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Como foi apresentado na seção 4.4, em qualquer sistema de produção, existem apenas alguns recursos com restrição de capacidade, os CCRs, e deve-se reconhecer que esses recursos irão impor o ritmo de produção da fábrica inteira. Por isso, o CCR, deve ser considerado como o Tambor do sistema. O seu ritmo de produção servirá como batida de tambor para o sistema inteiro (GOLDRATT e FOX, 1989).

Também será necessário criar um pulmão de tempo na frente de cada CCR, com o inventário necessário para manter o CCR ocupado apenas durante um intervalo predeterminado seguinte de tempo. Este pulmão tem a finalidade de proteger o Throughput do sistema contra qualquer interrupção que possa ser superada dentro do intervalo predeterminado de tempo.

Para assegurar que o inventário não crescerá além do nível imposto pelo pulmão de tempo, devemos limitar a taxa pela qual a matéria prima é liberada para a fábrica por meio de uma corda, que prenda o CCR à operação inicial. Em outras palavras, o ritmo pelo qual será permitido que a operação inicial produza e libere material para o sistema será imposto pelo ritmo que o CCR estiver produzindo.

Segundo Goldratt e Fox (1989), o DBR possibilita uma programação implícita de todos os recursos não-restritivos da empresa. Aqueles situados antes do CCR deverão processar o mais rápido possível os materiais advindos da primeira operação (controlados pela Corda), de acordo com a sua ordem de chegada. Uma vez que tais recursos possuem excesso de capacidade em relação ao CCR, eles não deverão ter dificuldades para seguir a programação. Da mesma forma, os recursos não-restritivos localizados após o CCR estarão diretamente sob o controle deste, pois receberão apenas as peças liberadas pelo CCR. Como tais recursos também têm capacidade ociosa, não deverá haver nenhum problema também nesse ponto. Logo, ordens de produção explícitas são necessárias apenas em alguns pontos específicos, como nos CCRs e nas primeiras operações onde ocorre a liberação de material para a fábrica.

A seguir veremos essa programação de forma um pouco mais detalhada (figura 4.10). Como as duas principais restrições para um sistema de produção são a demanda do mercado e a capacidade do CCR, a programação será baseada nessas duas restrições:

1. A primeira etapa será determinar a programação do CCR levando em consideração apenas a sua capacidade e a demanda do mercado que ele está tentando atender. Uma

vez feita essa programação, será necessário gerar a programação para todos os demais recursos não-restritivos.

Figura 4.10 - A Lógica do DBR

Fonte: adaptado de Gianesi e Correa (1996)

2. Utilizando a programação do CCR, a programação para as operações posteriores, incluindo a montagem, é facilmente obtida, pois qualquer peça pode ser programada para a operação seguinte assim que saia do CCR. Programar a operações anteriores ao CCR é um pouco mais complicado.

3. Como foi dito, será necessário definir e limitar um pulmão a um intervalo específico de tempo, que deverá ser determinado pelos tipos de interrupções que geralmente ocorrem em cada sistema de produção.

4. Os demais recursos, anteriores ao CCR, devem ser programados para trás a partir do CCR de forma que o recurso anterior a ele termine suas operações um intervalo de tempo, igual ao pulmão, antes da data programada para serem processadas pelo CCR. Cada uma das operações anteriores a esta (a diretamente anterior ao CCR) deverá ser programada para trás, de maneira que os materiais estejam disponíveis no momento exato para a operação seguinte.

5. Dessa forma, todas as perturbações nas operações anteriores que puderem ser superadas dentro do intervalo de tempo do pulmão não afetarão o Throughput do sistema, mantendo o inventário reduzido e controlado sem aumentar a despesa operacional.

6. A próxima etapa é determinar a programação da montagem e dos demais recursos não-restritivos. A programação da montagem é imposta pela disponibilidade das peças que vêm do CCR. A disponibilidade dessas peças controla quando será possível montar e expedir os produtos finais da empresa e, por isso, deve-se garantir que as peças que não passam por um CCR estejam disponíveis quando necessárias.

7. Para isso, deve ser criado um novo pulmão de tempo, desta vez, em frente à operação de montagem que utilize peças que passem por um CCR. O propósito desse pulmão é proteger a programação da montagem contra problemas que possam ocorrer na compra e fabricação das peças que não passam por um CCR

8. A programação das peças dessa ramificação, que alimenta a montagem, porém que não contém um CCR deve ser feita da mesma forma que na etapa 4, ou seja, as peças que vêm do recurso que antecede imediatamente a montagem devem ser programadas para serem finalizadas um intervalo de tempo, igual a esse novo pulmão, antes da data programada para o início da montagem desse produto. As demais operações são programadas para trás, sem folga, até a data de chegada e liberação do material para o sistema.

Dessa forma, qualquer interrupção que ocorra nos demais recursos ou nos fornecedores que sejam resolvidas dentro do intervalo de tempo do pulmão, não afetarão a programação da montagem e a entrega dos produtos pela empresa.

Segundo Goldratt e Fox (1989), o conceito apresentado não tem limite de aplicação, embora a complexidade de alguns sistemas de produção possa exigir o auxílio de um sistema computadorizado.

A TOC vem procurando demonstrar e convencer as comunidades acadêmica e empresarial de que o sistema DBR pode alcançar excelentes resultados práticos mesmo quando sua implementação não vem acompanhada por um sistema computacional especializado em programação da produção baseada na capacidade limitada dos recursos, como o OPT. A despeito desse fato, de alta relevância, algumas situações particulares quase que impõem o apoio de um

sistema computacional. Fábricas muito balanceadas, onde pequenas oscilações no mix de produtos levam a alterações na localização dos recursos gargalos, são exemplos de situações que tornam imperativo o uso de um sistema computacional especialista (SOUZA, 2005).

Segundo Fernandes e Godinho Filho (2010) o sistema DBR é um SCO híbrido, uma vez que o CCR é geralmente programado pelo PCP e o consumo do estoque pulmão “puxa” a produção por meio da Corda. Os autores afirmam ainda que esse método pode ser utilizado tanto em sistemas de produção repetitivos como em semi repetitivos.