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9.5 Expressions r´eguli`eres

9.5.1 Principe

Como foi apresentado, a base da teoria das restrições é que toda organização tem restrições que a impedem de atingir um nível maior de desempenho e que, portanto devem ser identificadas e geridas para aumentar o desempenho.

Para Rahman (1998) os dois conceitos fundamentais da TOC são que todo sistema deve ter pelo menos uma restrição, pois do contrário teria um lucro ilimitado, e que, ao contrário do pensamento convencional, a existência de tal restrição é uma oportunidade de melhoria e não um fator negativo do sistema.

A restrição tem uma importância vital em um sistema de produção ao determinar os dois principais indicadores de desempenho operacional para a TOC, o Throughput e o Inventário (princípio 6).

Embora possa haver muitas restrições em um dado momento, apenas algumas realmente restringem o sistema naquele momento e quando uma restrição for quebrada, caso seja, deve-se identificar a próxima restrição e “melhorá-la”, continuando, dessa forma, o processo de melhoria.

4.4.1 Restrição de Capacidade

Segundo Goldratt e Cox (2003), é necessário diferenciar os recursos da empresa em dois tipos de recurso, Gargalos e não-Gargalos. Um gargalo é um recurso cuja capacidade é igual ou inferior à demanda imposta, alocada, a ele.

Os gargalos não são necessariamente bons ou ruins, são simplesmente uma realidade, e à medida que eles existam, devem ser usados para controlar o fluxo de materiais através do sistema até o mercado, e isso deveria ser feito fazendo o fluxo através do gargalo ser igual à demanda do mercado.

Para Narasimham, et al (1995), enquanto um recurso gargalo é o recurso cuja capacidade é igual ou menor que a demanda alocada a ele, um recurso não-gargalo é aquele cuja capacidade é maior que a demanda alocada para ele.

Sipper e Bulfin (1997) afirmam que o conceito de gargalo está associado com um fluxo de eventos, onde o gargalo é o componente do fluxo que permite, por qualquer razão, que menos eventos passem por ele que no restante do fluxo. Na TOC o gargalo é um tipo de restrição do sistema ligado ao chão de fábrica. Para os autores, o gargalo é um recurso cuja capacidade é menor ou igual à demanda de mercado, ou seja, um recurso que restringe o Throughput.

Goldratt e Cox (2003) afirmam que existem quatro combinações fundamentais entre os recursos gargalos e não-gargalos que podem representar qualquer situação de manufatura. As quatro combinações estão representadas na figura 4.6.

Nesse exemplo, o recurso X representa um gargalo e o Recurso Y representa um não- gargalo. Podemos supor que, neste caso, a capacidade disponível nos Recursos X e Y seja a mesma, porém, para o mesmo nível de demanda, a capacidade utilizada em X será de 100%, por definição, e no Recurso Y será menor, 75%, por exemplo.

1. Caso 1: No primeiro caso, em que o material flui de um recurso não-gargalo para um recurso gargalo, apenas parte da produção total de Y pode será processada por X e, caso o Recurso Y não seja paralisado, o restante se transformará em estoque no sistema.

2. Caso 2: Neste caso, em que o material flui de um recurso gargalo para um não- gargalo, toda a produção de X será processada por Y, deixando o recurso Y ocioso, o que é perfeitamente aceitável.

Figura 4.6 - Relacionamento entre Recursos Gargalos e Não-Gargalos

Fonte: adaptado de Goldratt e Cox (2003)

3. Caso 3. Neste terceiro caso, algumas peças não passam por um gargalo, seu processamento é feito apenas por não-gargalos, e o fluxo vai diretamente de Y para a montagem. Outras peças, porém, passam por um gargalo e estão no trajeto de X para a montagem, onde são combinadas com as peças de Y para acabarem um produto. Neste caso o fluxo da montagem fica limitado pela produção do recurso gargalo X e, caso Y seja ativado mais do que necessário, se formarão estoques em processo antes da montagem. Este caso pode representar uma série de outras situações onde a rota Y representaria alguns recursos não-gargalos alimentando outros não-gargalos até a montagem final e a rota X representaria uma série de recursos não-gargalos alimentando um gargalo que por sua vez alimenta outros recursos não-gargalos. O resultado de manter os recursos não-gargalos ativados apenas para mantê-los trabalhando é o mesmo, ou seja, estoque em processo se formando antes da montagem.

4. Caso 4: Neste caso, X e Y processam produtos diferentes, ou seja, têm demanda independente. Dessa forma, X é o gargalo para a produção do produto B e o mercado é a restrição para a produção do produto A e, caso Y seja ativado mais do que o necessário para atender a demanda de mercado do produto A, irão se formar estoques de produtos acabados.

Essas quatro situações confirmam o segundo princípio que afirma que o nível de utilização de um recurso não-gargalo é determinado por outra restrição do sistema e não pela sua própria capacidade.

Em seu segundo livro sobre o tema (GOLDRATT e FOX, 1989), Goldratt utiliza a expressão Recurso com Restrição de Capacidade, ou CCR (Capacity Constraint Resource), para denominar os recursos que impõem o índice de produção da fábrica inteira.

Para Narasimham, et al (1995) um CCR é um recurso que, caso não programado e gerido adequadamente, pode impedir que o fluxo de produção atinja o fluxo planejado e afirma que um gargalo pode ser um CCR, mas um não-gargalo também pode ser um CCR caso não seja programado corretamente.

A identificação de um recurso-gargalo pressupõe a existência de uma escala de tempo, ou seja, um recurso possui ou não capacidade suficiente de atendimento da demanda em um determinado horizonte de tempo. Para verificar se há um verdadeiro gargalo, deve-se calcular a carga total, gerada pelos pedidos que deveriam ser trabalhados durante o horizonte de tempo, imposta em cada um dos tipos de recursos. Uma vez calculada a carga para cada tipo de recurso, tem-se que comparar esse valor com a disponibilidade de tempo dos recursos calculada no mesmo intervalo de tempo, considerando-se o número de unidades disponíveis de cada tipo de recurso e de acordo com o calendário da empresa. Se a carga colocada em um recurso for maior que sua disponibilidade, ter-se-á um recurso-gargalo. Se mais de um recurso apresentar uma capacidade inferior a sua carga, deverá ser considerado como Recurso com Restrição de Capacidade (CCR), aquele que estiver mais sobrecarregado (SOUZA, 2005).

Para Correa e Gianesi (1996) a diferença entre o CCR e o Gargalo é simples. Em algumas situações podem não haver gargalos reais em uma fábrica, ou seja, todos os centros produtivos estão superdimensionados (com excesso de capacidade) em relação à demanda, mas sempre haverá algum recurso que restrinja a produção. Este, então, será o CCR, apesar de não ser um gargalo real. Pode também haver o caso em que, pela definição, vários recursos sejam gargalos, ou seja, vários recursos têm a capacidade menor do que à demanda de mercado. Nesse caso o CCR será o recurso com menor capacidade produtiva, aquele que limitará a capacidade produtiva de todo o sistema.

Nesta dissertação, o CCR será o recurso com maior carga de trabalho em relação a sua capacidade para um determinado nível de demanda, ou seja, será o recurso que, para um

determinado nível de demanda, impõe o índice de produção de todo o sistema de produção, de acordo com a definição de Goldratt e Fox (1989), e deve ser utilizado para controlar o fluxo de materiais através do sistema.

4.4.2 Outras Restrições

Nem sempre o que limita o desempenho do sistema será necessariamente uma restrição de capacidade. Uma restrição de mercado, por exemplo, pode limitar a utilização dos recursos disponíveis de fabricação. Caso a demanda de mercado aumente, o Throughput e, portanto, o lucro líquido, serão aumentados. Uma restrição no fornecimento de matéria prima, no caso dos recursos de fabricação ter sua utilização limitada por falta de material, pode também limitar o desempenho do sistema, nesse caso, um suprimento maior de material aumentaria o Throughput e a lucratividade da empresa (NARASIMHAM, et al 1995).

Existem ainda outras formas de restrições não físicas, como as restrições de coordenação que incluem as funcionalidades de planejamento e controle como os sistemas de entrada de pedido e de controle de materiais, com longos lead times de entrada de pedido e programação que podem criar uma restrição na habilidade da empresa em ganhar pedidos por meio do serviço rápido ao cliente, restrições gerenciais, na forma de estratégias e políticas que limitam o desempenho do sistema como, por exemplo, a política de lote econômico de produção que podem não ser adequadas para a sincronização do fluxo de materiais através do sistema, e as restrições comportamentais que podem ser as mais difíceis de serem eliminadas. Um bom exemplo é o comportamento de manter todos os centros de trabalho funcionando para tentar aumentar a eficiência do sistema, enquanto na verdade, o que se desejaria seria exatamente o contrário (NARASIMHAM, et al 1995). Esse tipo de restrição, não física, quando encontrada deve ser elevada rapidamente e não exploradas como as restrições de mercado e recurso (GOLDRATT, 1991).