só pelos métodos de produção agrícola e resposta à sua organização socioideológica, mas também de acordo com as considerações táticas ditadas pela lógica militar. Yigal Allon, responsável pelo

primeiro plano fronteiriço diz-nos em Courtain of Sand81 que “ [a] integração de colonatos

civis na defesa regional e especialmente nas áreas fronteiriças, [proporcionará] ao estado, postos de observação avançados, poupando assim militares no terreno”. Para Allon, o esquema de um Kibbutz, um colonato cooperativa baseado na renúncia à propriedade

77 Esta lei foi o resultado de uma reforma agrária feita pelo Império Otomano, do qual a Palestina fazia parte até 1917 e continuava a existir nos territórios da Cisjordânia.

78 No início dos anos 90, mais de 38 por cento da área da Cisjordânia, composta por estas parcelas isoladas, tal como por pedaços de deserto, foi registada como propriedade de Israel. As linhas fronteiriças complexas que hoje comprovamos, foram geradas também pela aplicação desta lei do século XIX diretamente à topografia das montanhas, criando uma separação vertical entre duas geografias sobrepostas e paralelas que se encontravam perigosamente próximas.

79 WEIZMAN, Eyal. Hollow Land, Verso Books, London, 2007 pp. 116-122

80 SEGAL & WEIZMAN, Rafi, Eyal. A Civilian Occupation, Verso Books, London, 2003 pp. 80-81 81 Manifesto Político escrito em 1959 por Yigal Allon.

COLONIALISMO COMO LABORATÓRIO URBANO 75 Figura 49 – Mapa dos colonatos judeus na Cisjordânia, 2002.

Área Construída (Colonato) Limite Municipal (Colonato) Limite Judicial (Colonato) Base Militar

Área Construída (Palestina) Área A

Área B Área C 0 10km

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Figura 50 – Esquema de um Kibbutz com zonas diferenciadas de acordo com as suas várias funções: área residencial, escola, zonas de cultivo e centro cívico.

Figura 51 – Plano de um Kibbutz. O Kibbutz é um tipo de colonato rural que conjuga cooperativismo produtivo e social. O primeiro Kibbutz foi fundado em 1909 a sul do Lago Kenneret por um grupo de pioneiros da Europa de Leste. Hoje existem cerca de 270 destas comunidades espalhadas por Israel. Cerca de 130.000 pessoas vivem hoje em Kibbutz.

Edifício Administrativo Edifício Industrial Habitação Limite Municipal 0 200m 0 1km

COLONIALISMO COMO LABORATÓRIO URBANO 77 Figura 52 – Esquema de Nahalal, um Moshav cooperativa com um desenho concêntrico e construído numa zona plana. A estrada principal é em forma de anel e ao longo desta as casas estão dispostas concentricamente.

Figura 53 – Plano de um Moshav, um tipo de colonato agrícola originário dos anos 20 do século XX. O Moshav é um colonato com tipologias distintas dentro de um mesmo modelo: Moshav Shitufi e Moshav Ovdim. Hoje existem cerca de 440 destas comunidades em Israel, das quais 35 são Moshav Shitufi, enquanto as outas são do tipo Ovdim. Tipicamente o Moshav tem um centro formado por edifícios administrativos e públicos. Ao longo do anel público estão as casas privadas. Cada casa tem um pedaço de terreno grande para uso agrícola.

Público: Comércio, Sinagoga, Serviços Públicos Habitação Limite Municipal 0 200m 0 1km

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privada, com os meios de produção compartilhados em áreas separadas e demarcadas por habitação, funções públicas, campos e fazendas de cultivo, era tão ou mais valioso do que uma unidade militar (ver figura 50 e 51). Estes colonatos que tinham como objetivo suceder às colónias agrícolas, planteavam um novo tipo de sociedade baseada nos princípios do socialismo e do comunitarismo. Outro tipo de colonato agrícola, que testemunhava a importância militar destes assentamentos é o Moshav, que ao contrário do Kibbutz, combinava a propriedade privada com a propriedade conjunta de alguns meios de produção. Para prevenir a infiltração de palestinianos nas suas terras, o desenho do Moshav baseava-se num esquema denso e compacto, onde as casas estavam separadas entre si 30 metros ou menos e eram organizadas segundo um plano urbano concêntrico, para que, em caso de ataque os colonos pudessem retirar-se para um núcleo mais seguro. Seguindo o princípio das fortificações de perímetro militar, no Moshav, as estradas, ao longo das quais, as casas e quintas estavam dispostas, deviam ter a forma de estrela para assim potenciar o

poder de fogo lateral (ver figura 52 e 53).82

A segunda tira de solo começou a ser colonizada de modo mais consistente após 1977, época em que o padrão espacial seria alterado, resultado do revés político que se deu com a chegada do Likud ao poder. Antes deste período, apenas a organização religiosa e

nacionalista, Gush Emunim83, trabalhou de modo a não permitir a concessão de solo à

Palestina.84 Na época conturbada em que o Likud subiu ao poder, Ariel Sharon foi eleito

responsável pelo Ministério da Agricultura e Comité de Colonatos, ajudando assim a criar o esqueleto para a geografia da ocupação, assegurando a presença no território e montando as bases para o chamado “arquipélago” territorial. Para ele a resposta não estava nos colonatos em si, mas numa rede urbana montada nos cumes sobranceiros à planície. A grande influência de Sharon no desenho da paisagem deveu-se ao seu potencial retórico, que lhe permitiu transformar processos temporários na materialização permanente de colonatos, usando como justificação os motivos de segurança que tornaram urgente a

separação física entre israelitas e palestinianos.85

Assim, começou por ocupar a Cisjordânia com pequenos postos de controlo compostos por tendas ou casas móveis, sabendo que estes lugares poderiam evoluír mais

tarde para colonatos (ver figura 54, 55 e 56). O potencial destes lugares era a sua rapidez,

mobilidade e flexibilidade, eram perfeitos instrumentos de colonização, representando

82 WEIZMAN, Eyal. Hollow Land, Verso Books, London, 2007 pp. 100-103

83 Este grupo tornou-se influente pela pressão exercida aos vários governos, para que estes construíssem mais colonatos na zona das montanhas, pela sua condição Bíblica.

84 SEGAL & WEIZMAN, Rafi, Eyal. A Civilian Occupation, Verso Books, London, 2003 p. 81 85 WEIZMAN, Eyal. Hollow Land, Verso Books, London, 2007 pp. 103-105

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pontos abstratos no território. A casa móvel era como o protótipo de uma arma que cercava o território inimigo, cortando as suas linhas de comunicação e confirmando a militarização definitiva do domínio doméstico. Sem um apoio oficial do governo estes pontos eram apoiados por uma larga rede de estradas construídas para facilitar as manobras militares, mas que ajudavam ao aparecimento de futuros habitantes, permitindo a evolução

da casa móvel para a casa familiar. 86

Já a um nível oficial, Sharon apresentou um projeto em parceria com o arquiteto Avraham Wachman, para a criação de novos colonatos, num plano que apresentava uma rede com mais de cem pontos constituída por: colonatos urbanos, suburbanos e industriais nas colinas do profundo território da Cisjordânia. De acordo com este plano os colonatos eram organizados em blocos adaptados ao terreno, onde os colonatos mais pequenos, rurais e suburbanos recebiam os serviços de um núcleo urbano mais importante e industrializado. Cada bloco de colonatos deveria estar conectado por grandes infraestruturas viárias a outros blocos e aos centros metropolitanos de Israel.

De acordo com o plano, os colonatos funcionariam como barreiras, rodeando a região habitada das montanhas palestinianas a este e a oeste e fragmentando-a internamente com corredores de autoestradas e colonatos localizados ao longo destas, sobrepondo assim duas redes. Esta matriz permitia a Israel imobilizar o outro lado, ganhando controlo sobre pontos estratégicos. Os nós desta matriz funcionariam como uma válvula que regula o movimento, dispensando a necessidade de uma presença militar no terreno.

A construção dos colonatos em zonas mais altas permitia ainda que funcionassem como pontos de observação, controlando a envolvente, as principais artérias viárias, as suas junções e as cidades e povoados palestinianos. Nenhum lugar era construído sem uma razão e os colonatos estavam no terreno para exercer domínio, demonstrando a presença do ocupador, de modo a que o sujeito colonizado interiorizasse os factos do seu domínio. O plano não foi executado por completo, mas lançou as bases para a fase de maior e mais

eficaz expansão territorial do Estado de Israel (ver figura 57 e 58).87

Por último, a terceira tira de ocupação está mais próxima das fronteiras determinadas em 1967. Depois da estratégia colonial de Israel procurar justificações em considerações de estratégia e segurança, motivos religiosos, ideológicos e políticos, que viam nas montanhas da Cisjordânia diferentes vantagens, agora foi por uma razão económica e na procura de uma melhor qualidade de vida, de ar fresco e de uma vista

86 WEIZMAN, Eyal. Hollow Land, Verso Books, London, 2007 pp. 77-79 87 Ibidem pp. 80-85

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